Fama.
1 A Vítima Famosa
Rio de Janeiro, 2017.
Havia se montado um pandemônio na frente do prédio. Haviam equipes de socorro, a polícia e muitos repórteres de todas as redes de televisão grandes do país estavam aglomeradas tentando descobrir o que havia de fato acontecido. Informações preliminares davam conta de que alguém havia sido baleado na garagem do prédio.
A policial Regina que cuidaria do caso chegou no local. Ela odiava repórteres, mas ao passar pelo meio daquele mar de pessoas, ela ouviu alguns comentários entre o pessoal da impressa e todo o pessoal que estava lá fora, coisas do tipo “foi a velha famosa aquela que mandava em tudo aí dentro que morreu” e “pelo que o povo está comentando, foram dois tiros no peito. Quem atirou queria matar mesmo”. Velha famosa que foi baleada dentro do prédio daquela que já foi a maior companhia de teatro do país e agora era uma produtora de sucesso, não era coisa boa. Uma série de pessoas famosas que trabalhavam ali passaram pela cabeça de Regina, mas, de qualquer forma, a situação não era boa, ela teria que trabalhar no caso da tentativa de assassinato de uma mulher famosa, o que significava ter repórteres ao seu redor.
Regina cruzou aquele mar de pessoas até que chegou na porta do edifício, onde outro policial veio a seu encontro.
— oi Regina – disse ele, simpático.
— oi Jonas, o que temos hoje?
— mulher de meia idade baleada. Quando o pessoal do resgate chegou, ela já estava sem vida. O pessoal da perícia está indo atrás de câmeras que tenham filmado – Jonas deu um sorriso sarcástico – a segurança é tão boa que tinham três pontos cegos de câmeras na garagem. Pela posição do corpo, os tiros vieram de um deles.
— tá, mas e a grande surpresa qual é, quem é o presunto que vamos embalar hoje?
— te contar quem é e perder de ver a sua cara quando você chegar lá embaixo? Nem morto.
— se for alguém que eu não conheço, você me paga um chope – foi a resposta de Regina.
Os dois foram até a garagem. Quando chegaram lá, o corpo há havia sido removido, ele estava sobre uma maca e coberto por um pano branco. No pano, haviam duas manchas de sangue na altura do peito indicando onde havia sido dado os tiros. Regina chegou próxima ao cadáver e pediu para o paramérico para ver o rosto da vítima, então ele removeu o pedaço do pano que cobria seu rosto.
— a meu Deus, é ela? — foi a reação que Regina conseguiu esboçar.
— é – respondeu Jonas – é ela.
— merda – disse Regina enquanto o paramédico cobria seu rosto novamente – vou ter que lidar com a porcaria dos repórteres o caso todo, eu odeio repórteres, odeio ter que lidar com gente famosa.
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