Notas iniciais
Obs¹: Primeira da trilogia! Obs²: Repetição de "Jack" foi proposital! Obs³: Muitos me perguntam se acabou por aqui. Na verdade há uma continuações: "Goodbye My Friend"

A vida humana é realmente insignificante para os imortais.

Jack Frost apenas notou isso depois de 20 invernos após sua nomeação como Guardião. Seu velho amigo, Jamie, já não era mais uma criança. Agora era um adulto respeitado, mais velho, casado e com uma linda filha. Como esperado, ele já havia perdido a crença das crianças, assim, não podia mais vê-lo. Mesmo assim, brincava com a filha do antigo companheiro em sinal de aceitação da realidade. Afinal, que humano mais velho acreditaria em contos?

A infância era algo de tão grande importância para aquelas criaturas, algo sagrado para Jack, contudo era, ao mesmo tempo, frágil e temporário. Uma criança que surge, logo centenas amadurecem e perdem a melhor coisa que há: a fé. As crenças infantis não eram tão duradouros como pensava, e Jack aprendeu da pior maneira possível.

Sem rumo certo a seguir, Jack caminhava pelas ruas congeladas a altas horas da noite. Deserta por sinal. Não era sua culpa se onde passava, a "nevasca" o acompanhava. Era seu trabalho e não podia se queixar. A neve caía de forma sutil ao seu silencioso redor, um espetáculo admirável, porém não visto pelas pessoas que encontravam conforto em suas residências. Fazia-se alguns anos desde que se sentira daquela forma tão melancólica. Sozinho, triste e sem uma verdadeira motivação. Era como se volta-se ao passado, quando não era reconhecido pelas tão preciosas crianças. Seria um fato muito improvável daqueles tempos voltarem.

Sempre na presenças dos pequeninos, Jack nunca se limitou em esconder-se para brincar junto deles. Era o espírito bom da neve afinal. Sentia-se feliz ao ter seu nome ser pronunciado tantas vezes e proclamados de criança a criança mundo a fora. O mais divertido, na opinião de Jack, era encarar o rostos dos adultos enquanto estes perguntavam com quem brincavam. "Com Jack Frost!" elas respondiam felizes e eles sorriam de volta. Nunca se sentira tão vivo, e também tão só. Uma estranha controversa que nem ao menos ele podia se responder.

Passos abafados pela neve assustaram-no e sem tempo a perder, Jack voou até o poste de iluminação, na esquina em que se encontrava. Jack não tinha problemas como este anteriormente, mas depois que passou a ser visto, toda cautela era necessária. Um tempo olhando o suposto caminho que os passos trilhavam, o contorno de alguém se aproximava pela calçada com mínimo de pressa. Curioso para saber quem era a pessoa a perambular as ruas naquele horário, Jack ficou no lugar, observando um vulto chegar até debaixo de onde estava. Quanto este parou, Jack quietou-se no lugar.

Parecia uma adolescente comum, com muitas roupas para espantar o frio de inverno e, por algum motivo, esta permaneceu ali, sem mencionar uma palavra.

Jack sentiu a curiosidade aumentar. A jovem parentava não querer prosseguir ou havia perdido esta vontade. Jack a viu se abaixar para pegar um pouco da neve com as mãos nuas. Ela encarava o monte de floquinhos com extrema doçura e um pequeno sorriso pode ser notado por Jack. A garota pôs-se a modelar a neve para que esta ficasse na forma de uma pequena bola e, olhando para os lados de relance, a jovem colocou toda sua força para arremessar a bolinha pelos ares noturnos e sombrios. Com o sorriso não mais em sua face, Jack não pode mais aguentar vê-la sem ao menos conhecer seu rosto nitidamente.

Acreditando que a jovem não o veria por sua idade não muito avançada comparado as crianças, Jack atreveu-se a descer do poste, pousando suavemente atrás da jovem misteriosa que o despertara tal curiosidade. Calmamente, o rapaz se pôs ao lado desta, notando que com a cabeça baixa, os ombros da jovem faziam movimentos trêmulos. Sabia que esta estava preste a chorar por algum motivo, todavia, o rosto baixo impedia Jack de ter a visão perfeita deste. Ousou ir além e se aproximou um pouco mais e num instante, o rapaz foi ao chão, deixando seu cajado cair sobre a neve fofa ao seu lado. O empurrão por parte da garota o surpreendeu, porém não mais do que encarar olhos heterocromáticos o fitarem com tristeza junto a face banhada por lágrimas.

– O que você quer? — a voz controlada da jovem para com Jack o fez entrar num quase pânico. Para uma adolescente, vê-lo era algo raro de se encontrar.

– Você consegue me ver?

– Mas é claro! Como não notar um garoto quase colado em você?... — a raiva contida em suas palavras desapareceram assim que observou melhor o rapaz. — Você está bem?

Confuso pela pergunta, Jack, enfim, percebeu que não estava com roupas grossas como qualquer humano e muito menos calçado como qualquer um. Como explicaria isso para ela era o que tentava formular em sua mente. Isso fora rapidamente deixado de lado ao sentir algo quente e pesado o cobrindo. A garota arrumou o restante de roupas que usava para cessar o frio que sentia por falta do casaco, porém não queria deixar Jack num frio como aquele sem uma roupa descente.

– Não sei o que você tem na cabeça pra sair por aí sem roupas apropriadas. Quercongelar até morrer? Ficar descalço com o chão tão gelado...

