Famiglia Vargas
9 Capítulo Nove: Why are you so cold, Mr. Firefly?
Notas iniciais
Já notaram como os títulos tem ficado grandes? xD As músicas desse capítulo e do próximo são 'So Cold' e 'Firefly' do Breaking Benjamin... As letras são boas e vale a pena ouvir!
Eu ando sentindo falta de alguns dos meus leitores... Mas fico feliz por ainda ter alguns fiéis xD -Qq
De qualquer forma, boa leitura e até as notas finais.
05/09/13 - Algumas alterações foram feitas simplesmente por preguiça da autora. Sim, elas alteram o sentido da história parcialmente, mas eu duvido que alguém releia
Ela se sentia gorda. Inchada, gorda, desleixada e feia. Mesmo aquele macacão sendo lindo e tudo o resto, ele não parecia nem um pouco bom em seu corpo. Elizabeta até tentara usar saltos altos, mas seus sapatos não puderam lhe fazer o favor de entrar.
Estar grávida não era nem metade do conto de fadas que ela sempre ouvira falar que seria. Liz sentia-se constantemente enjoada, e seu almoço naquele dia fora nada mais, nada menos, que macarrão com calda de chocolate. Por quê? Ela não fazia ideia. Simplesmente dera vontade. E então, ela simplesmente passara o resto da tarde no banheiro.
O problema agora era que ela tinha apenas mais uma maldita hora para se arrumar para a festa, e ela não tinha conseguido nem escolher o que usar ainda. chutou para fora dos pés as sapatilhas que a deixavam baixa demais, enquanto tentava tirar aquela maldita peça de roupa. Como esperavam que ela fosse ao banheiro com aquilo?! Ela tinha um par de crianças esmagando sua bexiga, precisava de uma roupa prática! O mundo das grávidas era, em uma palavra, uma szar.
– Elizabeta, por favor, me diga que você já se arrumou, ou nós vamos todos acabar atrasados... Oh.
Roderich parara na porta, o rosto virado para longe da visão de sua esposa já despida da parte de cima da roupa.
–... Eu- eu sinto muito...
– Ah, pelo amor... Só me ajude, por favor. Eu não consigo abrir o maldito zíper.
– Mas, Liz você...
– Dane-se! Eu estou grávida, e de mau humor!
O moreno apressou-se até ela e abaixou o resto do pano para o chão, tentando não corar mais do que já estava corado. Ele deu as costas a húngara enquanto ela chutava a peça de roupa para um canto da suíte – junto com pelo menos mais cinco outras já experimentadas e descartadas – e seguiu para a mala, resmungando algo sobre a injustiça do mundo para com as mulheres.
–... Se você preferir ficar em casa eu realmente não vou-
– Roderich, — ela interrompeu-o quase que automaticamente enquanto apoiava um vestido vermelho sobre o busto e encarava a imagem no espelho – eu não vou perder uma festa com comida.
–... Claro. A comida.
– Oh, é claro que eu sinto falta do Feli também, faz tanto tempo que nós nos vemos! Qual foi a última vez que eu vim aqui com você mesmo?
–... No aniversário dele, o do ano passado.
– E esse ano, não era em março?
– Coincidiu com o dia do primeiro pré-natal.
– Oh sim, eu me lembro... Vou ter que me desculpar com ele por isso.
Roderich não respondeu. Quando Liz começava a falar e agir de modo fútil e falar daquela forma geralmente significava um ataque de nervos logo em seguida. Na verdade, ele ainda podia sentir o rosto ardendo da última vez que ele tivera a coragem de discordar do tópico “eu estou gorda e feia”.
–... Rod, o que você acha desse?
Estremeceu, mas ainda assim virou-se para ver o vestido verde-escuro que ia até o pé. Liz entortava-se de um lado para o outro, tentando ver o próprio corpo de todos os ângulos possíveis e impossíveis.
– Ahn, ele parece ótim-
– Eu não gostei...
– Então não está bom. – Ele corrigiu-se rapidamente, fazendo a morena virar-se para olhá-lo com a testa franzida.
–... Porque não?
Droga. O austríaco mudou o peso de uma perna para a outra. Ele estava ferrado. Totalmente morto. Já era. Perguntou-se porque preferira voltar para buscar o grupo ao invés de entregar as chaves do carro para um deles.
