Falsity
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Falsity
By Melah
...
Existe um futuro. Existe um amanhã, mas realmente desejamos ter eles?
Talvez isso seja um dilema para a maioria das pessoas, ou então uma fácil pergunta de se responder para outras, e o que eu acho? Isso não importa, eu não sou ninguém que deva se preocupar.
O meu celular vibrou em cima da mesa. Um toque. Dois toques.
- Alô?
- Alô? É o desespero falando!
- Ino...
- Vem na minha casa agora, ouviu? Agora!
- U-Uh? Algo aconteceu?
- Agora!
Ligação encerrada. Ótimo. Adorava quando ela fazia isso, ou melhor, quando ela me mandava fazer algo quando eu ao menos tenho a mínima vontade de fazer. Se eu tinha outra escolha entre ir e não ir? É claro que poderia escolher ficar, porém ouvir os gritos altos de Ino em meus ouvidos com certeza não são reconfortantes.
Caminhei a casa dela e entre cinco minutos lá estava eu, quase como uma escrava da rainha loira, sei que somos melhores amigas faz tantos anos, mas acredito que tudo tenha um limite, e que ela não esteja respeitando o meu e eu esteja respeitando até demais do ela, ao ponto de ela mandar em quase a minha vida inteira, é claro, se eu continuasse desse modo.
- Bom dia, Sakura. — Inoichi me cumprimentou simpático. — Ino está lá em cima.
- Bom dia e... Ino está bem? Ela me pareceu... Desesperada no celular.
- Pareceu? Está. — Riu sem-humor coçando a nuca desconfortavelmente.
- O que aconteceu?
- É melhor ir lá, não vou querer contar a surpresa antes dela... — Suspirei cansada enquanto me dirigia as escadas, ele pigarrou chamando a minha atenção, olhei ele por breves segundos. Inoichi parecia bem... Transtornado.
- Tente acalmar ela, diga que não é o fim do mundo.
Como ela era sortuda. Tinha um pai que se preocupava com ela, o meu era assim antes de falecer também. Ino sempre reclama que ele não cuida bem dela, mas... Ela tem um pai, certo? Ela tem alguém que a ama mais que tudo e que daria a sua vida por ela e eu nem isso tenho.
Posso parecer melodramática ao pensar nisso, todavia, como eu invejo a vida de Ino, é tão simples e perfeita. Ela não tem mãe e deve sofrer com isso, mas Inoichi cuida dela tanto quanto por ele e por Aiyumi, a mãe de Ino.
Não gosto da minha vida, parece que todas as outras são bem melhores do que a minha, mesmo eles dizendo que não são. Eu não sou feliz faz um bom tempo, talvez desde quando terminei o meu namoro com Sasori. Como comecei a perceber isso? Você começa a perceber que não está mais feliz quando sorrir se torna uma obrigação. Uma simples obrigação, quase como uma rotina.
- Claro, vou ver o que está acontecendo e acalmar ela, sabe que eu sou a única que consegue isso, certo? — Ou pelo menos eu tento, nem sempre obtenho sucesso nas minhas missões impossíveis.
- Agradeço.
Subi as escadas e logo me deparei com uma grande placa de não entre. Abri a porta cuidadosamente, vi dois vestidos lindos jogados na cama de Ino e ela parecia em um problema, e dos grandes. Sorri quando ela me olhou, parecia estar nervosa, tanto que chegava a roer as unhas, coisa quase não conhecida por Ino.
- O que aconteceu?
- O que aconteceu? — Perguntou sarcasticamente. — O que aconteceu? O idiota chamado Inoichi, mais conhecido por “Papai” me arrumou um encontro arranjado com algum babaca por aí por causa da empresa! Como ele pôde fazer isso? Ele está, literalmente, me trocando por causa de dinheiro!
- Calma Ino! Tem certeza que ele fez isso?
- Tenho! Ele veio aqui no meu quarto, para variar enquanto estava me trocando para ir te visitar e disse que queria conversar comigo, deixou bem esclarecido a parte do “seriamente” e então ele jogou a bomba! A bomba não, diria que a bomba e mais da metade do mundo em cima de mim! O que eu fiz para merecer isso? Me diz?!
- Ino. — Falei pausadamente. — Essas coisas são comuns...
