Fallin For You
10 I'll pick up these broken pieces 'til I'm bleeding
Notas iniciais
Gente vocês acham que os capítulos estão muito grandes ou está bom assim? Porque eu ando me empolgando muito... xD
LEIAM AQUI EM CAMBADA.
Coloquem a música do Bruno Mars, It Will Rain pra carregar e coloquem ela quando ela for mencionada.
Boa leitura e espero que gostem.
Pra quem ainda não viu minha nova fic passa lá depois.
https://www.fanfiction.com.br/historia/200978/Se_Beber...procurem_O_Brian
Boa Leitura, amo vcs. OBG PELOS REVIEWS, AMEI TODOS.
Pov’s Brian
Acho que Arin ainda nem faz ideia de que eu estou aqui, eu preciso ir em casa buscar umas roupas. Sinceramente eu estou completamente fodido. Meu celular tocou, e eu ainda estava deitado no quarto escuro, já era quase de manhã. Olhei no indicador de chamadas e era Michelle.
Deixei o celular de lado e afundei o travesseiro no rosto, respirando fundo.
–Merda! –Exclamei.
Me levantei e fui até a cozinha achar alguma coisa pra comer, tentei fazer o mínimo de barulho possível para não acordar Arin, não queria que ele me visse ali, tudo bem que mais cedo ou mais tarde ele veria, mas não por enquanto.
Só que foi só eu levantar que ouvi um chorinho e dei de cara com o chão, seguido de uma mordida no pé que doeu muito.
–Tequila desculpa. –Exclamei e ele veio lambendo meu rosto.
Levantei com dificuldade e meu estomago embrulhou, foi a conta de chegar no banheiro e botar tudo pra fora. Acho que eu devo ter bebido umas três garrafas de Daniel’s. E agora a mulher que fez meu coração bater de novo me acha um completo canalha e está viajando.
Será que Natalie ainda vai querer alguma coisa comigo? Espero que sim, porque eu estou correndo um serio risco de morte e tudo por causa dela.
Respirei fundo e limpei a boca, passando uma agua no rosto. Fiquei de cueca mesmo e desci as escadas lentamente. Agora toda a minha vontade de comer tinha passado, mais eu nem me lembro quando foi a ultima vez que fiz uma refeição decente, pelo menos uma bolachinha tinha que colocar na boca. Desci calmamente sendo seguido por Tequila, que parou perto do pote de comida e começou a choramingar me fitando e fitando o pote.
–Eu não sei aonde sua mãe guarda sua ração. –Falei com ela e enchi o seu potinho de agua.
Procurei a ração pelos armários, até que Tequila começou a arranhar uma portinha na parte de baixo do armário, fui até lá abrindo ela e ela latiu feliz enquanto balançava o rabinho, comecei a rir.
–Você é tão inteligente, estou com medo de você agora. –Comentei enquanto colocava comida pra ela.
Mexi nos armários e achei uns pacotes de bolachas, as luzes ainda estavam apagadas, peguei um pacote colocando encima da mesa e me sentando, comecei a comer.
A luz da cozinha se acendeu, e eu como não sou nem um pouco medroso me encolhi na cadeira, eu juro que quando vi Arin achei que era um fantasma, o cara é mais branco do que a bunda do Eminem, não que eu tenha visto a bunda do cara, só ouvi comentarem, e o Arin ele estava com uma, o quê? Arin com uma cueca de coração? Isso é a visão do inferno meu Deus só pode.
Quando avistei ele e ele me viu ambos gritamos, Arin indo para trás e mexendo os braços e eu caindo pra trás com a cadeira,e me espatifando no chão.
–Caraaaalho Brian quer me matar? –Arin gritou assustado e se aproximando.
–Não, acho que é você quem quer me matar. –Falei em meio aos gemidos de dor.
–Tá fazendo o que aqui afinal de contas? –Arin perguntou me fitando.
–Longa estória, será que dá pra me ajudar? –Perguntei sentindo uma enorme dor nas costas.
Arin até tentou me ajudar a levantar, mais acho que ele tá precisando de mais vitaminas e mais feijão, não sei como esse moleque consegue e tem fôlego para tocar bateria.