– Ahn... Eu só acho que aquele outro ficou melhor.
– Outro? – Ela entortou a cabeça e lançou um olhar hesitante à pilha relativamente alta. – Qual deles?
Droga, droga, droga...
– O branco com um laço verte esmeralda nas costas. – A voz de sua salvadora soou atrás dele. Ele virou-se para ver Natália já pronta com um vestido no estilo oriental, azul-turquesa com um corte que se iniciava na metade da coxa. Ela também usava um broche de girassol no cabelo preso num coque frouxo, além de uma blusa branca de peles.
– Oh, Nat! Obrigada, você é minha salvadora! Pode me ajudar a colocar ele, por favor?
A loira avançou pelo quarto, passando por Roderich com um olhar de “você me deve essa” antes de enxotá-lo de lá. O moreno saiu, nem um pouco ofendido pelo tratamento recebido e agradecido por poder voltar para a sala e sentar-se ao lado do coreano que não parecia nem um pouco incomodado com a demora das damas.
Ele brincava com um cubo mágico, girando-o numa velocidade irritantemente superior a que a maioria das pessoas conseguia alcançar.
– Você acha que algo pode acontecer na festa de hoje?
Roderich ficou surpreso por ouvir a voz dele ao seu lado. O menino não tirou os olhos de seu quebra-cabeças, mas pareceu estar esperando uma resposta.
– Talvez. Eu recomendaria a você se manter o mais longe possível do gêmeo mais velho, mas ele provavelmente já vai se afastar das relações públicas sozinho. Lovino prefere deixar o irmão dele com os sorrisos falsos.
–... Feliciano, certo? Ele viveu com você por um tempo.
– Sim. Liz também o conhece.
– Você escondeu ele da máfia russa, do pai de Ivan.
– Sim, meu pai e eu decidimos que seria o certo a se fazer.
– E você acabou se metendo no meio do fogo cruzado depois da morte do velho Vargas.
–... Infelizmente, sim.
– Mas você não parece se arrepender de nada disso.
– Feliciano é um bom garoto, com bons princípios. Ele gosta da maneira antiga de trabalho da família, eles são bem tradicionais.
– Como assim?
–... Antigamente a máfia italiana servia como uma proteção às comunas. – Roderich respondeu, sem perceber que Soo já tinha terminado de montar o cubo e agora encarava-o com curiosidade. – E Feliciano leva isso a sério. Você não ouve falar de roubos frequentes ou violência por aqui, nada disso.
– Sério mesmo? Tipo, um justiceiro? Ele realmente acha que é do ”bem”, ou algo assim?
Roderich lançou a ele um olhar muito semelhante ao do dia anterior, no carro.
– Você acha que o que você faz é certo?
– Não.
– E porque continua fazendo?
–... Eu devo isso ao Wang.
– O motivo de Feliciano é porque ele quer acreditar que pode fazer algo de bom com isso. Porque ele aprendeu bem cedo que o sistema em si é corrompido.
–... Como?
– Se ele tivesse entrado para a política, como muitos sugeriram, ele provavelmente teria entrado em depressão. Feliciano prefere acreditar que os fins justificam os meios do que acreditar que os fins nunca virão, que tudo pelo que ele luta não passa de um sonho infantil.
–... Ele parece um bobo.
– Talvez para você, por enquanto pelo menos. Você vai conhecer ele hoje, e pode tirar suas próprias conclusões... Você viu através da Natália, pode muito bem ver através dele, se prestar atenção.
Soo pareceu impressionado com aquele comentário. Comparar quem quer que fosse aquele italiano com Natália parecia um pouco exagerado, considerando a definição que fora feita dele.
Isso só o deixava ainda mais curioso e ansioso para aquela festa.
– Pronta! Meninos, o que acharam?
– Você parece glac-
– Está linda, Liz. – Roderich interrompeu o rapaz, que aparentemente perdera o amor pela vida, abrindo um sorriso gentil e erguendo-se para oferecer o braço à esposa. – Vamos?
Elizabeta lançou um olhar aborrecido ao coreano, que inocentemente oferecia o braço para Natália, que o ignorou prontamente. O curto caminho até a residência dos Vargas foi percorrido em um silêncio tenso. A dupla que sentava-se no banco de trás mantinha os olhos baixos, e Soo balançava nervosamente a perna esquerda, para o incômodo de Natália.