- Comuns? — A voz irritada dela me deixava nos nervos, mas aquela não era a hora para simplesmente brigar com ela. Ela estava em apuros, e como melhor amiga eu devia apoiá-la e mostrar o do por que ele fez isso, o único problema é que Inoichi não falou que era um caso tão complicado assim. — Isso é coisa do Século XVII e não do Século XXI! Desde quando, casamentos ou encontros, dá na mesma, sei que ele vai querer me casar com esse... Argh.
- Já imaginou que se ele fez isso, vocês estão em uma situação critica financeiramente falando? É a única razão Ino e ele está fazendo isso pelo seu próprio bem, como sempre... Você tem sorte de ter um pai, peço que, por favor, não o despreze.
- Certo, certo, vamos supor. — Destacou o final da frase. — Que ele fez isso por causa da nossa condição financeira, por que ele me avisou duas horas antes de o rapaz vir aqui? Sei lá ele não poderia simplesmente ter avisado antes?! É impossível por acaso uma comunicação legal entre pai e filha? — Bufou irritada e se jogou na cama rosa em que estavam os vestidos, os amassando.
- Duas horas? Quer dizer que...
- Ele vai chegar daqui a uma meia hora, aliás, tenho que tomar banho, me maquiar e nem escolhi a roupa que vou pôr, e quer saber mais? Não vou fazer isso. É uma injustiça, uma mulher tem direito total de escolher com quem quer sair ou não e Inoichi está escolhendo por mim, e pessoalmente, sabemos que ele tem um gosto horrível para tudo, duvido que tenha gosto para escolher o futuro namorado da filha.
- Ino, já pensou se ele for realmente bonito? Um rapaz legal, o cara de seus sonhos? — Me sentei junto com ela e estendi a minha mão, que apesar de um pouco fria, parecia confortável a ela naquele momento. Ele pegou a minha mão gélida e a massageou, acredito que com a tentativa de esquentá-la, um ato falho, com certeza.
- Pensei. Me iludi agora mesmo por cinco segundos. — Fez uma careta, porém a ignorei completamente. Eu realmente acredito que Inoichi não escolheria qualquer um para sair com ela, ainda mais que conhece os “padrões” de garotos que Ino traz para a casa dele.
- Já sei! Vamos fazer um trato? Meu pai disse que quer nos deixar a sós, que ficaríamos mais confortáveis assim, vai lá em baixo e diga que eu estou bem. Eu vou me arrumar, e quando o cara chegar você o recebe e finge que sou, ou então, sobe imediatamente e me diz se é bonito ou não, fechado?
Ela estendia a tentadora mão branquinha para mim. Eu neguei com a cabeça, mas ela puxou a minha mão, fechando isso obrigatoriamente. Ele estava mandando em mim. Novamente. Ela sorria maliciosa, mas pareceu se lembrar de algo e a sua expressão ficou séria. Uma coisa rara de se ver.
- Bem, me prometa uma coisa.
- Prometer? — Senti o arquear de uma sobrancelha minha, que formava a minha expressão de duvidosa e um pouco relutante. Ela somente suspirou como se fosse algo difícil de dizer enquanto organizava algumas roupas no seu imenso guarda-roupa. — Prometer o quê?
- Não vai beijar ele, mesmo se for bonito ou feio.
- Por que está falando isso? É claro que não vou beijar ele!
- Prometa.
- Certo, eu prometo. — Sorri falsamente para ela e continuei. — E então, por que me fez prometer? Sabe que eu não faria isso, mesmo que prometesse certo?... — Mordi o lábio inferior esperando a resposta, que eu provavelmente sabia qual era, e, realmente, queria que não fosse aquela.
- Você beijou o Naruto, mesmo sabendo que Hinata gostava dele.
- Naruto flertava comigo fazia mais de anos, e concordemos que ele é muito bonito, eu só... Não quis perder a oportunidade. — Suspirei com o fim da frase, havia um som de mentira com ela, apesar de eu não concordar plenamente com tudo que acabara de falar. — E só.
Ela havia dito um pouco de verdade, hoje em dia eu quase não falo mais com Hinata por causa do ocorrido. Eu sabia que ela gostava de Naruto, sabia mesmo, era uma de suas melhores amigas na época. Eu tinha o pleno conhecimento, mas mesmo assim a traí. Não por mal, mas... Simplesmente fiz, queria fazer um ato de rebelião e acabei ferindo Hinata por causa disso.
