Falling From The Stars
4 Recall
Notas iniciais
Eu estava completamente paralisada. Aquela figura na minha frente não podia ser real.
– Sentiu minha falta? – Perguntou. Joguei-me em seus braços, temendo que a figura desaparecesse, mas em troca recebi um abraço apertado. Ele me envolvia em seus braços como se não quisesse me soltar nunca mais – Eu nunca mais vou te deixar ir embora, Scarlett.
Sua voz estava roca, e um tanto desesperada.
– Chad – Sussurrei. Ele me carregou até o banco, sem se desvencilhar do abraço.
– Lett – Disse – Você me desculpa?
Encarei seus olhos cinza, sem reação.
– Me perdoa por ter ido embora?
– É claro – sorri -, mas porque você parou de entrar em contato?
Chad suspirou.
– Eu tive... Problemas com a família.
– Disso eu entendo.
– Gostou da surpresa?
Sorri.
– É Lett, você vai ter que me aturar por muito tempo agora.
– Como assim?
– Eu vou morar aqui.
– Jura?
– Ahn... Sim.
Voltei a abraça-lo, sorrindo. Eu estava realmente feliz. Chad era uma pessoa muito especial pra mim.
– Acho que temos que por a conversa em dia – Falei.
– Já cuidei disso – Chad respondeu. Franzi o cenho. Ele pegou minha mão e se levantou. – Vamos?
Assenti.
Como eu esperava, ele nos levou ao Big Wanda’s.
Sentamos em uma mesa de dois, de modo que Chad se sentou na minha frente.
– Esse lugar me traz muitas lembranças – Falou, com certo brilho nos olhos. – Lembra que o nosso primeiro encontro foi aqui?
– Tem como esquecer?
– Ou do dia da guacamole? Que eu venci a guerra mexicana de comida?
– Lembro, mas é claro que você não venceu! – Disse, me recordando daquele dia.
– Eu queria que as coisas voltassem a serem como eram, Lett.
Eu enrijeci. Chad me olhava sério, seus olhos acinzentados pareciam suplicar por atenção. O moreno segurou minha mão entre as suas.
– Eu nunca deixei de te amar.
Puxei minha mão de volta, as memórias do dia em que Chad foi embora voltaram como um soco em minha mente. Nós discutimos feio naquele dia. E ele foi embora, me deixou sozinha como todas as outras pessoas que eu cheguei a amar.
– Scarlett... – Implorou.
– Você sabe – Falei – que não é do dia pra noite que as coisas acontecem. Você partiu meu coração, Chad.
– E você deve me odiar, não?
– Você sabe que não. Eu nunca conseguirei te odiar, por que eu um dia já te amei. Eu sinto falta dos nossos momentos, das nossas bagunças. – Desabafei — Mas eu achei que você nunca mais voltaria, então tentei superar. As coisas mudaram. Por favor, só tente entender. Tente não ir tão rápido.
– Tudo bem – a atendente trouxe o x-bacon dele e meu x-egg. – É... Como vai o Dylan?
– Bem. E sua irmã?
– Ela vai se casar daqui a oito meses.
– Isso é bem legal – respondi.
– Mais ou menos...
– Por quê?
– O cara é um velho retardado. Tem tipo, o dobro da idade dela. E dois filhos. Que são muito chatos. O filho mais velho dele é o segundo cara que eu mais odeio no mundo.
Se eu não conhecesse o Chad, perguntaria quem é o primeiro, mas eu sei muito bem.
– Que chato.
– Muito.
Encaramo-nos e rimos. Apesar de ele ser meu ex-namorado, ainda era meu amigo.
– E o nosso querido diretor Rubens?
– Nem fale nele. Emburrado como sempre.
– Chad Doggett! – Kika veio andando apressada até nossa mesa, sorrindo como sempre.
– Kika! – Chad se levantou e a abraçou.
Kika trabalha no Big Wanda’s desde que a lanchonete inaugurou. Ela tem vinte e seis anos, e, como Chad e eu vínhamos quase todo dia aqui, viramos bons amigos.
– Voltou pra ficar, querido?
– Tomara que sim – ele respondeu.
– Olha Chad – o sorriso de Kika se desfez-, eu estou com vontade de te bater, mas como eu estou no trabalho, você terá que esperar.
Eu fiquei assustada, não menos que Chad.
Kika era simpática e falante, mas ameaçadora quando queria. E bipolar.
– Quando você foi embora, essa ali – apontou pra mim – chorou muito. Muito! Ela veio aqui mais uma vez, no dia em que vocês fariam aniversário de namoro. Ela estava horrível. Parecia desesperada, solitária e de ressaca. – Obrigada pela delicadeza, amiga!–Depois disso ela nunca mais apareceu. Eu a convidava pra várias festas. Ela sempre recusava.
– Wow. Obrigada por expor todos os meus momentos depressivos e exagerados – Falei, ironicamente.
– De nada, amore – Respondeu.
– Kimberly! – A gerente da Kika repreendeu. – Volte ao trabalho!
– Tchau garotos!
Voltei a sentar. Chad me encarava, novamente. Quando ele está feliz, seus olhos ficam quase violetas. Quando estão ao sol, permanecem azulados. Quando ele fica pervertido, ou arrependido, sua íris se torna completamente cinza. Eu nunca entendi essa mudança de cores, mas é algo muito incrível. Eu suponho que ele não esteja pervertido agora, então, por seus olhos estarem tão acinzentados, ele está arrependido.
