Falling

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Olá, gente! Essa é uma one simples, que estava na minha mente desde a season finale da sexta temporada de WCTH. Aqui, narro a minha versão do POV do Nathan após ele ter visto Elizabeth e Lucas juntos - meu coração se partiu junto com o dele. Não é uma songfic, mas enquanto escrevia, não parei de ouvir Falling - Oh Gravity #ficadica.

Estou me sentindo um idiota. Um completo idiota.

É claro que Elizabeth Thorthon o escolheria.

Gentil, jovial e atencioso, Lucas Bouchard é um verdaeiro mestre na arte da sedução. Eu, por outro lado, sou apenas uma sombra do finado marido que ela ainda não esqueceu.

Chego à delegacia e o silêncio é a minha companhia. Hoje nem o sorriso de Ally poderá me confortar, já que ela se divertindo na casa de Opal. Sorrio ao pensar que a minha menina finalmente está fazendo amigos. Assim, ela não terá o mesmo destino que o meu: a solidão de uma cela fria.

Abro a última gaveta da minha escrivaninha e encontro uma garrafa de uísque. Não costumo beber, mas considerando que estou sozinho e Hope Valley estará em paz pelas próximas horas, resolvo abri-la.

A bebida queima minha garganta e amortece minha dor por alguns segundos. Para minha desgraça, as feições de Elizabeth sorrindo para Bouchard não saem da minha mente. Maldita hora que decidi vir para este lugar, digo a mim mesmo num sussurro, sentando em minha velha cadeira.

Quando tive ciência de que seria transferido para Hope Valley, trouxe comigo a promessa de que não seria removido pelos próximos cinco anos. Ou seja, minhas preocupações com Ally e sua dificuldade em criar raízes por conta de nossas inúmeras mudanças cessariam por um longo tempo. Finalmente, minha filha teria um lugar para chamar de lar.

No entanto, eu igualmente sabia das dificuldades que me aguardavam naquela cidade apenas pelo fato de ser o sucessor de um dos melhores mounties que o país já conhecera. Ainda assim, eu estava confiante de que, ao longo do tempo, também deixaria meu legado na comunidade.

A única coisa para qual eu não estava preparado para enfrentar na fronteira era lidar com o amor. E ele pregou uma de suas peças no momento em que pus os olhos em Elizabeth Thorthon.

Lembro com nitidez de quando ela chegou à delegacia para se apresentar, num misto de ansiedade e receio. Momentos depois, fui surpreendido por sua extrema gentileza ao me confidenciar a respeito de suas dificuldades ao chegar em Hope Valley e de como aprendera a amar a cidade em pouco tempo.

Além de bonita, Elizabeth irradiava luz e bondade. Era praticamente o coração daquele vilarejo da fronteira. Dali em diante, me dei conta de que não seria imune àquela mulher e duvido que algum homem na face da Terra consiga tal proeza.

E justamente por tais razões que eu deveria ter arrancado esses devaneios da minha mente. Eu sabia que as chances de ter algo concreto com a bela professora eram escassas, para não dizer inexistentes. Era nítido que suas afeições estavam unicamente voltadas para seus alunos e seu amado filho. No entanto, Bouchard não é homem que desiste de seus objetivos. E não demorou muito para que eu percebesse que ele também a queria.

Mesmo com os sentidos um pouco alterados pela bebida, ouço passos em direção à delegacia.

— Por que foi embora tão cedo? — Bill questionou sem rodeios, como de costume.

— Alguém tem que estar alerta. Mounties não podem se dar ao luxo de ficar longe de seu posto por muito tempo. — respondi, numa tentativa de desconversar.

Percebo que falhei miseravelmente. Droga, nunca fui bom com mentiras. Ele puxa uma cadeira e me analisa.

— Desde quando?

Engulo em seco, porque sei onde ele quer chegar.

— O quê? — me faço de desentendido, encarando a garrafa.

Avery dá uma risada seca.

— Entendi. Mas mesmo assim você poderia ter ficado. Ela perguntou por você.

Sinto meu coração saltar. Deus, sou um idiota.

— O que ela disse? — exclamo, esperançoso.

— Que te procurou pelo salão e achou que você tinha ido embora — ele continuou, me pedindo um copo — Só para constar, estou falando da Fiona.

Não consigo disfarçar a decepção. Talvez por isso Bill soltou uma gargalhada.

— Estou brincando, Nate. É óbvio que estou falando da Elizabeth.

Me sinto mais uma vez vencido naquela noite.

— É tão visível assim? — me rendo, amuado.

— É claro que não. Sei disso desde sempre e porque sou um investigador, meu caro. E você sabe, homens se conhecem. Dizem que as mulheres tem a mesma intuição entre elas, mas tenho as minhas dúvidas — ele completa, virando um drinque rapidamente sem exprimir qualquer reação. A explosão vem em seguida.

— E então, o que você vai fazer?

Dou um murro na mesa, inconformado e ao mesmo tempo, liberto pelo poder do álcool.

— Inferno, Bill! O que você quer que eu faça? — Digo inconformado e começo a andar pela delegacia.

Ele apertou os olhos e franziu a testa.

— O que um homem faz quando ama verdadeiramente uma mulher: lutar por ela.

É a minha vez de soltar uma gargalhada.

— Não conhecia esse seu dom para piadas, Avery. É óbvio que ela não quer nada comigo — digo, fazendo menção para alcançar o uísque, mas em vão. Em seguida, ouço o estilhaçar da garrafa sobre a parede.

Subitamente, Bill agarra minha farda e me lança um olhar fulminante.

— Vou falar uma única vez, Grant. Jack Thorthon era muito mais que um amigo para mim. A partir de hoje, minha maior missão é ajudar a criar o filho dele. Elizabeth é uma mulher forte e sabe muito bem se cuidar, mas ainda é jovem e um dia, cedo ou tarde, voltará a amar — Ele me solta, mas continua falando — Sei que você é um homem digno dela, portanto, não desista. Eu não estaria te dizendo isso se não percebesse que você tem chances. E quando conseguir conquista-la — ele volta a me encarar, com os olhos brilhando de raiva e emoção — a ame mais do que a própria vida. Para o seu próprio bem, não queira me ter como inimigo. Fui claro?

Apenas assinto com a cabeça, ainda atordoado com as duras palavras que acabo de ouvir, e também por culpa do álcool.

— Agora, suma da minha frente e cure essa maldita ressaca. Seja um bom exemplo para o meu afilhado. — finaliza ele, batendo a porta da Delegacia.

Vou para a minha cela e ao deitar na cama, sequer consigo fechar os olhos. Será que Bill estava certo? Seria possível que Elizabeth também sentisse algo por mim, mesmo sendo um mountie? Para descobrir, me restava apenas uma única opção: tentar. E a partir de amanhã, era exatamente o que eu iria fazer.

Notas finais
Era isso, gente. Espero que tenham gostado. Tem mais algum #TeamNathan por aí? Quero as opiniões de vocês!! Um grande beijo e até a próxima! Tris.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!