- Já me disse isso antes. — Ino falou seca contra mim, mas logo deixou desabrochar um pequeno sorriso. — Bem, como prometeu, estou confiando em você, e acho que não vai querer beijar uma pessoa feia que nem vai estar na sua altura, certo, Testuda?
- É...
Ouvimos o barulho da campainha e Ino olhou para mim quase que desesperada, pegou a sua toalha e as suas roupas e correu para a sua suíte privada, imagino que para tomar banho. E agora, eu tenho assumir mais uma responsabilidade de Ino. Maravilha.
Desci as escadas, estava com as mesmas roupas com que cheguei, não chegava a ser vulgar. Uma simples camisa branca com estampas pretas e uma calça jeans preta, bem colada. Simples tênis branco. Mais uma vez a campainha tocou. E então já consigo concluir que o rapaz é impaciente! Ótimo! Adoro esse tipo de gente...
Abri a porta e me deparei com um rapaz mais alto que eu, bem mais alto que eu... Os olhos ônix me fitavam surpreso, provavelmente por eu ter um cabelo rosa, uma coisa considerada rara, só as pessoas da família Haruno tem.
- Bom dia, essa é a casa da família Yamanaka?
- U-Uh... Sim. — Falei meio desconcertada, os cabelos negros rebeldes davam um ar de roqueiro a ele, e, bem, tenho uma queda por roqueiros... Ele deu um sorriso de canto, onde não mostrava os dentes, mas acredito que faria uma mulher se apaixonar em um segundo. Não eu, é claro.
- E então... — O sorriso se aumentou, porém se tornou sarcástico. — Posso entrar ou não? — Notei que não havia deixado espaço para que ele entrasse, encarei o chão por momentos e suspirei, não iria fingir ser Ino, caso contrário, iria dar uma dor de cabeça depois e que eu tenho o pressentimento de doer, e muito...
- Desculpe. — Ele passou por mim. As roupas eram formais, a não ser por ele tentar dar um look casual, pois os dois primeiros botões estavam abertos, e a camisa não era apertada, porém dava para perceber que ele malhava... E muito.
- Deve ser Yamanaka Ino. — Apertou a minha mão suavemente e se aproximou ainda mais, foi quando notei que estava envolvida em um abraço, e o do quanto ele era gigante comparado a mim. — Eu sou Uchiha Sasuke. Filho de Uchiha Fugaku, o dono das empresas Uchiha, é um prazer conhece-la.
- Desculpe, porém não sou a Ino. Sou Sakura, melhor amiga dela, vim atender a porta porque Ino ainda está no banho, e pelo visto vai demorar a ficar pronta, se quiser voltar daqui a uma hora acredito que ela estará pronta... Ou talvez não, depende se ela colocar maquiagem ou não. — Balbuciei a última parte desagradavelmente.
- Eu posso ficar aqui? Falei para meu motorista voltar daqui a duas horas.
- Entendo... Bem, vou subir para avisar Ino que chegou... Ver se consigo a fazer andar mais rápido, volto logo, deve ser desagradável ficar sozinho, certo? Aliás, quer alguma comida, bebida?
- Não, estou satisfeito. Obrigado.
Subi quase correndo para o quarto, na verdade, tropecei no quinto degrau, acredito que ele não tenha visto, caso contrário, não estou com tanta vontade de descer novamente. Bati duas vezes na suíte de Ino que cantarolava alegremente, dava a impressão que a sua melhor amiga nem estava falando com um garoto lindo com o qual o pai dela arrumou para ela e não para mim.
- Ino! — Sussurrei entrando na suíte. — Ele é lindo.
- Está brincando, certo? Usa óculos? Porque odeio quem usa óculos, nada contra meninas, mas menino de óculos é horrível. Se ele estiver usando óculos quando eu descer, eu juro que vou enfiar um par de lentes no olho dele nem que seja à base de paulada!
- Ele é bonito. É sério. Cabelos negros e olhos negros viciantes.
- Huuum. — Murmurou atrás do Box. — Eu vou demorar mais ou menos uma hora, o avisou, né? Não quero que ele pense que estou dando um fora nele, apesar de eu ter quase setenta porcento de chance de isso acontecer de verdade...
- O que eu faço?
- Conversa com ele, descobre coisas sobre ele e depois me conta. Sabe que adoro fofocas, ainda mais vindo dessa minha amiga rosadinha linda! — Brincou rindo e me tocou para fora do banheiro. — Volte daqui a uma meia hora e me dê novas notícias e informações sobre ele. Aliás, se conseguir uma foto, eu agradeço.
