Falling in Real
43 Gravel & "Rapunzel! Throw your braids!"
Notas iniciais
P.O.V Ally
–Mas pai! – Gritei enquanto o seguia subindo pelas escadas.
–Ally Dawson! Não importa o que essa garota fez! Bater nela não deixa de ser errado! — Gritou ainda mais alto, vermelho e com as pupilas dilatadas. – Você está de castigo e ponto final! Não tente me convencer. Dessa casa você não sai!
Trinco os dentes. Já estávamos ao topo da escada. Passo por ele bufando. Vou ao meu quarto batendo a porta forte.
Mas que ódio! Foi só um soquinho bem merecido.
Não demorou muito para que lágrimas embasassem minha visão. Quando finalmente as coisas entre eu e Austin pareciam a se encaixar, eu tenho que ficar de castigo.
Disco o número de Austin. Eu vou ter que cancelar nosso encontro.
A ideia me faz tremer.
–Ally! –Fala com a voz encantadora de sempre.
–Austin... – Tento forçar uma voz suficientemente normal. Falhei.
–Alls, tá tudo bem?! – Diz preocupado.
–Sim, sim... – Falo rápido. – É só que... eu estou de castigo por causa do que eu fiz com a Kira... Eu sinto muito! O nosso encontro... eu não sei como faze-lo acontecer.
Ele dá uma risadinha como se estivesse se divertindo.
–Amor, eu imaginava. Até eu seria punido se fizesse isso. Está tudo bem! Não precisa cancelar o nosso encontro por isso,– ele parou por um segundo e sua voz vacilou – a não ser que não seja por isso...
–É claro que é por causa apenas e exclusiva do meu pai! – O ouço soltar a respiração.
–Nesse caso, eu sei como podemos nos encontrar. – Era impossível não notar a felicidade.
–Como?! – Falo curiosa.
–Esteja pronta amanhã as oito. Espere os pedregulhos.
–Pedregulhos?
–Amanhã você irá entender.
–Ok...
–Eu te adoro Ally.
–Eu te adoro mais.
Desligo sorrindo. Sua voz era como meu calmante natural.
O que deveria esperar de nosso primeiro encontro?
...
Acordei sorrindo. Os pássaros estavam cantando hoje? Ou seria a brisa quente que adentrou o meu quarto? Ah, quem eu quero enganar? Nenhum fator natural poderia me fazer ficar assim.
Ri com minhas desculpas e fui tomar meu café da manhã. Assim que pisei no primeiro degrau da escada, meu sorriso se desfez. Memórias da noite anterior me fizeram engolir a seco. Meu pai. Sacudi a cabeça tentando espairecer meus pensamentos.
A mesa do café estava cheia. Todos os meus familiares resolveram aparecer. Ótimo.
Recebi um “bom dia” coletivo e baixo, menos de alguém. Assenti com a cabeça evitando qualquer palavra. Minha cabeça estava baixa, fitando a fatia de bolo. Minha garganta estava seca, e mesmo após muita água, eu não me saciava.
Empurrei a cadeira fazendo barulho. Levantei-me e fui até a porta da cozinha.
–Não vai comer nada Ally? – Perguntou Maria com uma voz indecifrável.
Olhei para ela, para a fatia de bolo e por fim para meu pai. Voltei a encara-la. Sorri.
–Estou bem, Maria.
Sai do cómodo.
Hoje será um grande dia! Não vou estragá-lo com brigas infantis. Não hoje. Não o dia que esperei tanto para que acontecesse.
Que se inicie a seção “preparação para encontro”.
P.O.V Austin
Não vou mentir. Eu poderia cair em um buraco de esgoto que ainda estaria sorrindo. Ela gosta de mim! A Ally gosta de mim! Ah! Nós temos um encontro. Eu tenho um encontro com Ally Dawson. A garota com os olhos mais bonitos que existem! A garota que mudou a minha vida.
A tela de meu celular acende. A foto de Ally aparece no visor.
–Ally! –Falo sorrindo.
–Austin... – Fala triste.
–Alls, tá tudo bem?! – Digo preocupado.
–Sim, sim... – Fala rápido. – É só que... eu estou de castigo por causa do que eu fiz com a Kira... Eu sinto muito! O nosso encontro... eu não sei como faze-lo acontecer.
Rio baixo. Ela é tão sensível!
–Amor, eu imaginava. Até eu seria punido se fizesse isso. Está tudo bem! Não precisa cancelar o nosso encontro por isso, — paro por um segundo e minha voz vacila. E se não for por causa disso? – a não ser que não seja por isso...
–É claro que é por causa apenas e exclusiva do meu pai! – solto a respiração.
–Nesse caso, eu sei como podemos nos encontrar. – Digo animado.
–Como?! – Pergunta curiosa.
–Esteja pronta amanhã as oito. Espere os pedregulhos.
–Pedregulhos? – Fala confusa.
–Amanhã você irá entender.
–Ok...
–Eu te adoro Ally.
–Eu te adoro mais. – Diz fazendo uma pequena corrente elétrica passar por mim.
Desligo sorrindo. Aquela baixinha tem poder sobre mim.
No dia seguinte, assim que contei a Dez sobre tudo o que aconteceu entre Ally e eu, o ruivo teve um acesso de riso. Entre os quais soltava alguns “finalmente” e “vocês são ótimos juntos” abafados.
Sorri com a sua reação. Não esperava por algo normal.
Após que se recuperou de seu ataque, me encheu de perguntas, concluindo que na verdade deveríamos ligar para Kira agradecendo. Por mais que tudo não passasse de uma ideia boba, eu realmente devia agradecê-la. Minha felicidade naquele momento era devido à coragem que Ally teve graças à raiva. Um dia eu a agradeceria por isso.
P.O.V Ally
Minha manhã e tarde passaram tão rápido e tão devagar ao mesmo tempo. Eu estou tão animada!
Maria por compreensão trouxe meu almoço ao meu quarto. Quando ela entrou eu estava escolhendo uma roupa. Por um segundo ficou confusa, mas logo entendeu. Olhou para um vestido branco – creme com rendas perto do busto e disse:
–Esse! – Sorriu. Sem mais dizer, deixou o quarto. Ouvi ainda seu comentário, seguido se uma risadinha:
–Apaixonada.
Acho que não posso mais negar isso.
Sorri com as borboletas em meu estômago.
Acatei a escolha de Maria, acrescentando apenas a corrente de Austin, gloss e sapatilha preta.
Já eram quase oito horas e meu coração palpitava com tamanha rapidez que me assustava.
Ouvi a porta de casa bater. Penny e meu pai saíram. Ótimo.
Pequei meu violão criando acordes aleatórios. Precisava me acalmar.
Emergida nos sons, ouvi ao longe, pequenos atritos sendo feitos. Eles se tornaram mais fortes, me fazendo procurar sua origem. Vinha de minha janela.
Vi algo acerta-la, produzindo barulho.
Os pedregulhos!
Corri a janela e a abri. Então percebi, em meio à luz fraca da lua, o sorriso mais encantador. O sorriso de Austin.
Ele me olhou, riu baixo e disse:
–Rapunzel! Jogue suas tranças!
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