Famiglia Vargas

18 Capítulo Dezoito: Compass


Notas iniciais
CALMA GENTE, NÃO É O APOCALIPSE ZUMBI! Eu realmente voltei dos mortos! Calma, sem assassinatos, eu já morri uma vez e não foi legal >3< Eu sei que faz séculos desde a última vez que eu atualizei FV, sei que aqueles de vocês que ainda não se casaram e tiveram filhos e morreram felizes para sempre estão putos comigo, com razão, mas por favor tenham piedade. Sem desculpas, eu simplesmente não conseguia escrever e eu nem sei o motivo. Por outro lado, Gin-chan trouxe um presente pra vocês, com o objetivo de iniciar o novo arco e de aumentar a moral do povo ;3 Até as notas finais minha gente. P.S.: A música é Compass, da Lady Antebellum e trupe –q

Em sua inocente fé, Lovino estivera torcendo para não precisar chegar perto de um aeroporto tão cedo. Agora, porém, ele se arrependia terrivelmente de ter feito aquele pedido – mesmo que inconscientemente.

O barco balançava ao vento. Enjoativamente. Não que ele estivesse enjoado, ele só... Não gostava de como seu estômago se embrulhava e parecia travar uma batalha com o resto de seu corpo para colocar suas tripas para fora, junto com o que restara do café da manhã.

Não importa o que dizem sobre o mar, ele não era nem um pouco bonito, fazendo o que fazia com seu organismo.

Mais cedo Antônio dissera algo sobre “apreciar a vista” ao que Lovino sentiu a necessidade de mandá-lo para a puta que pariu, porque tudo o que havia era o navio e um monte de água para todos os lados e ele estava cansado e estava – ok, ele estava mesmo – enjoado e ele queria bater em alguém, mas a única pessoa perto de si era Kiku, e não seria justo bater no pobre japonês, porque ele vinha tentando fazê-lo se sentir melhor durante toda a manhã.

Curvou-se mais uma vez por cima do limite do barco, seu corpo lutando para colocar para fora algo que nem estava do lado de dentro. Sentiu a mão do asiático acariciando suas costas numa tentativa de parar as contrações, sem muito sucesso. Quando percebeu que provavelmente não acabaria vomitando seus órgãos internos, Lovino meio que se jogou no deque, respirando fundo pela boca e fechando os olhos.

O vai e vem do mar, somados a sua frustração e ao enjôo o fizeram querer chorar, o que não aconteceria – de jeito nenhum. Ao invés disso, soltou um gemido frustrado e rolou, deitando-se com as costas para cima e lutando para se concentrar no sol do meio dia e na forma com que ele estava insuportavelmente quente a ponto de fazê-lo suar.

Precisava agradecer por não ter ninguém no deque, além dele e do japonês, que de alguma forma convencera os quinze homens que os acompanhavam de que um jogo de cartas seria ótimo para passar o tempo. Sentiu-se grato por poder fazer todo o drama que queria, mas não externou isso.

Uma gargalhada divertida e irritantemente alta denunciou a aproximação de Antônio. Ele cheirava (fedia) a spagnolo maldito, e o simples fato de conseguir sentir seu perfume já fazia Lovino querer vomitar outra vez – não que fosse tão ruim... Quer dizer, é claro que era ruim, mas ele até que gostava do fedor e- Chega.

Ele vinha tendo um bocado de pensamentos estúpidos como aquele ultimamente – tudo culpa do maldito enjôo, é claro. Agradeceu aos céus por Antônio não conseguir ler sua mente, ou ele provavelmente traduziria seus pensamentos como “eu consigo reconhecer seu perfume de longe, eu te amo, me abrace” ou qualquer uma dessas merdas, e então faria um escândalo quando Lovino o mandasse para um lugar feio qualquer... De novo.

– Ei, Lovi, levanta daí. – O bastardo chamou-o, insensível a seu sofrimento e aos seus pensamentos conflituosos dignos de meninas da quinta série. – Eu conversem com Kiku e ele me deu uma receita pra curar enjôo, ‘né não? – Prosseguiu sem a resposta do japonês, ao que Lovino sentiu que havia algo de errado ali. – Mas ele disse que você precisa comer algo antes, então anda logo.

