Fallen
21 Despedaçados – Parte um!
Notas iniciais

Despedaçados – Parte um!
Kardia chegou à sala de espera de seu apartamento com uma expressão nada amigável.
Detestava aquele homem e tudo o que ele representava.
— Bom dia! – Desejou Mitsumasa com um sorriso amplo.
— Seja rápido! – Pediu entredentes, deixando bem evidente seu desgosto.
Mitsumasa não se alterou, já esperava por aquela recepção grossa. Sabia que na maioria das vezes – se não em todas elas. – Kardia se controlava por respeito à Hades. Mas o jovem Onpreyde não tinha motivos para ser receptivo quando os olhos do pai não estavam presentes.
— Não me oferecerá nada para beber? – Kardia o olhou com desdém. Mitsumasa riu. – Ok. Então vamos direto ao assunto... Tem visto Saori ultimamente?
— Sim. Ela é minha esposa. – Kardia teria colocado um infelizmente na frase, mas seu bom senso o freou. No entanto, foi impossível não fazer uma expressão desgostosa.
— Sim. É o que parece. – O homem falou com um pouco de descaso. Sabia bem como o casamento da neta com aquele jovem funcionava: Superficial e sem laços. – E ela lhe falou do meu humilde pedido?
Kardia inspirou fundo e passou a mão pela testa.
— Claro! Um bisneto, não é?
O rosto de Mitsumasa se iluminou e Kardia sentiu um frio percorrer a espinha.
— Sim. Uma criança traria um laço mais forte para vocês. – Mitsumasa disse com uma brandura assustadora.
Por um momento ele realmente pareceu ser um avô amoroso. Mas o escorpiano sabia o quão cruel ele poderia ser.
— Sua neta e eu não temos tempo para formar uma família nesse momento. – Volveu Kardia, desconfortável.
— E quando terão?
Kardia apenas respirou fundo. “Nunca” era resposta previamente preparada. Mas por algum motivo ele não conseguia dizer.
Mitsumasa não parecia estar moribundo, como dissera Saori. Mas a expressão dele estava diferente, quase serena. E Kardia sabia que isso poderia ser o inicio de um mal pressagio.
— Kardia, entenda que não existe tempo certo para começar a formar uma família. Para todas as ações basta apenas um pequeno empurrão.
O escorpiano sentiu o sangue gelar.
A aparência idosa daquele homem em nada condizia com a alma demoníaca que ele possuía.
— O que quer dizer?
O olhar de Mitsumasa adquiriu uma tonalidade gélida e escura.
— Sei que tem muitas flores no seu lindo jardim... Milo, Sonnya... Alguns amigos sem importância! – Kardia engoliu seco. Seu coração palpitando tanto que ele poderia parar a qualquer momento. – E sei, também, que recentemente nasceu uma flor nova.
Kardia estreitou perigosamente o olhar. Algo ruim instalou-se dentro do estomago.
— Você...
Mitsumasa riu. Um riso solene com um olhar vazio. O escorpiano sentiu o gosto do próprio sangue. Seus lábios haviam cedido à pressão.
— Quanto será que vale essa sua nova flor? – Mitsumasa levou a mão ao queixo, como se realmente ponderasse. O grego ficou sem ação. – Tanto quanto o irmão vagabundo dele?
— Filho da mãe! Estava me seguindo? – Esbravejou Kardia. Tentando se controlar ferozmente.
— Ora, mais o que é isso? Você acha que um homem ocupado como eu tem tempo para isso, garoto? – A respiração de Kardia ficou irregular.
— Mandou que me seguissem.
— É claro. Preciso saber por que minha neta e o marido dela ainda não providenciaram uma criança. Felizmente ambos são saudáveis. Podem gerar uma vida.
O sorriso sínico de Mitsumasa não o abandonou. Kardia manteve-se firme, não queria que Mitsumasa visse o quão assustado estava. Havia uma lamina afiada apontada para seu coração e ele quase podia senti-lo falhar.
— Façamos o seguinte..., hoje, depois que sua irmãzinha casar com Aioros, você levará sua esposa para casa e vai fodê-la até que ela fique gravida.
Kardia não respondeu, mas era nítido o desgosto em seu olhar. Mitsumasa sorriu vitorioso. Aquela criança nada poderia fazer contra a sua pessoa. Não, pelos menos, sem enfrentar a irá do pai.
