Famiglia Vargas
2 Capítulo Dois: il Codice
Notas iniciais
Tem uma grande possibilidade de eu reescrever esse trem mais tarde, então por favor sejam pacientes. =3
Próximo cap, quinta que vem!
Até as notas finais, e boa leitura.
P.S.: Algumas alterações foram feitas neste capítulo no dia 21 de julho de 2013, com o objetivo de tornar mais plausíveis alguns dos eventos futuros.
O que eu quis dizer foi: As alterações SÃO IMPORTANTES para o andamento da história, eu recomendo que releiam.
“Uma menina entrou na casa, grudada as roupas do jovem Edelstein. Seus olhos eram grandes e de um castanho-claro muito bonito. O cabelo era curto, mas marcado por uma fita verde, e ela usava um vestido longo de mesma cor, rodado e delicado. Ela tinha uma expressão meio desgostosa, meio apreensiva, e estava extremamente corada, os dedos apertando com força a barra da capa do rapaz Roderich.
O senhor Edelstein tirou o chapéu e a capa, sendo acompanhado pelo filho. Atrás deles Liz fechou apressadamente a porta e puxou as cortinas das janelas, seguindo para os próximos cômodos com o objetivo de fazer o mesmo.
Um jovem Ludwig, em seus quatorze anos de idade, observou a menina com curiosidade, sem entender a presença dela ali. Gilbert, na época já com dezoito – assim como Roderich e Liz – desceu as escadas atrás deles, aproximando-se do grupo com igual curiosidade, dirigindo um olhar ao tio, que apressou-se em fazer as apresentações.
– Ludwig, Gilbert, a partir de hoje Feliciana será a nova moradora da casa. Eu espero que a tratem com todo o respeito e carinho que uma dama merece. Feliciana?
Atrás de Roderich a menininha bufou, claramente indignada, a vermelhidão em seu rosto aumentando consideravelmente. Ainda assim ela deu um passo hesitante a frente da dupla de austríacos, analisando a expressão dos dois irmãos antes de fixar o olhar no mais novo deles e falar.
– Eu prefiro só Feli. Tenho onze anos. Ignorem essa besteira de “dama”. – Ela analisou Ludwig, que a observava com os olhos azuis arregalados, admirado por sua facilidade em se expressar – Você é Ludwig? Quer ser meu amigo?
O loiro ficou extremamente vermelho, desacostumado com a presença de meninas na casa – seu irmão deixava claro a ele que a presença perigosa de Elizabeta não contava como um exemplo feminino, ela era um homem, daqueles malhados e perigosos, no corpo de uma adolescente fofa e delicada.
Ele recuou um passo, mas percebeu a forma com que Roderich segurava a risada atrás da menina, e sabia muito bem que seu irmão estaria esperando uma atitude digna dele. Ainda assim, ao responder seus olhos foram incapazes de fixarem-se nos de Feliciana e encaravam aleatoriamente um ponto do piso.
– Ahn... Be...bem... Eu não me importaria em... Em ser seu amigo... É... Por enquanto... Isso! Vai ser legal!
Um sorriso divertido abriu-se no rosto delicado da menina e seus olhos brilharam em satisfação.
– Ótimo! Nós podemos brincar de Polícia e Ladrão-
– Porque não brincamos de pintar?!
As duas crianças viraram-se para encarar Roderich, e Gilbert observou-o, curioso por sua interrupção não característica. Ele parecia preocupado com algo, e seu pai estava igualmente inquieto. Tinha algo de errado ali, mas as crianças não estavam interessadas naquele tipo de coisa. Adultos serviam para resolver problemas, certo?
– Eu gosto de pintar. – Feli concordou, pensativa. Então abriu um sorriso e virou-se para o pequeno Ludwig novamente. – Você se importa?
–... Eu não... Ahn... Sou muito bom com isso.
Um sorriso gigantesco abriu-se no rosto da menina.
– Ótimo, eu vou te ensinar!
Ela abaixou-se e pegou a pequena maleta aos seus pés, a única que ela carregava, além da bolsa nas costas de Roderich, que ela pediu emprestada por um momento, retirando um avental branco de pano de dentro da mesma antes de devolvê-la para o austríaco com um sorriso.
A menina avançou, puxando o loiro pela mão no caminho, para a sala. A expressão de Ludwig passou de constrangida à apavorada num segundo, fato que, acrescentando-se a maneira com que seu rosto ficou vermelho, causou uma onda de risadas entre os mais velhos.
Uns poucos minutos depois ocupados com amenidades, Liz, vinda da sala para onde as duas crianças tinham se dirigido, observou a forma com que o clima tinha se abrandado e abriu um sorriso hesitante.
– Alguém aceita café? – murmurou bondosamente.
