Falling For You - CIP

5 Capítulo 5 - Fazer o Que Se Eu To Caidão Por Você?


Sexta-Feira, 16 de Fevereiro de 1979

Vance Hopper estava muito puto de raiva. Havia passado duas semanas lavando carros, distribuindo panfletos e ajudando senhorinhas com suas compras, isso depois de ir para a aula todo os dias, o que fazia-o voltar para casa exausto. E tudo isso que estava fazendo era por um asiático idiota com sorriso irritante que invadiu sua vida e seu coração com a força da porra de uma tempestade.

E o pior era que Vance não se importaria de passar por essa merda por meses se fosse para ter uma chance de ter aquele moleque de volta em sua vida. Por mais ridículo que estivesse se sentindo andando por aí com um buquê idiota de camélias, que havia pesquisado para saber que eram flores populares no Japão, e um embrulho de presente. Infelizmente havia se tornado o que jamais pensou se tornar: mais um bobão apaixonado.

Entrar na escola de Bruce foi extremamente fácil, não havia sequer um porteiro para lhe perguntar se Vance estudava ali, então tudo o que ele precisou fazer foi procurar o refeitório. O que não foi difícil de encontrar, um bando de adolescentes almoçando faz bastante barulho.

— Ô moleque! — gritou ainda de longe assim que viu o asiático em uma das mesas.

Bruce se levantou em um sobressalto, não por medo, é claro, mas pela total e completa surpresa ao vê-lo se aproximar. — Vance? O que tá fazendo aqui?

— O que mais? Eu vim pra enfiar nessa sua cabeça dura que eu não tenho medo de porra nenhuma, muito menos de gritar pra todo mundo ouvir que eu gosto de você. Porque eu gosto de você pra caralho e eu não vou ser idiota de te perder por causa de um bando de imbecis que nem tem nada que se meter na minha vida. — o loiro se declarava da maneira menos romântica possível, o que chegava a ser engraçado com ele segurando o buquê de camélias e um embrulho de presente fofo.

Toda aquela intensidade era tão própria de Vance que Bruce não conseguiu conter um sorriso enquanto tentava falar. — Vance...

— Cala a boca, moleque! Na sua vez falou, num falou? Agora fica quieto que eu vou falar. — interrompeu-o como o asiático fez em frente à lanchonete. — Se eu te disse que eu não sou gay é porque eu num sou, caralho. Gay não gosta de mulher e eu já gostei de garotas, já até me humilhei por menina, mas agora eu gosto de você. E eu não sei o que caralhos eu sou, mas o que importa é o que eu quero ser. Seu namorado. Isso se você deixar de ser marrento.

E conforme Vance soava cada vez menos puto e mais apaixonado, o sorriso de Bruce ia aumentando até acabar se tornando uma risadinha ao fim do discurso.

— Você chamou a mim de marrento? — enfatizou a ironia, assim como no dia em que se tornaram amigos.

O loiro revirou os olhos, mas acabou rindo e disse. — Cala a boca, idiota. Só fala logo se quer namorar comigo ou não.

— É claro que eu quero, né? Bobão. — Bruce respondeu com seu sorriso mais sincero e se jogou nos braços de Vance, beijando-o e quase fazendo-o derrubar os presentes.

Quem ficou feliz pelos dois teve que se contentar em sorrir disfarçadamente e ficar em silêncio enquanto um bando de babacas se sentiu muito à vontade para vaiar e gritar para eles pararem com a viadagem. Bruce ignorou, Vance largou o embrulho de presente e ergueu o dedo do meio em direção as vaias.

— Pode parando aí. — a voz de um garoto soou de algum lugar e os dois se separaram, vendo um garoto de cabelos pretos usando jeans e regata se aproximando junto com mais dois garotos tão mal encarados quanto ele. — Quer dizer que além de xing-ling ainda é outro tipo de aberração? Eu sabia que não deviam nos misturar com esse tipinho de gente. Mas a gente já vai resolver isso, mostrar o que bichinhas merecem.

Os três garotos estralaram os dedos e pescoços e cercaram os dois. Vance jogou o buquê de camélias e cima de uma mesa e ergueu os punhos.

— Fica atrás de mim, gatinho. — ordenou para Bruce.

— Aaah, mas nem fodendo. — o asiático respondeu, surpreendendo-o porque até então Vance não se lembrava de tê-lo ouvido falando palavrão. — Agora você vai ver porque eu nunca tive medo de você.

O escroto de regata tentou acertar um soco em Bruce que não apenas desviou com uma facilidade evidente como também colocou a mão na nuca dele e puxou eu direção ao seu joelho em um movimento tão rápido que o garoto mal conseguiu processar o que acontecera, quando viu já estava se contorcendo de dor e com o nariz sangrando.

