Falsa Liberdade
4 Realidade apta a mudar
— Yukki... por que você... morreu?
— Nossa, minhas mãos estão tão geladas assim?
— Não... é só que... eu tive um sonho com muitas pessoas próximas a mim..- sua voz nunca melhorava, mas não há nada de estranho nisso.. afinal, ver um amigo morrer por suas próprias mãos é uma lembrança irreversível. — Você estava caindo de um lugar muito alto... era como se ninguém fosse capaz de alcança-lo.
— Sabe, minha..-
— Conheço seu poder, mas sua expressão representava medo, talvez não funcionasse naquele momento.
— Assustador, mas não vai acontecer.
Enquanto caminhávamos até a escola, algumas crianças estavam brincando próximas à uma pequena praça. Aquela cena me trazia algumas lembranças, espero nunca esquecer sobre aquilo. Em frente, era como se fosse um meio do destino nos mostrar a realidade. Um garoto estava sendo levado a força por um oficial. Não era algo agradável de se ver, e pelo que estavam comentando, o motivo seria o fato do garoto estar na classe dos "aptos" a ter uma habilidade, mas já estar à 5 anos sem despertar qualquer sinal de mutação. Era terrível... seu pai estava tentando ajudar a libertá-lo, mas não era capaz de pará-lo. Devido a persistência do homem, o militar rapidamente leva a lâmina em seu dedo até o braço do mesmo. As roupas do pai do garoto se encheram de seu próprio sangue, agora sem um de seus braços como aviso. As lágrimas do menino já não alcançavam seu pai já quase inconsciente. A mão de Yumi estava ficando mais gelada.
— Ei, você está bem?
— Eu... não quero continuar... desculpa, não consigo.
— Consegue sim. — disse enquanto a segurava no colo.
— Por que age com tanta naturalidade em um mundo como esse?
— Digamos que seja simples... eu já vi o inferno.
— Mas como foi..-
— Seria melhor se me abraça-se. — realmente, parece que havia funcionado.
Por que sua casa tinha que ser tão longe da escola? Estávamos andando a um tempo considerável. Provavelmente deixaram que ficasse em sua casa por causa dessa distância, já que..-
— Garoto, não se mexa, já sei tudo sobre o que pode fazer, se vier sem resist..-
— Não quero.
Ele atirou em minhas costas. Estou vendo que é um oficial muito inteligente, dizendo que me conhece e tentando um ataque desses. A única situação ruim, seria caso atingisse Yumi, isso era um problema. Sequer sei porque esse idiota continua com isso.
— Yumi, por favor, se conseguir, fique atrás daquele muro um instante? — disse baixinho.
— Tudo bem... não demore...
Com ela segura, não é muito difícil pensar no que fazer. Poderia me aproximar dele e assim tentar ameaça-lo com alguma coisa. Nos casos gerais isso costuma resolver, odeio quando não funciona. Recorrer à violência era algo extremo.
— Vai ficar aí o dia todo?
— Só estou começando.
Ei... que medo (ironia). Ele estava realmente retirando o asfalto com força bruta? Que habilidade incrível. Parece bem grande, está vindo em minha direção. Seria melhor sair daqui? Bom, talvez seria, provavelmente poderia evitar ficar soterrado nos escombros. Isso se eu não tivesse dominado duas novas funções do meu 'poder'. É... tem boa mira.
— Ha! Sabe por que eu ainda tô aqui inteirinho? Eu sei que deve estar se perguntan..-
— Cale-se!
Certo... é um cara difícil. Só me resta correr em direção à ele. Ok... agora em alta velocidade, provavelmente um soco será mais que suficiente. Normalmente quando um ser humano aplica um soco, a força vai parando devido a inércia de cada um. Mas com a minha habilidade, essa lei da física não é capaz de parar a velocidade de um corpo que nada pode atingir. Acertei. Acho que apenas levantando-o pra cima fará com que fique inconsciente. Tudo conforme o planejado. Exceto o estrago que ele havia feito mais cedo, com aquele pedaço de concreto enorme. As vezes me esqueço que as pessoas ao meu redor são muito frágeis.
— Ei, você... certo, não tem problema, não é como se fosse de alguém mesmo. — ela havia desintegrado o muro que servia para se esconder.
— Pensei que... a mesma coisa aconteceria com a gente... — seus olhos não melhoraram desde a morte de seu amigo, é possível que ainda leve algum tempo.
— Ei, não vou deixar que se envolva nesse mundo. — disse acariciando sua cabeça.
Droga, acabei dizendo algo contra um dos objetivos de estarmos a caminho da escola. Acho que não tem problema, considerando seus sentimentos e por tudo que está passando nesse dia. Mas é uma garota inteligente, espero que esteja ciente da guerra que se aproxima.
— Yukki, acho que temos as últimas informações. É possível alguém possuir mais de uma habilidade, e também, podem haver habilidades iguais. — Yui dizia enquanto nos aproximávamos do portão.
— Isso vai alterar a formação. Em quanto tempo conseguímos organizar a todos?
— Dois dias. E... Yumi, me desculpa por manter você afastada, é que uma habilidade como a sua requer muito cuidado e...
— Tudo bem, eu entendo...
— Ei, não vai perguntar como eu consegui..-
— Imaginei que não faria efeito em você. — Yui dizia me interrompendo.
— Yumi, por favor, avise ao Tatsumi, a revolução acontecerá dentro de 4 dias.
— Revolução?! — parecia assustada demais. — Não... isso... é impossível, vocês não conhecem o verdadeiro poder do exército inimigo...
— Mas você conhece o nosso? Não vou mentir, nossas chances não são grande coisa. Mas o fato é que em alguns meses, muitos irão passar pela avaliação, e sem eles, nunca iremos sair daqui. No momento é tudo ou nada. — Yui estava determinada em ter a habilidade de Yumi à seu favor. — Por favor, me responda até amanhã. — dizia se afastando lentamente.
— Ei, acha que se afastando assim, vai dar um efeito sombrio? — era engraçado.
— Quieto.
Era muita informação pra Yumi. Era realmente um dia péssimo pra ela, deveria pensar em algo que pudesse distraí-la um pouco desse assunto.
— Que tal tomarmos um sorvete?
— Eu não posso...
— Tudo bem, eu divido com você, não precisa segurar.
— Acho que não tem problema... devemos ter cuidado com os militares que vigiam alunos fora da escola...
Ela pensa em tudo, que fofa. Acho que vou começar a forjar algumas desculpas pra cuidar dela quando for preciso. Deixando isso de lado, tentaríamos a dominação das fronteiras em 4 dias... a Rússia não vai deixar que suas preciosas experiências escapem tão fácil. Nosso destino é a Itália, pensamos em um teletransporte coletivo, que só é possível quando superarmos o campo de resistência. Isso nos deixa dependentes principalmente do Gabriel, o único estudante que temos com tal poder incrível.
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