Fallen Angel

3 Capítulo 3


Boate Delirium na Inglaterra, dias atuais.

Virando o terceiro copo de vodka, o anjo caído olhou para a pista de dança, procurando alguma mulher para que pudesse jogar seu charme e passar a noite com ela. Já estava quase desistindo quando viu uma cabeleira cacheada castanha. A moça estava sozinha, sem acompanhantes e não parecia tão sóbrea. Ele pediu ao barman dois copos de soda de limão com uísque e foi atrás da mulher. Ela usava um vestido totalmente colado ao corpo vermelho, que ia até o meio de suas grandes coxas. Calçava uma sandália de salto alto preta, como os cabelos do ex anjo. Estava encostada numa parede, olhos atentos à procura de alguém. O anjo caído chegou perto dela e começaram a conversar. Ela pegou um dos copos sem ele oferecer e bebeu metade de uma só vez, rindo logo depois do espanto dele. Beberam, riram, conversaram, dançaram e quando já estava próximo ás 4 da manhã, saíram da boate e foram para a casa da jovem, que revelou se chamar Camille Walker.

Era um prédio bonito, 5 andares, por fora era marfim, um porteiro e uma salinha de recepção. Ele imaginava como seria o apartamento da mulher, se só a entrada do prédio já era maravilhosa. Subiram até o 4º andar e entraram no primeiro apartamento da direita. Ela abriu a porta, rindo, e puxou ele consigo até o sofá. Jogou-o lá e disse que buscaria algo para beberem. Ele achou que era álcool demais para uma mulher, não que ele fosse machista, mas já haviam bebido muito e até ele, que já bebia há 400 anos, estava começando a ficar tonto. Porém, não a contrariou.

Poucos minutos depois, eles se beijavam seminus na luxuosa sala da moça. A camisa dele estava sobre um abajur com detalhes dourados na mesinha de centro, os sapatos ele nem fazia ideia de onde estavam. Ela estava só de lingerie preta, que destacava sua pele extremamente clara. Sem interromper o beijo, ela tirou as mãos do cabelo negro dele para desabotoar sua sandália e jogou-a longe, fazendo-a bater na estante de livros e derrubar alguns. Ele passeava com suas mãos pelas curvas dela até que sentiu algo gelatinoso e o beijo deles passou do gosto de bebidas alcoólicas para um gosto azedo e um pouco amargo. O perfume feminino dela virou um horrível fedor de esgoto. Ele abriu os olhos e viu divertimento nos olhos nada humanos do demônio que estava sentado em suas pernas. Num impulso, ele empurrou o demônio para a estante de livros com toda sua força e já começava a procurar sua espada, quando lembrou que não era mais um anjo e não tinha mais armas celestiais. Praguejou alto e o demônio riu. Ele então pegou o abajur que instantes atrás abrigava sua camisa polo e se preparou para lutar. Poderia morrer nessa briga e apesar de parecer um jovem de 26 anos, ele tinha mais de 400. E não lutava com um daqueles há muito tempo.

– Calma, anjinho — o demônio cantarolou, saindo debaixo da estante de livros. Sua forma natural era horrenda. Seu corpo era todo de uma substância parecida com gelatina, só que negra. Era bem parecido com uma lesma, largava um rastro atrás de si e tudo, só que uma lesma bem obesa e de 1 metro e 50 de altura. Sua boca era uma das mais normais que um demônio poderia ter: uma fileira de dentes que pareciam caninos humanos não muito afiados, mas o ex anjo sabia que soltavam um líquido mortífero. Os olhos brilhavam com toda a situação constrangedora que o anjo caído não deixava transparecer. — Só quero conversar. — e riu debochadamente.

– O que queres, demônio? — ele perguntou, ainda não acreditando que aquela coisa ridícula parada na sua frente poderia se transformar naquela bela mulher. Para ele, os piores demônios eram o que se transformavam.

– A pergunta certa é: o que queres, ex anjo?

– O que ... Como assim? — ele expressava confusão em seu belo rosto, mas no seu interior sabia sobre o que o demônio falava.

– Eu tenho o que você quer. Eu tenho a poção da juventude e eu posso dar-lhe, se quiser. — o demônio sentiu-se satisfeito ao ver compreensão nos olhos pretos do homem à sua frente.

Era verdade que ele queria a poção da juventude e vinha procurando uma forma de consegui-la havia quase 50 anos. Depois que “ passou dos 23 anos “ não conseguia tantas mulheres belas quanto conseguia quando tinha uma aparência mais jovial. Mas ele sabia que o demônio não lhe daria nada de graça, eles são feitos de ódio, desconfiança, medo e outros defeitos. E ele já tinha uma ideia do que o demônio iria pedir.

– E o que vai querer em troca? — perguntou calmamente, sentando no sofá cor de café com leite mais uma vez.

– 5 vidas de garotas inocentes. Dê momentos felizes a elas e as mate. Execute esse feitiço. — entregou um envelope ao ex anjo — Ele irá mandar todas as memórias delas para mim. Você sabe que nós, demônios, não temos vidas felizes e é sempre bom ter alguma memória boa de alguém que roubamos para ficar revendo enquanto estamos no inferno.

Ele deu de ombros, indiferente, e esticou a mão para o outro, pedindo o frasco com a poção.

– Aqui está, anjo Galahel. Ou melhor, vamos usar seu nome humano, Gabriel Lawliet. — esticou o que parecia ser o braço do demônio e entregou um pequeno frasco que continha um líquido azul claro brilhante até a metade. O sorriso triunfante que acabara de por no que era seu rosto ia embora, pois achava que o anjo caído ficaria bravo por ter dito os seus nomes, mas ele nem pareceu notar. Escolheu esse nome porque era o mais próximo de seu nome angelical.

Pegou o frasco e retirou a rolha que o tampava. Levou o frasco até seu nariz, cheirando e imaginando o quão doce deveria ser o gosto. Mergulhou o dedo mindinho no líquido e o lambeu, fazendo uma careta. Era bastante amargo. O demônio riu de Gabriel e numa nuvem de fumaça, sumiu completamente. Ele recolocou a rolha e bebeu um longo gole da bebida que a “ mulher “ havia pegado para os dois. Deu uma olhada no apartamento e viu que não havia moradores. A chave continuava na porta e não havia nenhum resquício de vida ali, só a bagunça que ele e a mulher-demônio fizeram. Resolveu que venderia sua outra casa e passaria a morar ali. Foi para o banheiro, tomou um banho e deitou-se na cama onde não conseguiu dormir.