Falling apart
4 Crying in the rain
Notas iniciais
Castle passara a noite de domingo pensando no que Jacinda lhe dissera. Se queria saber como Kate estava, por que não ir até a delegacia? Ele poderia usar algum caso como desculpa. Não havia, porém, nada que envolvesse a área da 12ª por aqueles dias. Era bem verdade que tinha amigos lá, e poderia aparecer quando quisesse. Mas... como Kate o receberia? E como ele olharia nos olhos dela, depois da forma como tudo terminara?
Os momentos daquela noite repassavam em sua mente. Seus corpos se desejando, se encaixando e desencaixando numa perfeita sincronia, o prazer atingindo os dois. As respirações ofegantes tão próximas que pareciam serem uma só. Os olhares se lendo, como sempre faziam. E num minuto a briga. O divórcio assinado, a decepção. A vontade de Castle em quebrar tudo, Kate saindo, deixando a aliança. A incompreensão...
Castle nunca entenderia. Nunca “a” entenderia. Ok, ela era um mistério que ele queria passar o resto da vida decifrando. Mas mentiras ele não toleraria.
Droga, Kate, por que você é assim? – ele disse alto, com raiva – E por que EU sou assim? Por que não te esqueço? Por que não desisto de você? – olhando para a foto dos dois, Castle pensou por um minuto como seria sua vida se nunca tivesse conhecido. O buraco que sentiu em seu peito lhe respondia. Não havia vida antes dela, e não haveria depois. Ele a amava mais do que um dia pudera imaginar. E ele precisava vê-la.
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Kate: Lanie... – Kate levantou os olhos quando a amiga entrou em sua sala, nas primeiras horas da manhã.
Lanie: Kate, eu vim pedir desculpas.
Kate: Desculpas pelo que?
Lanie: Por ontem, as coisas que eu falei... eu não devia ter sugerido aquilo.
Kate: Nós duas sabemos que isso pode acontecer... – Kate tinha um falso tom de conformismo. Ela não suportava a ideia de Castle estar com outra mulher.
Lanie: Olha, eu exagerei. Era só um café!
Kate: Exatamente. Um café... a nossa bebida...
Lanie: Ai esqueci que vocês têm essa coisa com o café... – quanto mais tentava ajudar, Lanie só piorava – Você deveria falar com ele.
Kate: E dizer o que?
Lanie: Ser sincera. Que você o ama, que o viu com outra e...
Kate: Eu assinei aqueles papéis, Lanie – Kate a interrompeu – Ele nunca vai me perdoar por isso – a capitã, que remexia em sua mesa, parou e olhou para a médica legista – Divertida e descomplicada.
Lanie: Oi?
Kate: Foi como ele a descreveu quando a conheceu. Divertida e descomplicada. O oposto de mim.
Lanie: Castle nunca se apaixonaria por alguém que é oposto de você, Kate. Não é óbvio?
Kate balançou a cabeça negativamente. Não teve tempo de continuar a conversa, Espo apareceu na porta.
Espo: Capitã... Tem alguém querendo te ver.
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Kate: O que você está fazendo aqui? – Kate disse assim que entrou na sala do café.
Sorenson: Bom dia para você também – o agente tentava mexer na máquina.
Kate: Will, você não deveria estar aqui.
Sorenson: Eu descobri algo.
Kate: Sobre Vikram?
Sorenson: Sobre Locksat. Eu resolvi mexer em alguns arquivos...
Kate: O que?? – Kate fechou a porta e voltou-se a ele – Eu disse para você não se envolver!
Sorenson: E desde quando eu te obedeço?
Kate bufou, brava.
Sorenson: Você quer saber ou não?
Kate: O que você descobriu?
Sorenson: Não é muito, mas pode ajudar – Will entregou um envelope a Kate, que o guardou rapidamente por debaixo do casaco.
Kate: Não é seguro aqui.
Sorenson: Você desconfia de sua própria delegacia?
Kate: Essas pessoas são perigosas, eles podem chegar a qualquer lugar.
Sorenson: Isso é bom! – Will saboreou o café.
Kate: É sim – Kate sorriu, olhando para a máquina que Castle havia colocado ali tempos antes.
Sorenson: Toma – ele ofereceu uma xícara, e, no exato momento que a capitã a pegou, seus olhos encontraram Castle parado à porta, agora entreaberta.
