Famiglia Vargas
1 Capítulo Um: La Cosa Nostra
Notas iniciais
Não não é a continuação de Complication *foge das pedradas*
Mas é uma fic que promete, mesmo! E eu vou me matar pra postar regularmente!
E juro que Complication 2 sai no dia dos namorados, em homenagem à todas as solteiras aqui presentes (ou seja, eu)
Acho que é só isso, no mais enjoy porque esse provavelmente vai ser o maior capítulo de toda fanfic -qq
ATENÇÃO: Eu modifiquei o texto no dia 13. A maior parte das mudanças foi indiferente à continuação da história, mas o texto - eu espero - ficou mais bem escrito, e mais compreensível.
Do lado esquerdo da cadeira de couro estava um rapaz moreno, com turbulentos olhos verdes, e cabelos quase negros espalhados desleixadamente em cachos. Ele exibia um sorriso divertido enquanto observava a cena a sua frente. O rapaz com certeza pareceria muito menos perigoso, talvez até indefeso, se não estivesse com a mão direita pousada levemente no cano da pistola, que estava presa à sua cintura por debaixo do terno marrom claro.
À sua direita havia um menino muito menos perigoso. Suas mãos pendiam ao lado do corpo e ele olhava através do loiro como se ele não estivesse lá. Ele exibia calma e um desinteresse pacífico, como se não fizesse ideia do que estava acontecendo ali. O rapaz tinha a pele clara, os cabelos castanho-claros e olhos de mesma cor. Ele exibia também uma aura inegavelmente italiana, se tal coisa existisse. As roupas se resumiam a uma calça jeans escura e uma camisa pólo completamente branca, além da marca de um pequeno jacaré verde acima do bolso.
–... E foi isso que aconteceu. – Concluiu o homem de voz rouca, que Ludwig identificara como seu agressor.
Um silêncio tenso seguiu a narrativa breve e obviamente facciosa dos fatos. Ele não podia enxergá-lo por estar de costas para este, e impossibilitado de virar-se pelas cordas que amarravam seus pulsos atrás de suas costas, e pelo medo de como sua ação seria interpretada pelo resto dos presentes.
Ele observou de esgueira a forma com que seu irmão estava vermelho pelo ódio e o esforço de manter-se calado. Ao menos Gilbert tinha o senso de permanecer em silêncio, ou a última coisa que ouviriam na vida seria o som do gatilho da pistola destravando-se.
Finalmente a cadeira de couro negro rodou para revelar um rapaz quase que idêntico ao da direita, apesar de ter os cabelos e olhos pouco mais escuros. A verdadeira diferença estava, porém, em sua postura.
Além de usar um terno de qualidade obviamente superior – tão diferente do desleixo de seu gêmeo – ele sentava-se como um rei sentaria em seu trono. Com as costas retas e olhar altivo e gelado, as sobrancelhas levemente vincadas, como se um insetinho estivesse incomodando-o. A mão direita segurava um cálice com uma bebida qualquer, provavelmente vinho.
A sala era pouco iluminada e cercada de homens em ternos escuros. Todos eles pareciam com empresários ou homens de negócios importantes, mas isso era apenas na aparência.
Aquela era a Máfia Italiana.
O prédio onde estavam formava um quadrado perfeito, com um jardim central, localizado no centro da comune Italiana. Não chegava a ser uma mansão, mas não era uma casa pequena muito menos.
A sala onde estavam era relativamente próxima à entrada, mas com ambos os irmãos sendo arrastados durante quase todo o percurso ficou impossível apreciar a beleza do lugar. E isso porque seu guia turístico elogiara efusivamente a hospitalidade italiana.
Aquele aposento era o mais vazio de todos, mas não o mais simples deles. As paredes eram cobertas dos mais belos e diversos quadros, todos réplicas ou originais de artistas famosos. Curiosamente eram quadros em que se retratavam principalmente quadros de natureza morta ou paisagens. O piso era de porcelana, tão limpo que refletia as imagens dos homens presentes. As poucas janelas estavam no alto, impossibilitando uma fuga.
A porta da sala era por si mesma uma obra de arte. Feita de carvalho tinha de seus dois lados um longo texto, provavelmente em italiano, e imagens de santos diversos e anjos. Enquanto ele e o irmão eram arrastados para dentro, Ludwig tivera a oportunidade de traduzir a primeira frase talhada, com os dizeres “Nostro Codice”.
Não era na beleza macabra do lugar que Ludwig estava concentrado, mas em suas chances. E era frustrante pensar que já não havia esperanças para Ludwig e o irmão. O líder do grupo analisava-os com os olhos gelados. Por um momento o alemão teve a impressão de que ele era realmente capaz de ver através deles, mas duvidou. Se ele pudesse realmente fazê-lo, eles já estariam livres.