Todos concordaram avidamente e seguiram atrás dos dois mais novos, para encontrar a cena ao mesmo tempo cômica e desesperadora que já se desenrolava na sala.
Feliciana pintava as paredes. Com os dedos. Ao seu lado a maletinha aberta, com uma variedade de tubos e pincéis, provavelmente trazidos de sua casa. Ela sorria divertidamente enquanto pintava, com habilidade impressionante para uma criança de onze anos, um gato branco com manchas marrom-claras.
Seu desenho ainda se resumia a cabeça do animal, e ao seu lado Ludwig parecia estar indeciso, sem saber se a impedia de continuar sua arte destrutiva, ou se admirava sua capacidade de desenho.
O grupo ficou estático por alguns segundos antes de finalmente alguém se pronunciar.
– Ksesesese! Ela é incrível! Não tanto quanto eu, mas incrível!
Por fim o senhor Edelstein pareceu encontrar sua voz, exclamando num tom severo, mas ainda assim levemente divertido, a pergunta que todos faziam internamente.
– Como você conseguiu destruir minha parede em cinco minutos?!
Os orbes castanhos caíram sobre ele com uma inocência angelical e irônica.
– Eu sou um-a Vargas. Está no sangue.
A cena que se seguiu foi a de um desesperado Roderich tentando acalmar o pai que se sentara em uma das poltronas da sala a beira de um colapso, enquanto Eliza chagava com o café e, no lugar de arregalar os olhos e quebrar a porcelana como todos pensavam que faria, abriu um sorriso e elogiou a menininha.
Então Feliciana sorriu e voltou sua atenção à parede, soltando dicas breves vez ou outra, direcionadas ao loiro ao seu lado, enquanto Gilbert quase rolava de tanto rir e Eliza distribuía as xícaras aos presentes. ”
O gêmeo mais novo acordou na manhã seguinte, nem um pouco surpreso pelo sonho que tivera. Ele franziu o cenho, porém, porque o espaço ao seu lado na cama de casal permanecia desocupado.
Entre um dia normal e um diferente existe uma tênue e delicada diferença, uma que a maioria nunca ousaria ultrapassar.
Feliciano Vargas era uma pessoa de costumes. Ele nunca fora o exemplo de um rapaz ameaçador. Diferente da inconstância do irmão, ele sempre ostentava um sorriso e era educado com tudo e todos. Sua lista de amizades parecia interminável, e alguns ousavam dizer que seus contatos chegavam até mesmo aos países asiáticos.
Aqueles que o conheciam superficialmente nunca diriam que ele fazia parte de uma organização como a máfia. Seus amigos, porém, tinham certeza de que, sem ele, seu irmão não passaria de um criminoso mal encarado. Unidos, ele e Lovino eram imbatíveis.
E naquela manhã, pela primeira vez em muito tempo, aquele sistema foi posto em prova.
Cinco horas em ponto Feliciano fez questão de erguer-se e executar sua higiene pessoal e vestir seu melhor terno, um liso preto com uma gravata laranja discreta. Os sapatos eram um presente que ele fez questão de usar naquele dia em especial.
Era pouco provável que seu irmão – que passara todo o resto da noite e da madrugada fora – tivesse concordado em ficar com Antônio no quarto do espanhol. Geralmente depois daquele tipo de “missão” ele voltava automaticamente para perto do gêmeo, principalmente em consideração aos sentimentos de Feliciano.
Por aquela razão, ao perguntar-se os motivos da ausência gritante do irmão, seu coração se apertou, e ele sentiu uma onda de náuseas e tontura que só parou depois que ele tomou seu banho e avançou, decidido, sobre a maçaneta do quarto.
Por esta razão, cinco e meia ele saia do quarto e cumprimentava educadamente meia dúzia de colegas a caminho do refeitório. Era uma tradição da famiglia que todos aqueles que estivessem no casarão comessem juntos pela manhã, e por motivos desconhecidos aquela era uma regra que ninguém ousava quebrar.
Por aquela razão, Feliciano sabia muito bem que, quando entrasse no salão amplo e arejado, ele encontraria as mesas cheias e conversas e risos. Ele sabia que, à mesa principal, seu irmão estaria aguardando-o com um olhar aborrecido por sua demora, enquanto Antônio tentava sem êxito surrupiar mais um pedaço do famoso pão doce recém preparado pelo cozinheiro, Signore Guiliano. Então, ao abrir a porta seu sorriso de bom dia era saudoso e enérgico como sempre.
