Falling Skies - Ben Mason, When Oddities Match
7 Sacrifices We Make For The Children
Notas iniciais
Novocaine (Fall Out Boy)
"Cast them out cause this is our culture
these new flocks are nothing but vultures
because they took our love
and they filled me up
filled me up with novocaine
and now I'm just stuck
now I'm just stuck
and they took my name,
I'm just a son of a gun
so don't stop, don't stop
until your heart goes numb
now I'm just stuck
I don't feel a thing for you"
Anestésico (Fall Out Boy)
"Expulse-os porque isto é a nossa cultura
esses novos rebanhos são apenas abutres
porque eles levaram nosso amor
e encheram-me
encheram-me com anestésicos
e agora eu estou preso
agora estou preso
e eles levaram meu nome,
eu sou um filho de uma arma
então não pare, não pare
até seu coração ficar entorpecido
agora estou preso
Eu não sinto nada por você"
Tom havia feito testes com as informações sobre os machs e havia funcionado. Agora só faltava a autorização da missão, Ben tinha dito que ia falar com ele após o jantar. Eu tinha ficado muito tempo com ele, Missi e uns outros amigos de Missi, o Philip e a Miranda. Eram legais mas eu não havia ido muito com a cara deles, eram muito despreparados. Miranda era muito criança, achava que o mundo era como uma tarde no quintal do Barney, já Philip ficava o tempo todo com o braço ao redor de sua cintura, e isso sem falar que era no mínimo imprudente, contava histórias sobre como não tinha medo dos aliens e saia apenas com uma faca de caça.
–Maya! — chamou Miranda como se esta fosse a décima vez que me chamasse — está me ouvindo?
–Ah, desculpe! — eu falei olhando para ela — o que disse?
–Perguntei se pretende ficar aqui conosco... — disse Miranda bebendo um gole de limonada — digo, aqui na 2nd Mass...
–Definitivamente não — sussurrei mexendo sem fome no pedaço de carne â minha frente
–O que? — ela perguntou sem entender o que eu havia dito
–Eu não vou ficar nesse lugar mais do que o necessário! Ok? — falei brava em um sussurro alto
Miranda olhou para baixo e colocou o copo em cima do prato vazio com um olhar sério, e se levantou levando-o.
–Espera, me desculpe, é que eu... — mas ela já tinha saído.
Philip me olhou com um pouco de raiva e foi atrás da namorada. Missi e Ben continuaram a comer em silêncio, tensos com a situação. Não era aquilo que eu queria, eu não queria ficar brava com Miranda e nem ser grossa com ela. Eu tinha extrapolado, tinha perdido o controle, não podia deixar que isso acontecesse de novo.
Olhei para o lado e vi Tom me observando de longe com um homem encapuzado ao lado. Eu talvez tivesse estragado tudo naquele momento, não podia ter gritado com Miranda, mas de certo modo aquilo podia ter me ajudado. Eu não estava bajulando ninguém, e isso talvez pudesse significar algo a meu favor.
Terminei de comer, pedi licença para Ben e Missi e me levantei levando o prato comigo.
...
–Rio — disse Missi sentada na cama à minha frente
Eu ri
–Bem, tinha um rio que passava no fundo do terreno da minha casa e um dia eu tinha acabado de voltar da escola com meus irmãos. Nós pegamos o cachorro e fomos para lá brincar de jogar agua e outras coisas estúpidas, levamos pão e salsicha para fazer cachorro quente. Nós acendemos uma fogueira e colocamos as salsichas lá e deixamos enquanto brincávamos, só que nós esquecemos lá e elas queimaram. Havia um casal de corredores que sempre passava por lá, e nesse dia eles sentaram na beira do riacho para descansar um pouco. Eu e meus irmãos deixamos as salsichas no chão para esfriarem na grama molhada e esperamos — fiz uma pausa sem conseguir segurar o riso que me veio repentinamente — ninguém percebeu que o nosso cachorro, Riley estava de pé ali perto, de modo que parecia que as salsichas eram cocô."Melhor do que eu pensava" disse Fred, meu irmão "Com certeza" concordou Nigel "Nós podíamos comer isso sempre! É econômico, gostoso e divertido!" Eu falei. Então olhamos para o lado e o casal nos olhava com nojo, saíram correndo e nunca mais passaram por ali. Grab saiu do rio e disse "eu não acredito que vocês estão comendo isso! Sabem por onde o Riley andou?" Nós explicamos que era salsicha e então todos rimos até percebermos o por que do olhar do casal. Grab ficou muito sem graça e voltou lá todos os dias depois da escola para tentar explicar ao casal que era salsicha, mas eles nunca mais passaram por ali...
