Notas iniciais
Hey hey Eu demorei um pouco para postar. O capítulo já está pronto há mais de uma semana, mas não tive tempo para postar, me desculpem... Espero que gostem desse capítulo! Bjkas Marcela

Wake Me Up When September Ends (Green Day)
"Here comes the rain again
falling from the stars
Drenched in my pain again
Becoming who we are
As my memory rests
But never forgets what I lost
Wake me up when September ends
Summer has come and pass
The inocent can never last
Wake me up when september ends
Like my father's come to pass
Twenty years has gone so fast
Wake me up when September ends"
Me Acorde Quando Setembro Acabar (Green Day)
"Lá vem a chuva das estrelas
Caindo das estrelas
Encharcando na minha dor novamente
Nos tornando quem nós somos
Enquanto a minha memória descansa
Mas nunca esquece o que eu perdi
Me acorde quando setembro acabar
O verão chegou e passou
O inocente nunca pode durar
Me acorde quando setembro acabar
Como o meu pai que veio a falecer
Vinte anos se passaram tão rápido
Me acorde quando setembro acabar"

Eu estava preso ali já tinham 2 semanas e 3 dias. 17 dias sem procurar Heather. 17 dias mais longe da minha promessa. Meio mês e 3 dias que poderiam fazer diferença para ela, para elas, para toda a minha família, para ambas as minhas famílias.

Ainda conseguia ouvir sua voz, conseguia sentir seu cheiro, e se fechasse os olhos conseguia ver ela chegando com os cabelos loiros balançando ao vento para me dar um beijo. Heather, a garota mais bela que eu já tinha conhecido, a mais doce, a mais gentil, divertida e também a mais vaidosa. Não em um sentido ruim, na verdade era até fofo o modo como ela gostava de colocar roupas coloridas e o modo como usava suas orelhas de gatinho correndo pela fazenda mesmo com 16 anos.

Heather, Heather, Heather... Onde ela estava? Eu só queria tê-la em meus braços mais uma vez, queria não ter deixado a irmã mais nova dela para ir procurá-la. A pequena Hannah era apenas uma criança. Tinha perdido a mãe, a irmã e a habilidade de mexer as pernas em uma noite, e isso sem contar que algumas semanas depois perdeu o pai. Era triste o fato de a única família que restara para ela fosse o namorado de sua irmã.
Tudo que eu queria era que elas estivesse ali comigo...

Flashback on

"-Deus cuida de nós, Gabe — sussurrou Heather com uma flor na mão

Seus longos cachos loiros refletiam o brilho da lua de um modo indiscritível, era algo que só podia ser admirado de perto, não havia como descrever a suavidade de sua voz, a beleza que ela emanava, a pureza que girava ao seu redor como uma aura.

–Eu sei que sim, mas eu não acredito em Deus — retruquei rindo

Ela riu mostrando seus dentes incrivelmente brancos

–Percebe a contradição no que acabou de dizer? — Heather falou quase gargalhando — abre aspas: "Eu sei que Deus cuida de nós, mas eu não acredito nele"

Ela tentou imitar minha voz usando um tom grave.

–Não foi isso que eu quiz dizer! — reclamei sem evitar um sorriso

–Então o que você quiz dizer? — ela perguntou colocando as mãos quentes em meus pés gelados e descalços

Seu toque me fez estremecer um pouco. Não apenas pelo choque térmico, mas também pela pequena corrente elétrica que percorreu minha pele naquele momento. Heather era assim, amava contato físico, seja com a vaca leiteira da família, uma árvore ou uma pessoa.

–É só que... Bem — comecei sem graça.

Ela não ia gostar do que eu diria, aquilo talvez a deixasse na defensiva por de certo modo agredir sua fé. Seu tio era padre e sua tia freira! O pai era o único dos três filhos que não optou pelo celibato e sim pela agricultura e pecuária.

–Diga! — ela sussurrou rindo

–Eu acho que vocês põem muita fé em alguém que não está lá quando precisamos! — eu falei desistindo — quero dizer, onde ele estava quando meus irmãos foram assassinados? Onde Deus estava quando meu pai morreu e minha irmã e madrasta ficaram presas nos escombros? Onde ele estava quando os aliens invadiram? Onde Deus estava quando 90% da população morreu?

Por um lado me senti aliviado por colocar aquilo para fora, por me livrar daquele antigo sentimento que me me perseguia. Porém, por outro lado, fiquei apavorado que Heather não quisesse mais falar comigo, que dissesse que eu tinha abalado sua fé ou a desrespeitado. Eu aprendi desde cedo que há coisas que você não pode nem se quer abrir a boca para debater, por que as pessoas levam a mal. Para minha surpresa, ela gargalhou

–Você está entendendo tudo errado! — ela acusou sorrindo — Deus não é alguém palpável, não é alguém! deus é uma presença, é como nós chamamos a força que faz com que tudo volte ao equilíbrio! É a terra, a natureza, é a própria vida o que alguns chamam de Deus. Sou eu, é você, somos nós! É tudo que está ao nosso redor!

