Notas iniciais
Nossa, gente! Muito obrigada à Natali Winchester e Abela Allen Winchester pelos comentários! Aqui vai o segundo capítulo! :D

[...] — Por favor, Barbela, não me mate!

Congelei.

- Pera, você me chamou do que?

- Er... Florence, por favor!

- Não! Você me chamou de Barbela! Por que você me chamou de Barbela?!?

Eu já estava gritando.

- Não, você me entendeu errado. Seu nome é Florence!

- Você me chamou de Barbela! E como sabe meu nome? Eu não te falei meu nome! – Ele continuava com os olhos arregalados, encostado na porta às suas costas. Abri rapidamente a gaveta da mesinha que fica ao lado da porta e peguei o revólver que deixava lá. – Vai! Responde ou eu atiro!

- Calma, Florence! Eu posso explicar!

Ele colocou as mãos à frente do corpo e eu me afastei, ainda apontado a arma pra ele.

- Então explica!

- Abaixe a arma...

- EXPLICA LOGO, CARALHO!

Agitei a arma freneticamente e ele parou, parecia menos convencido de que eu atiraria. Eu estava muito confusa. Também duvidava de que poderia atirar. Minhas mãos tremiam e eu segurava as lágrimas, não poderia dar o ar de fraqueza. O dia fora muito confuso e tudo estava acontecendo rápido demais. Eu poderia explodir.
Tentei me acalmar e continuei.

- Pode começar dizendo como sabe meu nome.

- Eu sei muito mais que o seu nome, Florence. Sei que todos os dias, quando acorda, pede pra Deus lhe dizer o porquê de tudo isso acontecer com você. Porque você é assim. Porque não se lembra de nada de antes do... Você sabe, acidente. – Ele falava calmamente, mas ainda com um pouco de receio da arma. – Florence, somos muito mais velhos do que parecemos ser. Você, principalmente.

- V-você é c-como eu? – Perguntei, ainda tremendo.

- Pode se dizer que sim. Pode se dizer que não.

- Como sabe de todas essas coisas? E por que me chamou de Barbela quando entrou?

- Porque esse é seu nome. Seu verdadeiro nome. – Fez uma pausa para pensar. – Falando nisso, por que escolheu Florence?

- Quando acordei, depois do acidente, havia um livro comigo. Era sobre uma garota chamada Florence.

- Interessante...

- Você não respondeu às outras perguntas. Como sabe de tudo isso? Como sabe que eu... Iria te matar?

- Vi você falando com Lucius.

- Lucius?

- Lucius Kare – Ele me olhou como se fosse óbvio. – L. K., o cara do e-mail que te encontrou na praça.

- E você sabe por que ele queria te matar?

- Porque eu posso te contar a verdade.

- Mas ele me conhecia. Ou, pelo menos, parecia me conhecer. Disse que me contaria toda a verdade se eu te matasse. Em quem devo acreditar? – Parei e refleti por um instante na bobagem que havia perguntado. É claro que ele responderia que eu deveria confiar nele. Ri sozinha e refiz a pergunta. – Como posso confiar em você?

- Com isso. – Ele saiu da mira da arma e andou até a mesa onde eu guardei o Diário de Barbela. Ou seria o meu diário? Abriu a exata gaveta onde ele estava, o folheou, parando em uma página em especial, e começou a lê-lo:

- “Dia 27/01

Desde aquele baile, que prima Neda dedicou a mim e a meus irmãos, não consigo parar de pensar em Anthony. Irana me disse que seu nome significa “de valor inestimável”. Parece que meus pressentimentos não falharam mesmo. É um rapaz muito especial. Mas tive a impressão de já o ter conhecido. Bom, ele me pediu para encontrá-lo amanhã, nos jardins da residência dos Stlovack’s. Parece que Anthony é sobrinho deles e está passando o inverno por aqui. Finalmente irei conhecer melhor uma “pessoa normal”. Que Deus me ajude.

Barb.”

Ele pegou o diário com uma mão e me estendeu a outra.

- Prazer, Anthony.

Não soltei a arma e nem o cumprimentei.

- Como posso saber que você é Anthony?

Ele fez uma cara de decepção e frustração. Passou mais umas três páginas do diário e o colocou ao lado do rosto.
Era o desenho um retrato do homem que estava parado á minha frente. As únicas coisas que estavam diferentes eram: O cabelo, que no retrato estava um palmo mais comprido, e sua vestimenta, que se modernizara com o tempo.
Me aproximei um pouco mais, para ler a assinatura. “Anthony Wildclaw, por Barbela Pirra.”

- Você desenhava muito bem, na época.

Precisei de um tempo para processar todas as informações daqueles últimos minutos.

- Er... Anthony?

- Em carne e osso.

Me afastei lentamente, tentando, ao menos, me recordar de algo. Uma pessoa, uma palavra, um dia, um lugar. Qualquer lembrança me faria mais feliz.
Coloquei a arma na mesinha e me joguei no sofá com a cabeça entre as pernas. Eu pediria para que Anthony continuasse e me contasse tudo o que sabe, mas aquilo era demais pra mim. Não que eu não estivesse acostumada com bombas como essa, mas não tudo de uma vez. Eu precisava mesmo de um tempo, mas não tinha esse tempo. Precisava descobrir tudo o mais rápido possível. Precisava salvar as pessoas dessa raça desgraçada. Precisava salvar as pessoas de mim.