Missi riu e eu a acompanhei. Tinhamos nos tornado amigas durante aqueles dois dias, de certo modo era frustrante, por que eu queria odiar aquele lugar, mas as pessoas nele faziam com que meus olhos brilhassem (exceto por Philip e Miranda). Missi havia me pedido para me contar algo bom de que a guerra não tinha me feito esquecer. Ela falava uma palavra aleatória e eu lhe contava o que aquilo me lembrava. Missi era, como Ben, uma pessoa de poucas palavras, mas fazia com que as ditas valessem a pena. Gostava de ouvir memórias e lembranças, quem não gostava, era uma das coisas mais preciosas que tínhamos em dias de guerra, o que nos mantêm de pé.
Ouvimos uma batida na porta
–Entre — disse Missi
Ben entrou no quarto olhando para o chão.
–Meu pai quer falar com você — ele falou apoiando-se na parede
–Comigo? — eu perguntei — por que?
–Ele precisa falar com você antes de autorizar a missão — disse Ben
–Falou com ele? — eu perguntei
–Não, mas eu falo hoje enquanto você estiver lá...
–Eu não estou muito segura quanto a isso — falei — não acho que seu pai vai gostar que eu te leve para uma missão suicida, era melhor que você explicasse que pensou nisso sozinho.
Me levantei e segui Ben por aqueles labirintos impossíveis. Ali ninguém nunca ficava com roupas casuais, e por isso eu estava com roupas de patrulha. Eu não sabia como lidar com essa situação, no the 1st hall eu era convocada para as missões, era um soldado, jamais tive que implorar por uma missão antes.
–Só peço que tenha a mente aberta — ele disse
–Por que? — perguntei
–Só mantenha a mente aberta — ele falou abrindo a porta à sua frente que dava para o escritório de Tom.
Ele estava me deixando meio assustada com aquela conversa, mas ainda assim por algum motivo desconhecido eu entrei naquela sala. Tom estava sentado escrevendo algo, em sua mesa grande, eu podia jurar que aquela mesa tinha saído direto do salão oval. Parecia algum móvel histórico. A maioria das coisas naquela sala davam um ar histórico ao lugar, parecia que tudo era história antes da guerra, qualquer livro, por mais estúpido que fosse era empoeirado, raro e valioso.
–Queria falar comigo? — perguntei
–Sim — falou Tom sem desviar os olhos do papel — decidi autorizar a sua missão
–Já não era sem tempo — falei cruzando os braços e me apoiando na perna que não tinha levado nenhum tiro — não pedi um exército inteiro para dar um passeio no parque, pedi dois soldados, suprimentos e armas para ajudar a ganhar essa guerra.
Thomas Mason me ignorou
–Só preciso de algo, precisa falar com um de meus conselheiros mais confiáveis, ele tem algumas coisas a te dizer...
–É um prazer revê-la, Maya Stark — disse uma voz robótica de modo clássico
Olhei para trás da estante de Tom de onde saía um Volm, eu não sabia muito bem a diferença entre eles, mas aquele era inconfundível. Cochise, o príncipe de sua espécie. Eu odiava ele, havia impedido nosso ataque à torre Sphenin de Phoenix.