–Pode deixar que eu me viro. –Falei levantando com dificuldade.
Ele foi até a geladeira e pegou o leite enquanto eu me levantava, respirei fundo e me estiquei me sentando novamente. Arin parece ter achado o bilhete de Natalie.
–Pra onde será que essa doida foi? –Arin falou colocando o bilhete encima da mesa.
–Ela não disse nem pra mim. –Falei pegando um pouco de leite, apesar de saber que ela estava no Caribe.
–Pode começar a contar porque você está aqui. –Arin comentou enquanto tomava o pacote de bolachas de mim.
–Hey eu estou comendo. –Reclamei tomando o pacote de volta.
–Deixa de ser criança Brian. –Arin retrucou pegando de novo. Bufei.
–Eu fugi do meu casamento e estou correndo um sério risco de vida, aliás de morte, a sei lá. Natalie deixou que eu ficasse aqui até a poeira abaixar, se é que vai abaixar. –Falei coçando a cabeça, me lembrando da burrada que fiz. Não foi uma completa burrada, mas ainda foi uma burrada, eu estava jurado de morte.
–Cara você é louco. –Arin comentou enquanto tomava o leite.
–É o que dizem por aí. –Me gabei sorrindo, ele revirou os olhos.
Meu telefone começou a tocar de novo, era Matt agora, atendi rapidamente.
–Fala seu boiola. –Atendi rindo, mas meu riso se desfez quando ouvi aquela voz irritante.
–SEU CORNO, FILHO DA PUTA, VOCÊ ME PAGA, EU TE ACHO NEM QUE FOR NO INFERNO BRIAN. –Michelle gritava, desliguei o celular rapidamente, estava com os olhos arregalados, acabei deixando o celular cair no chão.
–Santa mãe de Deus eu sou um cara morto. –Exclamei enquanto ia abaixar pra pegar o celular e Tequila o pegou e saiu correndo.
–É melhor você correr antes que ela esconda ele. –Arin disse se referindo a Tequila.
–Merda, merda! Volta aqui Tequilinha, vem com o titio Brian vem. –Falei enquanto corria atrás dela.
Arin gargalhava de mim na cozinha, ouvi o telefone da casa tocando e Arin pronto pra atender.
–Cara não diga que eu estou aqui se for Michelle ou algum dos meninos. –Exclamei e ele atendeu o telefone.
–Oi, sim eu já estava acordado, como você está? Que bom também estou bem, queria pedir desculpa por ontem. Tá bom, pode deixar. Está sim Matt vou passar pra ele. –Arin falou e eu gelei.
–Merda! –Falei dando um tapa na testa.
–Brian telefone. –Arin gritou.
Atendi até com dor no coração de imaginar cinco viaturas na porta de casa tentando salvar um pobre coitado que ia se casar com uma maníaca.
–Pronto. –Atendi até tenso, a voz falhando.
–Arin está pegando muito no seu pé? –A voz dela me acalmou na mesma hora.
–Meu Deus é você Natalie. Nunca fiquei tão feliz em ouvir sua voz em toda minha vida. –Falei até sorrindo e ela riu.
–O negócio então está mais feio do que eu pensava em. –Ela disse gargalhando.
–Você nem imagina como. E a proposito eu e Arin estamos nos dando bem, nenhum tentou matar o outro ainda. –Falei dando ênfase ao ainda, Arin me mostrou o dedo e eu retribui.
–Espero que nem tentem, só liguei mesmo pra saber se estava tudo bem aí. Pode ficar o tempo que quiser, eu tenho que desligar agora. –Ela se despediu, pude ouvir uma voz feminina a gritando.
–Até mais. –Falei enquanto desligava.
Respirei fundo e me lembrei de que tinha umas roupas pra buscar.
–Arin, sabe dirigir? –Perguntei o fitando.
–Não muito porque? –Ele perguntou.
–Porque vou precisar de um favor. –Falei coçando a cabeça.