Eu fiquei na verdade muito surpreso com a calma, facilidade e sorriso com os quais ela falava aquilo. Heather acreditava no que dizia, tinha certeza de que aquilo era verdade. Por um lado fazia sentido a ideia de uma força onipresente que regia a vida. Porém, por outro lado, aquilo era demais para absorver. Eu poderia ter dito milhares de coisas naquele momento, poderia ter feito milhões de perguntas, poderia tê-la desafiado a responder alguma questão impossível, mas tudo o que eu fiz foi puxá-la para um beijo.

Aquele foi o nosso primeiro beijo, quando nossos lábios se tocaram, foi como se uma chama se acendesse em mim. Heather ficou surpresa com o encostar de nossos lábios, mas se entregou ao momento, assim como eu depois da sensação nervosa passar. Coloquei a mão direita em sua nuca puxando-a mais para perto. Ela passou seus braços sobre os meus, seu braço esquerdo parou em minha mão carinhosamente enquanto a outra foi parar em meu bíceps esquerdo.

Aquele foi provavelmente o momento mais feliz da minha vida, a única cena em que eu fui personagem principal em algo, eu estava estreando, estrelando, e eu não consigo imaginar um modo melhor do que esse.

Depois daquela noite nós não desgrudamos mais. Depois que terminávamos a "escola" e as tarefas diárias íamos juntos ao rio para pescar e ficar conversando sentados nas árvore. Às vezes Hannah ía conosco e nós brincávamos com ela para ver quem atravessava até a outra margem primeiro. Hannah quase sempre ganhava, ela era realmente muito boa naquilo. Poderia nadar o dia inteiro que não se cansava. Era linda como sua irmã. A única diferença entre elas era o comprimento dos longos cabelos loiros. Ambos eram enormes, mas o de Hannah era maior, chegava à base da coluna.também a idade e altura, é claro

Isaac, o pai delas havia criado uma pequena comunidade de agricultores cujas fazendas foram tomadas pelo exercito bem no começo da invasão. Haviam 34 pessoas morando ali. Eu havia os achado logo depois de... Bem... Perder a outra metade da minha família. Meu arreio tinha sido recentemente retirado e ainda assim, Isaac e sua família me acolheram como um filho.

O tio de Heather, Jordan, dava aulas junto com algumas outras pessoas cujos nomes eu jamais conseguira decorar. Admito que nunca prestei muita atenção às aulas, eu ficava desenhando embaixo da enorme mesa de carvalho e quando os 'professores' perguntavam, eu dizia que estava fazendo anotações importantes, mas todos sabiam que aquilo era um mentira, inclusive os professores.

Lembro-me bem daquela tarde. Estávamos juntos, Heather, eu e Hannah andando a cavalo pelos pastos do Norte. A mais velha queria ir até as cercas da fazenda do velho Randall para ver um ninho de esquilos que estava na enorme macieira que jazia ali há anos, mas a pequena queria ir pescar.

–Por favor, Heather! — insistiu Hannah montada em sua égua negra — você sabe que eu tenho medo de esquilos! Eles não gostam de crianças!

–Hannah, por favor! — insistiu a outra montada no cavalo branco enquanto prendia os longos cabelos em um coque — quando tiver 16 vai ficar agradecida por ter tido a oportunidade de ver um esquilo bebê!

–Enquanto eu tenho 10 o que eu quero é ir pescar! — a menor insistiu — Gabe concorda comigo, não é?

Fiquei sem graça de dizer, mas era verdade, eu preferia pescar do que ver esquilos com Heather.

–Me desculpe, doce — falei alisando a crina da égua na qual eu estava montado, seu nome era Avelã — pescar é mais divertido

Os cavalos estavam ficando agitados por que estava escurecendo

–Tudo bem — ela desistiu relutante — vão na frente e eu encontro vocês lá, vou dar uma olhadinha rápida nos esquilos e encontro vocês na margem do rio.

–Ótimo! — comemorou Hannah — Vamos Gabe!

A menor deu meia volta com o cavalo e cavalgou pelo pasto na direção da floresta cujo rio passava no meio.

–Vai ficar bem? — perguntei a Heather com Avelã querendo seguir a égua de Hannah

–Sim! É claro! — ela respondeu sorrindo — posso lidar com uma frustração...