–Pena que não posso dizer o mesmo — falei grossa olhando para o alien antes de me virar para Tom — esse é o seu conselheiro? Não é uma escolha que eu faria...
–Bem então vamos apenas agradecer que não estava no comando quando ele apareceu — disse Tom finalmente desviando os olhos do papel para olhar para mim — os Volm tem sido grandes aliados da raça humana, desde que apareceram, mas ainda assim você não os citou em seu pequeno discurso... Como pode me explicar isso?
–Não confio neles, simples assim — falei — lutam por vingança pelo que os Sphenin fizeram com seu planeta, digamos que são apenas rebeldes...
–E isso não nos coloca na mesma posição que eles? Podíamos seguir essa guerra adiante sem mais baixas, mas ainda assim não conseguimos nos segurar quando vemos um aracno indefeso à nossa frente. Não somos apenas rebeldes em busca de vingança? — perguntou Tom com a voz de um professor de filosofia
–Sim, mas... — comecei, mas não consegui terminar a frase
Tom estava certo, não importa o quanto tenta os nos convencer de que a verdade é outra, ela nunca foi... Há três coisas que não conseguem se manter escondidas por muito tempo: o sol, a lua e a verdade.
–O que quer de mim — respondi finalmente
Tom sorriu de lado e voltou sua atenção para o papel
–Os Volm vão ajuda-la em sua missão, terá um rádio para pedir-lhes informações sobre o caminho, bases e patrulhas inimigas, além disso apenas o que foi requisitado — falou o líder da 2nd Mass
Cochise tirou de seu cinto um pequeno aparelho que se parecia com uma caixa de fósforos mecânica com dois botões. Com símbolos em cada botão.
–Sei que isso pode te surpreender, Tom, mas eu não sei ler em Volm — falei irônica pegando a caixa de fósforos da "mão" do alienígena.
–Não precisará, Maya — disse Cochise — só precisará saber que o botão da direita é para comunicação de rádio com a nave-mãe que lhe concederá informações precisas sobre localização de tropas inimigas. O botão da esquerda é para contato visual com esta base.
–Para você é "senhorita" — falei olhando para ele com desprezo — apenas humanos podem me chamar de Maya.
–Para os soldados que levará com você, eu recomendo Tactor e Leslie — disse Tom me olhando — já os conhece?
–Não, mas alguém já me pediu para ir nessa missão — eu falei torcendo para que se Ben estivesse ouvindo aquela conversa, ele percebesse que aquela era sua deixa
–Quem? — ele perguntou
–Seu filho — eu falei rápido rezando para que Tom não entendesse o que eu havia dito
–Acho que nem preciso perguntar qual deles — disse o líder irritado — o que Ben te disse? Veio com a mesma conversa fiada de sempre dizendo que nada lhe restou aqui para ficar, que as razões que usava de desculpa para não ir embora agora se revelaram mentiras? — Tom bateu a mão na mesa
Ele pegou um rádio e a voz e Ben do outro lado da linha disse "Sin falando". O pai, que parecia estar transbordando raiva disse simplesmente "No meu escritório agora!" Em menos de um minuto Ben entrou pela porta com uma postura rígida de soldado que esperava uma bronca, não a de um filho.
–É a terceira vez! — disse Tom irritado — quer tanto assim cometer suicídio? Que merda é essa Ben? Tudo que eu quero é te manter seguro e você quer ir lá para fora? Só tem dezessete anos! Tem uma família aqui, o que quer lá fora — terminou ele com um grito
–Não é como se não tivesse arriscado a minha vida antes — disse Ben sem virar o rosto para o pai, apenas os olhos.
Tom pareceu ter congelado no lugar, como se não esperasse aquilo...
–Você sabia que precisava estar lá! — disse Tom — eles o conhecem, sabe que é meu filho, se não não acreditariam que tinham acabado com a 2nd Mass, sacrifícios tem que ser feitos!
