Falling in Love
27 Capítulo 27
Notas iniciais
Acordei suando e com o coração acelerado por causa de outro pesadelo que eu não conseguia lembrar de nada. Só sabia que Phillipe e Ashley estavam presentes. Não demorou muito para o despertador do meu celular começar a tocar, me lembrando que eu tinha aula.
Tomei um banho rápido e vesti a roupa que tinha separado na noite anterior, um leve vestido de manga comprida branco pouco acima do joelho, cujas mangas e busto eram forrados de renda azul celeste, e uma jaqueta jeans. Calcei uma bota de cano curto marrom, peguei minha bolsa e meu celular, o casaco de Chris e desci.
Cheguei à cozinha ao mesmo tempo em que Marie entrava pela porta do jardim, ela sorriu quando me viu.
– Bom dia, minha flor — ela disse me abraçando. Conhecíamo-nos há pouco tempo, mas eu já a considerava uma segunda mãe. Ela me lembrava muito minha avó. — Dormiu bem?
– Dormi sim. Tive alguns sonhos estranhos que não lembro, fora isso a noite foi ótima. — disse já me sentando a mesa. Will e o pai adentraram a cozinha conversando sobre alguma coisa relacionada ao jardim de trás da casa. — Bom dia.
– Bom dia, Amy. — eles disseram ao mesmo tempo. Sorri.
O café da manhã foi bem tranquilo, enquanto todos conversavam, eu os observava. Há muito tempo não tinha uma refeição descontraída com os meus pais, ou melhor, que eu sequer tinha uma refeição com eles.
– Emily Johansson Neeson, precisamos conversar. — a voz da minha mãe ecoou por toda a cozinha, calando todos os funcionários e me fazendo arrepiar. Respirei fundo para me controlar, pousei levemente a xícara no pires e voltei-me pra ela, tratei de falar com a maior frieza e indiferença que eu conseguia.
– Deseja alguma coisa, mamãe? — Pude ver com o canto dos olhos Will olhar entre mim e ela, parecia nervoso, assim como praticamente todos naquela cozinha. O olhar da minha mãe denunciava o quão irritada e cansada ela estava.
– Venha. — ela disse simplesmente e saiu. Revirei os olhos e dei uma olhada no relógio. Eram 7:25, eu tinha algum tempo sobrando.
– Vou ver o que ela quer e já volto para sairmos. — disse pra Will e saí rápido logo em seguida, para acompanhar minha mãe.
Segui-a até a biblioteca, já estava me preparando para a bronca que provavelmente receberia. Ela parou perto de um sofá que tinha ali, imediatamente me lembrei da nossa conversa no Brasil, quando fiquei sabendo da mudança.
– Emily, minha filha, eu sei que está sendo difícil pra você essa nova rotina. — ela começou. Pude perceber que estava triste, e eu tinha causado essa tristeza. Lembrei-me de todas as palavras duras que eu tinha dito a ela e ao meu pai e me arrependi por ter sido tão grossa. — Sei que não foi nada fácil deixar seus amigos pra trás e recomeçar aqui, mas veja bem, nós não temos opção. Nos mudamos como resultado de uma coisa que fizemos dar certo. É sinal de que a nossa empresa está dando frutos. E você sabe que essa empresa será sua no futuro. — Percebi que ela iria começar novamente com o sermão sobre ser mais responsável e agradecer e prezar mais por tudo que eu tinha. E assim, de repente, fiquei com raiva novamente.
– Por um minuto eu pensei que a senhora me entendia. — interrompi-a com a voz carregada de mágoa, falando pausadamente. Senti meus olhos marejados, mas fiz questão de não deixar uma única lágrima cair. — Por um mísero minuto eu achei que finalmente poderíamos ter uma conversa amigável entre mãe e filha depois que chegamos aqui. Mas vejo que eu estava enganada. — completei sarcástica e magoada. Minha mãe me olhava com um misto de incredulidade e raiva. Já tinha começado e não poderia parar agora. — Mãe, eu te amo. E também amo o papai. E sei que ontem eu fui muito dura com vocês, disse coisas que não deveria ter dito. Tudo bem, eu admito, eu errei! — senti uma lágrima escorrer por minha face, engoli em seco para que mais nenhuma saísse e impedisse tudo o que eu tinha pra falar. — Eu só tenho 17 anos e já tenho muitas responsabilidades, e estou ciente de todas elas. Como futura presidente da empresa eu sei que a melhor alternativa que nós temos é que essa viagem aconteça, só que ontem, por um pequeno deslize meu, eu deixei meu lado “filha” falar mais alto. – fiz aspas quando falei filha, deixando escapar o sarcasmo na voz. — Então não. A senhora não sabe pelo que eu estou passando ou o quanto tudo isso está sendo difícil para mim. Sabe porque? — perguntei fazendo uma pausa. Vi os olhos dela se encherem de lágrimas, as quais eu era a culpada. Engoli em seco e continuei. — Porque a senhora nem sempre está presente quando eu preciso. Eu sei que a senhora passou por coisas semelhantes às quais eu estou passando agora, mas a senhora tinha seus pais por perto.
