Famiglia Vargas
16 Capítulo Dezesseis: Weiss
Notas iniciais
Sim, eu sei que deveria ser morta. E vocês tem toda a razão do mundo. >.< Eu mesma estou irritada com isso, mas não posso fazer nada, desculpem. O capítulo está pequeno, e é um capítulo de transição, sinto muito por fazer vocês esperarem tanto por tão pouco.
Vou tentar arrumar umas desculpas mais válidas até as notas finais, então até lá,
Boa leitura.
Kissus ♥
P.S.: O que acharam da capa?! *u* Ela é só pra esse cap e pro próximo, uma homenagem pros meus russos fofos ♥ (oi? onde? ;-;)
A origem do sorriso discreto em seu rosto era um mistério até mesmo para si. Seu peito se apertava num misto de ansiedade e um algo mais que não lhe fazia sentido. Recebeu da enfermeira uma muda de roupas que foram deixadas ali, por Katy, no primeiro dia quando ela fora internada.
Agora se passava uma semana desde a invasão da mansão, e a estranha visita do gêmeo mais novo dos Vargas ao seu quarto no hospital. O tempo passara rápido depois do ocorrido.
A calça térmica branca e o sobretudo marrom foram vestidos rapidamente, tamanha era sua vontade em deixar aquele lugar. Na recepção Natália encontrou-se com Soo e seu sorriso animado, vestido num terno azul petróleo. Os olhos cor-de-mel brilharam ao percebê-la caminhando na sua direção.
Cada noite passada foi gasta em conversas entre os dois. Soava infantil, inocente e romântico, mas Natália nunca tivera a oportunidade de fazer planos com alguém. E por mais impossíveis que fossem os sonhos de ambos, era tudo muito mais divertido tendo alguém ao seu lado.
Pelo menos, aquele era um ponto em que ela e Soo concordavam.
Quando Natália se aproximou o suficiente, o rapaz fez uma curvatura exagerada e dramática, o sorriso tornando-se pouco mais matreiro. Ele refez a postura e ofereceu-lhe a mão que ela aceitou, aproveitando-se do próprio bom humor para entrar na brincadeira. Soo, surpreendendo-a completamente, beijou-lhe os dedos delicadamente antes de soltar de seu cumprimento.
– Se Vossa Alteza me permite, o carro nos espera.
A expressão dela poderia ser interpretada como arrogante ou inexpressiva pela maioria, mas ele pode ver a forma com que ela desviou o olhar para longe, e como suas orelhas se avermelharam.
Coisas que poderiam ser difíceis para os outros, como saber quando ela estava envergonhada, como agora, eram para ele evidentes e em muito o divertiam.
– Só ande logo com isso. – Natália murmurou. – Eu quero ir pra casa.
Aquela afirmação o surpreendeu e ele se afastou alguns poucos centímetros, soltando-a no processo. Suas sobrancelhas vincaram-se.
–... Casa?
Os olhos violeta – ainda hesitantes – se voltaram para ele, mostrando-se confusos.
– Sim. Eu preciso pegar minhas coisas ou não vamos poder viajar. A não ser que você ande por aí com um par de passaportes, e documentação falsa. – A última parte teve um quê de ironia, que ele percebeu ser sua tentativa de amenizar o clima entre eles. Ao menos por hora, funcionou.
– Se assim você deseja, assim será. – Soo voltou ao personagem e fez uma segunda curvatura, liderando o caminho até o lado de fora do hospital, onde pedira que a locadora de carros entregasse o Sedan que ele pedira no dia anterior, quando ficara sabendo que eles receberiam alta.
As pessoas lançavam ao casal olhares curiosos – principalmente aqueles que viram a cena no saguão. Soo guiou-a até o carro preto, abrindo a porta do passageiro para Natália antes de tomar o lugar do motorista. As portas foram fechadas e as janelas igualmente. Eles colocaram o cinto e Soo colocou ambas as mãos sobre o volante, mas não deu partida.
– Soo? – Ela chamou-o depois de um tempo, sem entender a apatia do rapaz.
–... Eu estou um pouco nervoso. – Ele murmurou finalmente. – O que vamos fazer daqui pra frente? Como vamos viver?
A loira expressou surpresa de sua própria forma, mas esperou enquanto ele terminava.
