Fallen Angel

5 Capítulo 5


Dentro do envelope que o demônio entregou a Gabriel tinha o feitiço e tinha uma ameaça. Dizia que ele deveria matar as mulheres primeiro e executar o feitiço para só então depois ele beber do frasco. Dizia que não havia como enganá-lo, pois ele saberia no momento exato em que ele bebesse a poção e viria atrás dele para matá-lo. Ele era imortal, é verdade, mas imortal para um humano, não para um demônio ou um anjo. Uma bala de prata comum não o mataria, mas talvez veneno demoníaco e qualquer coisa que os anjos usassem nele o matariam. Ele já estava preparado. Tinha colocado uma roupa que ele usava para fazer exercício físico e colocado com extrema delicadeza e cuidado o chicote como cinto e havia colocado a adaga presa no cinto, para ele tirar o chicote com a mão direita e pegar a adaga com a mão esquerda. Caso o chicote não funcionasse, ele teria que pelo menos cegar o demônio com o objeto, depois ficaria fácil enfiar várias vezes a adaga em seu corpo, até mandá-lo para o inferno novamente, onde ficaria preso junto com os milhões de outros demônios que os anjos aniquilavam e que um dia ele também já aniquilou. “ É só mais um demônio dos vários que você já matou “, ele ficava repetindo isso como um mantra.

Respirando fundo, imaginou-se com 18 anos, super forte, pronto pra encarar qualquer coisa, e tomou um grande gole do líquido azul brilhante. Demorou pra conseguir descer, pois era espesso e o gosto era incrivelmente ruim comparado à cor e ao cheiro que lembrava calda de morango com algo mais ao leite. Ele se engasgou e bebeu dois copos de água para tirar esse gosto amargo e azedo da boca, mas nada adiantava muito. Ele já ia buscar algo para comer quando sentiu o inconfundível cheiro podre de demônio e se preparou para o que viria agora. Virou-se lentamente para o sofá e o viu sentado lá, em uma forma humana. “ Ótimo, está de Camille Walker para me irritar “, pensou o ex anjo. Usava um vestido justo ao corpo até a cintura e depois era rodado, todo florido. De dia e sóbreo, ele via melhor o corpo dela. Peitos fartos, quadril largo, olhos verde-mar, cabelo ondulado e castanho que ia até o meio de suas costas. Ela era linda, sem dúvida. Mas o demônio em si não era nada bonito.

– Sentiu minha falta, Gabriel? — pergunta aquela coisa atirada no sofá com uma voz tão afeminada que era irritante. — Está diferente da última vez que nos vimos. — fingiu surpresa.

O anjo caído nada responde, só se prepara, começando a relaxar os músculos para poder ter maior flexibilidade e agilidade na hora de pegar as armas e começar a luta. Como se tivesse acordando de um sonho, a bela mulher sentada a poucos metros dele começa a se transformar em algo que é totalmente o oposto dela. Seu vestido se rasga e evapora, seus cabelos caem e se infiltram no tapete felpudo que cobre metade da sala, as sapatilhas que ela usava somem e sue pele muito clara e com textura de pêssego começa se transformar em algo gelatinoso e negro. Os olhos verde-mar mudam para amarelo-enxofre e seus 1,68 de altura se transformam para 1,50. Sua boca delicada aos poucos vai ficando maior e de dois dentes escorrem dois filetes de veneno. Suas curvas se preenchem e aquilo “ engorda “. Tudo que antes era bonito se deforma e fica assustador. Gabriel tira a adaga do “ cinto “ e desenrola o chicote da cintura masculina. Ele se prepara para a primeira investida do demônio e se pergunta se será tão rápido quanto era quando anjo.

– Onde conseguiu essas armas, anjo caído? — pergunta o demônio com confusão em sua voz rouca e um lampejo de compreensão em seus olhos. Se ele antes contava vantagem, não sabia mais ao certo se estava tão superior assim.

– Velhos amigos. — responde friamente o ex anjo.

O demônio chia e ataca, empurrando Gabriel sob a mesa de jantar que ficava na sala. Não tão rapidamente ele se recupera, mas rápido o suficiente para levantar antes do próximo golpe vindo do oponente. O demônio insere cacos do copo quebrado que Gabriel agora pouco bebeu água no peito e na barriga dele. O ex anjo grita de dor enquanto vê o sangue vermelho encharcar a parte da frente de sua camisa. Fúria brilha em todo o seu corpo e quando o demônio investe em tapas, ele enrola a ponta do chicote no braço dele, queimando a pele gosmenta da criatura, e puxa, arrancando meio braço direito dele. O demônio da um grito estridente e parte para o ataque, empurrando Gabriel para a cozinha. O anjo caído consegue enfiar algumas vezes a adaga celestial no corpo do demônio, fazendo sangue negro jorrar dos locais onde ele o feriu, mas o demônio não parava de contra-atacar. Ele pegou uma faca e desferia golpes sem piedade no outro, mais sangue vermelho brotando e se misturando ao negro. Gabriel se sentia tonto por conta da grande quantidade de sangue que estava perdendo, mas isso não o impediria de matar esse demônio. Lançou o chicote no braço esquerdo do oponente e o puxou para perto. Colocou a adaga em um lugar estratégico e assim que o fez, o demônio caiu sobre ele, e, consequentemente, sobre a adaga, que lhe perfurara o coração. O demônio ficou subitamente mais pesado e extremamente fraco, tinha mais poucos instantes ali, mas não seria em vão. Gabriel claramente ficou aliviado por estar ganhando, mas ele não esperava que o demônio lhe mordesse com seus dentes que soltavam líquido mortífero na jugular. Sentiu os efeitos de estar com o pouco de sangue que lhe restava envenenado rapidamente.

Não tinha mais jeito, o demônio iria para o inferno, mas poderia voltar algum dia porque não morrera em seu mundo. Já Gabriel, por ser imortal, nem teria aquele ciclo de reencarnação que algumas pessoas acreditam. Os olhos negros como a noite sem estrelas se fecharam pela última vez na Terra. Provavelmente, ambos se encontrariam no inferno e se culpariam por estarem presos lá.

Notas finais
Ignore qualquer erro de português. Desculpa se ficou meio tipo, super confuso. Esse foi meu não tão bom presente, hihi. Obrigada por ler.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!