- Me conte tudo. – Pedi, mesmo sabendo que não conseguiria absorver tudo de uma vez.

- Você não quer descansar? É uma história longa... Quem sabe você não poderia me contar sobre você antes.

- Mas você já não sabe tudo?

- Não até a parte que você descobre como se matar e some no mundo. – Fez uma pausa e se sentou no sofá, ao meu lado. – Me conte a partir de quando acordou. Acho que é a partir daí que se lembra.

- Exatamente. – Forcei ao máximo minha memória, pois já havia se passado um bom tempo. – Bom, como você pode ver, não deu muito certo meu plano de me matar. Eu acordei em um casebre no Kansas. Havia um círculo em volta de mim, um pouco parecido com uma armadilha do demônio feito de sangue. Algumas velas, ossos e um cão do inferno dilacerado. Ainda não sei como consegui fazer aquilo. Eu me lembrava de poucas coisas, como: o que eu era, tudo sobre meus irmãos e que eu havia tentado me matar. Mas era só. Não me lembrava de meu nome, onde eu estava, se havia... Mudado, não conhecia ninguém e não sabia em que época estava. Na casa havia dinheiro, um livro, o de Florence, e roupas. Encontrei meu Maverick do lado de fora e comecei a dirigir sem rumo. Descobri algumas coisas sobre a época e lugar em que estava e vim parar em Clifton, onde conheci o John Winchester. O ajudei a escapar de um buraco do demônio e começamos a trocar favores. Arrumei essa casa e, desde então, se passaram quinze meses...

- Uau! Isso daria um livro! – Disse Anthony, maravilhado com a história. Aposto que estava fingindo, pois, pelo que deduzi, a vida dele era muito mais “interessante” do que essa historinha pra boi dormir que eu havia contado.

- Você sabe alguma coisa, sei lá, do porque de não ter dado certo?

- Gostaria de saber, mas não faço a mínima. Desculpe.

Ficamos por um momento em silêncio.

- Agora você pode me contar o que sabe? Ou, pelo menos, como me achou?

- Ah, eu sempre te acho! – Me olhou com ternura e amor. – Mas, dessa vez, foi bem mais difícil. Com você mudando de nome, quase não deu tempo de te achar antes do Lucius. Agradeça à Mãe por sermos “conectados” psiquicamente. Eu só precisei de um feitiço simples e concentração. Entrei no seu sistema nervoso e vi, através de seus olhos, as placas das estradas que você percorreu essa semana. Me lembrei que era apaixonada por gatos, carros antigos, casas com cerca branca e, principalmente, comidas estranhas. Fiz uma relação de todas as ruas e cidades que passou, procurei por carros antigos, mas em boas condições, e achei o único bar da região a vender sopa de cerveja. Juntei tudo isso e te achei. Observei você por três dias pra ter certeza. Que bom que seus costumes nunca mudam.

- E por que você sempre me acha?

Fiquei esperando a resposta com falsas expectativas, não sei o porque. Minha mente torcia pra ele falar “por que eu te amo", mas tentei afastar esses pensamentos.

- Porque eu te fiz uma promessa, e tenho que cumpri-la a qualquer custo.

Meu coração se partiu. Continuei não me entendendo.

- E... Que promessa foi essa?

- Eu prometi te ajudar a encontrar um meio de acabar com a “sua espécie”.

- Bom, então vamos fazer isso! – Eu havia levantado e começado a caminhar em direção às escadas, quando me lembrei: – Por que Lucius queria você morto?

Me virei novamente para encará-lo.

- Por que ele é um de seus primos e não quer que você descubra como matá-lo.

- Hum... – Acreditei. Nem imaginei em pensar se pudesse ter alguma outra explicação pra isso. – Eu... Eu preciso de um banho. Fique a vontade.

Subi as escadas sem ao menos olhar para trás.
Por mais que eu tentasse me lembrar de alguma coisa, nada me vinha à mente, a não ser as coisas que Anthony me contara. Até mesmo essas coisas eu não me lembrava como se fossem acontecimentos, e sim, como apenas uma história. Não me agradava nem um pouco ter que saber sobre minha vida por alguém que se diz um velho amigo. Odiava o fato de ainda não ter conseguido o meu objetivo, mas ficava um pouco reconfortada em saber que agora tinha alguém que sabia de tudo e quem eu pensava poder me ajudar de agora em diante.

Comecei a pensar se aquele sonho que tivera fora uma lembrança daquele baile com “prima Neda”. Se fosse e, como dizia o “meu” diário, eu tive sonhos assim das outras vezes, quantas vezes perdi a memória tentando me matar? Será que já era comum de Anthony me procurar? E, se fosse a primeira vez que mudara de nome, foi a vez mais eficiente? Digo, a que menos se distanciou do objetivo principal?

Sei que minha vida não é nem um pouco “normal”, mas isso tudo estava sendo muito louco. Era como se alguém me dissesse que unicórnios comem velhinhas. Seria difícil de acreditar. Todo mundo sabe, ou pelo menos pensa, que unicórnios comem virgens ruivas naturais entre vinte e trinta anos.

Coloquei uma roupa qualquer e desci. Anthony estava andando de um lado para o outro. Quando percebeu que eu estava ali, me olhou preocupado e veio rapidamente em minha direção.

- Vem. – Começou a me puxar pelo braço e me levar pra porta. – Precisamos ir, eles pegaram Irana.

Notas finais
Comentem! :D
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.