- Como eu vou tirar uma foto dele?! Ah, é claro... “Sasuke, a minha amiga, Ino, quer uma foto sua, só para ver se ela está a fim de te pegar ou não, todavia, não repare caso ouça um grito histérico quando ela perceber que o Inoichi tem bom gosto para ao menos uma coisa.”
- Há, há! Estou rindo muito aqui, Sakura. — Debochou do outro lado da porta Ino, provavelmente enquanto secava os longos fios loiros. — O que está esperando? Não se deixa visita sozinha! Ainda mais na sala! E se ele for um ladrão?
- Ele não é um ladrão. — Afirmei para ela enquanto descia as escadas, me deparei com ele dois degraus abaixo. Ele com certeza havia ouvido a nossa peculiar conversa e a cara era um tanto quanto divertida. Pareceu que havia se divertido ouvindo a nossa conversa.
- Sakura? Ainda está aí? Vai logo!
- Sim...
- Então acham que eu sou um ladrão? — Comentou descendo as escadas na mesma velocidade que eu. O sorriso de canto dele nunca desaparecia, a meu ver. — Sinto falar, mas não sou eu. — Ele notou que eu continuava quieta e pigarreou, acho que querendo chamar a minha atenção, mas o máximo que teve foi os meus olhos o fitando. — Lindos olhos.
- U-U-Uh? — Perguntei vermelha, não muito, mas era difícil alguém me fazer ficar vermelha, claro que tenho facilidade para ficar vermelha de raiva, porém não de vergonha. — Obrigada, Uchiha-san...
- “Uchiha-san”? Só Sasuke. Não gosto de formalidade. — Comentou se sentando novamente no sofá. Eu sentei ao lado dele, acredito que ele sentiu que estava desconfortável com aquela situação, então tentou começar outro assunto. — E então, Sakura, o que faz da vida?
- Faço faculdade de Medicina, mas ainda faltam três anos para eu me formar.
- Humm, então você é inteligente. — Balbuciou, tentei evitar ter notado algum som de malícia na voz rouca dele. — Adoro mulheres inteligentes. — Aquilo é uma indireta ou é uma bela impressão minha? Deve ser impressão. Só pode ser impressão.
- Ino faz Enfermagem... — Comentei em uma tentativa inútil de mostrar que Ino era inteligente. Quero dizer, Ino é inteligente, mas não tanto quanto à Hinata, na verdade, está no mesmo nível que o... Naruto? Bem, é melhor não comparar, daqui a pouco vou notar que ela é mais burra do que aparenta.
- Enfermagem? Prefiro Medicina. — Murmurou baixo, porém consegui ouvir.
- Eu vou fazer um chá. Estou com sede. — Sorri falsamente, a sorte foi que já me acostumei a sorrir assim e as pessoas não percebem que não estou de bom-grado com a situação. — Quer também? Ino vai demorar, ela estava a recém saindo do banho então... — Suspirei e cancelei a frase seguinte, acho que ele já havia entendido o que se passava por ali.
- Eu aceito. Quer ajuda?
Antes mesmo de eu responder um óbvio “Não”, Sasuke já estava ao meu lado, arregaçando as mangas para ir para a cozinha e fazer o chá. Estava muito disposta a trocar de lugar com ele. Simplesmente falar “Já que quer fazer algo, faça os chás, eu vou ficar aqui deitada ouvindo uma música, e é claro, que se eu pegar no sono, não me acorde, vou ficar de mau-humor, e se Ino sair de lá antes de um século, não a trate mal e dê muita atenção a ela, Ino tem défice de atenção”.
- Claro, sua ajuda é muito bem-vinda! — Tentei parecer simpática, mas a voz foi falha, consegui sentir que ele a ignorou e ficou com a resposta na mente com um simples e modesto “Sim”, o que seria melhor para eu ter dito, mas infelizmente, quando estou nervosa, os meus planos não saem certo, ou seja, eu não tenho plano quando estou nervosa.
Caminhei até a cozinha e ele me seguiu. O silêncio era evidente, e acredito que para as duas partes era desconfortável aquela situação. Ouvi um grito na parte de cima da casa, saí correndo para ver o que havia conhecido. Não sabia se agradecia a Ino por ter feito ou aquilo ou ficava preocupada.