– Não meta seus avôs no meio disso, Emily. — ela me interrompeu com raiva. Sorri amigavelmente, dessa vez deixando mais algumas lágrimas caírem.
– Mãe, não é só porque eles morreram que devem ser esquecidos. — Cheguei mais perto dela e a abracei. — Eu amo a senhora e o papai mais do que tudo nesse mundo. Vocês estão antes do que qualquer empresa ou amigo na minha vida. Só estou com medo de perder meus bens mais preciosos. — disse com a voz embargada pelas lágrimas que saíam sem pudor. Senti meu cabelo molhado, indicando que minha mãe também estava chorando. Afastei-me um pouco pra olha-la nos olhos. Olhos tão azuis quanto o céu e iguais aos meus.
– Eu também te amo, meu bebê. — Sequei as lágrimas dela enquanto ela secava as minhas, sorri ao perceber que não estávamos mais brigadas. — Me perdoe por não ter estado presente quando você precisou.
– Desculpa por ser tão dura com a senhora. — Abraçamo-nos mais uma vez. — E mais uma coisa, não me importo com as viagens desde que vocês prometam estarem presentes pelo menos nos jantares. — completei sorrindo. O sorriso dela aumentou.
– Tudo bem. Nossa viagem está marcada para daqui a um mês. Até lá temos muitos jantares pela frente.
– Ah, e sobre onde eu vou ficar... – comecei. Como explicaria pra ela que não queria ficar na mesma casa que Chris?
– O que tem? Já falamos com Robert, ele não se importa que você fique lá por alguns dias.
– Então, era sobre isso que eu queria falar com a senhora. Porque tipo, eu não me importo de ficar aqui em casa mesmo. Sério, de verdade.
– Mas você vai ficar aqui sozinha? Porque os empregados estarão em casa. Como vamos ficar quase duas semanas fora eu pedi que eles fizessem uma faxina na casa antes de chegarmos, e durante esse tempo eles não precisam vir aqui.
– Eu não me importo, de verdade. Como estudo pela manhã e pela tarde, eu só viria em casa para dormir, e até lá acho que já cumpri o acordo com papai e já terei meu carro. Assim não fico dependendo do Will, já que ele também não vai estar aqui. — vi que minha mãe ia contestar. Pensa Amy, pensa. — E qualquer coisa eu posso dormir na casa de Ashley. Tenho certeza que ela não se importa, e é bem melhor do que dormir na mesma casa que três homens. — disse torcendo pra ter sido bem convincente. Minha mãe suspirou.
– Vou pensar no que você disse e falar com seu pai. Conversamos melhor sobre isso a noite. Agora você tem que ir pra não se atrasar para a aula.
– Obrigada mãe. Te amo, até a noite. — disse animada e beijei sua bochecha.
– Também te amo, meu anjo. — ela gritou enquanto eu saía correndo para me encontrar com Will.
Conferi a hora no relógio e faltavam quinze minutos para a aula começar. Encontrei Will esperando no carro na frente de casa. Corri até o carro e entrei o mais rápido que pude ainda ofegante.
– Demorou, hein? — ele disse rindo.
– Ainda dá tempo de chegar na escola para o primeiro horário? — perguntei colocando o cinto. Ele deu partida no carro.
– Só se formos bem rápido.
– Acelera então.
O caminho foi marcado pelo barulho do motor do carro. Will estava concentrado demais enquanto dirigia e eu preferi não atrapalha-lo. Guardei o casaco de Chris na minha bolsa quando entramos na rua da escola. Faltavam três quarteirões.
– De quem é o casaco? — Assustei-me com a súbita pergunta de Will, estava acostumada com o silêncio do carro.
– Chris me emprestou quando me deixou em casa. — respondi tentando deixar claro na voz que não queria continuar com esse assunto. Ainda me lembrava do que ele tinha dito sobre Chris e de como ele ficara irritado.
– Só tome cuidado. Não gosto dele. — ele disse simplesmente, parando na porta do colégio.
– Sempre tomo. — disse enquanto abria a porta e saía do carro. Ele acelerou logo em seguida, eu acabara atrasando-o também.
A entrada e o jardim do colégio estavam completamente vazios. Olhei no relógio, as aulas já tinham começado há 8 minutos. Apressei-me até a sala de literatura inglesa, minha primeira aula, que para meu azar era com a turma toda. Fiz uma parada apenas para pegar meus livros dentro do meu armário e fui praticamente correndo até a sala.