Quando Roderich encostou o carro numa rua paralela e desceu dele, dando a volta para oferecer ajuda à morena, o coreano sentia-se soando frio. Quando saiu do carro, ele precisou de um momento para conter o tremor ansioso que parecia querer tomar conta de seus membros.
– Nós vamos ser mortos antes até mesmo de alcançarmos o hall. – Ele sussurrou para si mesmo, os olhos brilhando em expectativa.
–... Não, nós não vamos – Natália resmungou. – Eles não arriscariam acertar a Liz ou o Roderich.
Os olhos mel dele – extremamente escuros com a falta de iluminação – encararam-na. Ele sorriu e esticou o braço, oferecendo-lhe a mão ainda um pouco trêmula.
– Seria rude deixar você entrar no salão desacompanhada. – Ele falou simplesmente, diante o olhar questionador dela. Era óbvio que ele o fazia para se desconcentrar do que o deixava nervoso, até porque ele não se dera o trabalho de incomodá-la ainda, e ainda assim, Natália aceitou o braço que lhe era oferecido.
–... Não fique grudado em mim a noite inteira.
– Infelizmente, seria mais fácil se ficássemos juntos, e sob os holofotes, durante todo o tempo.
– E porque eu deveria aceitar isso?
– Porque você quer morrer tanto quanto eu.
– Eles não teriam motivos para matar agente. – Ela resmungou, parecendo aborrecida. – Ou você realmente acha que um sniper que matou o líder da família a mais de treze anos atrás vai mesmo ressurgir?
Soo parou-a antes que virassem a rua, segurando-a pelos ombros.
– Se ele agiu uma vez, pode agir de novo. E se ele achou divertido fazer isso durante a festa da última vez, se ele prefere apostar no fato que você é alvo da desconfiança dos Vargas, tudo isso. Tudo pesa para que aconteça outra vez.
– Você é pessimista.
– E você precisa pensar mais.
– Falou o cara que já foi criticado duas vezes pelo Roderich.
–... Faça o que quiser então. – Ele simplesmente voltou a andar, ainda escoltando-a, ainda agindo como se nada tivesse acontecido.
Quando entraram no casarão, e quando seguiram para o já razoavelmente cheio salão de festas, ele pareceu outra pessoa totalmente diferente. O sorriso que abriu-se em seu rosto foi o mais inocente possível, apesar de ter um quê de menino travesso que pareceu chamar uma grande quantidade de atenção para si.
Roderich seguiu para onde Feliciano encontrava-se, ao lado da mesa onde o irmão e o espanhol estavam sentados. Ele conversava animadamente com uma mulher muito bonita que poderia ou não ser uma modelo famosa – Natália jurava já tê-la visto em alguma revista antes, mas nunca saberia com certeza absoluta – mas sua atenção foi rapidamente desviada para o grupo quando os quatro aproximaram-se.
– Oh, Rod! Que bom que chegaram. E Liz, caramba! Você está linda, o vestido ficou perfeito. – Ele beijou cada um dos lados do rosto da morena, fazendo-a sorrir.
– Você parece maior, Feli. E o terno fica lindo em você também, apesar de eu ainda preferir... Bem. – Ela soltou um risinho, acompanhada por uma risada envergonhada do italiano.
Finalmente, ele pareceu perceber o olhar atento de Soo sobre si, e a presença de Natália ao seu lado, os olhos lilases observando a cena com um desinteresse característico. E para a surpresa do coreano, apesar da sensação de que cada pessoa na sala poderia apontar-lhe uma arma a qualquer momento, Feliciano sorriu para ambos. Ele aproximou-se e beijou a mão de Natália gentilmente, elogiando seu vestido, e então analisou Soo de cima a baixo rapidamente, parecendo julgar seguro um aperto de mãos.
– Você é Soo, certo? É um prazer conhecê-lo. Na verdade, estou surpreso por você ainda estar com seu braço no lugar... Natália, você ficou mais tolerante com os anos?
Oh, então eles já se conheciam. Ele lançou um olhar hesitante para a moça, ato que causou-lhe um arrepio nervoso ao perceber que ela também sorria.