- Ino? — Bati uma vez na porta. — Ino, está tudo bem?
- Entra aqui. — Ela me chamou, felizmente não era um tom de ordem, porém entre falar que estava ocupada e ficar junto com Sasuke não era a opção que eu escolheria. Entrei no quarto, ela não chorava nem nada parecido, porém a sua maquiagem estava borrada. Oh não. Não era aquilo, certo? Ela não gritou porque borrou a maquiagem.
- O que aconteceu?
- Eu vi uns paparazzi aqui perto da janela. — Ela sussurrou. — Levei um susto e borrei a minha maquiagem... Aliás, o que eles estão fazendo? Sei que um encontro forçado é uma boa matéria, mas não para tanto... — Choramingou sentando na cama e olhando a sua roupa atual.
- Paparazzi? Está falando sério?
Ino era bem conhecida no mundo da mídia, foi uma modelo há um ano e obteve muito sucesso, mas depois de um ou dois meses pararam de persegui-la, perguntando o do porque havia saído e etc. Acredito que Inoichi não havia contado para ninguém sobre isso, os que deviam saber era só a família de Sasuke e sempre houve uma reputação que os Uchiha eram conhecidos por serem discretos. Não acredito que tenham chamado à atenção de alguém. Talvez Sasuke seja famoso? É um rapaz lindo, inteligente, charmoso, bem temos uma imensa lista sobre virtudes que sei dele em pouco tempo, certamente, um rapaz de ouro... Digamos que a resposta de minha pergunta é: Possivelmente.
- E eu mentiria? Será que ele é famoso? Por que a mídia parou de me encher faz uns sete meses, não é de uma hora para outra que voltariam... — Murmurou duvidosa, limpado a maquiagem borrada cuidadosamente.
- Talvez, mas nunca ouvi falar sobre Uchiha Sasuke...
- Nem eu e sempre lemos revista de fofocas então. — Suspirou por fim, um pouco irritada com aquela situação, eu sabia o quanto Ino odiava aquelas pessoas intrometidas, mesmo que eu há considerasse um pouco parecida com paparazzi em certos aspectos. Principalmente em se meter em coisas que não era chamada...
- Sakura? — Ouvi a voz rouca de Sasuke me chamando, ele bateu uma vez contra a porta de madeira. — Está tudo bem aí? A Yamanaka se machucou? O chá está pronto, caso queira saber... — Murmurou secamente. — Aliás, ela vai demorar? Meu motorista vai chegar daqui à uma hora, se ela quer me conhecer tem que ser um pouco mais rapidinha nessa arrumação.
- Oi! — Abri um fresta da porta e consegui ver os olhos ônix dele um pouco receosos, sorri sem-humor e ele pareceu confortável com aquela peculiar situação, ou melhor, eu estava amando aquela situação e nem estava ligando para o que o moreno a minha frente sentia... — Ino está bem, vamos dizer que tivemos um imprevisto, mas ela estará pronta em aproximadamente quinze minutos, certo?
- Meia hora. — Ino gritou no fundo do quarto.
- Meia hora? — Sasuke bufou.
- Vamos descer. O chá vai esfriar certo?
- Claro, passamos mais tempo juntos.
Descemos as escadas e reparei o cheiro do chá de Macela no ambiente, as duas delicadas xícaras estavam na mesa de vidro de Inoichi. Sorri desconfortável com o silêncio que havia se formado e ele respondeu com o mesmo sorriso, claro que talvez, mais sexy que o meu.
- E então, perguntou se eu fazia faculdade, mas e você?
- Faço Engenharia.
Tomei um gole do chá. Ótimo, então é claro que ele é lindo, e isso é evidente para qualquer garota, então, além disso, é bom na cozinha, ou pelo menos em fazer chá. E depois é inteligente. Maravilha. E não estou contando que a família dele é rica, pois não me importo — não muito — com isso.
- E trabalha?
- Sim. Tenho uma agência de imóveis.
Não é só porque o meu horóscopo diz que eu vou conhecer o homem da minha vida hoje que vou achar que é o Sasuke, certo? Além de que a merda do horóscopo foi detalhada em que ele era rico, inteligente, bonito e trabalha com imóveis. Oh, o horóscopo não disse que era rico, mas que era milionário, por acaso, Sasuke seria milionário? Óbvio. Ele tem até motorista particular.