— Bem, acho que é hora de ir. Hades e eu temos uma reunião importante. – Kardia não fez menção de levantar e acompanhar o homem até aporta. E nem precisava, mas quando Mitsumasa estava próximo à saída ele voltou-se para Kardia e disse. – Ah, diga ao seu brinquedo que ele está convidado para o casamento. Irei buscá-lo pessoalmente as 17h00min
Kardia quase teve uma sincope. Pareceu o que chão tinha sido varrido sob seus pés. Novamente uma dor latente se fez presente em seu peito e uma ideia insana e fixa em sua mente lhe dizia que precisava proteger Dégel.
***
Quando Kardia voltou para o quarto, encontrou Dégel terminando de se vestir. O olhar distante trazia uma frieza que não combinava com o mais jovem.
— Como se sente? – O escorpiano perguntou recostando-se ao umbral da porta. Apesar de querer desesperadamente correr até ele.
Dégel suprimiu um soluço e forçou algumas lagrimas a não caírem. Ele estava assustado, mas Kardia tinha razão. E, apesar de saber que havia sido ele a pedir pelas palmadas, em nada diminuía a sensação de tristeza e humilhação.
Como seu irmão conseguia então? Doía muito... Com todas as coisas do quarto de jogos? E se Kardia perdesse o controle?
Seu pensamento fervilhava, mas não queria demonstrar toda a sua insegurança ao mais velho. Ele havia tomado uma decisão.
— Dolorido! – Respondeu somente.
Kardia sentiu uma amargura revirar em seu estomago e uma quentura pressionar seu coração.
— Eu esperava que você fugisse. – Disse Kardia. – Mas como nada em você é esperado, Sr. Oushevard, estou na duvida.
— Por que eu fugiria? – Dégel perguntou receoso.
Seus olhos capturaram ligeiramente o perfil desleixado de Kardia. Encontrando uma necessidade obscura e receosa. Havia algo indecifrável. Talvez o mesmo brilho escuro que tinha nos olhos de seu irmão quando conversaram: um medo nu e óbvio. E assim como Camus, Kardia estava perdido! Em algum lugar... Em uma escuridão camuflada. Pedindo desesperadamente por ajuda. Dégel poderia acalmá-lo? Acompanhá-lo brevemente na escuridão para trazê-lo para a luz sem se perder?
— Tive a ligeira impressão de que você não tem colhões. – Retorquiu o escorpiano, belicoso.
A tensão atingiu a expressão aturdida de Dégel e seu rosto esquentou. Até onde lembrava seus pais nunca tinham lhe batido. Nem seu irmão. Por mais levado que fosse sempre teve a atenção de Camus para uma conversa civilizada. E sim, havia castigos, mas se resumiam a não ter algo que desejasse muito.
— Não é que eu não tenha colhões... Apenas não estou acostumado a apanhar. – Refletiu.
A forma bicuda com que a boca do aquariano proferiu trouxe um formigamento já conhecido ao baixo ventre de Kardia. Era incrível como o outro conseguia acendê-lo com tanta facilidade. Diferente do que aparentava, Dégel era quente! O sorriso luminoso, a pele clara facilmente ficava em brasa. E o semblante inocente só o fazia querer mergulhá-lo em prazer... No próprio prazer!
Mas isso poderia quebra-lo!— Pensou Kardia. – Mas esse não seria o melhor...
Dégel suspirou derrotado. Ele havia sido um grande idiota.
— O que houve? – Perguntou aproximando-se de Kardia. Não o suficiente, ainda estava receoso. Confuso.
Kardia tinha as sobrancelhas muito juntas.
— Estou com medo! – Foi sincero.
Não queria esconder de Dégel seus verdadeiros sentimentos. Mas também estava confuso. Queria proteger o mais jovem de suas loucuras, de sua vida miserável, de seu pai louco e obsessivo. Mas precisava protegê-lo principalmente daquele homem. Daquele que lhe roubou tudo um dia. Não queria ser abandonado. Não queria ficar longe.
Sentiu seu peito quente. E sua mente derretendo.
Aproximou-se de Dégel, lentamente, olhando nos olhos violáceos como se tivesse hipnotizado. E tocou nos fios lisos e de cor tão exótica quanto os seus próprios fios. Sentindo-os deslizar entre seus dedos. Circundou o corpo menor de Dégel puxando-o para seus braços.
Dégel tocou no peito de Kardia. Sentindo-o inquieto na caixa torácica.
— Você quer que eu fique? Com você... Do seu jeito? Com suas regras?
