Fama.
10 O Preço da Fama
— você está pronta pra lidar com os erros do seu passado? — disse Diana, olhando direto nos olhos de Beatriz, com muito ódio.
— e você pretende ir atrás do teu pai também? — disse Beatriz, mesmo estando apavorada, ela não deixava seu medo transparecer – ou seu ódio é machista e você acha que a responsabilidade é só da mãe. Eu deveria ter te bancado sozinha ou você também odeia o macho que me abandonou sozinha e grávida?
— e você vai colocar a culpa nisso agora? Era responsabilidade dos dois!
— então me responda, você vai atrás dele também?
— mas você era minha mãe! — gritou Diana.
— engraçado esse negócio de machismo né, mulher precisa bancar tudo sozinha e se abandona o filho vira um monstro digno de levar um tiro, agora o homem que abandona é só mais um e ninguém da bola – disse Beatriz em tom de deboche.
— não mude de assunto, você vai pagar por… — antes que Diana terminasse a frase, sua fala foi interrompida por Marcela, que entrou na sala falando.
— desculpa invadir Beatriz, é que a porta estava aberta e eu fiquei – no exato momento em que ela viu a cena de Beatriz e Diana, frente a frente com Diana empunhando uma arma, ela mudou o tom de voz e a expressão facial – cheguei numa hora ruim? Eu volto depois – ela virou-se para ir em direção a porta, mas foi impedida por Diana.
— chegou quem faltava, pois agora finalmente eu vou meter uma bala na pessoa certa! — disse Diana ao levantar-se e ir com a arma em direção a Marcela.
— na pessoa certa, do que você está falando? — perguntou Marcela.
— aquele tiro na Clarissa era pra ser em você! — gritou Diana.
— meu Deus, foi você quem matou a Clarissa? — Marcela estava chocada.
— aquele maldito carro era igual ao seu, eu vi ela vindo eu achei que fosse você, sua cadela!
— meu Deus Diana, você matou uma pessoa por engano? — Marcela estava chocada – você planejou me matar, mas como você sabia que eu estava lá?
— quando a Beatriz me contou que foi você que contou pra ela que eu estava sabotando ela eu fiquei com muito ódio de você sua infeliz, eu arrumei uma arma e comecei a planejar, eu sempre andava com a arma na bolsa, mas no momento em que eu cheguei lá e te vi na recepção fazendo aquela cena pra falar com a Clarissa eu fui tomada por um ódio tão grande que eu fui até a garagem. Eu sabia qual era o seu carro e fiquei de tocaia esperando você se aproximar dele, mas depois que eu dei o tiro eu percebi que era aquela burra. Nesse momento eu sabia que estava tudo perdido.
— mas por que você não foge? O que vocês está fazendo aqui, aproveita esse tempo e foge – tentou argumentar Marcela.
— se esse é o seu argumento para tentar sobreviver, é melhor você ser mais criativa.
— tá, mas esse era o seu plano original, matar a Beatriz e depois de matar? Mas por que? — Marcela havia perdido o momento da motivação de Diana do motivo pelo qual queria destruir Beatriz.
— não, eu ia destruir a carreira da Beatriz e fazer ela ficar completamente dependente de mim e depois ia jogar ela na rua, mas como tudo foi pro espaço graças a você, eu vou dar um tiro no meio dessa tua cara maldita e depois vou acabar comigo e com você – Diana gritou essa última parte da frase, então após um barulho de ferro chocando-se com seu crânio e caiu no chão.
Marcela então entendeu o que aconteceu. Beatriz havia batido na cabeça de Diana com o atiçador de brasas de sua lareira.
— chama a polícia, temos a confissão de homicídio e uma nova tentativa de homicídio pra ela explicar pra eles – disse Beatriz.
Marcela assim o fez. Beatriz ficou em pé em frente ao corpo desmaiado de Diana, se ela levantasse, Beatriz ia bater nela novamente, então Regina e Jonas chegaram, e Beatriz estava em choque, era complicada demais toda aquela situação para ela, afinal ela havia dado a luz para aquela pessoa que a poucos instantes estava com uma arma apontada para seu rosto.
9 meses depois.