Provavelmente.
–... O que diabos eu vou fazer com os dois lixos? – Ele resmungou, mais consigo mesmo do que com eles. – Eu deveria pedir para Antônio colocar uma bala na testa de cada. Pessoas problemáticas deveriam ficar no inferno.
Silêncio. Ao seu lado Gilbert fazia um esforço descomunal para segurar a língua dentro da boca, sabendo que do contrário só causaria ainda mais problemas. Para surpresa dos dois, a réplica veio de trás, e Ludwig reconheceu a voz de seu agressor uma segunda vez.
– Nós pedimos desculpas, capo. Mas como eu disse, o albino, ele estava...
– Não importa o que porra o albino estava fazendo, stupido! Eu deveria pegar a maldita garrafa de bebida e quebrá-la na sua cabeça! Até Feliciano sabe quando parar de beber! – Uma risada baixa soou do segundo gêmeo. – Não tem graça, caralho! Agora o que eu vou fazer com os dois merdas?!
– Você quer dizer as merdas alemãs ou as nossas? – o outro moreno perguntou, parecendo estar de divertindo com a situação.
– Não me interrompa, Antônio. – Ele rosnou de volta. – E é claro que estou falando dos alemães. Não posso simplesmente matar o maldito lutador de boxe e fingir que nada aconteceu. É por isso que odeio gente burra. Você simplesmente tem que prever quando eles vão fazer alguma besteira e expor a organização TODA para o resto do mundo.
Oh. Então eles não podiam ser mortos, pelo menos por enquanto. Ainda assim, nenhum dos irmãos germânicos ousou relaxar, até porque aquele italiano parecia ser uma pessoa impulsiva. Se fizessem qualquer besteira, poderiam acabar mortos.
– Então o que pretende? Vai soltar os dois? – Foi a vez de Feliciano questionar.
– Não podemos nos dar o risco. – Ele resmungou, mas seu tom pareceu levemente mais gentil, talvez por estar falando com o irmão mais novo.
Ele soltou um suspiro.
– Realmente... Antônio, qual era mesmo o motivo pra eu não poder matar os dois caras que parecem mais batatas do que seres humanos?
– Porque o albino é famoso, e o loiro é rico. – Antônio respondeu, não sem antes soltar uma risadinha.
–... Quais seus nomes? – O líder perguntou, virando-se agora para os irmãos.
Gilbert abriu a boca pra falar, mas fechou-a novamente ao perceber que era mais sensato permitir que o irmão o fizesse.
– Ludwig. E meu irmão é Gilbert. – A voz do loiro era baixa e grave, até mesmo bonita.
O outro gêmeo, Feliciano, pareceu adquirir um súbito interesse na conversa com a menção dos nomes. Ele reagiu tanto a voz de Ludwig quanto a suas palavras. O rapaz remexeu-se, parecendo surpreso e incomodado, e sua reação não passou despercebida pelo alemão, e muito menos por seu irmão.
– Lovino... – A voz dele era suplicante, sussurrada tão baixo que Ludwig não teria escutado se não fosse a acústica da sala. Ele aproximou-se do irmão e eles resmungaram um com o outro baixo e rápido demais para que Ludwig compreendesse.
Finalmente Feliciano recuou de volta a seu lugar, parecendo agitado. Ele agora lançava olhares de esgueira a um confuso e preocupado Ludwig. Seu rosto estava levemente vermelho, fato que ele atribuiu ao estranho frio que preencheu a sala.
– Merda. Eles vão ficar vivos, por enquanto. – Eles dois notaram o sorriso animado que ameaçou abrir-se nos lábios de Feliciano, e o líder apressou-se a acrescentar suas condições. – Mas eles não podem sair da mansão até resolvermos os problemas. Entendido?
Feliciano sorriu –discretamente – e relaxou, concordando com a cabeça.
– Obrigado, Lovino. Eu vou dar um jeito nisso, prometo.
– Cale-se. Não faça promessas que não possa cumprir.
O sorriso de Antônio desapareceu por um breve instante, antes de ressurgir num biquinho.
– Espera um segundo. Sem mortes?
Todos o encararam por um segundo, num silêncio indignado.
– Que merda, Antônio cala a porra da boca se não quiser ser o primeiro a morrer aqui hoje! Mais alguém aí quer contestar minha ordem?! Ein?! – Ele varreu a sala em busca de desafios, mas todos desviaram os olhares para longe.
– Ótimo. Antônio, nós estamos saindo, eu tenho mais o que fazer. O resto de vocês volte ao trabalho, stupidos!