Kardia sorriu cálido. Olhando para a pele que corava por seu olhar intenso, encontrando um nervosismo tão grande quanto seu medo, mas de refutas diferentes. O aquariano engoliu em seco e umidificou os lábios com movimentos rápidos por parte de sua língua. Ansiando pelo contado. Igual como da primeira vez em que se beijaram. Os olhos de Kardia também brilhavam daquela forma. O dedo longo também pressionou seu lábio inferior daquela vez.
— Mais do que você pode imaginar.
Cada fibra do corpo aquariano também implorou, daquela vez, por um beijo que não tardou a vir. Dessa vez, mais suave e tão apaixonado que Dégel tocou na nuca de Kardia por baixo dos fios azulados. Não houve resvalar de dentes... Apenas o encaixe perfeito das bocas, como se tivessem sido feitas uma para outra. Houve gemidos jubilosos, cumplicidade e algo mais profundo. Algo que Kardia não queria aceitar e Dégel desconhecia, apesar de já ter lido muito livros românticos. Mas que estavam ali... Todas as sensações e pistas para que ele pudesse segui-las como se fossem migalhas de pão. Um sentimento que ele tinha que matar!
— Eu também tenho medo! – Sussurrou ao findar o beijo. Deixando sua testa encostada a de Kardia.
Era engraçado olhar para ele daquela forma. Parecia um ciclope1. Ficaram daquela forma até Kardia se afastar minimamente.
— Você quer que eu te mostre? – Kardia perguntou. Dégel engoliu seco. O brilho escuro ainda estava ali e o aquariano tinha medo de mergulhar e se afogar. – Quer que eu te mostre o quanto você pode se machucar?
— Quer me punir? – Perguntou, confuso demais. Mas ciente de que ele e Kardia saberiam de uma vez por todas se Dégel poderia fazer aquilo. Pertence aquele mundo. Se ele poderia lidar tão bem como Kardia desejava. – Me bater novamente?
Dégel tinha sentimento ambivalente em relação à situação em si. Não gostava, mas não odiava. Kardia precisava... Camus precisava... E ele queria entender.
— Quero machucar você. Mas não além do que você é capaz de aguentar. – Kardia disse, acariciando gentilmente a bochecha do aquariano.
— Mas, ontem à noite...
— Não me lembro de ter punido você! – Expressou o escorpiano, cortando qualquer linha de raciocínio especulativo do esverdeado. – Mas não se preocupe vou mostrar a você o quão ruim pode ser, e você pode decidir o que fazer depois.
O escorpiano foi até o guarda roupa, pegou tolha e cueca limpa e entregou a Dégel. O orientou a tomar banho e que o esperasse no quarto de jogos.
O aquariano acenou com a cabeça. Seu coração estava acelerado. Aquele seria o momento da verdade. Ele poderia desistir se quisesse, mas ele queria saber. Ter certeza de que poderia aguentar. Então fez exatamente o que Kardia o orientou a fazer.
...Fallen...
O prédio era grande e bonito, mas escondia objetivos podres. Camus sentiu algo desconfortável no estomago quando foi recepcionado pelo melhor, se não o único, amigo do seu amo: Mitsumasa Kido.
Aquele homem lhe dava aversão desde tempos remotos. Mitsumasa Kido tinha uma grande fundação filantrópica conhecida mundialmente como Fundação Graad. Em tese... A fundação tinha como objetivo ajudar crianças perdidas e carentes a encontrarem lares descentes e pais amorosos. O que não se sabia era que a maioria dessas crianças eram vendidas e/ou entregues as casas de prostituição e que os homens por traz disso tinha poder para comprar a tudo e a todos.
Os únicos que se beneficiavam da fundação era os pervertido de terno que usavam os próprios filhos como fachada daquele circo de horrores.
Dégel “escapara” por bem pouco daquele esquema. Um dos “amigos” de Mitsumasa tinha duas filhas. A mais velha, Hilda, estava para completar maior idade quando o pai morreu. Como herdeira, ela poderia tomar conta da irmã mais nova. Ela e Camus se tornaram muito amigos e a garota ajudou o ruivo a salvar Dégel, colocando-o para estudar fora do país. O que rendeu a Camus uma enorme divida com a herdeira dos Polares. Já Camus, caiu nos encantos de Hades e por ele a moça não pode fazer nada a não ser colocá-lo como um dos dançarinos da Imperius.
Aprender a satisfazer seu amo era como Camus deveria sobreviver.
Desde muito cedo Hilda já sabia dos gostos hediondos de seu pai. E lutava, sempre que podia, para salva alguém daquele suplicio.
— Onde está Hades? – Camus perguntou, cruzando os braços de forma desajeitada, como se assim pudesse criar uma enorme barreira que o separasse de Mitsumasa.