Em resposta o italiano resmungou algo como um “vai se ferrar”, mas nem ele mesmo sabia o que falava. Um par de mãos o puxou para cima, evitando delicadamente a área da barriga. Lovino ergueu os olhos com uma expressão aborrecida para ver o sorriso ofuscante de Antônio. É claro que o bastardo estaria animado. Dava pra ver na forma com que seus olhos brilhavam.

O espanhol sempre amara o mar, sempre gostara de velejar, e da maresia e do vento e do barulho das ondas, e de todo o resto, mas depois que conhecera Lovino, tudo aquilo fora esquecido como se fosse um mero detalhe, o que não era. A verdade é que ali, entre as ondas e debaixo daquele sol escaldante, o espanhol lhe parecia ridiculamente… Vivo. Quase brilhante.

… Soaria idiota se Lovino dissesse que sentira uma pontada de ciúmes?

O som de vozes se aproximando alcançou seus ouvidos. Bufou, se afastando do espanhol com um empurrão. Cambaleou por um momento, e sentiu o estômago se revirar, mas conseguiu se manter de pé, e sem vomitar, então concluiu que estava tudo bem.

– Eu posso andar sozinho. – Rosnou entre dentes antes de iniciar o caminho até a cozinha por si próprio. Quando passou por Antônio pôde ver a confusão em seu rosto.

Aí estava, mais uma vez ele conseguira. Enquanto o mar lhe trazia alegria, tudo o que Lovino tinha a oferecer era um pouco de ação e um bocado de dor, confusão e mágoa. Palmas, ele era a pior opção possível. Apertou os lábios e ignorou os dois seguranças por quem passou – irônico, considerando que fora completamente por culpa destes que ele fizera a tal ceninha no deque.

No corredor até a cozinha Lovino teve a sensação de que tinha se encontrado com todas as pessoas do barco. Precisou lutar com toda sua força de vontade para não se apoiar nas paredes ou se arrastar até a cozinha, como pretendia fazer. Também fez um esforço descomunal para aparentar o menos doente (e acabado) o possível. Seria humilhante demais demonstrar uma fraqueza tão fútil fronte aqueles que o seguiam.

Ignorou as perguntas educadas, os chamados respeitosos e qualquer outra coisa que acontecia ao longo do curto corredor. Dentro de si, lutou para ignorar a sensação de sufoco e a necessidade de gritar. Como um líder, ele se acostumara a abrir mão de muitas coisas – sendo “poder aparentar doente” a menos importante delas.

Ele sabia que Antônio estaria logo atrás dele, observando-o cautelosamente como se esperasse que Lovino caísse desmaiado a qualquer momento. Quando finalmente chegou à porta verde que levava até o refeitório, poderia dizer sem vergonha que estivera a um fio de fazer exatamente o que o espanhol esperava – e talvez cair morto como bônus. Jogou-se sem cerimônias na primeira cadeira que encontrou, fechando os olhos e colocando a cabeça entre as pernas – não sem antes checar se a sala estava vazia, é claro.

Ele ouviu enquanto Antônio conversava com o cozinheiro – que Lovino nem se dera o trabalho de cumprimentar – e aguardou em silêncio enquanto ambos caminhavam de um lado para o outro por alguns poucos minutos, até uma tigela de plástico ser pousada na mesa.

Arrumou a postura, apreensivo, até perceber que era apenas Antônio, relaxando os ombros. Apoiou as costas no encosto da cadeira, encarando hesitantemente a sopa de legumes.

Lutou contra a voz da razão, que o advertia sobre o quanto ele vomitaria mais tarde, e levou uma colherada a boca, engolindo o conteúdo quente sem nem mesmo sentir o gosto e torceu o nariz numa atitude deveras infantil ao sentir a língua e a garganta queimando, largando o talher na tigela como reação.

– Lovi? O que foi? – Antônio estivera observando-o ansiosamente, e agora parecia ainda mais nervoso com a reação sem sentido do italiano, que balançou a cabeça e ergueu a mão pedindo um momento, antes de comer mais um pouco.

O almoço de Lovino seguiu assim, com ambos em silêncio enquanto o mais novo engolia o conteúdo da sopa lentamente. A porta do refeitório abriu-se e o pequeno japonês passou silenciosamente e fechando-a em seguida.

