Fama.
7 Sucesso Profissional, Decadência Pessoal
Beatriz aceitou o convite de Marcela para saber o que era que estava acontecendo, porém naquela noite ela não poderia, pois tinha a coletiva de imprensa e a pré-estreia do filme, e ela estava muito aflita para esse momento, tudo dependia daquela noite, se a pré-estreia fosse boa os jornalistas comentariam e isso faria o filme ser um sucesso.
Quando ela chegou no cinema onde aconteceria, ela e Diana foram ovacionadas. Marília e os demais atores já estavam lá, juntos a Glauber e Clarissa, pois ela era produtora-executiva do filme.
A coletiva antes do filme durou por volta de uma hora, então a exibição começou. Pela primeira vez Beatriz e Marília estavam sentadas, lado a lado, como iguais e dependiam do mesmo resultado. Durante toda a apresentação do filme, as reações da plateia não dizia nada, todos estavam vidrados em frente a tela.
O filme era curto, ao final das uma hora e vinte minutos, as luzes se acenderam e Beatriz e Marília não se moveram até que veio a reação do público: elas foram ovacionadas pelo público. Todos gritavam, aplaudiram em pé e correram em direção a elas duas para pedir autógrafos e tirar fotos com todo o elenco que estava ali e o diretor.
Pela primeira vez em suas vidas, Beatriz e Marília se abraçaram e sorriram para fotos, e com sinceridade naquele sorriso, por alguns instantes, Beatriz ficou tão feliz que esqueceu que teria um encontro com Marcela no dia seguinte, pois naquele momento, as duas estrelas sabiam que seu retorno seria triunfal.
*
— que bom que você veio – disse Marcela.
Marcela e Beatriz haviam marcado o encontro em um bar de um hotel discreto da cidade que era perfeito para amantes e pessoas que discutiam assuntos delicados em segredo.
— preciso começar dizendo parabéns, sua carreira vai ser retomada da maneira mais brilhante possível, na imprensa não se fala em outra coisa, apenas sobre como é brilhante a versão brasileira de Deus da Carnificina – disse Marcela, quanto o garçom trazia seu drink.
— obrigada, eu sou uma ótima atriz, era visto que seria um sucesso, mesmo com gente como você tentando me destruir – rebateu Beatriz, acendendo um cigarro – podemos ir direto ao assunto?
— bom Beatriz, encare isso como uma redenção, mas eu encaro como a matéria do mês, que quiça, do ano. Você sabe que eu tenho contatos nas maiores empresas de entretenimento desse país, e depois que eu comecei a receber informações de dentro da produção do filme, eu resolvi investigar sabe, sem contar que, poxa, você é uma atriz indicada ao óscar, como é que você não recebe boas propostas, eu já estava meio intrigada com isso a algum tempo, eis que movi alguns contatos meus dentro de algumas emissoras e cheguei a uma conclusão meio óbvia – Marcela então deu a Beatriz a a pasta branca com as propostas e as recusas.
Beatriz pegou a pasta e começou a olhar as folhas, depois de alguns minutos e muitas expressões de espanto, Beatriz começou a falar.
— meu Deus, nenhuma dessas propostas chegou até mim!
— você vem sendo sabotada pela Diana a anos Beatriz. Desde que ela começou a te agenciar, sua carreira começou a decair, você nunca havia notado isso?
— mas que desgraçada! Eu confiava nela como em uma filha, eu sempre tive nela uma amiga, mas isso não vai ficar assim, ela vai me pagar! — disse Beatriz – e eu vou resolver isso agora mesmo!
Beatriz levantou-se, apagou o cigarro no cinzeiro sobre a mesa e levanta-se. Beatriz sempre teve uma personalidade forte nunca foi de levar desaforos para casa.
*
Marília chegou com Clarissa no hospital para buscar Manuela, e quando chegaram lá, pela primeira vez em meses as viram Manuela sorrir.
— muito obrigado – disse ela dando uma abraço muito apertado na tia, então, mesmo hesitante, ela foi em direção a mãe e a abraçou – muito obrigado Marília.
— como eu prometi, a gente conversou com o médico e ele achou que seria uma boa ideia te deixar sair sim – disse Clarissa.
Então, Marília entregou uma chave para Manuela.
— o que é isso? — perguntou ela à mãe.
— a chave do seu apartamento – respondeu Marília.
— mobiliamos com tudo o que você gosta e segunda você pode ir até a empresa pra gente conversar sobre a sua contratação – completou Clarissa, sorridente.
— nem sei como agradecer – respondeu Manuela, com os olhos cheios de água.
— vamos, estamos loucas pra ver seu rosto quando entrar no apartamento – disse Marília.
— mas vocês conseguiram fazer tudo isso em uma tarde? — indagou Manuela.
Clarisse deu uma garalhada e respondeu.
— quem tem dinheiro, move esse país.
*
Beatriz entrou no escritório feito um trator, ela queria olhar nos olhos de Diana e ouvir da boca dela que tudo aquilo era verdade.
— você poderia me explicar que porcaria é essa Diana? — gritou Beatriz ao atirar a pasta branca com os documentos em Diana.
— mas que grosseria é essa meu Deus? — perguntou Diana, assustada.
