Falso
1 Hugo, o falso menino
Notas iniciais
Meu nome é Hugo, tenho 15 anos e meu número da sorte é 3, assim como as três manchas negras em meu pescoço. Meu hobbie favorito é mentir. Eu sou o maior mentiroso que você já encontrou na sua vida.
Falso, essa é a palavra que me define. Não me sinto nem um pouco mal por isso, para ser sincero, estou feliz com isso, afinal, esse é o meu erro, essa é a minha marca.
Mentiras são o meu pecado favorito, embora eu não cometa tantos assim. Eles não gostam de mim, mas eu sei que com uma mentira minha, eles cairiam.
Mentir é meu dom.
Pecado, erro, marca, dom. Isso soa bem confuso, não acha? Na verdade, eu só estou perdido, perdido dentro de mim mesmo.
Me perdi em minha cabeça e no meu coração, só tentando os conhecer melhor.
— Eu só quero te enganar, não viu? Eu estou bancando o coitadinho, estou querendo que fique com pena de mim — O espelho refletiu minhas palavras.
Eu estava fazendo de novo, estava colocando máscaras para mim mesmo, querendo que eu pense que eu era o que eu queria ser e queria que eu me visse assim
— Então você ainda se culpa por aquilo, não é, seu idiota? — Ri da minha própria expressão — Coitadinho... Vai continuar falando que a culpa não foi sua? — Apoiei as mãos no espelho velho daquele sótão — QUAL É O PROBLEMA COM VOCÊ? SEU DOIDO! VOCÊ TEM QUE SER INTERNADO! — Dei um soco naquele espelho, irritado de ver minha própria imagem desbotada. É claro que eu não estava ficando louco, eu só estava atuando, atuando pra mim mesmo.
Ajoelhei no chão, aquilo significava 7 anos de azar.
— Ei Deus — Olhei pela janela daquele lugar empoeirado – NÃO TEM COMO FICAR PIOR, NÃO ACHA?? – Corri até a janela – O QUE MAIS VOCÊ QUER? EU NUNCA VOU CHORAR, NÃO ADIANTA! – Andei até aquela velha estante caida no chão e me sentei – Não importa quantas vezes eu me machuque, não vou chorar...
Meu olho esquerdo está quebrado, culpo ela por deixar as coisas assim.
O espelho continua quebrado no chão, eu continuo quebrado nessa velha prateleira. Minha alma... Minha falsa alma de boneco está quebrada, assim como aquilo que antes era o espelho.
Minha mestra está quebrada, assim como minha falsa alma, assim como o espelho, assim como minhas palavras.
Eu estou quebrado...
‘Não quero esse, papai, ele está quebrado!” foi o que você disse, não é?
Eu estou quebrado, estou podre, da minha pintura ao meu oco. Ninguém pode me ajudar, não é?
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Alguém... Me responda.... Não é?
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