O sorriso de Kido deu calafrios em Camus.
— Preparando algo divertido. – Disse somente. – Você trouxe?!
O homem se referia à sacola que Camus havia recebido de Ikki. O aquariano maneou com a cabeça. Mitsumasa sorriu malicioso.
— Venha, vamos esperar Hades lá em cima.
Camus estremeceu. Sabia que Kido não poderia tocá-lo sem a permissão de Hades, mas isso não o deixava nenhum um pouco tranquilo. O avô de Saori guiou Camus pelo meio de toda aquela pompa nupcial do salão de festa do prédio. Tudo estava pronto para o evento daquela noite. Camus e Kido subiram para o andar reservado para os pais da noiva e os convidados mais íntimos.
Havia um imenso corredor com um tapete dourado no chão. Flores em todas as colunas e quadros de paisagens nas paredes.
Os dois homens caminharam até chegar em frente ao quarto 308. Kido deu passagem a Camus que entrou receoso. Olhando curioso para o quarto aparentemente clinico. Como se fosse realmente um quarto de hotel. Com uma cama de dossel muito simplista para um prédio luxuoso. Tinha alguns cômodos decentes, um frigobar e uma pequena adega aos fundos. Tudo mesclado em tons branco e mogno. Talvez, se não a única, coisa mais peculiar e fora de esquadro, e que não combinava com aquele mesclado, fosse a mala media prateada em cima do que parecia uma cômoda.
— Mostre! – Pediu Mitsumasa chamando a atenção de Camus. O homem já tinha retirado o terno e a gravata e puxado às mangas da blusa azul escura até os cotovelos. – O que tem na sacola... Mostre!
O ruivo virou o conteúdo da sacola em cima da cama, revelando uma coleira com corrente, um vibrador, um par de algemas, e uma amordaça de couro com uma bola entre as extremidades, e uma peça de roupas desnecessária naquele momento. Mitsumasa avaliou o que Hades havia mandado. Não eram muitas coisas. Mesquinharia! Ele diria. Ainda não entendia porque o amigo tinha aquela mania de usar coleiras e amordaças nos subs. Era bem mais divertidos quando eles podiam implorar.
— Tire a roupa. – Ordenou Mitsumasa.
— O quê? – O ruivo perguntou realmente confuso. Hades não estava ali, então não deveria obedecer aquele homem.
O dever de um sub era obedecer unicamente ao seu dono.
— Foi o que ouviu... Tire a roupa! – Mitsumasa repetiu a ordem. Um pouco ríspido.
Camus engoliu seco. Pensou em questionar, mas Mitsumasa conhecia as regras muito melhor do que ele. Ele não poderia lhe tocar... Não sem a presença e o consentimento de seu mestre. Estava prestes a alertar o outro sobre aquilo quando seu celular tocou e ele identificou o numero de Hades.
— Faça o que ele mandou, Camus!
Foi uma ordem simples e direta. Mas que deixou o francês em alerta e com alguns questionamentos, como por exemplo, como Hades sabia o que Kido havia mandado? E porque ele não estava presente? O que estava acontecendo afinal?
Camus apenas assentiu e obedeceu, enquanto Mitsumasa encaminhava-se até a mala prateada e a abria ruidosamente.
Mitsumasa sorria jocoso, mais parecia um sibilo de uma serpente. O homem trouxe um separador quadrilátero. Algo bem incomodo.
O acessório possuía dois pares de prendedores reguláveis, unidos por uma liga também regulável, e serviria para prender suas pernas e braços. O fim daquilo era literalmente arreganhá-lo conforme o movimento de seus braços. Mitsumasa prendeu um par das extremidades na altura das panturrilhas e o outro par nos pulsos de Camus. Colocou uma gargantilha preta sem adorno no pescoço alvo, afastando os frios rubros que protegia o local. No processo Kido salientou no ouvido do ruivo como seria maravilhoso se Camus fosse dele, algo que fez o tremer repulsivo.
Um sorriso cheio de escarnio foi soprado para Camus.
— Deite-se! – Ordenou o mais velho.
Camus sentia algo gelado percorrer lhe a espinha. Hades, por si só, já era cruel. Mas quando estava junto de Kido ficava mais atiçado. Beirando o insano. E o ruivo não era bobo. Sabia que teria um castigo cruel, mas não sabia por quê.