– Você ainda gosta... Dele. Eu sei disso. – Ergueu o rosto que até agora estivera encarando o vazio, fitando-a com os olhos como chamas. – Também sei que está com medo de chegar lá hoje e não conseguir sair. Não sei se posso fazer isso sozinho, Nat. As coisas eram menos difíceis antigamente.
– Nada mudou. – Natália discordou dele, fazendo-o estremecer. – Nem vai mudar. Eu não sei o que vou fazer se encontrar com ele nos corredores, mas... Mas não vou dar atrás. Meu lugar não é mais aqui, não se preocupe.
–... Então, qual é o plano? – Seu tom se suavizara em muito pela forma gentil com que ela dissera aquelas palavras. Natália abriu um sorriso tímido e virou o olhar para frente.
– Entrar, pegar nossas coisas, voltar pro carro. Nada de armas, nada de excesso de roupas. O necessário.
– Minha definição de necessário inclui minhas armas. – Ele contestou, recebendo um olhar pouco amigável em resposta. – Ok, tá bom. Entendi. E depois?
Natália hesitou na resposta.
– Depois... Aeroporto.
Soo não falou mais nada, limitando-se a acenar com a cabeça e girar a chave, dando partida no carro e iniciando o caminho até sua última visita a mansão dos Braginski.
As coisas estavam mudando, ele repetiu para si mesmo. Aquele tinha se tornado seu lema. Abriu um sorriso hesitante. Pouco a pouco, na direção de um final o mais feliz possível para eles.
Cada discreto sorriso trocado entre os irmãos Vargas foi capturado pelo outro. Uma semana sem ocorrências superiores, depois de tanta comoção, era definitivamente uma coisa boa.
O salão estava lotado de risadas animadas, do som dos talheres, das conversas, e do espírito italiano que trazia à casa uma sensação de conforto e segurança. Para a alegria de Feliciano, as coisas estavam de volta ao normal.
Na mesa principal todas as cadeiras estavam devidamente ocupadas. Lovino na cabeceira, com Antônio do seu lado esquerdo e o irmão mais novo do lado direito. Seus hóspedes espalharam-se pelo resto da mesa, com Ludwig sentado ao lado de Feliciano, e Gilbert de frente para o irmão, engajado numa discussão com Arthur e Alfred. De tempos em tempos Francis soltava um ou outro comentário inapropriado, aborrecendo o amante.
Matthew tivera uma facilidade surpreendente em fazer amizade com o pequenino japonês, e ambos estavam sentados na outra borda da mesa, tomando café juntamente com Giuliano, todos os três engajados numa conversa sobre culinária.
Feliciano por sua vez se divertia escutando a discussão – interminável – de seu irmão e do espanhol. Apesar de estar sem fome, ele beliscava de tempos em tempos um pão recheado como pizza, que Ludwig o obrigara a comer.
–... Você sabe, eu senti sua falta enquanto você dormia. – Antônio soltou um muxoxo, recomeçando com as reclamações que tinham cessado enquanto ele terminava seu segundo pão.
– Eu não escolhi ser apagado, bastardo. Se eu pudesse, teria tomado conta pra que nenhum de vocês fizesse nenhuma besteira, como por acaso você fizeram.
Feliciano recebeu um chute por debaixo da mesa, punido pela risadinha que soltara. Sentiu lágrimas virem aos olhos quando o gesso vibrou perante a força – desnecessária – que o irmão usara. Ludwig perguntou o que estava errado, mas ele balançou a cabeça, tomando um gole do chocolate quente.
– Aposto que você nem sentiria minha falta se fosse eu no lugar do Feli. – O espanhol tentou mais uma vez, ainda com um bico.
Funcionou. Lovino corou e então bufou, desconfortável com a comparação. O espanhol observou-o se remexer e lançar a ele um olhar extremamente incomodado só para desviar o rosto para longe logo depois. O italiano lutou contra as palavras, tentando formular uma frase compreensível.
– D-Do que você- Eu- É claro que eu não... Ahn. – Hesitou. – É claro que eu não sentiria sua falta, você é irritante. Eu estou tentando tomar meu café da manhã em paz, então cale a boca.