Kiku abriu um sorriso gentil ao ver que Lovino estava realmente comendo, mas foi para Antônio que ele se dirigiu, acompanhando o espanhol do outro lado da mesa e iniciando uma conversa num tom de voz baixo com o mesmo. Instintivamente o gêmeo mais velho ergueu os olhos e passou a observá-los, sem entender o porquê de não estar sendo incluído na conversa.

Tentou comer mais um pouco, mas chegou a conclusão de que já tinha feito o bastante e empurrou a tigela para o lado, pendendo a cabeça para trás e ignorando os olhares que recebeu de ambos os homens, que pararam de conversar ao vê-lo se mover. Soltou um suspiro aborrecido, fechando os olhos e regulando a respiração com o ritmo do balançar do barco.

Ao menos aquilo ajudava a melhorar um de seus problemas emergenciais.

O segundo deles era um espanhol irritante que parecia não sair de sua cabeça. Contou até cinco, mentalizando sua casa, e Feliciano, e qualquer outra coisa que o deixasse calmo. Disse a si mesmo que estaria tudo bem, e que quando abrisse os olhos a tontura já teria parado, e Antônio teria desaparecido. Abriu os olhos, a tontura parou.

Antônio, por outro lado, projetava-se por detrás dele, o rosto longe o bastante para que ele não sentisse sua respiração, mas próximo o suficiente para fazer Lovino levar um susto. Sentiu o corpo encolher-se pela surpresa, mas, por sorte, ao falar sua voz não tremeu.

–... Afaste-se. – Sentiu o próprio coração bater violentamente contra as costelas, mas torceu para que o outro não tivesse percebido nenhuma diferença, mas, para seu azar, Antônio não era tão estúpido.

– Lovi! Sua cara ‘tá muito vermelha! O enjôo piorou?

O italiano já tinha se afastado, o rosto escondido entre as mãos, que estavam apoiadas na mesa, então não respondeu a pergunta. Respirou fundo uma vez, e soltou o ar lentamente pela boca.

– Eu estou bem. – Falou, a voz abafada. – Vou pra cabine agora.

– Oh. Ok, vamos lá. – O espanhol cantarolou, ajudando Lovino a se erguer e acenando um tchau para Kiku, seguindo para o corredor e puxando o menor consigo.

A mente lenta de Lovino processou o risinho divertido que Kiku deu ao vê-los saindo da sala. Definitivamente, havia algo de errado acontecendo.

Vamos? Como assim vamos?! Eu quero descansar, como espera que eu consiga com você colado em mim, seu bastardo?! Aliás, o que diabos Antônio esta fazendo afinal? Essas perguntas martelavam nos ouvidos de Lovino, que apesar de tudo seguiu o espanhol em silêncio. Por algum milagre, agora eram os corredores que estavam vazios. Tinha a impressão de que Kiku tinha algo a ver com aquilo também, mas não pensou muito no assunto.

Lovino só voltou a si quando viu-se do lado de dentro da pequena cabine que ele dividia com o espanhol, um lugar ridiculamente apertado e abafado, com espaço apenas para uma beliche e uma cômoda com três gavetas que não tinham espaço para nada. As duas bolsas de viagem, uma pertencente a cada um deles, estavam de baixo das camas. O moreno virou-se, surpreso ao ouvir o som da tranca sendo ativada. Franziu o cenho, sem entender o motivo de tais ações vindas do maior.

Suas dúvidas foram sanadas quando Antônio virou-se e ficaram frente a frente um com o outro. Lovino recuou um passo, corando quase que automaticamente perante o olhar ferino do espanhol.

– Ah... – Estremeceu, finalmente entendendo. Não estava nos planos de Antônio permitir que o chefe descansasse tão cedo.

Foi meio frustrante sentar-se para almoçar, com um salão sozinho. Toda a organização se movia em conjunto agora, e com exceção de Giuliano, que se tornara o cozinheiro oficial do grupo depois que se casou, todos seus irmãos estavam oficialmente em missão.

Para seu azar, o dia de visita de pais na escola da filha de Giuliano também coincidira com a partida de Lovino e dos outros, e já que Gilbert estava treinando como um condenado desde sabe-se lá que horas da madrugada, restava ao italiano sentar-se sozinho na mesa gigantesca e mastigar seu pão com recheio de pizza em um silêncio desconfortável.

