Falls
10 Uma mentira boa.
Laura não havia acordado depois que os outros dois a levaram para seu quarto, não havia sido fácil o percurso subir escadas levando um corpo. Ed e Lua não recomendam. Após colocarem ela na cama à deixando bem confortável, os dois voltaram a sentir o medo de que aquilo poderia ter sido algum tipo de ilusão ou se poderia realmente ser verdade. Luana ainda estava perplexa não conseguindo demonstrar exatamente o que sentia em relação à ver um lobo enorme e negro feito a noite se transformando em sua amiga que estava desaparecida desde sábado. Ed deixava uma expressão bem confusa de se entender no rosto, suas feições intercalava em assustado e sorridente, ele havia gostado e ficado com medo do que viu, afinal, se existe sua amiga podia se transformar em um lobo então existia o famoso outro lado que ele tanto imaginou. O lado sobrenatural.
-x-
Depois de uma longa conversa entre o que iriam fazer, o que pretendiam e o futuro do baile que era exatamente amanhã; Sexta-feira. Eles surtaram pelo fato de que haviam sido colocados para organizadores, na verdade Laura havia. O por que deles estarem surtados na madrugada de quinta? Bem eles iriam aguentar Laura surtando pelo fato de hoje ser a organização, por ela ter sido o holofote por três dias como desaparecida e a ansiedade da garota atacada.
Laura acordou sentando rapidamente na cama ofegante, ela olhou em volta. Para ser exato nos dois lado do chão da cama dela notando que os seus dois melhores amigos estavam dormindo naqueles sacos que levava para acampar pela floresta, o que estranhava por que ela não se lembrava do que havia ocorrido durante os quatros dias passado. Suspirou jogando o coberto para o lado e levando seus pés até o chão da madeira fria calmamente ela desviou de Luana que estava bem próximo da porta do banheiro do quarto e caminhou para a porta do quarto, havia decidido que iria tomar um banho no banheiro que ficava no corredor para não ter que acordar a amiga. Ao entrar no banheiro ela sentia seu corpo doer a cada movimento que reproduzia, ela estava se sentindo diferente como se aquele corpo não fosse o qual estava acostumada mas para ela isso era tudo uma coisa sem sentido e que logo iria passar, que eram apenas dores matinais. Sua hipótese era que havia dormido de mal jeito. Ela começou a se despir tirando cada peça de roupa, Laura para subitamente olhando para o lado ao ouvir o som de uma gota se soltar da boca da torneira, notando que sua visão foi ampliada de uma forma fora do comum a fazendo ficar paralisada depois de ter visto a gota cintilante cair de encontro a louça da pia fazendo um barulho que normalmente audições humanas não escutam. O seu pensamento durante o banho foi sobre o que fez dentro de minutos atrás, ela estava perplexa. Quem não ficaria?
Ela havia descido já vestida com uma calça jeans e um cropped branco deixando bem destacado sua cor de pele e botas de cano curto, seu cabelo negro caia sobre suas costas com os fios lisos e a maquiagem básica; lápis de olho e um batom vermelho claro. Chegou a cozinha pensando que hoje seria a organização e como estava de bom humor ela iria preparar o café da manhã já que os outros dois estavam dormindo, seria bondosa. Entretanto isso iria valer algo em troca já que os dois iriam acordar atrasados. Ela iria preparar waffles com mel e suco natural de laranja que estava na geladeira, não estava afim de bajular os dois o bastante. Nesse tempo Luana e Ed haviam acordado e se entreolharam notando que Laura estava lá embaixo e os dois estavam aflitos, eles levantaram saindo do quarto e descendo as escadas até a porta da cozinha vendo a mesma agindo como se fosse um dia normal, eles novamente se olharam achando tudo aquilo estranho mas quando foram sair dali antes que ela notasse, a mesma se vira olhando os dois por alguns instante em silêncio com um sorriso que podia transparecer muita coisa.
— Por que eu encontrei vocês dois no meu quarto?
Os dois sem jeito se entreolharam novamente tentando saber o que aconteceu com sua amiga, Ed esconde seus braços atrás de seu corpo impedindo que Laura visse e então Luana toma a voz em primeiro.
— Você não se lembra?
— Para ser sincera, não... bebemos? – Laura se vira para pegar os copos para deixar a mesa pronta para café. — Por que se bebemos eu bebi demais a ponto de esquecer o que fiz nos últimos quatro dias. Se isso for ressaca, eu não quero beber tão cedo para ter outra amnesia.
— Isso, bebemos por que... – Ed olhou Luana tentando ter alguma ideia convincente.
