Notas iniciais
oii! Espero que gostem... Pfv leiam "Eu, você, nós dois." Beijuuus

Piper POV´s

– Annabeth! Não annie, não. Não me deixe...

– Piper, acorde! – Jason chamou – Você está com febre, não para de se mexer. O que houve?

– Jason, é annie, eu sonhei com ela...

– Confesso que também não dormi bem.

– Jason, eu me abaixei para tocá-la e minhas mãos cheias de sangue...

– Piper, pare! Eu estava lá, sei o que aconteceu, e não gosto de lembrar...

– Não Jason, no sonho. Eu sonhei com o momento em que annie e Percy... – eu não aguentei e chorei. Chorei muito – Desculpe Jason, volte a dormir. – me levantei da cama

– Onde você vai?

– Vou tomar um ar!

– Pipes, não vá até eles, isso não nos faz bem...

– Jason, eu preciso... – e sai correndo do quarto, chorando

Subi o primeiro e o segundo lance de escada. Em frente a porta da enfermaria, senti uma sensação de angustia, medo e esperança. Encostei na maçaneta, mas antes de girar, esperei um pouco. Girei a maçaneta e a porta abriu. Estava escuro, mas eu não queria acender a luz. Queria fingir que se eu fizesse isso eles acordariam, e para não provar o contrário, achei melhor não. Eu já havia ido lá tantas vezes que sabia cada lugar de cada coisa. Caminhei rumo a cama em que Annabeth estava. Passei minha mão pelo braço da garota que por um tempo foi minha melhor amiga. Eu jamais a esqueceria...

– Annie, acorde, por favor. Você consegue fazer isso, só depende de você. – beijei a testa dela e me encaminhei a cama de Percy – E você, cabeça de algas, acorde também. Acordem. – pensei em usar meu charme – Acordem! – acho que não funciona com mortos...

Me senti enjoada e fraca de repente, provavelmente devido a tempestade marinha que acontecia lá fora. Resolvi tomar um ar. Eu estava de camisola e roupão. Não pensei que fosse estar tão frio. Mesmo com frio, eu sabia que tinha que fazer isso...

– Poseidon, eu sei que está agitado. Estamos fazendo o possível pelo seu filho, mas juro que não sei mais o que fazer. Já fizemos de tudo para reanima-los, mas nada tem efeito... Se tem algo que pode ser feito, nos ajude, por favor. Seu filho tem um papel importante aqui, seria muito ruim se ele... se ele... – ouvi um barulho na água e então passos. Assustada, olhei para trás e vi... – Poseidon?

– Sim minha jovem – Poseidon tinha uma expressão triste e cansada – Eu vejo o que tem feito por eles, e sou muito grato à você. Eu trouxe isso, mas não sei se funcionará nas tais circunstâncias. – Poseidon me entregou algas marinhas – Guarde-as com cuidado, elas são mais preciosas que imaginas. Tem que ser preparadas corretamente para que tenham alguma chance de sucesso.

– Mas, senhor, eu não sei prepara-las.

– Minha jovem, você saberá. Agora descanse. Verei o que mais posso fazer...

– Obrigada, senhor Poseidon!

– Eu é que lhe devo agradecer... – achei estranho um deus agradecer, mas lembrei que ele estava num momento frágil – Obrigada Piper! – uma lágrima escorreu do canto do rosto de Poseidon e caiu no chão. A lágrima foi absorvida pelo mesmo

Poseidon se desmanchou em água e voltou para o mar. Depois daquilo eu voltei para o quarto, inquieta, sem saber o que fazer com as algas. “Guarde-as com cuidado, elas são mais preciosas que imaginas”. Acho que demorei para pensar onde as deixar, pois logo o dia clareou, mas isso não fazia diferença para mim, pois eu continuava sem saber o que fazer com elas...

Jason acordou e me olhou com dó. Eu não gostava disso, mas não falei nada, pois estava triste demais para falar uma palavra sequer. Ouvi passos no corredor e por um instante pensei que pudesse ser annie, como sempre que ia me acordar. Bateram na porta e meu coração acelerou. Não falaram nada, então levantei e fui abri-la. Hazel estava na porta, abraçada em Frank, ambos chorando.

– Oi!

– Oi – respondi, e então comecei a chorar

Ao invés de ajudar, ela chorou comigo. Calipso logo se juntou a nós. Os garotos ficaram no canto, todos de cabeça baixa, mas notei que os três choravam. Quando afastei-me, percebi que tinha molhado as algas com minhas lágrimas, e que nesses lugares e folha furou, assim como um ácido faria.

– O que é isso, Piper? – perguntou Leo

– O ultimo recurso. Poseidon disse que na hora eu saberia usá-las, mas não sei...

– Poseidon esteve aqui? – perguntou Frank

– Sim, ontem a noite. Falei com ele, e então ele apareceu no Argo III e me entregou essas algas. – expliquei

– Piper, você tem que prepara-las! – falou Hazel

– Desculpem, eu não sei...

– Piper, acalme-se... – falou Jason – vá tomar um banho e relaxar, você não está bem!