Ludwig ainda estava dormindo, pelo que sabia, e não era exatamente justo acordá-lo só porque se sentia sozinho. Para sua sorte eterna, porém, naquele momento o loiro entrou pelo salão e congelou, estranhando ao ver as cadeiras vazias e a ausência do barulho de todas as manhãs. Ele olhou em volta até pousar seus olhos no italiano e em seu prato cheio de pãezinhos do dia anterior, recém esquentados no microondas.

– Bom dia. – O alemão cumprimentou-o enquanto se aproximava.

Com um bico, Feliciano deitou quase todo seu corpo sobre a mesa, ponderando se morreria de tédio ou de aflição primeiro. Respondeu o maior com um som ininteligível, entre um gemido e um resmungar baixo.

Ludwig sentou-se de frente para ele, do outro lado da mesa, e pegou um dos pães, comendo-o em silêncio enquanto observava o pequeno balançar o pé por debaixo da mesa e murmurar coisas sem sentido num italiano rápido demais para seu entendimento básico.

– Uhun... Feliciano?

Sem resposta. Duvidou que o rapaz tivesse ao menos percebido sua presença.

– Feliciano?

Nada. Apertou os lábios, hesitando antes de mudar de estratégia.

– Feli?

O par de orbes alaranjadas ergueram-se com uma expressão surpresa.

– O que disse?

–... Nada.

– Não, sério Lud, o que você disse?

O alemão apertou os lábios. Não sabia o porquê de tê-lo chamado daquela forma. Não gostava nem um pouco do excesso de atenção que agora estava sendo direcionado a sua pessoa.

–... Eu queria saber se quer sair, só isso.

Feliciano pareceu estranhamente decepcionado.

– Ah... Sair? Pra onde?

– Sei lá, turismo. Eu não pude ver muito da cidade... Ahn, antes.

O italiano franziu o cenho e ficou em silêncio por um tempo, como se ponderasse os prós e contras de sair com o outro. O que Ludwig nunca imaginaria era que Feliciano estivera esperando por uma proposta mais... Tentadora do que a feita. Por fim o menor abriu um sorriso animado, concluindo que ele estaria com quem ele queria estar, de um jeito ou de outro.

– Vee~ vamos passear então! Vou te levar pra conhecer o Palazzo Ducale, o que acha?

Ludwig não poderia dizer que não percebeu que havia alguma coisa errada, mas como o outro parecia bem por enquanto, não havia motivos para tocar no assunto. O silêncio permaneceu entre eles enquanto Feliciano dirigia pela cidade. O alemão não sabia como puxar assunto, e estava com medo de desconcentrar o italiano – a direção dele já era perigosa demais sem conversas – então limitou-se a observá-lo pelo canto do olho, desviando o olhar sempre que sentia que seria pego.

Sendo curta e grossa, eles acabaram perdidos. Literalmente perdidos, no meio da cidade onde Feliciano nasceu e cresceu. Como ninguém sabe. Ludwig desconfiava que eles não estavam realmente perdidos, apesar do italiano insistir em andar em círculos por aí até parar em frente a um restaurante qualquer, depois de três horas – três horas andando num carro em círculos – alegando que estava com muita fome para continuar.

Agora ali estavam eles, sentados frente a frente em um restaurante de pasta, comendo lasanha de camarão. Turismo, é claro. Apesar de que, aquele camarão estava perfeito.

– Eu sei, bom gosto meu.

– Un? – Ludwig ergueu os olhos do prato, surpreso ao flagrar os olhos de Feliciano em si. O menor já tinha terminado o próprio prato e parecia entreter-se ao observar o companheiro de mesa.

– Você parece estar gostando, então eu vou aceitar o elogio. Quer mais vinho?

– Ah, sim, obrigado. E... Ahn... Está uma delícia. Obrigado por me trazer aqui.

Recebeu um sorriso como resposta, além de uma taça preenchida com vinho *tinto*. Agradeceu mais uma vez por tudo antes de voltar-se para seu almoço. Perguntou-se o que o irmão, Gilbert, estaria fazendo agora.

Provavelmente morrendo com o treinamento de Fritz. É. Com certeza—

– Ksesesesese! Hey, aquele não é o Feli?! Oi Feli! O que você tá fazendo aqui e esse aí e o- Lud! Caraca oi brüder! Posso sentar aqui? Ah, valeu, Fritz eu achei um lugar!