Bolei um plano e liguei para Matt, isso porque eram oito horas da manhã agora, e ele iria me matar, ou não, talvez Val não o tivesse deixado dormir de tanto falar e reclamar como a irmã.
–Alou. –Matt falou com a voz rouca.
–Val está com você? –Perguntei.
–Não. –Ele demorou um pouco para responder.
–Cara eu preciso ir lá em casa buscar umas roupas, será que você consegue descobrir se a barra está limpa? –Perguntei tenso.
–Me liga daqui cinco minutos. –Matt falou com voz de sono.
–Valeu. –Respondi enquanto desligava o celular.
Fiquei esperando e olhando fixamente o ponteiro do relógio dando suas voltas, me lembrei de que achei que a chave era um isqueiro e comecei a rir sozinho. Arin me fitou assustado.
–O que foi? –Perguntei ainda em meio aos risos.
–Cara, você é doido. –Arin falou fazendo uma careta engraçada.
–Vai se ferrar. –Exclamei ainda rindo.
Olhei no relógio e liguei para Matt, que dessa vez demorou um pouco mais para atender.
–Cara, elas estarão em casa daqui uns quinze minutos segundo Val, parece que foram devolver o vestido e se desculpar com os convidados. –Matt falou com a voz monótona.
–Tá bom valeu. -Respondi já me levantando.
Subi as escadas até tropeçando, tinha que ser rápido, vesti o terno de ontem, só a camisa e a calça e peguei o carro de Natalie emprestado. Arin foi comigo.
–Arin presta atenção, se a doida da Michelle com a Val aparecerem você começa a buzinar e já fica pronto para sair dirigindo quando eu entrar no carro, caso contrario é só ficar de boa aí que eu vou ser rápido. –Falei ofegante enquanto estacionava um pouco a frente da casa.
–Tá bom. –Arin respondeu nervoso.
–Você se lembra de como te ensinei a dirigir né? Vai conseguir né? –Perguntei também nervoso.
–Não sei cara, anda logo que já estamos perdendo muito tempo. –Arin falou tenso.
–Okay. –Respirei fundo e desci do carro.
Deixei a chave cair umas três vezes no chão antes de abrir a porta, entrei dentro de casa e corri até o quarto, pegando uma mochila e enchendo com minhas roupas, o que eu não esperava é que Michelle estivesse ali, só senti o peso de alguma coisa pulando em minhas costas e tentando me enforcar.
–EU TE MATO SEU DESGRAÇADO. –Michelle gritava enquanto eu tentava me soltar dela.
Deixei ela cair no chão e a fitei, nunca vi aquela mulher com uma expressão tão raivosa em toda minha vida. Confesso que estava quase me mijando, ela parecia uma daquelas psicopatas de filme de terror.
–Calma Michelle, eu estava bêbado e. –Eu tentava acalma-la, mas não adiantaria.
Michelle tirou os saltos dos pés e começou a tacar em mim, eu só caminhava para trás me defendendo.
–Seu desgraçado, filho de uma puta, eu te odeio Brian, te odeio. –Ela gritava enquanto jogava coisas encima de mim, inclusive um vaso que por sorte eu desviei porque ele espatifoi e se quebrou em mil pedaços quando acertou a parede. É claro que sempre tem aquela lasca filha da mãe, e essa acertou meu surpercílio o cortando. Só vi o sangue escorrer.
Peguei minha mochila e saí correndo, quando parei do lado do carro olhei pra trás e ela ainda me praguejava, mostrei o dedo e ela jogou o outro sapato, acertando bem no meu ponto mais fraco. Urrei de dor, entrei no banco de trás já caindo deitado enquanto sentia aquela maldita e infernal dor.
–Anda Arin corre que o demônio tá a solta. –Falei enquanto ele ia desesperado pro banco do motorista.
Demorou um pouco para que ele conseguisse ligar o carro, ainda mais pelo fato de Michelle estar batendo no vidro e tentando abrir a porta. Respirei fundo e me sentei com um pouco de dificuldade, Arin dirigia todo desajeitado.
–Preciso de um saco de gelo. –Falei ofegante e tacando a cabeça pra trás, fazendo careta de dor e apertando o local pra ver se a dor passava pelo menos um pouco.