Kate: Castle...
Castle: É... oi. Sorenson – ele fez um cumprimento com a cabeça.
Sorenson: Castle – o agente retribuiu.
Cautelosa, Kate deu um passo à frente, em direção ao escritor.
Kate: Você... quer falar comigo?
Castle: Na verdade, não. Eu vim conversar com os garotos.
Kate: Ah... – ela ficou sem graça.
Castle: Eu só ia pegar um café mas... deixa para depois.
O escritor saiu da sala, deixando uma Kate cabisbaixa.
Sorenson: Pelo visto as coisas ainda vão mal...
Kate: Não remexa mais nesse caso, Will.
Sorenson: Sim senhora – ele fez uma falsa reverência – Seu desejo é uma ordem.
Kate: Eu estou falando sério.
Sorenson: Eu também. Estou partindo hoje para a Inglaterra.
Kate o encarou.
Sorenson: Estou me mudando para lá, Kate, um posto novo de trabalho. Eu só queria poder te ajudar um pouco mais antes de ir.
Kate: Obrigada, Will. Boa sorte.
Sorenson: Obrigado. Se cuida – o agente beijou a capitã no rosto. Do outro lado da delegacia, pela cortina entreaberta, Castle viu.
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Ryan: Olha quem está aqui!
Castle: Eu já estava indo, vocês não apareciam nunca! – Castle se esforçou para parecer normal. Por dentro, porém, se corroía pensando que Kate talvez estivesse tendo mesmo algo com Will Sorenson.
Espo: Hey bro – Espo chegou cumprimentando o amigo – O que te traz aqui?
Castle não havia comentado com os amigos o acontecido. Nem Kate, na verdade, mas eles sabiam de algo por Lanie.
Castle: Convidar para uma cerveja. Aceitam?
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Castle: E foi assim que aconteceu – Castle depositou o copo na mesa.
Ryan: Como... como vocês chegaram a isso?
Castle: Eu não sei.
Espo: Bem que aquele ex do FBI tem rondado Kate...
Ryan: Javi!
Espo: Ele estava lá!
Ryan: Só hoje! Talvez seja outro assunto...
Castle virou outro copo quase de uma vez.
Castle: Eu peguei os dois na casa dela.
Espo: Não disse?
Ryan: Não, não, eu não acredito que Kate tenha te traído com ele. Ou com qualquer outro. Kate te ama!
Castle: É uma forma bem estranha de amor. Primeiro ela me deixa. Depois, assina o divórcio.
Ryan: Deve ter uma explicação para isso.
Espo: Pequeno Ryan sempre romântico.
Ryan: Que eu me lembre foi você quem disse que tinha perdido a fé no amor quando eles se separaram!
Espo olhou bravo para Ryan.
Castle: Você disse isso?
Espo: Vocês pareciam perfeitos um para o outro...
Os três amigos se olharam deprimidos e viraram o copo juntos.
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Kate: Como se as coisas já não estivessem ruins o suficiente! – Kate levou as mãos à cabeça.
Lanie: O que ele viu não significa nada!
Kate: Não significa para uma mente confiante. Castle tem duvidado de mim, desconfiado de minhas atitudes.
Lanie: Kate... as coisas vão melhorar. Vocês só precisam parar de se desencontrarem dessa forma.
Kate: A cada minuto que passa eu sinto que não tem mais volta, e isso me deixa... – Kate suspirou – Isso me deixa sem chão – ela constatou, deprimida.
Lanie: Sabe, nós devíamos sair para beber algo.
Kate: Lanie, eu não tenho clima...
Lanie: Vamos, só uma dose. Aqui no bar do lado.
Kate relutou mais um pouco, mas acabou cedendo. Enquanto pegava sua bolsa, Lanie respondeu com uma carinha afirmativa a uma mensagem que tinha recebido.
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O olhar de Castle foi certeiro ao avistar Kate adentrando o bar.
Espo: Hey Lanie! – Espo acenou fingindo surpresa.
Lanie: Está rolando uma noite de garotos ou podemos nos sentar?
Kate: Lanie, acho melhor pegarmos outra mesa...
Espo: Claro que podem se sentar aqui! – o detetive foi rápido, cedendo espaço, e Kate se sentou, embora contrariada.
Lanie: Há muito tempo não conversamos todos assim...
Espo: É verdade, senti falta disso.