Ele ergueu-se, majestoso, e caminharam para fora da sala com a postura de um rei, as mãos no bolso da calça preta. Em frente à porta de carvalho seus homens curvaram-se em respeito e Lovino parou e virou-se, observando os dois irmãos germânicos ainda agachados no chão, as mãos presas às costas.
–... Feliciano desamarre os batatões antes que eles percam as mãos por falta de circulação. E encontre um quarto para os dois na ala central, sob suas vistas. E não se esqueça da reunião com o ministro dos carabinieri austríacos amanhã as seis, ele chega cedo então não ouse perder o horário.
– Ahn... Onde era mesmo?
– Chigi! Stupido! No palazzo Vargas é claro! Seis em ponto, Feliciano!
– Sì, corso...
O irmão bufou antes de deixar o local, acompanhado de perto por um, mais uma vez, sorridente Antônio. O gêmeo mais novo observou a saída dos dois com preocupação e um aperto no peito.
Entreouvir conversas não era bonito, mas era uma das habilidades mais bem trabalhadas de Feliciano. Infelizmente ele só pegara o fim da conversa de mais cedo –antes daquele incidente –, então tudo o que escutara fora um “Aqueles incapazes parecem sempre deixar a pior parte pra nós.” o que devia significar que aquele era um pedido de la cosa nostra. E um pedido de cima, era uma ordem.
Estremeceu só de pensar no perigo que o irmão corria. Antônio estaria lá, mas ainda assim era perigoso. Trabalhar para máfia era perigoso... Feliciano balançou a cabeça, expulsando da mente pensamentos problemáticos.
O rapaz afastou-se de seu lugar ainda ao lado da cadeira e observou enquanto os dois homens que trouxeram os irmãos afastavam-se. Com um sorriso Feliciano puxou do cinto sua adaga – a única arma que carregava consigo – e cortou as cordas dos pulsos de Gilbert primeiro, e depois de Ludwig.
–... Agradeço por libertar minha incrível pessoa. – Gilbert murmurou, ainda com a cabeça baixa e os olhos vermelhos fixos no chão.
Um dos dois homens que participaram da baderna ouviu o agradecimento presunçoso e deu um passo a frente, mas Feliciano soltou uma risadinha como quem já estava acostumado com a personalidade do albino.
– De nada. Venham. Eu ainda tenho que arrumar um quarto vago.
Com um suspiro de alívio Ludwig ergueu-se, acompanhando o avanço do italiano. Gilbert observou com satisfação o ódio no olhar de seu agressor, impedido de fazer algo pela ordem do chefe. Ao passarem pela porta, o grupo de homens de terno curvou-se em respeito ao gêmeo, o que era uma imagem estranha, considerando a aparente inutilidade que ele representava.
Eles avançaram pelos corredores e penetraram na escuridão do casarão, enquanto o loiro analisava o rapaz a sua frente.
Feliciano não era alto ou forte, e sua defesa se resumia a adaga que Ludwig duvidava que ele fosse capaz de usar. Seu tempo de reação também era extremamente lendo – fato comprovado quando o rapaz tropeçou no próprio sapato e corou violentamente – e não parecia particularmente inteligente. Em resumo, ele era inútil. Ou um ator maravilhoso.
O trio caminhou por inúmeros corredores aparentemente aleatoriamente, tecendo um caminho confuso demais na mente de Ludwig e impedindo-o de buscar por possíveis rotas de fuga.
Depois do que pareceu uma eternidade, apesar de ter durado apenas alguns minutos, o corredor abriu-se proporcionando a eles a visão de um jardim muito bem cuidado, cercado, pelos quatro lados, de corredores e iluminado pelo sol do fim da tarde.
O jardim era dividido em quatro terrenos e cortado em uma cruz com um caminho de pedras. Árvores e flores diversas ocupavam a área verde, dando-lhe um aspecto além do belo. Em seu centro uma fonte muito bem trabalhada em mármore, marcada por escritos incompreensíveis daquela distância. Ludwig observou a beleza do local, mortificado e curioso principalmente quanto ao adorno.
Vendo o interesse do loiro na fonte, Feliciano parou por um momento e abriu um sorriso, apontando para as ilegíveis sentenças escritas no mármore branco.
– É nosso código de conduta. – Ele explicou de bom grado – Vocês já devem tê-lo visto na porta lá atrás. Nós não o seguimos a risca, ou teríamos problemas, mas a maior parte das dez leis é pertinente, e ajuda a deixar claro que não somos apenas bandidos.
Atrás dele, Gilbert ergueu uma sobrancelha e soltou uma risada.