Depois que o francês deitou, Mitsumasa prendeu as mãos de Camus nas extremidades da cabeceira do dossel. O ruivo sentiu a elasticidade das pernas queimarem. A regulagem estava bem apertada e o instrumento o fazia se abrir completamente. Se mostrando de forma vergonhosa.
Camus virou o rosto, intimamente humilhado.
Outro sorriso repleto de escarnio.
— Não se preocupe, vou acabar com o seu constrangimento. – Disse e logo colocou um venda nos olhos claros, e a amordaça de couro com uma bola no centro que Camus havia trazido.
Agora Camus não estava no escuro. Não sabia o que exatamente lhe aconteceria. E rezava internamente para que conseguisse manter-se calmo.
Mitsumasa continuou preparando-o para alguma coisa. Hades o queria bem aberto, pois o próximo objeto a ser usado foi um separador em forma de bastão que serviria para separar ainda mais as pernas de Camus. Dessa vez colocou o objeto na altura dos joelhos. Assim, quando os separadores reguláveis fossem liberados Camus não cederia à tentação de fechar as pernas.
O francês trincou a mandíbula, sentia todos os seus ossos estalarem. Seu coração batia acelerado.
— Ah. Se você fosse meu...
Mitsumasa externou mais uma vez. Naquele momento Hades entrou no quarto trazendo com ele uma pessoa vendada e amordaçada. O avô de Saori logo reconheceu a figura loira e da mesma altura de Hades e gargalhou sádico.
Camus não sentiu felicidade alguma ao escutar a voz do pai de Milo, e , mesmo vendado, sabia que tinha mais alguém ali. Havia passos. O francês sentiu um frio percorrer sua espinha. Hades e Mitsumasa iriam jogar e haveria um expectador.
— Você é cruel Hades. – Disse.
Hades guiou a outra pessoa até uma cadeira de escritório comum disposta no quarto. Prendeu os braços e as pernas da pessoa no móvel. Depois retirou a venda que cobria os olhos tão claros quanto os deles.
A expressão confusa de Milo trouxe uma satisfação estoica. O filho precisava de disciplina e Camus de um castigo. Com aquela encenação Hades destruiria o iceberg que ameaça afundar sua embarcação.
— Vou mostrar a você, meu querido, que você não pode ter tudo o que quer. – O moreno sussurrou no ouvido do filho.
Quando Hades saiu da frente de Milo, o loiro identificou a figura subjugada na cama. Seu coração se despedaçou. Como estava amordaçado não conseguia gritar. Mas debateu-se o quanto pode na cadeira. Um esforço em vão, afinal seu pai havia imobilizado seus movimentos.
— Fique quieto ou Camus vai sentir na pele pela sua desobediência. – Sussurrou para Milo.
O ruivo ouvia passos e silvos. Apenas sussurros misturando-se as batidas aceleradas de seu coração e sua respiração trêmula.
Sentiu quando um dedo passou por seu dorso.
— Gosto de vê-lo assim. Completamente servido para os meus desejos.
Camus engoliu seco. O dedo de Hades tocava seus lábios entreabertos pela esfera que o impedia de fechar a boca. O ruivo sentia o gosto de couro velho misturado com o metálico. Seus sentidos ficavam mais aguçados quando estava vendado. Logo identificou um aroma doce e ao mesmo tempo mentolado. Também havia um som viscoso, como se algum liquido estivesse sendo espalhado por algo.
Hades puxou a amordaça um pouco, deixando a esfera rente com o queixo de Camus, ao mesmo tempo em que tocava em uma das panturrilhas torneadas do francês, bem acima do separador, subindo a mão devagar.
— O que está sentindo, Camus? – Hades perguntou. Um brilho sádico que Camus jamais saberia que estava ali brilhava na íris anil. – Seja sincero.
— Medo – O ruivo respondeu com um sussurro.
A mão de Hades passara para a parte interna de coxa do ruivo.
— Hum... Medo! – O moreno pareceu ponderar enquanto acariciava a coxa de Camus. – É compreensível, mas inteiramente desnecessário. Eu nunca o machucaria.
Mitsumasa sorriu debochado enquanto assistia o olhar provocador que o amigo lançava a Milo. O loiro mordia a esfera que o impedia de falar com tanta força que já sentia a mandíbula dolorida. O rosto moreno havia ganhado alguma cor.
Hades passou uma espécie de peso sensorial nos mamilos de Camus. E o ruivo gemeu. O objeto liberava uma pequena carga elétrica, algo apenas para eriçar e atiçar.
— O que sente agora? – O moreno perguntou novamente.
— Expectativa... – Camus respondeu e Hades riu.