— leia, leia tudo o que tem aí! — gritou Beatriz.
Diana pegou as folhas e viu todas as propostas e as cartas de recusa assinadas em nome de Beatriz.
— meu Deus Beatriz, que é tudo isso? — ela então notou de onde vinha o ódio de Beatriz – quem é que fez tudo isso? Beatriz, você não está achando que fui eu né?
— você é muito cínica! Se não foi você, que mais poderia ter sido? As cartas de recusa vem todas daqui, e eu não escrevi nenhuma delas. Diana, o que você ganha com isso? Sou eu quem paga as suas contas, se eu ficar na miséria, você também dica!
— Beatriz pelo amor de Deus, eu não fiz nada disso, eu não tenho nada pra ganhar como você disse, isso é uma armação, eu sou uma vítima – Diana começou a chorar.
— como você é cínica, você é que deveria ser atriz.
— pelo amor de Deus Beatriz, acredita em mim, eu vou uma vítima!
— você é uma ordinária, eu vou te processar, eu vou contratar uma emprese de auditorias para que revejam todas as minhas contas desde de que você trabalha comigo e se você, além de ter estar me sabotando a todos esses anos você vem me roubando também.
— você está me acusando de ter te sabotado e de estar te roubando e sabotando sua carreira? Beatriz, eu achei que fôssemos amigas. Quem é que te deu tudo isso?
— foi a Marcela, ela tem os melhores contatos do país pra esse tipo de coisa, se ela falou, infelizmente a gente sabe que é verdade.
— A Marcela? Beatriz essa mulher te odeia, ela está fazendo essa intriga pra você fica mal, ela sabe que somos amigas e está fazendo essa intriga!
— eu fui escolhida a eu azar ou você tem um motivo para ter me escolhido como sua vítima? — Beatriz não havia pensado nisso ainda, mas agora a ficha havia caído – qual é o motivo para você ter feito isso comigo?
— Beatriz pelo amor de Deus, não tem motivo nenhum, eu não fiz nada!
— sua cínica, para de negar, eu já sei que foi você e eu vou te meter na cadeia. Sabe o que mais me dói? Eu tinha você como uma filha Diana, eu tinha você como alguém da minha família, a filha que eu nunca tive.
— filha que você nunca teve? — nesse momento a expressão de Diana mudou completamente – você quer me jogar fora, me joga, mas você vai se arrepender se meu nome cair em desgraça, se você me sujar, eu conto pra todo mundo o teu segredinho sujo.
Beatriz deu um tapa na cara de Diana que fez os óculos que ela estava usando ser arremessado longe.
— nunca mais abra essa boca imunda pra falar do que não sabe – disse Beatriz. Ela então pegou sua bolsa que estava sobre a mesa e virou-se para ir em direção a porta – você está demitida – ela completou ao sair e bater a porta.
Beatriz ficou apavorada, como é que Diana sabia de seu segredo? Será que ela tinha alguma coisa a ver com seu passado e aquilo era uma retaliação ou Diana apenas ra uma psicopata buscando ascensão social? Mas o fato é que Beatriz temia pois Diana sabia seu segredo. Beatriz estava com medo, mas também estava com ódio, muito ódio.
*
Marília a Clarissa havia deixado Manuela no apartamento novo e estavam na casa de Clarissa.
— você acha que é uma boa ideia? — perguntou Marília, dando uma tragada em seu cigarro e em seguida um gole em seu café.
— o que? — perguntou Marília.
— a gente ter deixado a Manu sozinha agora, a gente devia ter insistido pra que ela fosse pra sua casa ou que ela voltasse pra cá – Marília estava aflita.
— não seria uma boa ideia, ela já estava decidida sobre o que iria fazer , nada do que a gente dissesse ia fazê-la mudar de ideia, ela ia levar tudo como um desaforo – respondeu Clarissa.
Então o telefone dela tocou e ela foi até a sala atendê-lo. Marília ficou ali sozinha, com o pensamento longe, pensando se teria sido uma boa ideia deixar a filha sozinha, pois ela tinha medo que Manuela caísse na tentação das drogas mais uma vez, porém Clarissa surgiu da porta, ela estava radiante.
— você não vai acreditar quem acabou de me ligar! — ela estava sorridente.
— o que? Pelo amor de Deus, me dê uma notícia boa! — completou Marília.
— era do ministério da cultura, a secretária do ministro ligou pra avisar que eles estão todos encantado com o filme e que, a menos que Stanley Kubrick ressuscite e venha pro Brasil fazer um filme, a nossa versão de Deus da Carnificina será o representante brasileiro no óscar!
Marília iluminou-se, era mesmo de uma notícia boa que ela precisava.
Perto dali, no apartamento de Manuela, ela estava no telefone.
— eu só preciso de mais uma semana, eu saí agora, eu preciso só de uma semana pra conseguir o dinheiro, se eu não conseguir com a minha mãe eu vou pegar com a minha tia, você sabe que ela é rica!
Depois de alguns minutos, ela desligou o telefone e o jogou sobre o sofá e colocou as mãos sobre a cabeça,e ela estava desesperada, pois ela sabia que o traficante iria cobrar a dívida que tinha com ele.
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