— Por que estávamos felizes de organizar o nosso baile de inverno. Afinal teremos que ser bem badass para conseguir arrecadar uma boa quantia para a viagem.
— Estavam?
— Isso! Acho que extrapolamos um pouco, eu acordei com uma péssima enxaqueca.
Ed faz uma careta quase levando a mão na testa mas hesita sentindo seu coração acelerar, Laura o encara por ter sido instigada ao ouvir claramente o coração do amigo. Luana puxa Edson saindo da visão da Laura e começa a subir as escadas.
— Já voltamos, vamos nos vestir! – Ela diz num tom alto para a amiga
Eles subiram em silêncio com um certo receio de falar algo e Laura ouvir já que ela era uma loba, ela podia muito bem ter habilidades e podia estar mentindo sobre ontem o que fez eles se trocarem rapidamente, Ed estava com uma calça jeans preta com seu tênis preto e branco, usava uma camisa de manga longa cinza para que cobrisse a consequência do toque maldito da velha. Luana estava usando uma sapatilha com shorts jeans e uma blusa branca com listras pretas que as mangas iam até os cotovelos, seu cabelo Chanel estava solto.
Eles demoraram bastante no segundo andar pelo fato de estarem conversando por papéis, o que deixou Laura impaciente á fazendo subir as escadas e ir ao quarto do Ed enquanto ouvia o som em que a ponta do lápis reproduzia ao contato da folha, já estava começando a ficar acostumada com essa audição que apareceu do nada, era útil. Ela abriu a porta do quarto do Ed subitamente como se fosse um “rá!” de “te peguei.” Observando os dois que estavam sentados na cama com lápis e uma folha em seus colos, os dois se olharam não entendendo o por que ela abriu daquele modo.
— Aconteceu alguma coisa? – Ed olhou ela um pouco preocupado.
— Já estávamos descendo, só estávamos marcando algumas coisas que esquecemos de citar na lista que fizemos ontem. – Lua pegou um papel escrito em tópicos várias tarefas deixando no alto por alguns segundos mas logo deu de ombros guardando as folhas de Ed e dela junto numa pasta e colocando na bolsa. — Vamos comer?
— É... vamos.
Laura disse num tom com uma expressão bem notável que sua expectativa de pegar eles no pulo seria grande mas acabou tendo uma falha, eles apenas estava focando o trabalho que teriam hoje e isso dentro dela á deixou um pouco chateada por desconfiar de seus amigos terem escondido algo sobre ontem, ela deu um pequeno sorriso olhando eles e se virou.
A discussão na mesa enquanto eles terminavam o café estava os deixando bem eufóricos por causa de suas imaginações, de tudo dar certo no local, eles estava focando mais as coisas que ficariam em cada local; balões, enfeites, luzes, mesas, cadeiras, luzes, tudo. Ao terminarem eles arrumam tudo deixando aparentemente tudo limpo, hoje eles enfrentariam uma batalha e estava em suas responsabilidades ganhar, eles teriam que conseguir ter uma organização que não só eles se orgulhassem mas que também ouvissem críticas positivas em relação a tudo, hoje eles não pensaria em desenhos em pulsos e muito menos no lado animal de sua amiga.
Eles chegaram na escola quase perto de começar as aulas, mas o que eles mais amavam em ser os organizadores era que eles não iriam entrar na sala de aula a não ser para chamar os alunos que se ofereceram para ajudar, óbvio que tinha uma lista e limites de pessoas que poderiam chamar, a diretora Cora limitou por que se não todos iriam querer se oferecer apenas para não ter as aulas.
— Hum, eu pego a lista dos alunos que se ofereceram.
— Eu vou junto. – Luana fica ao lado do Ed e Laura olha os dois.
— Não, tudo bem. Eu vou para quadra ver se chegou algumas coisas que pedimos com o caminhão.
— Nos encontramos lá? – Ed pergunta.
— Nos encontramos lá. – Laura confirma.
Eles se dividem e andam em diferentes corredores, Luana olhou para trás e depois para Ed e ele sabia no que ela iria tocar, eles praticamente mentiram sobre o que fizeram ontem. Eles deram banho na amiga, a vestiram e colocaram na cama para chegar hoje de manhã e dizer que beberam? Tinha sido uma mentira boa certo? Afinal eles apenas queriam proteger ela.
— O que iremos fazer quando ela descobrir?
— Rezamos para não sermos devorados? É eu acho que é a melhor ideia. – A voz do garoto soou nervosa e sarcástica ao mesmo tempo.
— É, uma ótima idéia. Você acha que ela é uma lobisomem igual da série que assistimos?