Os olhos do moreno brilharam divertidamente, seus lábios abrindo num sorriso inocente e espontâneo. Curvou-se para o lado e tascou um beijo na bochecha do menor, só para receber um chute e ser empurrado com força por um Lovino extremamente corado.
– Lovi-lovi, eu também te amo.
– Não me chame assim! Cale a boca, não me importa!
– Te amo. – Toni repetiu, agora num ronronar baixo. – Te quiero... Vou sentir sua falta. E você?
– Claro eu que não... – Lovino interrompeu-se, seu tom de voz mudando completamente ao processar a segunda parte da sentença. – Mas o que... Falta? Do que está falando, seu bastardo?! Onde você pensa que vai?
As mãos de Lovino soltaram o outro, que recuou ao invés de avançar. Os olhos dos italianos fixaram-se nele, de ambos os irmãos. O mais novo parecia surpreso pelo assunto ter surgido com tanta facilidade.
Do outro lado da mesa, Kiku virou-se ao sentir uma mudança de clima e percebeu o olhar ansioso que Antônio lançou em sua direção. Não foi difícil para si fazer a ligação. Ele conversara com Antônio e com Feliciano durante a semana que se passara, é verdade, mas pensou que o espanhol iria esperar um pouco mais antes de soltar a bomba.
Aparentemente, Antônio estava mais impaciente do que ele pensou.
– Eu... Lovi, eu não posso mais adiar isso, sinto muito... É só que, eu nunca achei que a culpa fosse dos russos então-
– Antônio. – O tom de Lovino era perigosamente calmo. – Me responda. Onde você pensa que vai?
–... Matar o sniper que te atingiu. Eu acho que descobri quem ele é.
Lovino encarou-o em silêncio por um momento. Um sentimento desconfortável iniciou-se na boca de seu estômago, e dificultou sua respiração.
– Você vai atrás de um rastro não confirmado?
– Bem, sim.
– Sabendo que pode ser uma armadilha.
–... É. Mas eu-
– Sozinho?
– Ahn... Não.
– Não. – Lovino repetiu, aparentemente ainda mais ofendido.
– Kiku disse que tem um amigo que... Ahn... Tem alguns problemas com esse atirador, também. Então é meio que uma ajuda mútua? – Sua explicação saiu incerta e hesitante, incapaz de passar ao italiano qualquer sensação segurança.
O punho direito de Lovino bateu contra a mesa com violência, chamando atenção. Ele ergueu-se e sua cadeira caiu. Uma das mãos manteve-se apoiada no tampo da mesa enquanto a outra segurou com força o encosto de madeira. Antônio permaneceu sentado, os olhos fixos nos de Lovino enquanto este aproximava o rosto do seu com uma fúria pouco contida até estarem a centímetros de distância.
– Você vai é se ferrar. Eu não autorizo sua saída. Nem a de mais ninguém! – A última frase foi dita em voz alta o bastante para todo o grupo ouvir. Ele arrumou a postura e olhou em volta. O salão ficou em silêncio. Seus olhos verdes faiscaram. – Nenhum de vocês vai dar um passo sem eu autorizar.
– Fratello...
– Não. – Ergueu uma mão, impedindo Feliciano de começar. – Outra vez não. Eu me recuso a permitir um movimento suicida como esse. E não vou envolver um civil no meio, de jeito nenhum.
Antônio protestou.
– Kiku não é só um civil, ele...
– Não tem nada a ver comigo, ou com essa situação. Ele já foi envolvido o bastante. Feliciano, mande esse rapaz de volta pra casa.
–... Fratello, eu sinto muito, mas estou com o irmão Toni. Chega. Quem quer que seja, esse sniper não vai ficar sem um julgamento.
Lovino abriu e fechou a boca, parecendo ao mesmo tempo ofendido e magoado, e então furioso com a demonstração de insubordinação de seus dois conselheiros, um deles sendo o segundo no comando, e o outro...
A ideia de perder Antônio quase arrancou seu coração do peito.
–... Dane-se. – Sussurrou. Ele virou-se e se afastou da mesa, cruzando o salão sob o olhar de todos. Tanto Feliciano quanto Antônio correram para acompanhá-lo.
– Lovi! Lovino, espera!