Encostei meu cavalo no seu e lhe dei um beijo rápido antes de sair cavalgando atrás de Hannah, não queria que a menor desaparecesse no meio da floresta sozinha. Eu não gostava de admitir, mas ainda me perdia nas trilhas da floresta. Por sorte, Avelã era muito mais rápido que Jenkins, a égua de Hannah. Alcancei-a antes da orla da floresta.

–Mais devagar! — gritei para minha voz se sobressair ao vento que parecia querer romper meus tímpanos — os cavalos podem tropeçar!

–Esse pasto é liso! — ela gritou de volta com os olhos ligeiramente fechados por causa do vento.

A pequena conhecia aquela floresta como ninguém, cavalgava de um modo que eu jamais tinha visto ninguém cavalgar, mas às vezes era meio inconsequente. Todos sabiam que altas velocidades não eram uma boa, principalmente em pasto alto. Me inclinei para o lado e segurei a rédea de Jenkins para pará-lo junto com Avelã. Ambos os animais diminuíram a velocidade rapidamente.

–Não, não, não, não, Gabe! — reclamou Hannah — temos que chegar ao rio antes de ficar escuro se não não poderemos pescar!

–Se acalme! — eu falei sorrindo — vamos chegar a tempo

Nós, então fomos cavalgando mais lentamente até o rio. Ao chegar lá caía um leve sereno, mas isso não impediu a loirinha de pegar sua vara na carroça que ficava encostada em uma árvore e pegar a linhada que ela mesma tinha feito para jogar no imenso fluxo de água que passava ali com uma minhoca recém tirada do chão dali.

Ela adorava ficar pescando, principalmente em dias de primavera como aquele quando haviam muito peixes que puxavam de tempos em tempos. Eu, que não tinha habilidade em colocar e tirar a linha da agua, ficava com a parte de procurar minhocas para Hannah. O sorriso dela era algo insubstituível. Desejava ter tido uma infância feliz como a dela.O que minha irmã não daria para estar ali. Ela adorava aprender coisas novas, adoraria aprender a pescar e a cavalgar sem sela.

Ficamos lá por duas horas esperando Heather. O céu já estava escuro e nós sabíamos que não era uma boa ideia ficar lá à noite. O mais irônico era que não eram os aliens que nos preocupava, e sim os lobos. Não queríamos ir embora até Heather chegar, então nos abrigamos debaixo de uma carroça abandonada (que devia estar ali desde a guerra civil) quando a chuva chegou. Os cavalos ficaram bem molhados e eu agradeci por não estarem com as selas que iriam com certeza estragar naquele temporal.

–Hannah, é melhor voltarmos. Heather já deve estar lá — falei torcendo para estar certo

–Mas nós não... — ela começou e eu tapei sua boca

Na hora não soube o que me fez fazer isso, mas no segundo seguinte eu pude ver na outra margem do rio dois aracnos andando ao lado das árvores. O coração da loirinha disparou e ela se segurou firme em mim apertando meu braço com muita força. Quando eles terminaram de passar eu soube que aquela era a hora de ir. Os cavalos estavam agitados.

–Levante-se, Hannah! — sussurrei

Ela estava tremendo. Ficou parada atrás do cavalo em choque. Soltei Jenkins e depois fui soltar avelã da árvore ainda segurando a égua negra, porém antes que eu pudesse alcança-la, um galho caiu da árvore fazendo-a se assustar e empinar. O ato fez com que Hannah, que estava atrás da égua, se desequilibrasse e caísse.

Teria sido tão bom se tudo isso tivesse parado por ali.

Hannah caiu de barriga no chão e quando tentou levantar, a égua assustada deu um passo para frente esmagando a base de sua coluna. A menina soltou um grito de dor que se intensificou ainda mais quando a égua empinou novamente, só que dessa vez sobre suas costas.

Larguei a corda de Jenkins e dei um empurrão na égua castanha que, por causa da força que os espinhos em minhas costas me davam, fez com que ela caísse a um metro de distância. Aquilo me deu tempo para pegar Hannah.

A garota estava pálida e chorando muito

–Se acalme — eu falei tremendo — eu sei que dói, anjo!

Eu a coloquei em meus braços com o maior cuidado possível. Hannah se agarrou em mim com uma força tremenda que eu não sabia de onde ela estava tirando. A menor pressionou seu rosto contra o meu peito e o apertou ali com as lágrimas quentes contrastando com a água fria da chuva da qual eu estava encharcado.

–Não — ela sussurrou chorando em tom de resposta — Não dói, Gabe. Esse é o problema... "

Flashback off

Notas finais
Meu Nyah não está funcionando muito bem, portanto não consigo ver como o texto ficou formatado, mas de qualquer modo eu espero que tenham gostado... Quero saber o que vcs acharam do Gabe, da Heather e da Hannah e se tem alguma teoria... Bjkas Marcela