–Mano se a Natalie sonhar que eu peguei o carro dela ela vai me matar. –Arin falou com uma voz engraçada.
–Relaxa, ela vai perdoar agente. –Pelo menos eu achei que ia.
*** *** *** *** *** *** *** *** *** *** *** *** *** *** ***
Levei quatro malditos pontos, quatro. Eu ainda mato a vaca da Michelle.
Pov’s Natalie
–Tia espera. –Eu gritava enquanto tentava caminhar até a agua cristalina.
A areia doía meu pé, mas eu não me importava, impossível se importar quando se está num lugar maravilhoso como esse. Caribe é Caribe, fazer o que.
Minha tia havia sumido na agua que nem uma doida, parecia uma criança quando conhecia o mar pela primeira vez. E eu confesso que também me sentia assim. Aquela paisagem, aquele clima, tudo ali era favorável pra gente se sentir bem.
Mais algo ainda martelava em minha cabeça. Arin e Brian. Eu sinceramente não sei mais o que sinto por cada um deles. Eu nunca achei que iria me prender em duas pessoas assim, algumas de minhas amigas ou conhecidas diziam que passavam por coisas assim e eu achava isso o cumulo do absurdo, ainda zoava, como pode-se gostar de duas pessoas ao mesmo tempo? Pra mim isso não existia.
Mas com Arin e Brian isso era completamente diferente. Arin tem toda aquela sua carinha de bebe, de fofo e tudo mais, e um beijo um tanto quanto envolvente. Já Brian, tem toda aquela pose de machão, aqueles olhos penetrantes e aquele jeito carinhoso, um beijo doce. É difícil pra mim. Na mesma hora que acho que gosto de um, acho que gosto mais do outro.
Respirei fundo e me sentei em uma pedra, molhando apenas os pés e observando a doida da minha tia que ria que nem uma hiena.
De uma coisa eu tenho certeza, ou eu volto dessa viagem e não fico com nenhum. Ou eu volto e me arrisco a ficar com um deles, sabendo perfeitamente que vou magoar o outro. Ou talvez não.
Pov’s Arin
Mano na boa, na boa mesmo, a Naná vai me matar crucificado se souber que eu estou dirigindo o carro dela. E eu sinceramente acho que vou fugir pra não correr o risco.
Mas nesse momento não pude evitar gargalhar de Brian que se contorcia de dor por conta da louca da Michelle, esse cara fugia dela como o diabo foge da cruz. Aquilo era perfeitamente cômico.
–Você ri porque não é com você. –Brian falou com a expressão de dor.
–É que isso é engraçado. –Falei ainda rindo.
–Engraçado? Cara eu podia ficar estéril. –Brian falou com os olhos arregalados, gargalhei.
Estacionei o carro e ajudei ele que foi direto pro quarto todo emburrado. A cara ás vezes esse cara me estressa.
Subi todo relaxado pro meu quarto quando fui interrompido por Brian de novo.
–Cara vai no supermercado comprar um desodorante pra mim vai. –Ele pediu que nem uma criança.
–Tá de sacanagem né? –Perguntei o fitando.
–Não velho é sério. –Ele continuou.
–Velho você nem vai sair de casa, se vira sem desodorante.
–Não Arin, eu não consigo. –Ele insistiu.
–Brian. –Fiz careta e bati o pé infantilmente.
–Eu te apresento uma gata. –Brian falou abrindo um sorriso e mexendo as sobrancelhas de forma engraçada.
–Como posso confiar em você? –Retruquei.
–Hoje a noite eu te apresento ela, lá no Scream’s. –Ele falou piscando.
–Duvido, não confio em você. –Falei dando meia volta e abrindo a porta do meu quarto.
–Então espera aí. –Ele falou e me virei o fitando.
Ele estava com o celular na mão, colocou no viva voz e pude ouvir o barulho que quando está chamando, e em seguida uma voz feminina.
–Pronto. –A voz feminina falou.
–Olá Priscilla, é o Brian. –Ele falou.
–Brian? Brian Haner? –Ela perguntou surpresa.