— Isso que me preocupa, estamos num mundo que todos pensam que é fantasia. Não temos prova de algo que é publicado assim, ao povo.
— E que tal a gente achar uma pessoa que estuda esse termo? Um ocultista.
— Se for assim nós vamos na rua Griffin.
— Rua Griffin? Onde é isso? Estava frequentando isso enquanto eu e Laura estávamos no Brasil?
— Até que você não é tão lerda quanto parece. – Ed dá um sorriso sem graça mas logo respira fundo virando o corredor, já estavam próximos a secretaria e direção. — Não tinha nada para fazer, gosto do sobrenatural e eu ouvia sobre essa rua em Helena. Dizem que tem bruxas e nesses três meses eu ia numa bruxa que lia minha mão, mas ela mais era psicóloga do que tentava me dar um enigma de meu futuro. Era minha amiga... – Ele parou e ficou em silêncio por alguns segundos e então ele sorriu e desviou o olhar de sua amiga. — que agora está num lugar melhor.
— Ah, eu não sabia... meus pêsames. Mas me diz, ela morreu como?
— Assassinato.
Ele resolveu manter em segredo sobre a sua saída com Trevor para lá, não queria a amiga surtando justo em véspera de um baile. Luana estava com um sorriso de consolo mas logo ficou séria observando Ed partir do seu lado voltando a seguir em frente, ela balançou a cabeça inconformada com o modo que a senhora que o ajudava morreu mas logo o alcançou entrando junto com ele dentro da sala da diretora para pedir os papéis dos nomes.
— Licença diretora. – Os dois entraram.
— Vieram pegar a lista? – Cora afastou um pouco sua cadeira e abriu uma das gavetas da mesa e puxou duas pranchetas com os nomes preenchidos e um espaço para que marcasse quem estava presente e quem não havia ido ou faltado. — Aqui está.
— Obrigado.
— Me desculpa diretora mas acha que com esse baile conseguiremos atrair pessoas que já se formaram, parentes, e amigos dos alunos para arrecadar o dinheiro? – Luana pergunta depois de observar Ed pegando as duas pranchetas.
— Não sei. – a diretora foi seca na resposta. — Não sou a organizadora do baile de inverno, mas em base ao os outros dois anos, acredito que vocês precisam superar e fazer algo melhor. Está em suas mãos, agora vão. – Focou novamente os papéis e a tela de seu computador.
Os dois se viraram um pouco amedrontados com o modo que ela falou, parecendo normal aos seus olhos falar daquele jeito, não era atoa que ninguém queria ir a diretoria. Se ela já era assim apenas tentando os incentivar, imagina dando um sermão. Eles saíram da sala de Cora e se viraram andando em direção a secretaria para pedir que ali eles pudesse chamar cada nome para comparecer na quadra pelo microfone que repercutiria em todas caixa de som que ficavam nas salas.
— Ok, teremos que superar o ano passado. Já é dia 8 de fevereiro, não sei se você notou mas já era para estar nevando, estando frio porém está começando agora.
— Tá, eu ouvi isso nos jornais que por causa do aquecimento global as estações começaram a se atrasar. Aconteceu tanta coisa nas férias que acabei nem notando que a neve não começou.
— Então devemos iniciar nosso trabalho logo. – Lua se aproximou de uma das janelas que era extensa na parede com a vidraça quadriculada observando os primeiros pequenos e singelos flocos de gelos caírem. — Antes que apareça uma tempestade de neve.
— Ok! – Ed disse próximo a ela, mas ao lado da janela que Luana observava os flocos de neve, ela tinha razão. Eles poderiam ser pegos de surpresa e não poder realizar a festa, perdendo a arrecadação. — Vamos falar com a secretaria Jennie.
Os dois se viraram e caminharam dando mais alguns passos para virar à esquerda do pequeno corredor entre a diretoria e a secretaria mas Ed para subitamente observando uma garota negra com um sorriso que o mundo poderia parar apenas para observar e contemplar aquele gesto, ela adentrou o lugar pela porta que era de acesso direto à secretaria e a brisa gélida invadiu fazendo alguns fios do cabelo da Luana se moverem. Ela tirou o cachecol e se virou para o balcão da secretaria. Pam estava vestida com uma jaqueta de couro, por baixo uma blusa branca e uma calça jeans justa escura acompanhado com uma bota preta, seus cabelos estava caídos no ombro e em suas costas terminando em ondas.
— Oi, meu nome é Pamella Blake. Vim pegar o número do meu armário. – Disse transmitindo uma sensação de leveza á todos presente, era como se ela não tivesse problemas. Ela era uma pessoa que Ed não esperaria ver tão cedo.
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