O brilho sombrio no rosto de Hades deixou Milo em choque. O desespero acumulava-se em sua garganta, tentando reconhecer onde estava o homem que respeitosamente chamava de pai?
O que aquele homem pensava que estava fazendo?
— Hum... Bom... Muito bom... – Camus sentiu algo macio passar por seu tórax levemente. – Sabe o que é isso?
— Um chicote de equitação.
Não havia como não reconhecer algo tão intimo.
— E o que você achar que eu deveria fazer com ele?
No fundo, Camus queria rir daquela situação. Não por acha-la engraçada. Apenas porque aquilo já tinha se repetido tantas vezes... De tantas formas. Mas com um único intuito: Hades queria demonstrar sua posse... Seu poder...
— Infligir prazer. – Respondeu depois de sentir um beliscão na própria coxa.
— Em quem?
— Em mim!
— Por quê?
— Porque somente o meu amo pode me dar prazer.
— Uma ultima pergunta... – Hades olhou dentro da íris clara de Milo. O loiro segurava as lagrimas de forma tão homérica que Hades teve vontade gargalhar. Era apenas um pirralho. Hades deveria quebrar aquele coração inocente que Milo possuía. – A quem você pertence?
— Somente ao senhor. Meu amo!
Aquela sentença era deliciosa de se ouvir. E foi o que faltava para Milo deixar que suas lagrimas rolassem. Agora entendia tão bem a relutância e a recusa de Camus para com a sua pessoa.
Sabia que parte do que estava prestes a acontecer era por culpa sua.
— Muito bem Camus. Muito bem. – Hades beijou no topo da cabeça ruiva e voltou a amordaçar Camus, impedindo-o de falar. – Vou lhe dar tanto prazer que você nunca mais vai querer olhar para ninguém além de mim.
E sem nenhum aviso Hades enfiou um consolo dentro de Camus e, no instante seguinte, ligou o objeto em uma velocidade moderada. Apesar da surpresa, o ruivo já sabia que algo iria para dentro de seu corpo antes de haver penetração carnal. Hades gostava de brincar, de levá-lo a um patamar diferente. De torturá-lo pelo simples fato de saber que ele nada poderia fazer.
Milo se via impotente. Não queria que Camus passasse por tudo aquilo. Queria poder protegê-lo. Ele cogitava até a hipótese de se afastar se assim pudesse fazer com que seu pai deixasse Camus livre. O gemido de Camus foi como um soco em seu estomago, mas o loiro entendia perfeitamente que o striper não reclamava porque entendia qual era o papel dele naquela peça doentia. Que aqueles gemidos não passavam de encenação para agradar ao amo cruel que tinha e quem sabe assim a tortura se tornasse menos intensa ou pelo menos... suportável.
Enquanto Milo apenas chorava e assistia seu amor ser molestado, Camus não exibia mais nenhuma vergonha, e não se incomodava de mostrar que estava “gostando”. Era daquela forma doentia que tinha sido ensinado. E sabia que somente daquela forma doentia que sobreviveria, então não era vergonhoso gemer e pedir – da forma que conseguia. – agrados ao seu mestre. Queria que o homem lhe tocasse o sexo, mas em vez disso recebeu uma violência.
Uma violência que ele sabia que não iria lhe causar nenhum mal, além da recorrente humilhação sofrida.
Hades se enaltecia com a cena. Nada fazia seu interior reverberar tanto quanto marcar a carne de Camus.
Não via o francês ou a dor dele. Tudo o que queria era fazer dele pronto. O ruivo não tinha serventia além da total e completa escravidão. Seu animal, seu objeto. Dele para fazer o que quisesse. Camus aguentava fielmente seu suplicio, enquanto Milo só queria que aquilo acabasse.
Subserviente, Camus sentiu Hades passar a ponta do chicote em seu sexo.
Esfregou-o de cima a baixo, e repetiu os movimentos até Camus perder o controle. No fim, o outro não tinha sangue de barata e qualquer ser vivente sentiria prazer ao ter suas partes erógenas estimuladas. Com o ruivo não era diferente...
Camus já começava a se sentir tonto...
Seu interior tremia frenético conforme o dispositivo funcionava. E a bola metálica deixava a boca ressequida e a língua pesada como chumbo. Fazia as bochechas e a cabeça de Camus doer. A ardência nas pernas passou a formigamento e nada parecia fazer sentido quando seu gozo saiu pela primeira vez.
Hades sorriu vitorioso.