Um silêncio se fez na mesa. Kate e Castle evitavam se olhar, e a turma não parecia nem de longe a que costumava ser.
Ryan: Então... o que vocês vão fazer no próximo feriado? – Ryan tentou quebrar o clima.
Lanie: Eu estou de plantão – Lanie fez uma careta.
Espo: Sem planos ainda.
Ryan: Eu vou levar Sarah Grace ao desfile. O primeiro desfile de 4 de julho dela!
Ownn – todos fizeram sorrindo.
Castle: Eu costumava levar Alexis quando criança. Sarah vai adorar – Castle olhou para o amigo.
Espo: Não teremos o tradicional jantar em sua casa, Castle?
Kate abaixou os olhos.
Castle: Infelizmente, não. Minha agente marcou uma tarde de autógrafos em Washington.
Lanie: Ah... você vai viajar?
Castle: Sim, dois dias no máximo.
Ryan: E você, Kate? Planos para o 4 de julho?
Kate: Talvez eu passe o dia com meu pai, não o vejo há algum tempo e...
“Rick Castle” – uma voz fez com que Kate interrompesse a frase. Uma morena alta parou ao lado da mesa, jogando um olhar incisivo ao escritor.
Castle: Chloe...
Chloe: Eu ainda estou esperando aquela sua ligação...
Castle: Eu... eu ia ligar... – a voz de Castle saiu sem graça.
Chloe: Oi – ela olhou para todos na mesa, e todos responderam. Kate praticamente sussurrando – Ia quando?
Castle: Eu tive alguns contratempos...
Chloe: É assim que chamam agora?
Castle: Com licença – Castle se levantou e puxou Chloe para um canto. Kate observou.
Castle: Gina por acaso tem te mandado me perseguir?
Chloe: Não! Mas ela está preocupada com o próximo livro, Rick! Você está com bloqueio, não está?
Castle: Escute Chloe, eu não sei o que Gina anda te ensinando, mas agora sou eu que vou te ensinar uma coisa. Se quer ser uma boa editora como sua prima, a primeira lição que tem que aprender é nunca me pressionar na frente de meus amigos. Entendeu?
Chloe: Entendi. Me... me desculpa, Rick. – a morena estremeceu. No auge de seus 20 anos, sabia que ainda tinha muito a aprender.
Castle: Ok. E pode ficar tranquila, eu vou te ligar quando terminar o enredo do próximo livro. Só que isso não vai acontecer nessa semana, nem na próxima. Certo?
Chloe: Sim, claro. A seu tempo.
Castle: Isso, a meu tempo. Agora você me dá um sorriso bem lindo, e um beijo no rosto. Demorado.
Chloe: Por que? – a moça o olhou confusa.
Castle: Você quer ou não quer ser uma boa editora?
A garota obedeceu. Castle abriu um grande sorriso também, e se despediu da morena.
Quando voltou à mesa, Kate já se levantava. De costas, ela virou-se e deu de cara com ele. O olhar, que havia tanto tentado desviar de Castle, agora estava totalmente no dele.
Kate: É... – Kate deu um passo para o lado – Eu estou indo. Aproveitem o feriado – ela olhou para os amigos novamente – Boa viagem, Castle – Kate saiu rapidamente, antes de ouvir o “obrigado” que ele respondeu.
Castle: Sabem, eu também vou – Castle deixou o dinheiro sobre a mesa – Foi muito bom ver vocês.
Os três amigos assentiram, e o escritor deixou o bar.
Ryan: Aposto que ele foi atrás dela...
Espo: De Kate ou da morena gostosa?
Lanie: Ei!
Os três se olharam com dúvida, mas independentemente de suas apostas, nenhum acertou. Castle foi para casa. Os olhos de Kate tinham acendido nele uma vontade imensa de escrever.
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Quando a capitã chegou em casa, agarrou um porta-retrato que a encarava.
Kate: Agora você sai cada dia com uma? Seu ridículo. Sem vergonha. Seu... seu... – Kate arremessou o porta-retrato, que se estraçalhou. Estava nervosa demais, e saiu para andar sem rumo. A inesperada chuva de verão a pegou no parque. Não se importou. Sentada num balanço, ficou repassando sua vida até o dia escurecer, deixando as lágrimas misturarem-se aos pingos que caíam do céu. Sozinha. Totalmente sozinha.
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