–Isso mesmo docinho, como vai? –Ele perguntou.
–Melhor agora e você? –Revirei os olhos.
–Bom, estou muito bem, bom um amigo estava afim de te conhecer e, bom queria saber se você vai fazer alguma coisa hoje. –Ele perguntou.
–Seria uma ótima ideia, onde nos encontramos? –Ela perguntou animada.
–Scream’s? –Brian falou.
–Perfeito, te encontro as onze na porta. Tenho que desligar agora. –Ela se despediu.
–Tudo bem, até mais tarde. –Ele desligou o telefone e sorriu mexendo o aparelho do lado da testa.
–Qual é, no mínimo é só mais uma vadia feia. –Falei e ele arregalou os olhos.
–Cara, tá brincando? Ela é um doce. Menina de família. Pode até parecer que ela é vadia pelo jeito dela de conversar, porque ela é toda alegrinha e empolgada. Mais ela é mulher de família. Tu tem que ter muita responsa e juízo com ela em. –Brian falou fazendo voz de mano.
–Brooklyn 1986, é eu era um cara descolado mas... –Fiz a voz igual a do começo do seriado “todo mundo odeia o Chris”, por causa da voz de mano que ele fez e ele revirou os olhos.
–Vai no supermercado pra mim ou não?
–Me da o dinheiro cara, ou você acha que vou dar a bunda pra eles. –Falei e ele revirou os olhos tirando o dinheiro da carteira.
–Não demora.
–Ainda quer exigir? –Falei arqueando a sobrancelha.
–Vai logo porra. –Brian retrucou enquanto entrava no quarto.
É claro que fui todo mal humorado para o supermercado, afinal de contas sair pra comprar desodorante pra marmanjo é completamente tenso. E pra variar quando eu estava pra passar no caixa, vi um velhinho com um refrigerante na mão, e decidi fazer uma boa ação e deixa-lo passar na minha frente. Foi aí que apareceram mais três carrinhos cheios que estavam junto com o velho. Eu pirei quando vi aquilo. E o supermercado estava lotado, eu podia ir de uma fila pra outra que demoraria do mesmo jeito. Depois de esperar enésimos minutos, e eu consegui chegar até a mulher do caixa, o computador dela pifa, sem mais nem menos, eu tive que enfrentar outra maldita fila. E tudo isso é culpa de quem? Do Brian, tinha que ser o Brian.
E quando cheguei em casa o filha da mãe nem um obrigado falou.
–Demorou em seu anêmico. –Brian reclamou.
–Cara, quer saber, vai se ferrar. –Falei e entrei no meu quarto.
Pov’s Natalie
Eu estava sentada e toda distraída, olhando alguns peixinhos que nadavam ali perto dos meus pés, quando ouvi uma voz mais do que conhecida se aproximando de mim.
–Natalie? –A voz feminina chamou, girei o pescoço vendo aquela figura que a muito tempo não via, me assustei e a fitei boquiaberta. Afinal de contas o que diabos essa mulher está fazendo aqui?
–Mamãe? –Perguntei e balancei a cabeça, piscando algumas vezes para fita-la.
Ela se sentou ao meu lado e passou a mão em meu rosto, tirando uma mecha que estava grudada em minha testa e a colocando atrás de minha orelha.
–Você cresceu tanto. –Ela disse enquanto eu me esquivava de sua mão.
–Olha eu, eu sinceramente não estou afim de conversar. –Respondi seca voltando a fitar o horizonte.
–Natalie me dê uma chance, uma chance de me explicar, então aí você decide se me perdoa ou não. –A mulher falou.
–Mãe você já está perdoada a muito tempo, só de não ter me procurado e me deixado viver a minha vida já foi o suficiente. Então satisfeita? –Perguntei irônica.
–Natalie é sério, eu te amo e tudo que disse aquela noite não foi... –A interrompi.
–Mãe, o que você falou aquela noite jamais será esquecido por mim, você pode falar o que quiser que não vai mudar. –Falei tentando me levantar mas ela me segurou.
–Natalie me escuta. –Ela insistiu.