O silêncio atingiu-o com uma bofetada, quase tão doloroso quanto o clima tenso e pesado. Ele olhou em volta, agora o sorriso desaparecido da face pálida. Alguns de seus colegas encaravam-no com nervosismo, outros evitavam seu olhar encarando seus próprios pratos. Alguns encaravam as duas cadeiras anormalmente vazias no fim do corredor, e foi onde os olhos surpresos de Feliciano fixaram-se. Na ausência berrante do mais importante fator ali.
A voz contida do italiano cortou o silêncio como uma faca afiada.
– O que foi que aconteceu?!
Os passos no corredor não eram apressados, mas era possível sentir certa ânsia em sua velocidade e na força com que os mocassim pretos batiam contra o chão. Os olhos castanhos estavam inexpressivos, fixos na porta do fim do corredor.
O palazzo Vargas ficava na área portuária da comune de Genova, e era um prédio antigo, de dois andares apenas, que não chamava tanta atenção assim. Turistas geralmente passavam reto e ignoravam suas paredes cor de caramelo, um erro característico.
Aquele era uma filial da maior organização italiana. Mais precisamente, a Famiglia Vargas era a responsável por um terço do comércio na região da Lugúria, legal ou não e eram os principais fornecedores bélicos para o país. Acima de tudo, porém, estava o fato de que eram uma gigantesca influência política em toda Itália, e em outros lugares igualmente.
Feliciano Vargas era o responsável por isso. Diferente do irmão, o rapaz tinha uma aparência geralmente indefesa e muitas vezes stupida – como o irmão gostava de ressaltar. Quando o assunto era relações e política, porém, ele era a peça perfeita. Quando saía, o moreno raramente voltava para casa sem um novo contrato, ou um novo “amico”. A personalidade de Lovino impedia-o de trabalhar naquele campo, e era exatamente por isso que entre as facções de La cosa nostra, muitos ainda se referiam aos gêmeos como uma única pessoa, “Ser Vargas”, com respeito e admiração.
A questão era que o gêmeo mais velho não se manteria no poder sem o segundo deles, e vice versa. E era exatamente por isso que Feliciano estava diferente. Porque Lovino não voltara para casa naquela noite, e ninguém tinha notícias do líder ou de seu braço direito, Antônio.
A porta foi aberta com uma violência não característica, fazendo com que Roderich Edelstein quase saltasse da cadeira onde se encontrava. Seus olhos encontraram-se e o austríaco ficou ainda mais surpreso pela falta de sorriso na expressão do rapaz.
Geralmente Feliciano era o primeiro a fazer os cumprimentos, e geralmente ele estaria sorrindo. Roderich ouviu o som da porta trancando-se atrás deles, e seus olhos violeta arregalaram-se levemente.
Por um instante ele supôs que o presente era Lovino, e perguntou-se se alguma coisa acontecera ao gêmeo mais novo, mas o brilho da adaga, a arma característica de Feliciano, descartou aquela possibilidade,restando-lhe concluir o óbvio.
Aquele não era um dia normal.
–... Buongiorno, Signore Feliciano. Aconteceu algo? – Ele iniciou a conversa, erguendo-se de sua cadeira como o código de conduta profissional exigia.
– Cale-se. Não finja que não sabe, eu vi seus três soldadinhos tentando se esconder atrás dos postes quando eu passei. Ontem meu irmão foi fazer um serviço de limpeza no cais sete, e eu sei que homens seus estavam na área. Onde ele está?
O ministro da justiça pareceu ofendido com a insinuação.
– Signore eu não faço a mínima ideia do que está dizendo! Acusar-me injustamente é...
Feliciano perdeu a paciência. Ele puxou o moreno pela gola, e de perto Roderich conseguia perceber leves círculos vermelhos ao redor dos olhos castanhos. Feliciano estava apavorado, era evidente. O austríaco engasgou-se levemente, mas não lutou. Quando Feliciano falou, sua voz era baixa e composta.
– Eu estou com uma vontade enorme de cortar sua garganta e observar você sangrar até a morte, então é melhor abrir o bico, ou encontrar alguém que possa fazê-lo por você.
– Feliciano, sua desconfiança me ofende.
– Seu telefone está no bolso direito. – O rapaz interrompeu, falando lenta e pausadamente. Sem desfazer o contato ocular, Roderich puxou o aparelho e colocou-o sobre a mesa. – E minha desconfiança é pertinente.
– Não vai adiantar nada.
– Faça mágica.
Roderich soltou um suspiro e remexeu-se.
– Solte-me e tente ser um pouco mais delicado, Feliciano. Não se esqueça que eu já te vi de saias.
O italiano bufou, mas soltou o austríaco sem protestar e sentou-se na cadeira oposta à dele, observando enquanto o outro buscava por um número específico em sua lista.
– Eu vivi com você por três anos, então entendo que seja difícil, mas não pode agir desta forma com desconhecidos ou vai acabar perdendo contatos preciosos. Seu ramo é...
