Falling in Real
31 Wonderland...?
Notas iniciais
P.O.V Ally
–Ok... – Digo tentando absorver toda a informação que os médicos me diziam. – Meu pai está em choque emocional e vai permanecer mais alguns dias aqui com o acompanhamento de psicólogos, enquanto eu e meu irmão já estamos bem o suficiente para termos alta, mas também teremos que voltar para o acompanhamento psicólogo?
–Basicamente, sim, Ally... E agora se me dão licença, tenho que ir á...
–E a mulher...? – Interrompo.
–A sua mãe? –Estremeço com a palavra. – Ah, desculpe... Bem, a mulher está recebendo ajuda para tentar se lembrar o máximo possível do que aconteceu exatamente antes dela apagar e ser encontrada.
–Ser encontrada?
–Ah, sim, Ally, depois conversaremos sobre isso, ok? Hoje não. Tenho que ir. Meu assistente irá acompanha-los até a entrada.
...
E nós fomos embora. Sem nenhuma resposta.
Meus avós nos buscaram no hospital e logo que chegamos á casa, meu irmão e eu fomos atacados por abraços de meus amigos. (Não duvido que logo o termo “meus”, da frase anterior, seja trocado por “nossos”).
Trish, Annie, Dez, Cassidy, Austin todos estavam lá, para nos receber da forma mais calorosa possível.
E por mais curiosos que meus amigos aparentavam estar, foram poucas as perguntas. Concentramos-nos em comer a deliciosa comida que Maria e vovó serviam e assistir todos os filmes que tínhamos.
Já ao começo da noite Anne e Trish se convidaram a dormirem aqui, e, logicamente que eu concordei. Cassidy precisava ir embora e Jake, como um bom namorado apaixonado, ofereceu-se a levá-la para casa. Nesse momento Austin e Dez também decidiram que iriam ir. Enquanto Dez se despedia da namorada, enchendo-a de abraços e beijos discretos, (tínhamos adultos em casa!) Austin me puxou para a varanda da entrada.
–Hey Ally... – Diz discreto, após soltar minha mão. – Eu queria conversar com você... Sobre o que aconteceu no seu aniversário antes que tudo tivesse “desmoronado”.
Eu encarei seus olhos castanhos brilhantes sob o luar. A apreensão em seu rosto era compreensível, eu também a tinha. Não sei exatamente o que nos fez agir daquele jeito, expondo desejos do coração, pelo menos eu, mas não me arrependo.
Não digo nada antes de abraça-lo por alguns minutos. Queria que ele pudesse sentir através do contado de nossos poros, que todas as dúvidas que ele possuía, também estavam em mim. Os medos, a confusão de sentimentos, a mente perdida... Era recíproco.
–Austin, eu não sei exatamente o que dizer para você, de verdade. Quando eu disse para realizar o “nosso desejo” eu não menti. – Digo voltando a encarar seus olhos. – Eu não entendo exatamente como tudo aconteceu, mas as coisas mudaram muito e... Para melhor. – Finalizo sorrindo fracamente.
Ele sorri e volta a me abraçar.
–Eu, só para você saber, também não menti. Ah, e sim, as coisas mudaram muito. Agora você não me odeia. – Sussurra em meu ouvido, fazendo-me rir, afastar e bater levemente em seu peito.
–Bem diferente de odiar. – Digo e sorrio.
Por alguns momentos ficamos apenas nos encarando, enquanto nossos sorrisos diminuíam.
–Então, tchau Ally. – Diz Austin, voltando a sorrir e se afastando.
–Até Mônica. – Falo com cara de brava, para logo voltar a rir.
–Ei, Allycia. – Ele vira-se. – Não me chame de Mônica.
–Não me chame de Allycia.
–Allycia. – Diz se aproximando se mim.
–Mônica.
– Allycia. – E mais.
–Mônica.
– Allycia. – E mais um pouco.
– Mônica.
– Allycia.
–Quando percebi, estava encostada na parede a centímetros de Austin.
–Mônica. – Digo por fim, sorrindo provocadora.
–Ah, você vai pagar por isso. – Diz baixo, sorrindo galanteador.
Ele se aproxima mais um pouco, e me beija fracamente, quase não encostando nossos lábios, tão rapidamente!
Rápido de mais.
Isso é maldade.
–Tchau Allycia. – Diz e logo se vira, andando na direção de seu carro.
–Isso é maldade! – Grito indignada, mas rindo.
Ele se vira, já longe e sorri de lado, para logo dizer:
–Tenha uma boa noite, pequena injustiçada.
–Boa noite, senhor malvado.
Entro dentro da casa a ponto de ver Dez dando seu último beijo em Annie e ela sorrindo abobalhada. Ele sai, animado como sempre e eu a provoco:
–Acho que alguém está apaixonada...
Ela cora, mas logo volta a me encarar sorrindo.
–Como se eu fosse à única, né Ally?
Sorrio e corro para abraça-la. Subimos para meu quarto, encontrando lá, Trish com cara de tédio. Ela nos olha e fala:
–Desembuchem logo!
...
P.O.V Narradora
Depois de muito tempo de confidências, risadas e baldes de pipoca, Trish e Annie adormeceram. Ally sorrateiramente saiu de seu quarto e foi ao quarto “das tralhas”. Pegou a velha cadeira de madeira e abriu o buraco no teto que dava para a parte reta do telhado. Subiu e sentiu a brisa quente de Miami balançar seus cachos. Fechou os olhos e respirou fundo antes de se perder em meio à noite límpida e estrelada. A melodia vinda dos jovens vizinhos de Ally, a fez deitar e cantar em seu próprio ritmo:
“We found wonderland
You and I got lost in it
And we pretended it could last forever
We found wonderland
You and I got lost in it
And life was never worse but never better
In wonderland, in wonderland
In wonderland, in wonderland
So we went on our way
Too in love to think straight
All alone, or so it seemed
But there were strangers watching
And whispers turned to talking
And talking turned to screams
Didn't they tell us
"Don't rush into things"
Didn't you flash your green eyes at me
Didn't you calm my fears
With with a Cheshire cat smile?”
“Nós encontramos o País das Maravilhas
Você e eu nos perdemos lá
E fingimos que poderia durar para sempre
Nós encontramos o País das Maravilhas
Você e eu nos perdemos lá
E a vida nunca foi tão ruim, e tão boa
No País das Maravilhas, no País das Maravilhas
No País das Maravilhas, no País das Maravilhas
Então, nós seguimos nosso caminho
Apaixonados demais para pensar direito
Sozinhos, era o que parecia
Mas havia estranhos nos assistindo
E os sussurros se tornaram falas
E as falas se tornaram gritos
Eles não disseram
"Não apresse as coisas"
Você não piscou seus olhos verdes para mim
Você não acalmou meus medos
Com seu sorriso de Gato Risonho?”
E por mais que quisesse apenas admirar as estrelas, sua mente encheu-se de todos os milhões de acontecimentos dos últimos tempos. Austin, sua mãe, seu pai...
“Por que?”
Questionava-se baixo a garota, enquanto uma solitária lágrima caia de seu olho.
Ela estava confusa e perdida. Isso era a única coisa que ela poderia afirmar naquele momento.
Ally desceu as escadas e voltou para o quarto, onde antes de enterrar-se na cama, pegou seu diário e escreveu:
“A vida não é um país nas maravilhas. Mas não sei se ela é melhor ou pior que isso.”
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