Enquanto isso outro babaca, um loirinho com uma camisa do Led Zeppelin, avançou para cima de Vance e acabou levando uma cotovelada no queixo, um chute na parte de trás do joelho e um soco no olho.

O terceiro merdinha, com um boné vermelho virado para trás e uma camisa de caveira, arregalou os olhos ao perceber que bater em duas bichas não seria tão fácil como ele esperava, mas agora já estava ali na frente de todos, não poderia simplesmente recuar ou seria visto como covarde, então olhou de Bruce para Vance por alguns segundos tentando decidir qual enfrentar e acabou decidindo ir para cima do asiático, que era menor e menos musculoso.

Grande erro.

Bruce girou o corpo e acertou um chute com tanta força na cabeça daquele imbecil que ele voou por cima de uma das mesas do refeitório, sujando toda a roupa com comida da bandeja de um garoto aleatório, a quem acabou atropelando e derrubando da cadeira.

Só nesse momento o primeiro escroto se recuperou e tentou ir para cima de Bruce de novo aproveitando a distração que o merdinha de boné causou, porém Vance foi mais rápido e o agarrou pela camisa, erguendo-o do chão com um olhar psicopata.

— Não encosta no meu namorado! — esbravejou e em seguida cuspiu na cara daquele escroto e o jogou em cima do babaca com a camisa do Led Zeppelin, que já não tinha levantado e agora que não ia mesmo.

Depois disso o refeitório ficou quieto por quase um minuto, tudo que se ouvia eram os gemidos de dor dos três imbecis e o garoto aleatório que foi derrubado da cadeira por puro azar e a respiração ofegante do casal enquanto recuperavam o fôlego, até que Bruce se recuperou o bastante para processar um detalhe.

— Vance... Você me chamou de “gatinho”? — perguntou com um sorriso enorme já se espalhando por seu rosto.

Vance riu, ficando vermelho e dizendo. — Chamei, idiota. Você é meu namorado, né?

— Você é muito fofo. — Bruce respondeu se jogando nos braços dele e o beijando outra vez antes de dizer. — Ah! E me desculpa por ter surtado daquele jeito na frente da lanchonete. É que eu já fui segredo de um cara antes. Não quero passar o que eu passei com ele nunca mais.

— Quer que eu quebre a cara dele? — Vance perguntou com uma voz romântica e um sorrisinho adorável.

— Não se preocupa com isso, gatinho. Eu já quebrei. — Bruce retribuiu o sorriso e fez carinho no rosto do loiro. — Além disso, agora eu tenho um namorado que grita pra quem quiser ouvir que gosta de mim e ainda me traz camélias. Eu entendi o que você fez.

— Ah! E também te trouxe isso. — ele vasculhou o chão com o olhar até ver o presente que tinha largado antes da briga e o juntou.

Bruce pegou o embrulho, mas antes que tivesse tempo de abrir alguém gritou “o diretor tá vindo, o diretor tá vindo” e ele trocou um breve olhar com o namorado que dizia “corre” e os dois correram, mas não sem que Vance pegasse o buquê de camélias de cima da mesa.

Eles só pararam de correr duas esquinas depois da escola, ofegando e se apoiando com as mãos nos joelhos.

— Putz. Depois vou ter que voltar lá pra pegar a minha bicicleta. — disse Bruce com uma careta assim que recuperou o ar.

— E o seu material escolar. — Vance comentou o óbvio.

— É, é. Isso também. — respondeu balançando a mão no ar em descaso.

— Tá, mas foda-se isso. Abre logo seu presente. — o loiro disse com um sorriso animado tão gracioso que contrastava com o palavrão.

— Caramba, até sendo fofo você é marrentinho, né? — Bruce resmungou revirando os olhos e rindo, então finalmente rasgou o embrulho e viu o que tinha dentro. — Uma camisa de beisebol. Você é tão clichê.

— Mas você gostou, eu to vendo na sua cara. — Vance sorriu convencido.

— Não gostei não. — Bruce respondeu ficando sério.

— Ah, não? — o loiro ergueu uma sobrancelha, como se o desafiasse a mentir de novo.

— Não gostei. — Bruce repetiu, mas agora abrindo um sorriso. — Eu amei. É o presente perfeito, amor.

— Idiota. — Vance revirou os olhos e o empurrou de leve.

— Não, é sério. Eu amei de verdade. Amei tudo. — murmurou com um sorriso doce. — Comprar uma camisa do meu time sendo um torcedor roxo de outro time, escolher um buquê de flores populares no Japão, fazer isso num lugar super público. Foi perfeito. Nunca nem passou pela minha cabeça que você era do tipo romântico, Vance Hopper.

— E eu não sou mesmo. Mas fazer o que se eu to caidão por você?

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