– Isso é verdade? – Perguntou, notando que eu o fitava esperando alguma palavra.
– Eu fui idiota naquela época – Falei -, eu tinha me apegado muito a você. Meu mundo girava em torno do nosso namoro. Eu me apeguei ao primeiro resquício de felicidade que encontrei. E deixei que isso estragasse minha vida. Fui tola.– Fiz uma pausa, respirando fundo – Mas, isso já passou. E esse assunto já está ficando entediante.
Chad engoliu em seco, logo depois sorrindo maliciosamente.
– E como vão meus amiguinhos? – Ele brincou, se referindo a Carter, Aaron e Mike. Os quatro nunca se deram muito bem.
– Muito bem, acho – Respondi.
– E o meu querido reino?
– A escola? – Ri. Chad era o rei do colégio, todos os meninos o invejavam, e todas as garotas o queriam. Éramos o casal mais querido de todos. Éramos. – Você perdeu playboy. Entrou um novo garoto, dois anos atrás. Ele se chama Brian.
Chad contorceu o rosto em uma careta.
– Você disse Brian? Que tipo de rei tem o nome de Brian? É ridículo! – Ri – Eu vou retomar meu reino, sem nem fazer esforços.
– Espere. O seu nome é facilmente confundido com um queijo! Tipo, “Oi Cheddar!”! – Gargalhei – Do que você está reclamando?
– É assim é? Fiquei magoado agora! Espera só eu achar um defeito em Scarlett! Vai ser difícil, mas eu vou achar. Também não ligo muito para o reino, isso é fácil de pegar de novo. Mas, ele tentou pegar a rainha do reino também? Tipo, a minha rainha.
– Ah, e quem é a Rainha? Patrícia?
Chad teve um ataque cardíaco. Não, ele só riu mesmo.
– Você AINDA tem ciúmes dela? – Sorriu – Não, Rainha Lett, agora responda minha pergunta.
– Sim, ele tentou. Várias e várias vezes. – Falei, pra provocar ciúmes nele. Funcionou, Chad ficou vermelho de raiva. – E quase conseguiu. – Ele quase cuspiu o x-bacon inteiro. Gargalhei.
– Que filho da mãe! – Exclamou.
Atendi uma ligação ao meu celular.
– Alô?
– Scarlett? Aqui é o Corey.
– Ah, olá! No que posso ajudar?
– O encarregado pelo relatório de quantidade de maio adoeceu, infelizmente, e não vejo alguém mais possibilitado de substitui-lo do que você. Se, é claro, você aceitar.
– Com todo o prazer, senhor. Eu adoraria.
– Ótimo! Então amanhã chegue mais cedo a filial, ok? Obrigado, Scarlett.
Desliguei.
– Quem era? – Chad perguntou.
– Meu chefe...
– E? – Franziu o cenho – O que ele queria?
– Ele queria que eu fizesse um trabalho a mais.
– Ah, no que você esta trabalhando?
– Eu faço estágio em uma livraria.
– Legal!
Olhei novamente o celular, já imaginando a bronca da minha vó que eu iria levar se não voltasse pra casa.
– Chad... Eu preciso ir embora – Falei. Chad contorceu o rosto em uma careta decepcionada. – Fiquei muito feliz de te encontrar, mesmo.
– Eu também – suspirou – Então... Amigos?
– Sim. Até amanhã Chad.
O abracei fortemente. Se eu estou sonhando me digam, mas foi o sonho mais confuso que já tive.
. . . No Outro Dia . . .
Tranquei a porta de casa e andei até a escola, onde o tumulto era imenso.
– Scarlett! – Gritou uma garota morena, correndo até mim. – Eu não acredito! Eu shippo tanto vocês! Mas, você vai se preocupar se eu tentar ficar com seu namorado?
– Namorado? – Perguntei. Ah sim, entendi, pensei, ao ver ele no centro do tumulto. – Chad e eu não estamos namorando, Paula.
– COMO ASSIM? – Gritou – Vocês são o casal mais fofo da face da terra! Mas, então eu posso ficar com ele? Você esta perdendo muita coisa! Ele é tão lindo!
– Sim. Com licença.
Sai andando até meu armário.
– Lett! – Chad disse, vindo até mim e me levantando do chão – É bom ter meu reino de volta. Sorri.
. . .
Luke Alexander Dallas
Dei “tchau” a minha mãe e sai correndo, eu tinha dormindo demais e me atrasado pra escola. Chegando lá percebi as que as meninas estavam mais agitadas do que o normal. Deve ser um episodio novo de uma serie sobre vampiros, elas não param de falar nisso. “Ai, ele é tão lindo!” pra cá, pra lá... Não pude segurar um sorriso.
Andei em direção ao armário da Scarlett. Ontem minha irmã disse que ela a ajudou a se enturmar e Skyller adorou-a. E eu queria agradecer. Ok, talvez não só por isso. Scarlett é linda, e isso pode influenciar um pouco.
Meu corpo congelou. Cerrei meu punho e franzi o cenho. Meu rosto ardeu de raiva e nojo.
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