Fallen Angel
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Boa leitura.
Algum beco qualquer de Paris, 1.600
E ele via Miguel tirar a Espada da bainha e junto sair sons de mil crianças cantando louvores à Nosso Senhor em latim e sentiu aquela pontada de inveja, mas logo a expulsou de si. Estava perdido em pensamentos quando se deparou com um leve ardor no braço esquerdo e percebeu que havia um demônio sobre ele, respingando veneno demoníaco em seu braço. Alguns filetes de sangue dourado começaram a sair do ferimento e isso o fez voltar a batalha. Empurrou o demônio que o machucou para longe de si e levantou, e sentindo que havia outro ás suas costas, girou 180º e desceu sua espada no demônio, cortando-o ao meio. Rapidamente golpeou mais 6 demônios e se viu encurralado, poderia sair com bons machucados dessa luta mas com certeza iria acabar com todos eles sem demora. Começou a lutar com os dois que estavam mais próximos e sentiu mais sangue celestial escorrer, só que dessa vez na panturrilha esquerda. Olhou com desprezo para a criatura horrenda que havia feito esse machucado. Este se parecia com um escorpião de 1 metro e meio de altura, era totalmente preto, olhos cor de enxofre, sua bocarra com 4 fileiras de dentes pontiagudos babava um líquido mortal, sua cauda com um ferrão venenoso era o que havia ferido o anjo. Com um rápido movimento, ele cortou a cauda do demônio e desviou da mordida dele. Não o esperou se recuperar da investida frustrante de mordê-lo e enfiou sua espada diversas vezes no corpo da criatura, rasgando-a. Respirou, vendo a fumaça se dissipar e levar embora o demônio-escorpião e se preparou para decepar as cabeças dos outros que o cercavam. Sem muitas complicações, mandou 4 deles pro inferno novamente, pois demônios só morrem em seu mundo, e lutou com o último. Facilmente acabou com aquele que restava e se permitiu um descanso para avaliar seus ferimentos: veneno respingado em seu braço direito, uma ferroada demoníaca na panturrilha esquerda, um corte na palma da mão direita e alguns outros ferimentos, e já estavam cicatrizando e curando.
Olhou para Miguel e o viu um pouco mais alterado, golpeava os demônios mais perigosos com sua famosa espada com bastante força e uma determinação incrível. Miguel agora lutava contra um cão infernal de 4 metros de altura com 3 cabeças. Ele havia decepado uma cabeça e uma pata dianteira e logo iria terminar com aquele. O anjo sorriu ao ver que seu superior estava indo bem naquela batalha e que ele teria o reconhecimento devido daquela vez, mas seu sorriso vacilou quando viu que um demônio maior, daqueles que mudam de forma, tinha aniquilado um outro anjo e agora estava com uma das espadas celestiais na mão. O demônio tinha no rosto o que poderia ser chamado de “ sorriso psicótico “ se aquilo fosse parecido com um humano. Parecia mais um gorila gigante mostrando suas garras e levantando em uma de suas 4 mãos a espada. O anjo percebeu o que aquele demônio iria fazer: atacar Miguel. E como sempre, lá estava o anjo para ajudar Miguel. O anjo então saiu em disparada e deu um forte golpe com sua espada, cortando de uma só vez dois dos 4 braços do demônio, que pareceu surpreso com a súbita chegada do anjo e soltou um grito esganiçado. Sangue negro jorrava sem parar dos ferimentos do monstro. O anjo não esperou o demônio se recuperar e partiu para mais um ataque, que o demônio conseguiu desviar. Praguejando só para si, o anjo reuniu todas as suas forças, respirou bem fundo e começou a desferir golpes fortíssimos no demônio, que era bem rápido e esperto, porém não era nada que o anjo não conseguisse derrotar. O demônio deu ao anjo um novo corte, superficial, mas que sangrava bastante. O sangue negro e o sangue dourado se misturavam na veste celestial do anjo. Gritando orações em latim, o anjo deu o último golpe certeiro, que “ matou “ o demônio.
Ele estava cansado, queria logo acabar com essa luta. Já havia matado muitos demônios e acabara de salvar Miguel. Sentia alguns efeitos da adrenalina e algo que chegaria próximo à dor humana no local onde havia veneno demoníaco, nada muito ruim, mas queria logo parar de lutar. Olhou para a sua frente e viu que ainda havia 3 demônios e um dos demônios estava vencendo um anjo. Um anjo não, um arcanjo. O cão infernal havia deitado Miguel no chão e estava com uma pata sobre ele, e Miguel se debatia e tentava alcançar sua espada. Sua espada! Algo brilhou na cabeça do anjo e num impulso louco, foi correndo em direção à espada de Miguel e a levantou com triunfo. Ela era realmente incrível, leve, como se fosse só uma extensão cortante do seu braço. Desferiu alguns golpes no ar e resolveu ajudar Miguel, mas não lhe entregando a espada e sim, lutando com ela. Esqueceu completamente seu cansaço e não fez nada do que faria normalmente. Normalmente ele iria atacar os pontos fracos do cão e depois simplesmente esperaria ele virar aquela fumaça cinza escura de um cheiro nada agradável, mas com aquela espada, ele decepou o cão em várias partes, viu-o sofrer, machucou-o bastante antes de deixá-lo ir para seu mundo e ele sabia que não era certo o que ele estava fazendo, mas o fez. Miguel levantou do chão e com aquela voz autoritária, pediu que o anjo lhe entregasse a espada dele e relutante, ele entregou.
Sentou-se em um canto e se deixou dar um pequeno cochilo. É verdade que anjos não precisam comer nem dormir, mas ele gostava disso e sabia que era errado. Ele não era um bom anjo e nem um anjo bom. E sabia que cairia a qualquer instante.
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