— Você só pode estar querendo que eu o arrebente todo. – O moreno regougou, ainda acariciando o pênis de Camus com o chicote. – Quem lhe ordenou que gozasse?
Lagrimas se formou nos cantos dos olhos de Camus ao sentir a ponta do chicote chocar-se conta seu pênis.
Hediondo... Podre... Doía! Mas seu gozo continuava a escorrer. Havia luz na forma como era conduzido. Havia suor escorrendo pela pele, os cabelos grudavam e o coração batia desesperado.
A velocidade do vibrador foi intensificada e Camus mordeu a bola intensamente. Tudo em seu interior parecia queimar. As pernas enrijeceram e um gemido baixo escapou sofrido.
— Você precisa aprender a obedecer.
Foi o pretexto para o alongamento da sua tortura. E para novas chicotadas. Camus não gozou tão rápido da segunda vez, mas ainda sim, o gozo veio sem o consentimento de seu mestre.
— O que achar que devemos fazer com ele Kido?
Foi uma pergunta retorica, ele não precisava de resposta. O amigo sabia exatamente o que viria a seguir.
Mitsumasa já não via hora de finamente ter sua parte naquela cena. Rapidamente retirou a camisa e a calça, ficando somente de cueca, assim como Hades.
As mãos de Camus foram soltas. E o ruivo não sabia se ficava aliviado ou não.
— Fique quatro!
E lá estava sua resposta.
A tarefa foi dificultosa... A barra de ferro não o deixava se mover direito, sem contar que suas pernas estavam tremulas por causa do gozo. Ainda tinha a tira que fazia parceria com as partes que prendiam seus braços anteriormente que o fazia ficar desconfortável.
Hades retirou o consolo de dentro de Camus e o ruivo gemeu carregado. Depois o homem retirou a amordaça e a primeira coisa que Camus fez umedecer os lábios ressequidos. O alivio de outrora durou por pouco tempo, pois o ruivo sentiu alguém segurando seu quadril rudemente. Enquanto dedos finos que ele logo reconheceu como sendo os de Hades seguraram seu rosto com delicadeza.
— Hoje vamos fazer diferente. – Disse beijando os lábios de Camus, como se assim amenizasse algum estrago. – Mitsumasa vai foder você da forma que ele quiser e eu e meu amigo ali vamos apenas assistir.
Hades falava como seu ele conseguisse ver alguma coisa, mas agora sabia que tinha mais alguém dentro do quarto. Foi o que Camus pensou antes de ouvir Hades o liberando para o uso de Mitsumasa Kido. Camus se sentiu sendo rasgado. Mitsumasa não era gentil e tudo o que presava era o próprio prazer.
Ele abriu mais as pernas, contudo a dor ainda era latejante. Sua boca se abriu em busca de ar e não fechou mais até que Kido empurrasse seu membro por inteiro.
Enquanto isso, afastado, Hades cochichava alguma coisa com outra pessoa. E Camus só sentia a pressão contra seu corpo.
— Não estou te ouvindo Camus.
O ruivo quase sorriu consigo mesmo. Então havia sido por isso que Hades havia removido a amordaça?
Camus não sentia prazer algum, mas resolveu ser obediente e gemer. Fingir. Tentou imaginar a figura de Milo, mas ao fazê-lo lembrou das palavras cortantes e cruéis do loiro. E isso refletiu em seu corpo através de dor. A Mitsumasa se aproveitava para castigá-lo dentro dos limites condicentes. O que, claro, vez por outra, e sem nenhum motivo, levava uma palmada dolorosa. E sentia, além de dor, a humilhação
O ruivo gemia alto, agarrando-se desesperadamente aos lençóis escuros. Ele parecia estar levando uma surra.
Não sabia há quanto tempo estavam ali, não imaginava quantas vezes tinha sido espancado. Ou quantas vezes seu corpo foi molestado por aquele homem. Estava cansado. Seus braços começavam a ceder o seu peso. Seus ossos estalavam e sua garganta já não produzia mais sons efetivos. Em seu interior esperava que Mitsumasa atingisse logo seu ápice.
Mas aquilo estava longe de acabar, pois Mitsumasa saiu de dentro de Camus e o ruivo agradeceu internamente por isso. E quando ele pensou que poderia desabar em cima da cama, Mitsumasa voltou com o braço à cintura de Camus e o puxou para o colo. Fazendo o ruivo sentar de costa para o seu peito.
Camus sentia-se puxado até sentir a cabeça do membro de Mitsumasa voltar a pressionar sua entrada e o desconforto voltar a fazer parte de seu corpo. Aos poucos o ruivo era preenchido. Camus não teve outra opção de segurança além dos joelhos que apresentava algumas rugas. A pele flácida causava calafrios pelo seu corpo.