– É claro que não estou, Jason, minha melhor amiga está morta. – gritei – Desculpe, estou estressada! Vou tomar um banho, mas preciso que alguém cuide das algas. Poseidon disse que são muito importantes...

– Eu cuido! – disse Hazel

– Eu volto em um instante! – falei e então eles se retiraram

Fechei a porta do quarto mas ouvi ela sendo aberta. Jason entrou.

– Meu amor, me desculpe, mas eu posso te pedir para ficar um pouco sozinha?

– É claro, pipes. Também estou precisando, mas não falei nada por você!

– Obrigada, Jason.

Jason saiu do quarto e eu entrei no banheiro. Minhas lágrimas caiam incansavelmente. Esqueci de todos os problemas que rondavam minha cabeça e tentei relaxar. Não funcionou, pois Jason entrou no quarto e me mandou sair do banho correndo. Uma ponta de esperança surgiu em mim, mas então era algo maior. Uma visita de dois deuses rivais. Atena e Poseidon.

– Olá senhor Poseidon. Olá senhora Atena. – falei triste

– Poseidon me contou o que vem fazendo por minha filha!

– Hum – eu não sabia o que falar para uma deusa em uma hora dessas

– Mais que isso, minha jovem, venho vendo o quanto tem sofrido pela perda de Annabeth. – disse a deusa

– Piper! – chamou Poseidon

– Sim, senhor?

– Descobriu o que deve fazer?

– Não, senhor! O senhor me disse que eu saberia, mas não sei. Me desculpe...

– Eu, Atena, deusa da sabedoria, concedo a Piper Mclean uma benção. – a deusa abriu os olhos e encostou em minha testa e então, o mundo simplesmente apagou.

Acordei com Jason me sacudindo. Atena e Poseidon me olhavam de cima. Frank, Hazel, Leo e Calipso tinham expressão de expectativa. Em poucos segundos eu me recordei do que havia acontecido e pensei nas algas. Estavam na mão de Hazel. Eu me levantei e as tomei de suas mãos. Sem uma palavra, continuei correndo e ouvi que corriam junto a mim. Fui até a enfermaria, mas ninguém mais ousou entrar. Peguei néctar e levei para a cozinha. Entre as algas, coloquei o néctar e as torci o máximo que pude. Eu não sabia no que aquilo iria ajudar então corri até Atena. Não sei por que, mas minha mente mandava eu ir até a deusa. Sim, minha mente, não foi meu coração. A deusa pegou as algas e as transou. Peguei um copo e levei até a deusa. Poseidon colocou uma mera quantia de agua salgada sobre as algas e delas escorreram um líquido verde. Não era bem liquido. Era como mel verde, devido a mistura com o néctar.

– Por que eu fiz isso e não vocês? – perguntei

– Tinha que ser feito pelas mãos de um semideus! – explicou a deusa

– Mas porque eu?

– Achamos que você merece isso como honra.

– Honra?

– Você foi uma ótima amiga para Annabeth e para Percy também. Eu nunca gostei dele, mas Annabeth sim. Se não fosse você, talvez annie tivesse perdido a cabeça por aquele semideus...

– Igualmente você ajudou muito o Percy. Apesar de ser amiga de Annabeth você jamais a defendeu sem saber o que acontecia. E soube defender meu filho quando a razão foi dele. – disse Poseidon

– Agora vá. Você tem o nosso ultimo recurso em suas mãos. — olhei para o copo.

– Mas só tem para um semideus! — falei

– Infelizmente você terá uma difícil escolha...

– Não. Traga mais alga... Poseidon, traga mais...

– Não existem mais! Elas são muito raras. Crescem em pouca quantidade. Trouxe todas...

– Colocaremos mais néctar e água salgada...

– Piper, estará correndo o risco de deixar a cura muito fraca e não salvar nenhum deles! – disse Atena

– Fala isso por que tem certeza que eu escolheria sua filha. Coloque-se no lugar de Poseidon. Se dar o trabalho de recolher todas as algas raras, fazer a cura e entregar para a melhor amiga do filho dele e dizer a ela que deve escolher um à salvar. Você jamais faria isso, Atena.

– Salve Annabeth, minha jovem. Percy jamais me perdoaria se eu a deixasse salvá-lo. Eu fiz isso por Percy, pois sei que ele daria a vida por ela... – disse Poseidon, com a voz fraca e triste

Atena continuava a me encarar. Não falou mais nem uma palavra, então falei...

– Tomei minha decisão! Vou aumentar a cura. Se der errado, tudo bem, eles já estão mortos. Tenho certeza de que ninguém aqui tomaria outra decisão... – olhei em volta, desafiando alguém a dizer o contrario

– Está bem minha jovem. Aumente a cura. – disse Atena

Busquei o néctar e reaproveitei o máximo das algas. Poseidon colocou poucas gotas de água e Atena torceu. O líquido desceu mais claro desta vez, porém eu tinha mais de meio copo agora. Dividi em dois copos e entreguei um à cada deus.

