Eu saí correndo.

– Thomas! Onde você está?

– Minho! Aqui! – Fui me guiando pela voz do meu amigo.

– Thomas! Grite de novo!

– Aqui! Aqui!

Eu o encontrei. O trolho estava tentando lutar contra dois verdugos utilizando apenas um garfo. Era um idiota.

Imagine uma lesma gigante. Agora pense nessa mesma lesma coberta de pelos macaco. Seja mais criativo e coloque braços mecânicos saindo de várias partes dessa lesma, cada braço possuindo lâminas mortais. Esses são os verdugos, cuja a picada pode te matar se você não tomar o soro a tempo.

Os verdugos estavam cercando-o, um deles estava exatamente à minha frente, fiz a coisa mais inteligente a se fazer, peguei uma pedra e a joguei no Verdugo. Ele se virou, soltou um barulho que me arrisco a chamar de rugido e então correu – ou se rastejou – em minha direção. Corri.

– Thomas, me encontre no portão – ao ver sua reação, completei – e não ouse voltar pra me ajudar!

– Mas nem que um verdugo caia em cima de mim!

– Thomas! É uma ordem! Eu ainda sou o encarregado dos corredores!

– Eu te espero lá mas... – Não esperei para ouvir o resto, eu tive que correr, o verdugo se aproximava de mim, deixando a passagem livre para o Thomas. Entre eu ou ele a sobreviver, o melhor é que seja ele.

Corri sem olhar para trás. Eu escutava o barulho de metal raspando o chão e as paredes do labirinto, o som estava cada vez mais próximo. Virei à esquerda. Esquerda de novo. Direita. Segui em frente. Esquerda. Sem saída.

Mértila, esqueci que esse labirinto sempre muda. Vamos analisar a situação, faltam vinte minutos para os portões fecharem, estou com um verdugo que quer me matar, minhas únicas armas são um garfo e pedras. O verdugo se aproximava, mas não vinha sozinho, outro vinha junto a ele. Eu estava ferrado. Agora entendo a situação do Thomas.

Corri os olhos ao redor e encontrei as heras que revestiam os muros. Era o único jeito. Escalei-as. Fui me agarrando às plantas e dando a volta pelas paredes. As criaturas pararam. Entretanto, seria idiotice comemorar, essas coisas conseguem escalar paredes, mas por algum motivo, elas não o faziam.

Pulei atrás dos verdugos e minha mochila cai em cima de um deles durante o salto. Entretanto este continuava imóvel. A última coisa que eu precisava saber era o motivo. Faltavam quinze minutos, me apressei em direção aos portões. Mais um verdugo. Hoje deve ser algum feriado verdugal, “Dia de matar um asiático”, ou algo do tipo. Tinha deixado minha mochila com o outro. Agora é oficial. Picadinho de Minho. As lâminas estavam chegando perto de mim quando...

BAM!

– Até parece que eu iria te abandonar, cara de mértila. – Thomas chegara com uma pá na mão, acertando uma das lâminas do verdugo.

– Eu disse pra ficar nos portões!

– Eu estive lá, e achei essa pá, então voltei e de nada, também!

– Ok, obrigado, agora vamos sair daqui.

Faltavam dez minutos. Não fazíamos a menor ideia de onde estávamos. Viramos à direita. Seguimos em frente. Esquerda. Direita. Esquerda novamente. Thomas tropeça. Continuamos virando a direita. Sem saída.

– Droga, e agora, Minho?

– Não é hora pra chorar, Thomas! Siga-me!

Tentei me localizar. Não funcionou. Hora de seguir meus instintos.

Corremos em direções aleatórias, viramos de um lado, viramos do outro, seguimos em frente, voltamos. Faltavam cinco minutos.

Seguimos a correr, comecei a reconhecer o caminho.

– Thomas! Aqui!

Dois minutos.

Direita. Direita. Esquerda. Frente. Esquerda. Frente. Direita. Os portões.

Um minuto e cerca de 200 metros.

– Thomas... – Não precisei completar a frase.

– Já entendi, vamos lá!

Corremos o mais rápido que pudemos. 40 segundos.

Minha vez de tropeçar, porém não cheguei ao chão, o trolho conseguiu me segurar.

150 metros, 30 segundos.

– Mais rápido! – Gritei.

Não consegui sentir minhas pernas, elas corriam sozinhas. 50 metros, dez segundos.

– Não vai dar tempo, Minho!

– Eu já disse pra parar de chorar!

Cinco segundos, 20 metros.

– Quase lá! – exclamei.

0 segundos. Estávamos do outro lado.

– Conseguimos, Thomas!

Thomas acena com a cabeça. Caímos no chão da clareira.

– Demoraram, hein? A garota acordou!