E deve estar pensando que meu horóscopo está errado. Bem, na última vez que li o meu horóscopo, foi quando falou que eu iria conhecer um ruivo de olhos cor avelã que era motoqueiro, ou seja, Sasori. E na mesma página ainda ia falar que íamos terminar porque ele é ciumento. Bem. Posso dizer que eu acredito bastante em horóscopos.
- Eh? — Piscou uma vez e atravessou e mexeu na bolsa que estava atrás de mim até pegar o MEU horóscopo e o folhear, como se não houvesse feito nada de errado. Ele nem pediu! Ora, e se... Ele nem sabe qual é o meu signo, não vou me preocupar com isso.
- Humm, de que signo Ino é?
- Desculpe?
- Tá anotado aqui, o seu também.
- Q-Quem anotou o meu nome?
- Não sei, peguei agora, mas quem anotou tem uma letra horrível. — Analisou a letra e continuou a ler em silêncio, enquanto terminava de tomar o seu chá. — No de Ino fala que ela vai brigar com você ou você com ela, bem, tanto faz... No meu diz que vou perder a hora. Tsc. — Deu um sorriso de canto e deu um sorriso um tanto quanto malicioso para mim.
- Então cuidado com isso. — Aconselhei piscando para ele.
- Humm. Acredita em destino? — Perguntou para mim, tirando os olhos negros da revista e me analisando. — Eu acredito, e acho que mesmo que eu tente não me atrasar, eu vou. Porque agora que eu sei, o destino está selado. — Balbuciou dando um sorriso, agora demonstrando os dentes brancos e perfeitos que continham aquela face misteriosa.
- Acredito um pouco... — Comentei dando um sorriso ao ver o dele se estender mais ainda com a minha simples resposta. — Posso perguntar uma coisa? — Ele voltou os olhos para a revista e assentiu em silêncio. — Você é famoso? Ino disse que tinha uns paparazzi perto da janela dela, e como ela parou de ser modelo faz quase um ano, não faz sentido...
- Um pouco. Não muito, mas estou acostumado com eles me cercando essas horas, como será que conseguiram entrar? Eles devem ser ninjas para conseguir entrar dessas maneiras, ainda mais que essa casa tem cerca e tudo mais. — Ele falou mais para si mesmo do que a mim.
- Deve ser.
- Ela era modelo, então? — Murmurou com voz de desagrado. — E você?
- Não, não sou fã de tirar fotos e... — Suspirei cansada, não iria explicar. — Bem, não gosto, nem seria caso me oferecessem esse emprego, o meu grande sonho é ser médica, e agora que estou fazendo faculdade, não é agora que vou desistir, entende?
- Claro. Mas você tem grande potencial. — Ele puxou o meu rosto mais próximo do dele, senti a minha pele queimar de vergonha, a mão dele estava quentinha, diferente da minha. — Tem uma beleza... Exótica. — Sentia a respiração dele próxima a minha.
- Obrigada.
Ele se afastou. Eu tenho certeza que ele estava me provocando. Certeza. Ele voltou à atenção ao horóscopo e vi outro sorriso de canto se abrir nos seus lábios finos e vermelhos.
- Humm. Leu o seu?
- Não. — Menti descaradamente.
- Fala que vai encontrar o nome da sua vida hoje. Milionário. Bonito. Inteligente, e eu acho que sou eu. — Riu sozinho. — “Dono de uma agência de imóveis” e com todas essas virtudes, ou ao menos é bem parecido comigo, certo?
- É.
Bem, de acordo com o horóscopo, ele não era tão perfeito quanto aparentava por fora, dizia que ele era perfeccionista e não era modesto e muito menos humilde. Vi um pouco desses defeitos agora mesmo. Já comentei que falava que o amor era a primeira vista? Pois é, como posso dizer... É melhor eu nunca mais ler um horóscopo.
- Amor à primeira vista, é... — Balbuciou divertido para mim, o sorriso dele tinha alguma coisa em mente, e acredito que isso era o meu mau pressentimento, no final de tudo. — E então, vamos ser sinceros? Você se sente atraída por mim? E já vou adiantando a minha resposta: Sim.
Como ele conseguia ser tão direto? Eu não acreditava no que ele havia dito! Era para ele falar isso para Ino, não para mim, quem é para estar no meu lugar é ela e agora ele me diz que se sente atraído por mim? Oh não, tudo dando errado novamente, assim como Naruto.