–Eu não quero falar com você, será que é tão difícil entender? Mãe só de olhar pra você me dói aqui. –Falei em meio ao choro e apontando pro meu coração.
Caminhei calmamente até a casa onde estávamos, eu e minha tia e vi as malas de minha mãe na sala. Pronto, minhas férias acabaram. Como se não bastasse fugir de um problema eu encontro outro. Respirei fundo e me tranquei no quarto, me deitando e abraçando o travesseiro.
–Porque meu Deus, porque eu não posso ficar em paz só um pouquinho? Sempre tem que ter um pra me atormentar. –Falei comigo mesma, apertando os olhos.
Peguei um diário, onde anotava cada sentimento meu, cada coisa que me magoava ou me deixava feliz. Sim eu era tão infantil a ponto de ter um diário. Peguei a caneta e comecei a escrever.
“Bom, é meio complexo para que eu assimile, um lado meu queria muito conversar com Ashley, um lado meu a aceitava como mãe de novo. Mas o outro lado a despreza tanto, guarda tanto rancor, que não sei o que fazer. Quando eu coloco tudo na balança o lado negro pesa mais. E esse lado negro me machuca, me faz remoer os sentimentos mais antigos, aqueles de quando eu era apenas uma criança e tinha que escutar que era um erro, que não fui nem um pouco planejada. Wayne sempre dizia que mamãe era depressiva e não aceitava o abandono de papai, ele dizia para eu não me importar que ela me amava. Mas como não se importar quando se é desprezada pela própria mãe? Ela nunca teve outro filho, pelo menos não que eu saiba, e eu nunca conheci meu pai verdadeiro, e não tenho nem noção de como ele seja. Seria bom descobrir se tenho irmãos, e seria melhor ainda descobrir quem é meu pai. Eu acho que minhas férias acabarão aqui, estou pensando seriamente em pegar um voo de volta pra casa, porque não vou aguentar dividir a mesma casa que essa mulher, não vou suportar olhar para ela, se pelo menos Wayne estivesse aqui.”
Respirei fundo e fechei a agenda, peguei o telefone e disquei o numero de casa.
–Alou? –Brian atendeu com a voz doce, senti meu coração se acelerar.
–Como andam as coisas por aí? –Perguntei com tédio na voz.
– Tirando Arin que ainda não chegou com meu desodorante, aqui está tudo bem. Agora vejo que aí nada está bem, o que aconteceu? –Brian perguntou me surpreendendo.
Fiquei em silêncio por uns segundos, pensando em como Brian conseguia tal proeza de adivinhar perfeitamente quando eu estava bem ou não. Isso é perfeitamente encantador.
–Alguns problemas, acho que vou voltar pra casa. –Falei respirando fundo.
–Não quer falar sobre isso? Sei lá desabafar? –Ele perguntou fazendo uma voz engraçada no final, não pude evitar o riso.
–É uma longa estória. –Falei respirando fundo de novo.
–Bom, eu tenho bastante tempo, acho que Arin vai demorar ainda com meu desodorante.
–É minha mãe. Ela me aborrece muito. –Soltei e já senti um pouco do alivio.
–Entendo. Ela apareceu por aí ou te ligou? –Ele perguntou.
–Ela apareceu aqui. E ainda quer conversar, depois de tantos anos jogando na minha cara que eu sou um erro na vida dela. –Respirei fundo e aliviada por estar desabafando.
–Entendo. Cat eu acho que você devia dar uma chance pra ela se explicar. Sacomé, ela deve ter tido seus motivos. Um dia todos se arrependem de algo que fizeram. Como eu. –Ele falou com a voz um pouco insegura.
–Eu não sei se consigo conversar com ela Brian. Mas acho que vou tentar. Afinal todos merecemos segundas chances, não acha? –Perguntei sorrindo.
–Hum, acho que tem alguém que provavelmente acabou de dar um daqueles sorrisos perfeitos, que faz com que eu me perca em pensamentos perversos. –Ele falou e gargalhou gostosamente em seguida.
–Seu idiota, não perde tempo para fazer uma piadinha em? –Falei rindo.