–Está ouvindo as suas próprias palavras? — disse Ben com a mesma postura rígida virando o rosto para o pai — 'sacrifícios tem que ser feitos' garotos de 15 anos lutaram na guerra de independência americana, por que eu não?
Aquela conversa estava tomando rumos inesperados, eu achava que Ben fosse simplesmente pedir e a resposta, positiva ou não, seria fácil, não algo daquelas proporções, Tom estava perdendo a linha e já começava a gritar, porém Ben a mantinha um pouco. Aquela era uma discussão familiar, não seria legal se eu estivesse ali no meio.
Me virei na direção da porta na maior discrição e dei dois passos, mas fui interrompida pela voz de Tom:
–Você fica! — ele disse tentando inutilmente não soar rude
Me virei novamente na direção de Tom com os ombros tensos. No meio de um tiroteio eu ficava mais calma do que eu ficava em discussões de família. Lembrava-me claramente de um casal de professores que eu tinha (ela de Biologia e seu marido de Química). Ambos sobreviveram às primeiras onda do ataque e ficaram com meu grupo, mas ver tantos sentimentos fortes serem desperdiçados em experiências ruins me dava uma sensação ruim na boca do estômago.
Todas as noites dava para ouvi-los discutindo e gritando, às vezes eles nem iam para a tenda para discutir, discutiam durante o jantar mesmo.
–Você usou a mesma desculpa depois que o Jimmy morreu para seguir os aracnos rebeldes — gritou Tom — se eu tivesse te deixado ir estaria morto! Viu o que aconteceu com eles, aniquilação total! Nem os humanos que estavam com eles sobreviveram. É isso que quer? Morrer de modo doloroso longe daqueles que te amam?
–É melhor uma morte dolorosa depois de uma vida que valha a pena do que uma morte rápida após uma vida de apatia inútil — falou Ben fazendo Tom se calar.
O líder parecia ter sido silenciado pelas palavras do filho. Um olhar incrédulo tomou conta de sua face.
–É isso que sente? — perguntou Tom — acha que está vivendo uma vida apática e inútil?
–Sim, é isso! — afirmou Ben com os olhos tomados por raiva
Tom passou a mão no rosto como se precisasse de ar puro, escorregou os dedos para os cabelos como se desesperado, com os olhos vermelhos como se tivesse acabado de passar três noites acordado. Eu não o culpava, só o stress daquele momento devia ter matado ambos um pouco. Se eles tivessem perdido ainda mais, não estariam tão divididos agora, ou talvez o motivo daquela separação fossem as perdas. Honestamente eu não queria pensar naquilo.
–Vá! — disse Tom sussurrando — simplesmente vá...
–Senhor... — disse Ben como se estivesse saindo da presença de um general e não da de seu pai
–Vocês tem permissão para partir amanhã cedo — disse Tom depois que Ben saiu — nada mais tarde que oito da manhã.
–E o outro soldado? — perguntei — dois não é um bom número, senhor
–Leve qualquer um, só fique longe dos meus outros filhos — ele disse com a cabeça fixa em algum lugar na mesa à sua frente
–Sim senhor — falei calma tentando lhe transmitir a mesma — obrigada.
–Anthony lhe entregará um Jeep carregado amanhã cedo — ele falou
–Obrigada — falei me virando para a porta, depois daquilo tudo eu só queria um bom descanso
Abri a porta para sair com Cochise me acompanhando
–Maya! — me chamou Tom antes que eu pudesse sair — cuide dele por favor!
Ele não confiava em mim, mas estava tão desesperado pela segurança do filho que faria qualquer coisa. Ele tinha me passado a impressão errada, era um pai que amava os filhos, mas para fazê-los sobreviver tinha que ser um líder, um general, e tratá-los como soldados ao invés de filhos, mas Ben que havia perdido tudo quando fôra pego pelos Aliens, tinha sentido que Tom também tinha o abandonado.
–Sim, senhor — falei — eu prometo
Fale com o autor