Mitsumasa riu e começou a erguer o outro pelo quadril, voltando ao ritmo incessante, enquanto Camus gemia baixinho. O ritmo que era tomado lhe deixou atordoado, ele mal gemia ou sentia dor, apenas cansaço.
A mão de Mitsumasa iniciou uma masturbação cadenciada com o cavalgar de Camus, deixando-o em estado de torpor. Mais uma vez não conseguiria se segurar até ser liberado. E como se tivesse piedade de seu estado Mitsumasa soltou um gemido rouco e gozou dentro de Camus.
Camus agradeceu aos Deuses quando se viu livre do velhote. Desabou na cama sentindo o corpo pesado e seu consciente ameava lhe deixar. Ele sabia que desmaiar era praticamente assinar uma sentença de suicídio.
Hades se aproximou da cama e retirou a venda dos olhos de Camus.
— Vermelho! — Resmungou ruivo ao ver que ainda havia uma zona escura e maliciosa no olhar de seu mestre.
— Você foi tão obediente. – Hades acariciou a testa de Camus e ele almejou realmente dormir. – Lhe darei um mimo... Um descanso de meia hora. Depois brincaremos novamente. Eu, você e ele...
Camus fez um pouco de força para virar-se para onde Hades apontava e foi como se o chão se abrisse. Não estava preparado para encontrar a figura desnorteada e cansada de Milo. Seus olhos aterrorizados encontraram com os chorosos do loiro e não conseguiu conter as próprias lagrimas.
Sua vida realmente era uma droga!
...Fallen...
Sonnya estava aflita. Deveria seguir o cronograma preparado como se nada estivesse prestes a acontecer. Como se sua vida não fosse dar um giro de 360º em menos de vinte e quatro horas.
Quando as o relógio marcou as 17h00minhrs, ela estava quase pronta. A maquiagem leve, o cabelo preso em um coque firme, mas deixaria algumas mechas soltas. E a franja emolduraria seu rosto. O vestido, longo e pontilhado, havia ficado perfeito. A grinalda arrastaria pelo longo tapete vermelho da igreja.
Como se ela fizesse menção de ir até lá.
— Sonnya, você está linda. – Afirmou Pandora com os olhos cheios de lagrimas e o coração transbordando de angustia.
O maior sonho de uma mãe era ver o resplendor da filha durante o casamento. Mas o destino a estava privando de algo tão belo.
Os olhos da rosada recaíram sobre um homem de cabelos curtos e repicados.
— Esse é Radamanthys. – apressou-se a morena em responder. – Ele a deixará segura até que eu encontre uma forma de me juntar a você.
Sonnya e Pandora se abraçaram. Talvez aquela fosse a ultima vez que pudesse fazer aquilo.
— Obrigada, mãe.
Pandora segurou o rosto da filha entre as mãos.
— Lembre-se Sonnya, eu sempre a amarei. – Disse depositando um beijo no alto da testa da escorpiana.
— Eu também a amarei sempre!
A morena abraçou novamente a filha e deixou que Radamanthys a levasse.
***
No lado de fora do Spa, Regulus estava há quase seis horas.
O leonino havia ficado de acompanhar todos os passos da noiva até que o casamento terminasse. Viu quando a limusine parou e Sonnya foi conduzida até ela.
Ela está tão linda! Pensou. Seu coração disparando tão rápido que ele pensou que poderia passar mal.
— Aquele não é o carro que ficou de buscá-la e não estou reconhecendo aquele segurança. – Comentou o fotografo assistente ao lado de Regulus. Lembrando ao leonino sua existência.
Regulus olhou com a testa enrugada para o colega.
— O que quer dizer?
— Veja... – O outro disse, mostrando um cronograma para Regulus.
— Como conseguiu isso? – Perguntou o leonino examinado o cronograma onde estava escrito Roteiro, rotas e as fotos dos seguranças que deveriam buscar Sonnya.
— Somos jornalistas! – Respondeu como se fosse o obvio. – Espera... Não me diga que você não leu o material?
Regulus suspirou cansado. Claro não havia lido nada. Estava evitando tudo o que se tratasse de Sonnya. Até tentou ser despachado daquela matéria, mas não conseguiu. Dohko tinha nó para todas suas pontas soltas e possíveis retrucas.
— Vamos! – Disse dando partida no carro, seguindo a limusine que levava Sonnya.
Continua...
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