— and the academy award for best foreign language film goes to… God Of Carnage (e o óscar de melhor filme estrangeiro vai para Deus da Carnificina) – anunciou Kate Winslet. Então subiram ao palco Glauber, Beatriz, Marília, Antônio e Gilberto para receber o prêmio. O discurso feito por Glauber foi intenso, ele agradeceu a todos da academia, a todos os que acreditaram neles, os fãs que haviam feito o filme ser um sucesso retumbante naquele ano, comentou como era uma satisfação receber o prêmio das mãos de Kate que havia feito a versão americana do filme e dedicou o filme à memória de Clarissa.
No dia seguinte, todos estavam de volta ao Brasil. Marília estava em sua casa com Manuela, que voltou a morar com ela depois de ter se livrado das drogas e ter aceitado a ajuda da mãe, elas ligaram a TV e estava sendo transmitido um boletim especial em determinado canal de televisão:
“… após ter sido condenada a treze anos de prisão por ter matado a apresentadora e produtora de TV e cinema Clarissa Mendes, Diana anunciou essa semana que está escrevendo um livro que contará a história de sua vida.
A obra intitulada 'Abandonada por uma Estrela: A trajetória da filha abandonada por Beatriz Herman' conta a história de Diana que alega ter sido dada para adoção por Beatriz. Procuramos Beatriz para saber sua opinião e por meio de uma nota ela disse 'espero que ela conte sobre o dia em que pôs uma arma na minha cara e que ela tenha ótimos advogados, pois certamente ela será processada por expôr minha imagem dessa forma, mas a julgar por sua condenação, seus advogados não são bons. Quem quer ler esse monte de mentiras, corra, pois logo logo esse monte de mentiras e calúnias estará fora das prateleiras de todo o país e a editora estará fechada.'”.
— assassina confessa, essa doente tem a coragem de colocar a culpa na vítima? Mas que nojo! — disse Marília, trocando de canal.
— você defendendo Beatriz? Deve ser o fim do mundo mesmo – disse Manuela, dando uma risada de canto de boca.
— não estou defendendo Beatriz, estou defendendo a vítima, a mulher. Além do mais, se essa imunda colocar meu nome nesse livro, eu também vou processá-la.
Marcela havia ganhado um programa na TV, era um programa vespertino de fofocas de famosos e gastava muito tempo em seu programa para manter viva a memória do acontecido, dos crimes cometidos por Diana e dizia a todos a imundice que era ela publicar um livro para fazer dinheiro dentro da cadeia com aquilo, ela também estava processando Diana.
Com o passar do tempo, Beatriz começou a receber mais e mais papéis na televisão, tanto em novelas quando em séries e estava cada vez mais privilegiada, assim como Marília que havia voltado a dirigir peças no teatro, porém ela havia adorado o gosto do sucesso internacional que havia alcançado ao lado de Beatriz com o filme, então ela teve uma nova ideia.
— Beatriz, tem uma senhora aqui fora querendo falar com você – disse a funcionária do canal de televisão onde Beatriz estava gravando seu seriado ao entrar em seu camarim enquanto ela se maquiava.
— quem é? — disse Beatriz se virando para a porta.
— Marília Vieira – respondeu a funcionária.
— isso é um dejavú ou você está tirando sarro da minha cara? — respondeu Beatriz ao apagar seu cigarro no cinzeiro sobre a mesa – mande-a entrar.
— lembra-se que da última vez que fui até você com um roteiro, te dei um filme que levou um óscar, mas agora eu vou dar um óscar pra você – disse Marília.
— diga-me mais – respondeu Beatriz, acendendo um cigarro.
— sei que hoje é seu último dia de gravação aqui hoje, então minha proposta é a seguinte, o papel-título é seu, mas dessa vez eu quero você como produtora-executiva do filme – disse Marília, pegando o roteiro que ela tinha embaixo do braço e estendendo em direção a Beatriz.
Beatriz pegou o roteiro e o título fez seus olhos brilharem: O Que Terá Acontecido a Baby Jane?. Beatriz deu uma gargalhada e olhou nos olhou direto nos olhos de Marília.
— perfeito, eu quero liberdade criativa.
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