–Nunca, acho que o Arin chegou. –Ele falou com a voz ansiosa.
–Depois eu ligo, até mais. –Falei.
–Até, se cuida. –Ele disse atencioso.
–Você também. –Falei e ainda pude ouvir ele gritando “beijo na boca sua linda.”
Gargalhei gostosamente e peguei minha agenda e caneta de novo.
“Brian, Brian, Brian. Ele consegue me tirar de um momento de tristeza com uma única palavra. Acho que ele me conquistou mais do que devia. E se ele não estiver mais afim de mim quando eu voltar? E se isso estiver se transformando em uma mera amizade? O que fazer com esse coração que aguenta tantas emoções, mas que acho não ser capaz de aguentar essa? Só sei de uma coisa, quando eu escuto a voz dela, uma paz me invade, no bom sentido em Brian? Porque se um dia ele ler isso vai pensar bobagem com certeza. Um beijo na boca seu lindo.”
Gargalhei caindo pra trás, peguei o controle do som e o liguei, deixando em uma rádio qualquer.
A música que tocava não podia ser outra pra esse momento. Ás vezes até parece que o rádio entende agente, fitei a linda paisagem que podia ser vista da janela do meu quarto enquanto escutava It Will Rain do Bruno Mars.
If you ever leave me, baby
(Se você for me deixar, querida)
Leave some morphine at my door
(Deixe alguma morfina na minha porta)
'Cause it would take a whole lot of medication
(Porque vai ser preciso muita medicação)
To realize what we used to have
(Pra perceber que o que nós tínhamos)
We don't have it anymore
(Nós não temos mais)
Don't you say (don't you say)
(Apenas não diga (apenas não diga))
Goodbye (goodbye)
(Adeus (adeus))
Don't you say (don't you say)
(Apenas não diga (apenas não diga))
Goodbye (goodbye)
(Adeus (adeus))
I'll pick up these broken pieces 'til I'm bleeding
(Eu vou recolher esses pedaços quebrados até sangrar)
If that'll make it right
(Se isso deixar as coisas bem)
Cause there'll be no sunlight
(Porque não haverá luz do sol)
If I lose you, baby
(Se eu te perder, querida)
And there'll be no clear skies
(Não haverá céu claro)
If I lose you, baby
(Se eu te perder, querida)
Just like the clouds
(Assim como as nuvens)
My eyes will do the same
(Meus olhos farão o mesmo)
If you walk away, everyday it will rain
(Se você se afastar, todos os dias irá chover)
Rain, rain-a-a-ain
(Chover, chover...)
Me levantei e saí na sacada, tendo a visão mais relaxante do mundo, uma imensidão azul.
Apenas Brian vinha em minha cabeça, e a música ajudava mais ainda a ele permanecer.
Respirei fundo, tragando daquele ar puro e me vi mentalmente tocando os lábios dele com os meus.
–Eu vou recolher esses pedaços quebrados até sangrar, se isso deixar as coisas bem. –Cantei com a música e abri os olhos lentamente.
Pov’s Brian
Agora que estava feliz com meu desodorante, e ainda mais feliz por ter escutado a voz de Natalie. Eu sei que isso parece gay, mais não é, sou só um cara idiota apaixonado. Resolvi ligar o som e tocava uma música romântica, parecia Bruno Mars sei lá. Só sei que senti a música se encaixando perfeitamente comigo e Natalie. Porque por mais que agente estivesse conversando, talvez ela só queira minha amizade, eu não sei o que ela vai querer comigo daqui pra frente. E se ela for embora, vai ser duro e difícil. E eu a magoei muito. Tenho medo, não posso pensar em perdê-la, não vejo a hora de ela chegar dessa viagem. Preciso expor o que eu sinto, preciso que ela saiba. Senti um arrepio na espinha, o mesmo que ela me causava quando me beijava e sorri instintivamente.
–Eu vou recolher esses pedaços quebrados até sangrar, se isso deixar as coisas bem. –Cantei o trecho com a música e fechei os olhos, me jogando na cama.
Preciso de Natalie comigo, acho que vou pro caribe. –Pensei.
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