- Ino é quem tem que estar aqui, Sasuke...
- A minha pergunta não foi como Ino se sentia com isso.
- Eu sei, mas... — Fui interrompida, os olhos deles próximos aos meus, a sua mão tampava a minha boca e impedia a minha frase, sentia que a sua mão me puxava mais próxima a ele... Cada vez mais.
Tentei me soltar, as minhas mãos — não muito fortes — o empurravam, mas parecia que estava tentando empurrar a parede, a minha força não fazia efeito sobre ele. Ele tirou finalmente a mão de minha boca, mas logo ela foi tampada por seus lábios.
Diferente de suas mãos, os lábios eram gélidos, os meus eram mornos. Formava uma combinação estranha, mas boa. Ele pedia passagem para um beijo melhor, ou seja, de língua, porém uma voz de grito nos impediu. Como o esperado. De Ino.
Por que eu sempre faço as coisas que quero e faço sabendo que é errado? Por que tudo que faço é tão... Complicado? Novamente, a mesma coisa com que Hinata, e eu ainda havia prometido à Ino.
Não me sentia culpada de ter feito aquilo, na verdade, eu queria fazer novamente. Não tinha um sentimento de culpa, mesmo que eu tivesse a alternativa de desculpa que ele havia me beijado, não queria, eu havia feito, estava cansada de ter que desistir do que faço por causa dela, ou melhor, por causa dos outros.
- Você é uma falsa, Sakura. Havia prometido, e mesmo assim... — Os olhos azuis dela estavam marejados, logo escorriam pela sua pele pálida e branca, não sabia o que estava acontecendo comigo, mas eu simplesmente fui até ela e dei-lhe um tapa em seu rosto, o vermelho ficou evidente.
- Posso ser falsa, mas tenho os meus motivos.
- É claro. — Gritou contra mim, ameaçando me dar um soco. — Vai começar com a mesma história de anos atrás, de como a minha vida é perfeita comparado a sua, só porque o seu pai e a sua mãe morreram. A minha mãe morreu também, sofri a metade de sua dor, mas eu passei bem mais que você. Não sabe o do porque saí da minha profissão, enquanto eu sei que você é inteligente e namorou o cara com o qual eu gostava.
- Você me traiu com ele no final de tudo.
Sasuke não havia se manifestado ainda, mas escutava a nossa briga.
- E você? Caso não se lembra, está aqui por mim e não por minha melhor amiga, a não ser que seja igual a ela. Uma falsa imprestável. Deve ser certo? Famoso e bonitinho, o tipo de homem que eu gosto e que ela pega para si própria. Quero vocês dois fora da minha casa. Agora. — A voz de Ino havia aumentado a medida da frase, nós dois nos retiramos em silêncio, mas o clima era que eu tinha vencido no final de tudo, e que ela simplesmente só havia “estourado”.
Saímos da casa e nos encontramos no meio da rua. O silêncio era desconfortável, mas esse silêncio com Sasuke eu parecia já estar me acostumando, apesar de que o clima da briga ainda estava em nós dois. Ele suspirou, por fim.
- Desculpe, brigou com a sua melhor amiga... A culpa é minha, eu te obriguei a me beijar, lhe provoquei. Fiz errado. Se quiser eu falo com ela, talvez ela te perdoe. — Ele não falou com muita sinceridade toda a frase, ele não se sentia tão culpado assim.
- Não. Tudo bem. — Sorri meigamente para ele. — Obrigada, bem... Sei que foi uma briga feia e eu tenho quase certeza que eu e Ino não vamos mais nos falar, todavia, ia acontecer, hoje mesmo ia falar umas verdades. Resumindo tudo, ia falar que ela estava mandando demais na minha vida pessoal.
- Ah. — Murmurou.
- Quer o meu número? — Ao ser direta assim, podia parecer uma vadia, vagabunda ou então uma falsa mesmo, como Ino havia dito. Mas eu havia mesmo gostado dele, não era esperança do horóscopo, era somente o que o horóscopo havia dito.
- Claro. — Os olhos ônix sorriram contra os meus esmeraldinos, falei o número de meu celular a ele, enquanto ele anotava no moderno celular Touch Screen, testamos e nos despedimos.
Se eu fosse ter um futuro, queria ter com ele.
Não que falsidade tenha futuro, é claro.
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