Família Tradicional Brasileira
1 Dona Maria
Notas iniciais
Dona Maria não dormia, apenas cochilava. Ela precisava, informar-se sobre quem saiu com quem. Qual era o namorado novo da filha da vizinha, quem traiu quem. Dona Maria não podia ouvir um barulho se quer na rua, que já saia na porta pra saber o que estava acontecendo, não importando-se se era dia ou tarde da noite, ela sempre tinha que estar lá.
— Francisca muier', tú tá sabendo da nova? — Perguntou D.Maria
— Tô não muier', qual é? me conta vai!
— Muier', vou contar, mas olha lá, fica só entre eu e você , se alguém perguntar não diz que foi eu que te falei
— Tá bom coisa, agora chega de ladainha e me conta. — Já ansiosa pra saber o que era, falou Francisca.
— Sabe a filha da Camila?
– Sei! — interropeu Francisca
– Pois é muier', ela chegou ontem 3 horas da manhã, com um homem de moto, e ele não era o Junior não, namorado oficial dela, era um negão veí' feio, só ví os amassos, ela em pé e ele na moto só faltou eles transarem ali no meio da rua. Há se o Bruno descobrisse matava até ela.
— Pois é, eu sabia só pelo jeitinho dela, aquela cara de santinha não me enganava, tenho pena da mãe dela, a pobre é tão trabalhadora aí fica a filha vagabundando com um e com outro.
– Não é fofoca não, mas já me disseram que ela é garota de programa, não vai dizer pra ninguém não, isso que eu te disse.
— Não muier', relaxa minha boca é um túmulo, a mãe dela nem pode desconfiar disso.
— Pois é, e isso não é a primeira vez não , um dia desses eu ví ela pulando a janela de casa e já era tarde, acho que já passava das 2 horas da manhã. — Dona Maria afirmava o que tinha visto
— Eita mulher, essa menina é um cão mesmo
— Pois tá bom, Francisca , vou entrar aqui , ainda nem botei o arroz e o feijão no forno. – Encerrava Dona Maria.
Depois do almoço, Dona Maria sempre sentava no sofá ao lado da janela, era um olho na novela que passava na tv e outro na rua, ela não perdia uma. Pode se dizer que ela era a vigia do barro.
Depois de algumas horas, batem na sua porta.
Toc!Toc!
— Quem é? – Perguntou Maria
— Sou eu, mamãe – Respondeu Joana, sua filha
Joana morava ao lado, então sempre visitava sua mãe.
– Mãe, vim lhe pedir um pouco de açúcar, pra botar no suco, pois lá em casa o meu acabou e vou fazer as compras só amanhã.
– Armaria' filha, e seu marido não deixou dinheiro pra você comprar não? É tão baratinho, não custa 2 reais. — resmungou revirando os olhos.
— Ah mãe, vai agora suvinar açúcar? – Perguntou Joana já apreensiva
— Não filha, pode pegar, entra, tá lá na cozinha.
Joana pegou o açúcar, conversou um pouco com sua mãe e foi pra casa. Dona Maria percebeu que tinha chegado um caminhão de compras da loja Pintos na casa do vizinho, curiosa pra ver o que era , ela despista, pega sua vassoura e fingi varrer o esgoto, mexe a vassoura pra lá e pra cá, mas sua atenção estava mesmo era na casa do vizinho. Ela se aproximou e viu que ele tinha comprado 2 ar-condicionados, uma tv e um sofá, e já não aguentando foi pra casa de Francisca contar a novidade.
Chegando lá Francisca não estava em casa, então ela se sentou na porta e esperou alguém pra colocar aquela notícia pra fora. Depois de algumas horas, Ivone e Luzia se sentaram junto com Maria.
— Oi Maria, e as novidades? -Perguntou Luzia, já sabendo que Maria tinha várias “noticías”.
Maria já doida pra contar o que viu, falou:
-Tô sem novidade, quer dizer, tem uma sobre o nosso vizinho Evandro. — para por uns segundos para então continuar. — Ainda agorinha, chegou um caminhão na casa dele, cheio de coisas, era tv, microondas, mesa de jantar, tinha de tudo, só faltou um carro mesmo pra completar- Disse Maria.
Maria sabia que o que viu não foi tudo isso, mas ela queria dar a entender que o vizinho enricou, então aumentou muito a história, exagerando em alguns pontos. Terminaram de falar da vida alheia, para então Maria entrar dentro de casa, mas continuava a observar o que se via lá fora.
A noite já se aproximava quando Maria ver passando na rua Mateus, o filho de Milena, e falava pra si mesma o que pensava dele:
— Que viado! Esse menino deveria era ter vergonha na cara, olha o jeito que ele anda, parece uma bichinha despenada, ainda bem que os meus dois netos não são dessa raça, são pessoas direitas, graças a Deus a minha família é unida, é um exemplo pra sociedade — Falou Maria com uma respiração leve e tranquila.
00:00 da noite, Maria já deitada escultou um barulho de carro buzinando, se levanta imediatamente e olha pela brecha da porta, e ver o marido de sua amiga Luzia saindo do carro morto de bêbado com uma mulher do lado.
— Não acredito, vagabundo desses deixa a mulher em casa e vai beber com essas raparigas, ainda tem coragem de trazer-la em casa, não, se a Luzia tiver aceitando isso aí eu digo ela merece ser corna mesmo. — Murmurou .
A mulher ao qual ela ver entrando com o marido de Luzia na casa deles, entra no carro e o coloca na garagem. Maria estranha aquilo, no entanto prefere ir deitar-se.
5:00 da manhã, Maria já estava de pé, e pronta pra soltar o seu veneno, já na porta avistou Francisca e contou pra ela o que viu naquela noite:
— Francisca, mulher de Deus a Luzia é corna mulher, olha não conta pra ninguém, mas eu vi ontém o marido dela chegando morto de bêbado com uma mulher aí, ela até colocou o carro pra dentro,
— Ixi, mas ontem ela tava em casa?
– Tava' sim, ela é corna consciente – Respondeu rapidamente Maria, balançando a cabeça em desgosto.
Depois de uma longa conversa, Maria entra em casa, e Francisca sai de encontro a sua outra vizinha.
— Tá sabendo que a Luzia é corna? – Perguntou Francisca
-Tó não. — Respondeu Ivone, moradora do bairro
— Bom, vou te contar, foi a Maria que me contou, mas olha lá, ela pediu segredo. — Alertou, sentindo a língua coçar louca para soltar a nova'
— Tá, pode me dizer...
Uma longa conversa se passou entre as duas até que depois de algumas horas não satisfeita com o que ouviu, Ivone vai se informar melhor com Maria.
– Maria, soube que você viu o marido da Luzia chegar ontem com uma mulher. — disparou.
– Ah, aquela Francisca é fofoqueria, gente! -Interropeu Maria.
Contudo, Maria não resistiu e contou os detalhes à ela.
Já a noite, Maria ver a Francisca e a chama:
–Francisca, mulher, tú é fofoqueira... eu disse pra tú não contar, aí tú vai e conta pra Ivone. — reclamou.
– Ah, eu te conheço se eu não contasse, você iria contar, então resolvi antecipar a fofoca. — sorriu .
— Ah, mas eu não sou fofoqueira não, só contei o que eu tinha visto, mas deixa pra lá . – Dizia Maria, enquanto carregava algumas sacolas nas mãos.
Continua...
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