– Na verdade, nós entramos num consenso de que deixar uma dama desacompanhada seria... Rude.
É impressionante o que a política não pode fazer.
– Palavras minhas, diga-se de passagem. – Ele falou, sentindo-se idiota.
O sorriso que Feliciano direcionou a ele pareceu mais ameaçador do que teria sido o brilho de uma pistola. O gêmeo mais velho resmungou atrás deles, chamando a atenção dos irmãos.
– Oh, sinto muito. Soo, esse é meu irmão, Lovino. E este é Antônio.
– É um prazer conhecer vocês. – O moreno respondeu simplesmente. O espanhol não fez qualquer comentário, mas manteve um sorriso idiota no rosto, enquanto Lovino concordou rapidamente com a cabeça.
– Sim, claro.
Ele parecia desconfortável, como Roderich dissera que ele ficava perto das pessoas. Feliciano por sua vez desculpou-se rapidamente e seguiu pela festa, parando pessoas e conversando com elas o tempo todo.
Soo e Natália preferiram buscar por uma mesa vaga e sentarem-se, observando aquele evento social como se aquelas pessoas fossem de outro planeta.
– Eu odeio conversar. – A loira resmungou baixinho para ele.
–... Eu também. – O asiático confessou.
– Não gosto de ter que sorrir o tempo todo.
– Eu também não.
–... Eu não vou com a cara do gêmeo mais novo.
– Ele parece perfeitamente normal... Para um mafioso.
– Ele é estranho. Ninguém que sorri tanto assim, e nunca parece reclamar de nada, pode ser normal.
Soo soltou uma risada.
– Bem, nós não somos exatamente normais, nos excluindo desse jeito.
–... E sua sugestão?
– Eu diria “vamos dançar”, mas isso não é um filme de romance. – Ela encarou-o com a testa franzida, tentando entender se aquilo fora ou não uma piada. – Então podemos simplesmente conversar com o Roderich e a Elizabeta.
–... Não podemos não.
Soo encarou-a, pronto para perguntar por que não, quando percebeu-a olhando para a entrada do salão. Havia um rapaz parado lá, os olhos fixos no suposto casal que agora conversava com alguns conhecidos. Estranhamente, sob a luz, seus cabelos pareciam brancos.
Depois da conversa com Feliciano na tarde anterior, Gilbert sentira que estaria pronto para qualquer coisa que precisasse enfrentar durante a festa. Ele sabia que seus treinadores estariam em algum lugar daquele salão, mas assim que entrara, ele simplesmente não pudera evitar cravar os olhos no austríaco e em sua... Acompanhante. E então ela se virara de lado e Gilbert percebera algo que simplesmente destruíra-o por dentro.
Elizabeta, grávida. Casada com seu Roderich, com quem ele passara a noite anterior àquela, aquele que ele abandonara... Ela estava grávida. Quem mais poderia ser o maldito pai?
Ele não avançou correndo pelo salão, e não causou um rebuliço. Mentalmente, ele contou até mil, e viu-se socando a parede até que os nós dos dedos sangrassem. Respirou fundo e avançou lentamente até eles, apoiando a mão delicadamente no braço da moça, que virou-se para ele com curiosidade no olhar.
– Caramba Liz, que incrível! Você tá enorme!
Roderich pareceu chocado. Na verdade, o casal com quem eles estiveram conversando também pareceu. E Feliciano, que se aproximara para prevenir qualquer tipo de embate, também ficou chocado. Elizabeta, porém, sorriu.
- Olá Gilbert. Você realmente não mudou muito.
- E porque eu mudaria minha personalidade incrivelmente maravilhosa? Ksesesese! Mas sério, de quantos meses você tá?
- Entre sete e oito meses, faltam duas semanas.
- E já dá pra saber se vai ser menino ou menina?
- Bem, deveria, mas os bebês me fizeram o favor de cruzar as pernas...
- Hah! – Ele estremeceu ao ouvir “bebês” no plural, mas manteve o sorriso. – Eles querem fazer surpresa, aposto.
-... Pode ser.
Os dois sorriam. E a conversa seguiu com um Roderich encarando o albino ainda incapaz de crer na sua reação positiva e animada, e com Feliciano abrindo um sorriso com um quê de tristeza enquanto se afastava descretamente.