E em menos de um minuto eles tinham uma adição dupla à mesa, destruindo todo e qualquer clima – inexistente, por acaso – romântico que poderia ter um dia surgido na mesa. Ludwig simplesmente franziu o cenho, sem entender o que tinha acontecido ali.

–... Oi. Gilbert. Fritz.

O velho treinador, um pouco mais sensível aos arredores do que o pupilo, acenou com a cabeça, acrescentando um pedido de desculpas ao jovem italiano sentado ao seu lado.

– Ah, tudo bem! Peçam o que quiserem, eu pago hoje. – Feliciano soltou uma risada sem graça alguma, remexendo-se no próprio lugar e lançando um olhar ansioso ao loiro, que pareceu não percebê-lo.

Fim do almoço de (não) primeiro encontro.

– Infelizmente eu e o Feliciano temos que ir, porque ele prometeu que me levaria para alguns pontos turísticos, então você vai ter que aguentar o Gil sozinho, Fritz. Aqui o dinheiro.

Feliciano ficou surpreso quando ouviu a voz do maior proferir aquelas palavras. Ergueu os olhos para observar o loiro passando um cartão de crédito ao irmão mais velho, murmurando algo para o mesmo antes de chamar pelo menor e sair andando. Não conseguiu evitar o sorriso que brotou em sua face quando ergueu-se para seguir Ludwig, acenando animadamente para os dois que ficaram para trás.

Um segundo passo foi impedido por Antônio que, mais do que rápido, enlaçou a cintura de Lovino e tomou seus lábios antes de qualquer protesto ser externado. O líder dos Vargas franziu o cenho, apesar de não deixar de retribuir o beijo. Havia algo de... Errado ali. Antônio costumava delicado e gentil quando estavam juntos daquela forma. O homem que o beijava o fazia como um predador.

Parou o beijo e empurrou – o mais delicadamente possível – o rapaz para longe de si, segurando seu rosto com uma mão enquanto tentava soltar-se de seu abraço com a outra.

– Antônio?

– Uhn?

–... O que pensa estava fazendo? – Lovino precisou de um bocado de autocontrole para concluir a frase sem que sua voz tremesse, considerando a língua que agora praticamente violava seus dedos. Os olhos verdes do espanhol brilhavam com luxúria.

– Te beijando?

Lovino chiou uma segunda pergunta.

– E o... – Um rosnado baixo – Que você está fazendo agora?

Ele pode sentir Antônio sorrindo debaixo de sua mão.

– Esperando você decidir se vamos continuar ou não.

Como se o italiano pudesse responder que não, quando uma das mãos do maior já estava por cima de sua calça. Sua resposta foi um gemido baixo de repreensão, prontamente ignorado pelo espanhol que, ao perceber uma brecha, lançou ambos na cama, obviamente ficando por cima de Lovino que não encontrou forças para pará-lo.

Bastardo.

– Te amo. – Antônio ronronou em contraste com o rosnar do menor. Ele abriu a camisa social quase que inocentemente, um sorriso matreiro brincando nos lábios e refletindo-se no brilho dos olhos verdes intensos.

Diferente do que pensava o espanhol, porém, aquilo não foi o suficiente para calar Lovino.

– E o remédio pra– pausa para respirar – enjôo? – A risada do maior fez cócegas em seu pescoço, aonde ele agora distribuía mordidas e beijos.

– Exercício físico, como bem dito por Kiku.

Como assim Kiku?! Aquele japonês era mais perigoso do que Lovino pensara.

– Então, isso é puramente medicinal?

–... Se preferir assim, então é.

– E se não?

Antônio finalmente ergueu-se para olhá-lo nos olhos, um quê de curiosidade e confusão sobrepondo o desejo que queimava nos mesmos.

–... Eu te amo. Você precisa de algum outro motivo?

O rosto de Lovino ficou ainda mais vermelho, se possível. Finalmente as mãos do italiano esticaram-se e circundaram o pescoço do moreno, servindo como uma âncora que ergueu-o e colou seus lábios nos de Antônio num beijo muito menos casto, mas que Lovino coordenou como lento e torturante. Quando enfim se separaram o espanhol já apertava o próprio corpo contra o do menor, trêmulo e suplicante por uma resposta definitiva.