– Não são? Então são o que, bandidos ricos e bem vestidos? – A frase não parecia sarcástica, e provavelmente era apenas alguma brincadeira inconveniente. O italiano não pareceu gostar do comentário depreciativo, mas sorriu mesmo assim.
– Um pouco mais inteligentes também, mas sì. Bem, amanhã eu mostro para vocês. Espero que isso mude sua opinião, Signore Gilbert. – Então se virou e voltou a andar seguido por Ludwig, não antes de lançar um olhar irritado ao irmão.
Eles terminaram o caminho em silêncio. Feliciano parou em frente à porta de madeira de um quarto exatamente igual a todas as outras portas do corredor, se não fosse pela placa em branco. Ele abriu a porta e entrou, sendo seguido pelos outros dois.
A suíte era limpa e vazia, se não por uma cômoda, duas camas e suas respectivas mesinhas de cabeceira, além de uma segunda porta — para o banheiro.
Assim que todos os três estavam dentro do quarto, o moreno apressou-se em explicar as regras básicas dali.
–... Vocês vão ser responsáveis pela limpeza do quarto. Nós vamos enviar alguém amanhã no seu hotel para buscar suas roupas, então não se preocupem com isso. O refeitório é do outro lado do corredor, porta grande, não tem como se perder. Por favor, não tentem uma fuga, não quero ser obrigado a atirar em vocês, e não teremos piedade. – Ele tomou fôlego.
– Amanhã provavelmente já vou ter conseguido uma placa com seus nomes na porta. – Hesitou antes de encarar os dois rapazes, e rolar os olhos pelo quarto. Ele lançou um segundo olhar preocupado na direção do loiro antes de virar-se, seguindo para a porta. – Bem, acho que é isso... Então boa noite Ludwig, Gilbert.
Os irmãos observaram em silêncio enquanto o rapaz saía do quarto e fechava a porta atrás dele. Cada um sentou em uma das camas, só ouvindo enquanto os passos do italiano desapareciam labirinto adentro.
Gilbert pareceu incomodado com o lugar, mas não fez comentários. Na verdade, seus olhos estranhamente vermelhos aguardavam hesitantemente pela reação de Ludwig, agora que estavam sozinhos.
Ludwig, resignado, tirou os sapatos e meias, depositando-os ao lado da cama. Ergueu-se e caminhou até a cômoda e puxou a primeira gaveta, onde encontrou pelo menos seis cobertores que ele pegou, consciente de quão fria era a noite ali.
Gilbert observou-o primeiramente sem compreender, e então chocado ao perceber que Ludwig parecia ter aceitado a situação.
– O que está fazendo, Lud?! Pirou a cabeça?! Então te sequestram e você começa a arrumar sua cama?! Que merda é essa?!
Ludwig lançou ao irmão um olhar cortante, pensando seriamente em lembrá-lo de quem era a culpa por estarem envolvidos naquilo. Por fim soltou um suspiro e respondeu-o como a situação exigia: calma e educação.
–... Seja racional, bruder. Não tem como fugir. E parece que eles decidiram que vamos ficar aqui por um tempo. Eu recomendo que você se acostume. E tome suas cobertas, faz frio de noite, e aqui não tem aquecedor.
As orelhas de o albino ficaram vermelhas de raiva, mas ele aceitou seus três cobertores.
– Oras seu... Seu... – Gilbert tentou achar uma palavra, mas não conseguiu.
Enquanto isso Ludwig terminou de alisar os lençóis, só para se deitar sobre eles e cobrir o corpo com todos os três cobertores, ignorando a tentativa falha – provavelmente por culpa do sono – do irmão.
Finalmente Gilbert desistiu de discutir e arrumou sua própria cama, enfiando-se debaixo das cobertas de costas para o irmão, que ignorou seu comportamento infantil e apagou as luzes, apreciando o silêncio que raramente era cortado pelos passos dos vigias nos corredores paralelos, ou algumas poucas vezes de grupos de homens sussurrando ou resmungando antes de voltarem aos quartos.
Quando Ludwig estava quase dormindo uma exclamação satisfeita foi ouvida da parte do irmão, e ele aguardou, perguntando-se qual seria o problema.
–... Gilbert?
– Seu batatão! Ksesesese...
O loiro demorou alguns segundos para processar a suposta ofensa, e então decidiu ignorar o irmão, deduzindo que sua estupidez era fruto apenas do sono e estresse sofrido naquele dia. Finalmente eles dormiram.
Notas finais
Eai?
Mereço ficar viva? *silêncio* Vou considerar isso um sim. E Reviews? *u*
*pedraaaaadas*
Zueira, mas lembrando que reviews são meu ganha pão, então façam uma autora feliz!
Beijinhos ♥
Gin-chan
P.S.: Viram as palavras bonitas? -qq
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