- E esses são os primeiros filhos de vocês dois? – A pergunta soou levemente nervosa nos lábios do rapaz. Seus olhos vermelhos pareciam hesitantes, como se não quisessem saber da resposta, o sorriso em seu rosto falhou por um milésimo de segundo, imperceptível.
– Oh, não! – Ele encolheu-se. – O bebê não é do Rod!
Gilbert pareceu genuinamente surpreso. Seu objetivo era simplesmente ouvir uma resposta negativa e aceitar o fato de que Roderich era, obviamente, um homem, e que ele não poderia ter passado os últimos treze anos com um cinto de castidade, sonhando com o dia que o albino viria e o salvaria do casamento falso.
Mas os bebês – dane-se lá de quem eles fossem – não eram de Roderich.
– Como assim? – Ele questionou-a, só para ter certeza. Para se garantir.
– O Rod aqui não poderia me dar um filho, então eu fiz um por mim mesma. – Ela tocou o ombro do marido divertidamente, totalmente ciente de que estavam sempre sendo observados, escutados, analisados. E sua resposta poderia ser interpretada de tantas maneiras diferentes que por um momento até mesmo Gilbert hesitou antes de responder.
– Inseminação artificial, certo? Eu já tinha ouvido falar, mas nunca conheci ninguém que tivesse feito.
– Eu me senti um bicho de zoológico agora, mas ok.
Gilbert riu.
– Um bicho incrível, só se for! Não se preocupe, Liz, você sempre foi magra então mesmo que você esteja gordinha agora, você deve conseguir recuperar depois. Se quiser, eu te ensino boxe!
–... Acho que não, obrigada. Mas se meu filho for menino, eu deixo você ensinar boxe pra ele.
A conversa não poderia ficar mais estranha. Gilbert finalmente lançou um olhar divertido para Roderich – talvez esperando uma salva de palmas por seu comportamento exemplar – e ergueu uma sobrancelha ao perceber a expressão esquisita que o austríaco carregava.
– Oras Rod, parece que você viu um fantasma! O que aconteceu?
Liz virou-se também, observando o marido e melhor amigo com um brilho divertido no olhar.
– É, Rod. O que aconteceu? Quer nos dizer alguma coisa?
Aquela frase pareceu despertar o moreno, que remexeu-se e lançou à Elizabeta um olhar aborrecido antes de sorrir.
– Não é nada. Eu acho que vou deixar vocês sozinhos, parece que nossos convidados não estão conseguindo se enturmar muito bem. Vejo vocês mais tarde Liz, Gilbert.
–... Roderich.
Eles observaram enquanto o rapaz tecia seu caminho pela agora multidão, sentando-se com a dupla do outro lado do salão e pondo-se a conversar com eles.
– Com quem aprendeu a atuar assim? – Liz perguntou-o gentilmente, a voz macia soando alta o bastante para que apenas o albino a escutasse.
Gilbert ofereceu a ela o braço e eles se puseram a caminhar pelas bordas do salão, na direção da mesa de bebidas.
– Eu não estou atuando, estou feliz em te ver.
– E ainda mais feliz por saber que o Rod não é o pai do meu filho.
–... Sim, isso também. E também porque você não está usando a aliança.
– Eu estou inchada, não consigo colocar o maldito anel nem no mindinho.
Gilbert riu.
– Você não se cansa dessas festas chatas de alta-sociedade?
– Nah, é divertido. Por exemplo, eu te garanto que metades das mulheres desocupadas desse lugar já nos colocaram num triângulo amoroso.
– E eu aposto que meu relacionamento com o Roderich nunca será nem cogitado.
–... Bem, existe louca pra tudo. Eu percebi.
– Você é você, Liz. Eu já disse que você nem conta como uma mulher.
– Eu vou fingir que isso foi um elogio, obrigada.
– Foi um prazer... Aceita refrigerante?
– Me dá azia.
– Suco de laranja?
– Me dá azia.
– Água?
– Porque eu tenho que beber água? Estou grávida, não desidratada. Eu quero champagne.
–... Então tudo te da azia, menos o álcool?
Os olhos verdes dela encararam-no com irritação.
