5:45pm

O alerta vibratório do celular tocara dentro do bolso do homem asiático, que levou uma das mãos a procurar o aparelho, para assim, atendê-lo.

- Bang CheolYong.Mandarei uma mensagem com mais informações. Joon-ah, não me decepcione. – Uma voz grave ecoara do outro lado da linha e, sem mais nem menos, a ligação fora finalizada. O rapaz que se intitulava Joon, apenas suspirou fundo, colocando o aparelho telefônico de volta ao seu bolso. Mais uma tarefa, hn. Pensou, de forma arrogante.

Era um ser desprezível. Há muito não se importava mais com a vida humana; para si, a vida das pessoas era sua principal diversão, ou melhor, tirá-las era sua melhor diversão. Lee Joon era um assassino de aluguel e se orgulhava por isso. A ligação de agora a pouco, era apenas uma nova tarefa que lhe fora designada e, agora, esperava pacientemente por novas instruções.

Joon era diferente dos outros assassinos. Gostava de encontrar ao “acaso” com sua vítima, antes de matá-la, mesmo que fosse apenas uma vez. Achava curiosa a forma como as pessoas agiam sem saber que no próximo segundo, minuto, hora ou até dias, poderiam morrer com uma bala atingindo precisamente seu crânio, ou algum órgão vital. Pareciam tão frágeis, mas aquilo apenas dava um gostinho a mais ao rapaz que há muito perdera os sentimentos humanos de amor, compaixão, ou qualquer coisa do tipo.

Mais uma vez, sentira o vibrar de seu celular, logo lendo a mensagem enviada por seu superior. Continha alguns dados pessoais do suposto alvo, assim como o endereço de onde o rapaz trabalhava e onde morava, juntamente com uma foto sua. É apenas um garoto.Concluiu, ao analisar a imagem do belo jovem, com certa curiosidade. Como se isso fizesse alguma diferença, tsc. Já matara famílias, crianças, um adolescente qualquer não faria diferença nenhuma para si. Mas aquela não era a parte que mais lhe intrigava. O garoto trabalhava em um café conhecido da cidade. Parecia jovem demais para ser gerente, ou ter algum cargo elevado. Não é da sua conta, Joon. Você apenas deve matá-lo.

Mas a curiosidade era maior. A curiosidade era tão grande, que mal percebera o momento em que já abria a porta do tal estabelecimento, o sino característico ecoando pelo lugar, mas logo fora abafado pelo som de xícaras batendo contra pratos, ou conversas um tanto altas. Era inverno na capital sul-coreana e a cafeteria era famosa na cidade, era normal estar tão lotada, ainda mais aquele horário. Joon percorreu o local com os olhos, até notar uma mesa, solitária, ao fundo. Apressou-se até a mesma e lá sentou. Suspirou mais uma vez aquele dia, porém – diferente das outras vezes -, queria encher as narinas com aquele cheiro tão delicioso de café, as orbes fechadas por apenas alguns segundos, apreciando o momento único.

- Escolheu um ótimo lugar, senhor! – Uma voz divertida e educada, mas ainda assim, grossa, lhe tirou do torpor. Os orbes escuros do assassino percorreram o local; realmente havia escolhido um ótimo lugar. Tinha uma visão ampla do recinto e o som das conversas era mais abafado. Podia sentir o cheiro do café de forma mais forte que as outras pessoas e, mesmo que pudesse ver todo o lugar, nem todos poderiam lhe ver. Piscou algumas vezes, mas manteve-se calado, nem sequer atrevendo-se a olhar o rapaz que lhe dirigira a palavra. O atendente, percebendo isso, pigarreou e logo entregou o cardápio ao misterioso homem sentado. – A especialidade da casa é o Café Latte, senhor. O melhor da cidade e o motivo para nosso sucesso, é o que eu mais recomendo! – Tentou, mais uma vez, agora com um sorriso nos lábios.

Joon apenas concordou brevemente com um ruído quase inaudível produzido por sua garganta e, após dar uma breve olhada sobre o cardápio, levantou o olhar até a figura postada ao seu lado, ainda sorridente. Oh, sim. É ele. Via a figura da foto que lhe fora enviada mais cedo parada à sua frente, um sorriso largo e belo nos lábios, com um pequeno bloco de notas em uma mão e uma caneta na outra, aguardando pacientemente que o rapaz sentado, lhe fizesse o pedido. Tão indefeso, tão inocente. Os lábios de Joon curvaram-se minimamente e, quem não o conhecesse bem, poderia até dizer que estava sorrindo.

- Então está desmerecendo os outros tipos de café, CheolYong? – Riu baixo.

- C-Como...? – O assassino apenas apontou para o crachá que o garoto vestia, onde podia-se ler “B. CheolYong”, com o sorriso mais inocente que pôde fazer. – Ah... E eu não estou desmerecendo os outros tipos de café! Todos são bons, mas é que... – Tentava se explicar, mas parecia em vão. As próprias bochechas tomaram um tom rosado. Pronto, estava completamente desconcertado e não sabia como consertar o que falara. O cliente, por outro lado, fitava-o de modo divertido.

- Estava apenas brincando, CheolYong-ah. Mas aceito sua sugestão. Vou querer um Café Latte. – Falou, por fim, com um sorriso quase meigo nos lábios, o queixo apoiava-se em um dos braços e o cotovelo sobre a mesa. CheolYong, por outro lado, encontrava-se ainda mais desconcertado pela forma tão informal que o rapaz havia lhe chamado. A boca abria e fechava para reclamar da informalidade, mas sabia que levaria uma tremenda bronca se seu chefe descobrisse. Por fim, apenas reverenciou o rapaz e sumiu entre a multidão de pessoas, com os orbes gélidos grudados em si.

É apenas um garoto. Apenas um atendente. Por que queriam matá-lo? Tsc, aqueles olhos e aquele sorriso... Joon não sabia o porquê, mas estava ansioso para que o garoto voltasse com seu pedido.

Notas finais
Mereço reviews? Devo continuar? ♥