– É o bastante. – Sussurrou. Lovino não perguntou “por que agora”. Não discutiu, não só porque também o desejava, mas porque entendia os motivos que levavam o espanhol a aparentar tal nível de desespero.

Não é como se eles tivessem pressa, mas depois daqueles últimos dias, do que já acontecera em tão pouco tempo... Pensar no futuro era assustador. Então sim, precisava ser agora. Eles precisavam da certeza da vida, do calor um do outro.

Não havia tempo para esperar um momento mais conveniente. Nunca haveria tempo o bastante, nem um momento conveniente o bastante. Eles eram mafiosos, nunca tinham nada, nenhuma certeza de que o amanhã chegaria.

As mãos do italiano já trabalhavam por conta própria, despindo o rapaz que estava sobre si tocando-o com mãos que, mesmo depois de tanto tempo tocando a mesma pele, ainda conseguiam sentir as sensações da primeira vez.

Ele sentia-se arrepiado e excitado, e sabia que era desejado tanto quando desejava, porque Antônio expunha isso. O motivo de Lovino ter se apaixonado, tanto tempo atrás, fora a sinceridade pura com a qual aquele homem – o que acariciava seu corpo e sussurrava-lhe palavras desconexas, misturando idiomas e gemidos – o aceitara e o desejara.

Não amar Antônio nunca fora uma opção.

Dio mío... – Antônio arqueou o corpo para frente, gemendo as palavras em seu ouvido, tremendo de baixo de seus dedos abusados. – Lovi, te quiero, te amo... Te amo tanto...

– Diga isso de novo. – O menor sussurrou, recebendo um olhar confuso e pouco atento do parceiro. Não ousou parar a carícia muito menos, aumentando o ritmo. – Diga que me quer, tanto que não consegue se controlar. Diga que me ama.

O espanhol sorriu e se aproximou, curvando-se sobre Lovino e lambendo seu queixo, a cruz de prata pousando, gelada, sobre o pescoço do mais novo.

– Para sempre. – Jurou.

Beijos quentes, toques provocantes, mãos trêmulas. Lovino ergueu o quadril, uma súplica silenciosa no olhar turvo. O italiano buscou pela mão do maior, sentindo seus dedos se entrelaçarem aos de Antônio. Um outro beijo, mais gentil, e o espanhol posicionou-se entre as pernas de Lovino. O lento movimento de entrada o levou a uma posição protetora sobre o menor, sua testa conta a dele, os olhos abertos e atentos um ao do outro. Como sempre, Antônio sorria.

Te amo.

A resposta do gêmeo mais velho foi uma mordida pouco delicada nos lábios do outro, seguido de um "Anda logo" arfado em súplica. Eles não tinham tempo a perder. Poderiam estar mortos ao fim do dia seguinte, e provavelmente, o estariam com orgulho.

O desespero de Antônio em fazer algo colocara ambos naquela furada – se estarem no meio do mar mediterrâneo a caminho de uma zona de conflito pudesse ser apelidado de “furada” –. Mas eles já haviam superado situações piores que aquela.

Talvez aquele fosse o caminho para um final feliz, talvez não, mas agora não era o momento de pensar em nada daquilo.

Lovino já não pensava, pelo menos. Antônio caminhava rapidamente para um estado semelhante, os gemidos baixos do rapaz em baixo de si fazendo-o desejar poder parar o tempo, concentrar-se no agora e ignorar a ideia de um futuro. Afogar-se naquele delicioso presente aonde tudo o que havia eram seus gemidos e a dança de corpos e o prazer.

Notas finais
Um mês depois a autora volta, trazendo um lemon de spamano e achando que vai conseguir limpar a própria cara. Vaca total, né não? e.e (mas deu certo? *u*) Anyways, o lemon de spamano não é a única coisa que devemos comemorar -qq Eu queria fazer um agradecimento especial – vindo de uma autora ainda um pouco chocada, admito – para a senhorita Azako AoiNeko, que recomendou essa história, e chegou a elogiar a mim, apesar do mês que eu passei deixando vocês na seca. Sinceramente eu passei a tarde chorando de alegria, porque foi minha primeira recomendação e eu fico feliz que tenha vindo da minha stalker-chan super linda. E ela sabe que não é excesso de elogios por falsidade ú3u anyway eu só queria dizer pra ela, que ela é um amor por ter feito o que fez, e ela sabe disso, claro. Sua fofa