A aula ainda não tinha começado, Zoey estava sentada em sua cadeira escrevendo alguma coisa em seu caderno, apenas levantoua cabeça quando entrei.
– Desculpe-me pelo atraso. — sussurrei, mas tive certeza que ela escutou, já que acenou com a cabeça. Dirigi-me rapidamente ao meu lugar, ao lado de Ashley e Lipe, sem atrair muitos olhares.
– O que aconteceu? Você demorou. — Ash virou-se para mim na mesma hora, parando de conversar com Phillipe, que também estava me observando.
– Minha mãe queria conversar comigo. Acabei saindo um pouco tarde de casa, e como vocês sabem, eu não moro tão perto assim da escola. — respondi dando de ombros.
Assim que abri minha bolsa para pegar meu caderno vi o casaco de Chris dentro, não consegui evitar antes de começar a procurá-lo com os olhos. Ele estava sentado algumas cadeiras à frente, rodeado pelos "populares" e com Lindsey quase se sentando em seu colo. Revirei os olhos e voltei a guardar o casaco, devolveria a ele quando estivesse com menos pessoas ao seu redor.
Não demorou muito para Lindsey ter que voltar à sua cadeira. Zoey começou a aula falando sobre as vanguardas europeias que surgiram após a Primeira Guerra. Mesmo já conhecendo todo esse assunto, forcei-me a prestar atenção na aula. Não queria que minha mente vagasse para um certo alguém de olhos azuis sentado mais a frente.
A aula acabou quase tão rápido quanto tinha começado, as aulas de literatura sempre eram assim. Nem notei a de física passar, quando percebi já estava sentada ao lado de Damen na aula de química.
– Amy! Nem vi a hora que você saiu da festa, você sumiu. – Damen comentou assim que sentou-se ao meu lado. Revirei os olhos discretamente.
– Acho que você deve ter percebido que não sou muito fã de festas. – respondi com um sorriso. Ele podia ser um amigo de Chris, mas não parecia ser idiota como ele ou Erick. Não custava nada tentar ser educada.
– Muita gente gostou da festa. Provavelmente você deve ter escutado os comentários. – ele comentou orgulhoso de si, o que me fez sorrir.
– Não. Não prestei atenção no que as pessoas estão falando. Acho que hoje eu estou no meu mundo.
– Sei como é. Me responda uma coisa, aquele garoto sem noção que estava dando em cima de você na festa te incomodou mais alguma vez? – Congelei quando ele disse, mas me esforcei para disfarçar.
– Uma vez só, mas consegui me desviar sem muito esforço. – disse tentando parecer convincente. – Ele estava bêbado demais para sequer pensar em fazer alguma coisa.
– Eu percebi lá no bar. – Damen sorriu novamente.
Voltei minha atenção para a aula que já havia começado. Fiz mais algumas anotações e vez ou outra pegava Damen me observando. Eu poderia pedir para ele entregar o casaco de Chris, mas para o meu azar minha próxima aula seria com ele e o mínimo que eu poderia fazer depois de tudo que ele tinha feito por mim era devolver seu casaco pessoalmente. Passei toda a aula de química praticamente implorando para que ela demorasse mais de acabar, mas quando percebi, infelizmente, já estava me encaminhando para a sala da aula de inglês.
Assim que entrei, vi que Lindsey e Marcie já estavam sentadas, senti seus olhares intensos me avaliando enquanto me encaminhava até a cadeira ao lado de Chris, que estava mexendo no celular e nem notou quando eu cheguei. Assim que sentei, retirei seu casaco da minha bolsa e o devolvi.
– Muito obrigada, foi muito útil na hora. – Olhei em outra direção e senti meu rosto esquentar quando ele me olhou e percebi que aquelas duas ainda estavam nos observando, só que dessa vez Lindsey parecia com muita raiva.
– Eu disse que você não precisava se preocupar com isso. – mesmo sem olhar para ele eu sabia que estava sorrindo.
– Eu não estou precisando dele, mas mesmo assim obrigada. – falei dando de ombros. Com certeza meu rosto já estava muito vermelho. – Você sabe qual o problema daquelas duas? – Já estava me sentindo incomodada com os olhares, mas não mais do que quando Chris se aproximou para falar no meu ouvido.
– Provavelmente Lindsey está com ciúmes. Ela era muito grudenta. – Senti meu corpo todo arrepiar quando o hálito quente dele tocou minha pele. Pelo canto do olho pude vê-lo sorrir. Droga! Por que ele tinha que ter esse efeito sobre mim?
Agradeci mentalmente quando Alec entrou na sala, mas, para meu azar, ele queria que começássemos a apresentar o que havíamos descoberto sobre nossas duplas. Me senti gelar na cadeira. Hoje definitivamente não era meu dia!
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