– São vocês quem devem fazer isso. – Atena e Poseidon se entreolharam e seguiram em frente

Entramos na enfermaria, eu na frente, Poseidon e Atena logo atrás e os outros do lado de fora, espiando pela porta.

– Minha filha... — Atena derrubou algumas lágrimas, então deu o liquido para a filha

– Percy... Caso você não resista... – o deus ficou com os olhos marejados – quero que saiba que é meu filho e que tenho muito orgulho disso... Você é um herói, Percy! Um herói! – e então deu a cura para o filho

Por um momento, nada aconteceu. Eles continuaram daquele jeito por minutos, mas o que para mim pareceram horas... Poseidon beijou a testa de Percy enquanto Atena beijava a testa de Annabeth. Sabia que era hora de fechar o olho e então os deuses assumiriam suas formar divinas. Quando abri os olhos, os deuses já não estavam mais lá. O resto era o mesmo, Percy e Annabeth mortos! Todos desisolados ficaram parados. Me sentei no chão e deixei a tristeza me consumir.

– Amanhã resolveremos o que fazer com os... com eles – Jason cuidava cada palavra, mas machucava imensamente com qualquer que ele usasse – Hoje não estamos com cabeça para isso!

– Ficarei aqui! Se algo acontecer eu aviso vocês – falei

– Ficarei junto – disse Jason

– Não Jason, eu sei que não quer. Ninguém precisa ficar, é só que quero conversar pela ultima vez com esses dois.

– Pipes... – falou Leo

– Leo, eu vou ficar bem, só quero ficar sozinha...

Todos saíram da enfermaria. Quando Hazel fechou a porta eu me levantei. Sentei na banqueta que tinha ali do lado da cama de Annabeth.

– Annie! Sei que pode me ouvir mas não pode me responder... Só quero que saiba que em toda minha vida, você foi a pessoa mais especial que já conheci. Não vou te dizer que era inteligente, por que isso é algo óbvio, mas quero te dizer que sem você nesses meses... Eu nem sei como seria. Eu nem sequer sei o que acontecerá a partir de agora... – eu balbuciei e em seguida comecei a chorar – Não vou te pedir para ficar. Não posso te pedir isso, mas saiba que nunca estará sozinha nesse mundo, amiga. Você sempre terá a mim. Ai deuses, o que direi ao seu pai? O que direi à Quíron? Annie, esqueça isso. Não carregue nenhuma preocupação... Fique livre! – mudei de posição e fui até Percy – E você, cabeça de alga... Você é sem duvidas o heróis mais fantástico de todos os tempos! Que Jason não me escute, mas eu sempre achei sua bravura distante de qualquer um que eu conheça. Você faria qualquer coisa por alguém que ama, e sei que faria principalmente qualquer coisa por Annabeth. Se você voltar... tenho certeza que os dois voltarão. — beijei e testa e Percy e me voltei para annie outra vez. Beijei a testa dela e me despedi – Adeus!

Sai da enfermaria, mas não queria encontrar com os outros. Lembrei que precisava falar com a mãe de Percy, com o pai de Annabeth e com Quíron. Fui até o convés principal, mesmo sem vontade e vi que todos se sentavam a beira do navio.

– Pessoal, precisamos avisar os outros... – disse eu

– Alguém tem dracmas? – perguntou Leo

– Eu tenho – disse Jason – Vou buscar! – quando Jason voltou...

– Oh Íris, deusa do arco-íris, aceite nossa oferenda – joguei o dracma em nossa pequena fonte para mensagens – Mostre-nos Quíron! – a névoa tremulou, e o acampamento apareceu – Quíron – chemei

– Meus jovens – ele tinha um sorriso, então deve ter percebido as expressões e assumiu uma expressão preocupada – O que houve? Cade Percy e Annabeth?

– Quíron – tentei explicar, mas vacilei e chorei

– Não! – Quíron ficou com os olhos marejados – O que houve com eles?

– Aracne! Parece que ela estava muito mais forte. A teia continha veneno. – explicou Jason

– Ah deuses!

– Piper e eu também fomos acertados pela teia, porém houve pouco contato e ficamos bem, já Percy e Annabeth...

– Minha menininha... Percy... Não – Quíron começou a chorar

– Poseidon e Atena tentaram nos ajudar com uma cura, mas parece que não foi o suficiente – disse Leo

– Teria sido, se eu não tivesse aumentado a cura... – falei

– Piper, pare. Todos nós faríamos a mesma escolha – tentou ajudar Calipso. Murmúrios de concordância aconteceram, mas não ajudaram...

– Quero lhes pedir um favor, não avisem a mãe de Percy nem o pai de Annabeth! Avisarei pessoalmente...

– Tudo bem...

Interrompemos a ligação e então segui para minha cabine. Eu simplesmente não aguentava mais aquela tensão. As cenas me voltavam a cabeça... Minhas mãos cheias de sangue, minha dor causada pelo veneno, o sufoco de Percy, o medo de Annabeth, a arrogância de Aracne... Depois de alguns minutos, dormi.

Notas finais
A curiosidade matou o gato e Aracne matou o Percy e a Annabeth... até o próx cap...