O espanhol conseguiu puxá-lo pelo braço no final do corredor. O líder dos Vargas até tentou se soltar, mas Antônio foi mais rápido e segurou-o contra a parede, erguendo seu rosto para conseguir ver os olhos que agora brilhavam quase verdes.
– Que morra, então. – Lovino rosnou entre arfadas. Ele sentia dificuldade em respirar, mas lutou contra as lágrimas. Estava irritado, e não magoado. Não ia chorar por aquele traidor de uma figa. – Eu não me importo mesmo. Vá em frente e vire alvo de quem quer que seja. Mas não diga que eu não avisei. Feliciano, você não vai. Não me importa o que você diga eu-
– A ideia era que vocês fossem juntos. – Seu gêmeo mais novo interrompeu-o. – Eu já disse pro irmão Toni, mas não faz sentido que você não possa ir.
Aquilo surpreendeu Lovino, mas não acabou com sua desconfiança.
– Eu já disse que não me importo com-
– Lovino, você viria comigo?
Aparentemente, todos os dois pareciam bem dispostos a simplesmente ignorar a opinião de Lovino no assunto. Ele não se importava nem um pouco com o que quer que acontecesse com aquele espanhol traíra. Não fazia nenhuma diferença, mesmo. Que ele acabasse morto, é o que diria. Não vai fazer falta nenhuma.
Encarou o bastardo espanhol. Os olhos dele pareciam hesitantes, como se Lovino tivesse a opção de dizer que não.
Como se.
– Eu vou... Mas só porque você acabaria morto sem mim. – O sorriso que Antônio lhe deu, fez com que – por um momento – ele realmente acreditasse que aquilo não era uma loucura.
Mas era. Uma das grandes e estúpidas, das quais ele vinha fugindo pelos últimos dez anos.
Natália pegou a arma antes que percebesse que o fazia, e caminhou seus poucos, velozes e silenciosos passos até o quarto do irmão sem pensar nem ponderar.
No fundo do corredor ouviu uma porta se fechando. Soo já estava pronto, foi o que pensou. Ouviu enquanto ele descia a escada, os passos mais pesados graças ao peso extra.
Em algum lugar lá dentro, ela sentiu-se culpada por não ter feito o que dissera que faria, e por ter descumprido o que fizera Soo prometer que cumpriria.
Sua mente até tentou se justificar, dizendo que ela nunca jurara que eles estariam juntos. Prometeu que iriam até o aeroporto, não depois disso... Apesar de que, havia sempre a possibilidade de ela acabar morta ali, agora. E então, nem aquela promessa boba ela conseguiria cumprir.
... Por outro lado, aquilo era algo que ela precisava fazer por si mesma, ou nunca mais conseguiria. Aquela seria a última vez, mais uma última chance. Fechou os olhos antes de girar a maçaneta.
A porta abriu sem nem um único rangido, e ela teve o prazer de ouvir a respiração suave e tranquila de Ivan, uma última vez. O som de uma terceira presença a fez congelar, e seus olhos lutaram com mais afinco para acostumar-se com a penumbra e reconhecerem a forma de Wang, deitado ao lado do loiro parecendo calmo e feliz. Um dos braços de Ivan circundavam sua forma pequena e magra.
Sua mente apagou por completo.
Notas finais
Ah, eu escrevi a maioria disso aí no feriado, só que infelizmente pra mim, tudo sucks, e o trem ficou pequeno e eu com vergonha de publicar algo assim e... Sei lá xD desculpem, nem com desculpas eu sou boa.
Espero que o conteúdo compense, mesmo. O foco voltou, como vocês puderam notar, para nossa linda Natália. *u* O próximo capítulo vai por fim a triste saga dela e do Soo.
Para alegria de todos - e em nome de minha integridade física - já tá tudo pronto, só faltam alguns poucos ajustes. E tá grandinho, então não me matem. A verdade é que eu tô com um puta bloqueio, e esse capítulo "final" já estava pronto antes até mesmo do capítulo 7 (que pra quem não lembra, foi quando a Nat e o Soo foram introduzidos xD (eu acho)) o que explicaria sua qualidade superior ao lixo postado hoje.
Por favor não me abandonem, e tentem não me matar por review - nem pessoalmente, de preferência. Beijitos, e até semana que vem.
Gin-chan
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