– Eu ainda não esqueci que você me chamou de gorda, Gilbert. Duas vezes. Agora sirva o maldito champagne para mim antes que eu arranque fora sua língua.
Os olhos vermelhos brilharam divertidamente, mas ele não ousou contrariá-la.
– Essa é a Liz que eu conheço. – Ele cantarolou animadamente. – Boa noite, aliás.
A moça ergueu uma sobrancelha, sem entender a última parte, mas foi impedida de questionar o albino pelo surgimento de uma nova personagem.
– Boa noite. – A voz macia e o sotaque francês penetraram em seu ouvido. Ela virou-se para encontrar os olhos azuis e perigosamente brilhantes de Francis Bonnefoy. – Você continua linda como sempre, mon cher.
Elizabeta precisou de todas as suas forças – e também um pouco da preguiça característica da gravidez – para não saltar para longe do rapaz. Ele era um velho amigo de infância de Gilbert, e um dos traumas da infância da húngara.
O francês era o que poderia ser chamado de um “eterno mulherengo”. Elizabeta não fazia a mínima ideia de como ele e Gilbert puderam acabar amigos, mas aquele fato deu início à sua saga em nome da proteção de sua inocência e castidade dentro e fora da casa de Roderich.
Ele parecia-lhe perfeitamente ciente do desconforto que causava na húngara, e talvez por isso não se aproximou excessivamente de Liz, passando por ela e pegando para si uma taça de vinho na mesa.
– A festa de hoje parece com uma daquelas reuniões de escola. – Ele falou simplesmente, olhando em volta e pousando periodicamente os olhos em um ou outro elemento conhecido na multidão. Gilbert soltou uma risada divertida e deu de ombros.
– Ainda assim, é impressionante saber que Feliciano tem contatos o bastante para convidar quase todas as pessoas que eu conheci para vir aqui.
–... Feliciano é o italiano fofo da recepção, certo?
Gilbert lançou ao francês um olhar divertido.
– Bem, se você quer ver ele dessa forma, o problema é seu. Só não posso garantir sua integridade ao fim da noite.
As orbes azuis lançaram um olhar cauteloso ao italiano que agora puxava o irmão e Antônio pela a pista de dança, curiosamente vindo na direção deles. O espanhol acelerou o passo ao perceber a presença de Francis no trio, seu sorriso expressando um reconhecimento nostálgico.
E então uma pequena comoção na direita fez com que Lovino virasse o rosto para encontrar Roderich, Soo e Natália correndo para eles, gritando algo inicialmente incompreensível por culpa das conversas e do som das vidraças se estilhaçando.
“Abaixem-se!”
E então, o salão inteiro mergulhou num silêncio macabro, cada par de olhos observando enquanto o gêmeo mais velho dos Vargas caía no chão, a blusa branca manchando-se do vermelho escuro com um odor levemente metálico.
Ninguém virou-se para ver o sniper desaparecendo do prédio onde estivera posicionado até o momento, protegido pela escuridão de uma noite sem estrelas e sem a lua.
–... Lovi? – Antônio sussurrou, incapaz de compreender a cena que parecia congelada a sua frente.
Um grito apavorado e desesperado cortou a noite da geralmente pacífica comune de Genova.
Notas finais
Ohohohohohon... Eu sei, eu sei. Hey, Clair-chan, você não precisa matar mais ninguém nas suas fics! Não é ótimo?! *run*
Sim, eu sei que a reação do Gilbert foi muito pouco... Gilbert xD Mas eu queria mostrar que ele nem sempre é irritante e sem noção como as pessoas colocam ele. E ele também precisava mostrar pro Rod um pouquinho de responsabilidade ;3
Bem, eu sei que provavelmente ninguém gostou do capítulo xD Eu também ficaria com raiva de mim se eu matasse os personagens legais antes mesmo de colocar um pouco de Spamano na história UHSAUASUAHSHAUSUHAS MAAAS, eu não disse que ele está morto, disse? ;3
Hue, eu espero que isso segure o pessoal aqui, porque eu ando me sentindo sozinha ultimamente... Reviews pra uma autora solitária? *u*
Não se esqueçam do projeto "professores ditadores" em nome de textos sem erros -q
Besos e até a semana que vem, se eu aguentar até lá xD
Gin-chan
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