– Eu sei onde me meti, Roderich. Mas sendo você como um irmão para mim ou não, estamos falando do Lovino. Algo de muito ruim aconteceu.
–... Explique o que aconteceu, Feli. Com calma.
Feliciano apertava as mãos no colo, a cabeça baixa e o rosto contorcido numa expressão aflita enquanto narrava os fatos do dia anterior – omitindo inconscientemente a súbita aparição de Ludwig e Gilbert no casarão. Quando ele terminou, Roderich observou-o por um ou dois segundos, parecendo surpreso, e então voltou toda sua atenção ao aparelho em suas mãos.
A conversa parou por aí, enquanto Roderich resmungava com alguém em alemão ao celular. Feliciano observou enquanto a expressão de Roderich ficava cada vez mais preocupada. Por fim ele encerrou a ligação com um “danke” baixo.
– O grupo era nosso.
–... E?
– Viram seu irmão e um espanhol, mas não seguiram eles para o cais. Não aconteceu nada por lá, seu irmão não chegou ao cais sete. Eles encontraram-se com alguns amigos num bar, e desapareceram.
–... Bar? Impossível. Tem certeza de que era alguém conhecido?
– Não tenho certeza. O que eles viram foi Lovino brigando com um grupo de homens, e deduzimos que eram parte da... Organização, considerando que suas leis proíbem esse tipo de atitude, correto?
– Bem, sim, mas... Desaparecer sem vestígios? Isso não faz sentido. Nada disso faz sentido.
O ministro concordou inconformado, com a cabeça. Um silêncio tenso surgiu enquanto Feliciano raciocinava. O melhor a fazer era esperar – o certo a fazer era esperar. Se alguma coisa acontecesse, Feliciano seria automaticamente informado. Ainda assim, ficar sentado enquanto Lovino estava desaparecido era...
O italiano passou os dedos pelos cabelos. Aquele era o nível de sua inutilidade.
– Droga, droga...
– Acalme-se.
– Como se eu conseguisse! Não é seu fratello!
– Toda a família já sabe?
– Corso que não! Nem todos nos apoiaram depois da morte do meu pai... Se algum deles soubesse disso a organização toda viraria um caos...
Eles se encararam. A resposta não era assim tão difícil, afinal. Uma discussão silenciosa seguiu-se, com um Roderich convencido e um italiano relutante em aceitar a ideia.
– É uma possibilidade.
– Eles têm um juramento. Todos nós temos. Acha mesmo que queimamos nossas mãos por diversão? É algo levado a sério, Roderich.
– O juramento não é pelos líderes, mas pela organização, se eles acreditam que estão fazendo um bem à família...
– Mesmo assim, porque só o Lovino? E quanto aos mandamentos? Eles valem pra alguma coisa. Nunca abandonar um irmão é...
– Quem quer que seja, não considera vocês dois irmãos, muito menos partes merecedoras da organização. E você sabe muito bem que não duraria muito sem seu irmão mais velho, Feliciano.
O italiano parecia hesitante. Considerar a possibilidade de haver um traidor na organização era... Ofensivo, doloroso. Principalmente agora que as coisas estavam se acalmando. A famiglia não aguentaria outra crise como a da pós morte do papa Vargas. Seria um pandemônio. Feliciano provavelmente morreria se não fugisse...
– Temos que encontrar Lovino antes que algo ruim aconteça, Roderich. Ou as ruas da comune vão presenciar um banho de sangue. E isso é algo inaceitável.
Seu amigo de infância abriu um sorriso preocupado.
– Afinal, como parte da máfia, é sua obrigação velar pela cidade não, Signore Vargas?
Entendendo a brincadeira, o italiano abriu um sorriso cansado e medroso.
– Sim, é claro. E o termo certo, mio amico, é La cosa nostra.
Notas finais
Geralmente os capítulos diminuem drasticamente de tamanho depois do primeiro, mas não reduziu tanto assim.
Bem, o caso é que esse é um capítulo de transição, então tenham paciência. Eu tenho ódio de capítulos de transição tanto quanto vocês.
Ah sim, quem achou lindo o sonho do Feli levanta a mão! *u*
Juro que tudo vai ser propriamente explicado no futuro - é minha obrigação deixar vocês curiosos e confusos pra não perder leitores -qq - então tenham fé em mim, eu vou melhorar =*
Lembrando que A) Vocês são muito importantes para mim, não me abandonem! ♥
e B) Reviews fazem autores felizes, e autores ruins ainda mais felizes, então por favor enviem uma rewiew e faça uma autora ruim feliz *u*
Acho que é isso, até semana que vem.
Besos,
Gin-chan
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