– Não preciso disso. — Jack se levantou com o casaco em mãos, contudo o olhar assustador da garota o fez recuar.

– Não tem como discutir comigo, garoto. — ela pegou a vestimenta, cobrindo os ombros de Jack impacientemente. — Você não deveria estar na rua a esta hora. Onde estão seus pais? — para Jack, ela era bem pior que o Coelho da Páscoa

– Eu não tenho pais... — a reação de espanto da jovem fora imediato com a fala de Jack. Este encarou o rosto melancólico da garota a sua frente e notou que havia falado demais.

– Sinto muito... — a jovem sussurrou.

– Estou bem como estou. — o garoto desviou o rosto para o lado.

– Ei. Não posso deixar você andando assim. — a jovem suspirou cansativamente e prosseguiu. — Venha comigo para euajudá-lo, sim?

Quieto, Jack apenas começou a caminhar e acompanhou a jovem pelas ruas desertas. O frio era terrível com o passar do tempo e logo a jovem deixou um espirrou escapar. Jack ficou preocupado e retirou o casaco, colocando do mesmo modo que a garota havia feito consigo. Esta não protestou pelo fato que com apenas alguns passos já se encontravam em frente a uma residência. A jovem entregou o que o rapaz tinha tirado e o obrigou a vesti-lo. Rapidamente, esta entrou na casa e pouco tempo depois voltou com um par de coturnos pretos.

– Calce... Creio que darão certinho em você.

– Não precisa, já disse.

– Quer mesmo discutir comigo? — a jovem sorriu carinhosamente e ele se deu por vencido. Com os pés calçados, Jack notou o olhar perdida da jovem para o céu e não se importou com o fato de ficar encarando-a.

– Por que chorava? — a voz de Jack retirou a garota de seu mar de pensamentos alheios e reparou na tristeza que seus olhos heterocromáticos traziam.

– Bem... Não tive um dia muito bom, sabe? Eu sou estrangeira e vim para os Estados Unidos para visitar uma amiga que conheci há um tempo... Tirando ela, não tenho mais amigo por aqui e isso me faz sentir péssima...

– Entendo o que sente... — Jack encarou o chão.

– Hum... — a garota limitou-se num fraco sorriso e voltou a encarar o céu negro. — Nunca tinha visto a neve antes... A neve é bela, não? Mas é ainda mais na companhia de bons amigos, ou simplesmente na presença de alguém. Só que... ela parece tão triste de certa forma. — Jack meditou as palavras da jovem e encarando-a, quis ouvir mais. — É tão pura e frágil. A neve me lembra crianças. — a risada gostosa que a jovem deu fez Jack se sentir melhor, ou até mais, o fez quase cair na gargalhada. Reparando que fez Jack ficasse mais tranquilo, a garota afagou com grande zelo os cabelos brancos do rapaz. — Desculpe-me por meu comportamento de antes.

– Está tudo bem. — Jack notou como esta era poucos centímetros maior. — Você é alta para uma adolescente.

– Boa tentativa... — a jovem riu bobamente. — Posso parecer nova, mas tenho 20 anos, sabia?

– Tudo isso? — Jack se surpreendeu. E como ela podia vê-lo?

– Incrível, não é... — retirando o celular do bolso de sua calça, a jovem fez uma expressão assustada, porém nada tão a sério. — Como é tarde... Quer que eu o acompanhe até sua casa?

– Não é necessário. Mas e suas roupas?

– Não importa. Fique com elas e talvez você não se esqueça que está frio para dar uma de Superman... — novamente, Jack recebera o gentil ato da garota. — Foi um prazer te conhecer, jovenzinho... Meu nome é Aeris e estarei aqui até o fim do inverno. Se precisar de algo, conte comigo...

– Interessante... — Jack atreveu-se a se afastar um pouco da residência com um sorriso enigmático e logo em seguida, voltou-se para a tal "Aeris" e se curvou num formal comprimento. — Meu nome é Jack Frost.

– Assim como nos contos? — Jack surpreendeu-se enquanto a garota sorria mais livremente. — É um belo nome, Senhor Inverno. Tenha cuidado, sim?

Jack apenas sorriu e Aeris entrou para sua quente residência.

Para a surpresa de Jack, havia, enfim, reparado a ausência de seu cajado de madeira. Correndo, Jack foi a sua busca. Chegando a esquina onde encontrara a jovem, recolheu o objeto quase coberto pela neve que caíra com o tempo. Estranhamente, Jack já não se sentia só. Assim como ele, muitas pessoas estavam a sentir do mesmo modo e isso era como uma garantia de que não estava sozinho na escuridão. Jack encarou o caminho que ele acompanhou a jovem e a voz de Aeris atravessou sua cabeça... "Mas é ainda mais na companhia de bons amigos, ou simplesmente na presença de alguém", dizia a voz. Uma verdade que curara o coração do Guardião. Assim, sorrindo para o nada como agradecimento pelo conselho, Jack aproveitou o vento noturno para pegar uma carona rápida, esperando que ele levasse Jack para onde os outros Guardiões, aquele que considera seus verdadeiros amigos, poderiam estar, desaparecendo na calada noite fria.

Notas finais
Caros leitores de todas as idades. Gostaria que, humildemente, deixassem uma palavra a esta escritora que aqui vos escreve. Obs¹: Primeira da trilogia! Obs²: Muitos me perguntam se acabou por aqui. Na verdade há uma continuações: "Goodbye My Friend" Obrigada pela atenção! =^w^=
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!