Fallacy - Pride

18 O Perigo de Uma Loira Histérica


– Eu sei que nada está claro na sua cabeça agora, Claire. Mas, a sua calma é essencial para que possamos fugir daqui. — Meu tom de voz era sereno.
– Sabe o que eu quero que você faça agora? — Ela perguntou estranhamente calma. — Que você pegue esse seu planinho de merda e enfie bem no...
– Hey! — Hillary berrou, interrompendo-a. — Já não acha que é baixaria demais para um só dia?
Claire virou o pescoço de forma lenta para encarar Hillary. Definitivamente, o olhar lançado à minha namorada foi de longe, o mais assustador que eu já havia visto as duas trocando.
– Ninguém mandou você dar o dedo do meio para a maldita amazona! — Claire berrou, revoltada.
– Elas não levaram isso a sério. — Eu disse, chamando atenção das duas. — Eu sei que ambas estão irritadas demais para conversar civilizadamente, mas, Claire, eu estou implorando por dois minutos de silêncio para que possa me ouvir. Apenas dois minutos. Depois disso, pode até me chutar se quiser.
Claire puxou o ar com força e fechou os olhos antes de expirar com tanta intensidade que realmente foi como se estivesse se livrando de todos os males de seu corpo. Assim que abriu os olhos novamente, me encarou com ódio. Eu realmente cheguei a achar que ela me mataria sem esforço algum.
– Você tem sessenta segundos. — Claire disse, seca.
– Só isso? Creio que não vai ser o suf...
– Cinquenta e seis. — Ela declarou em um tom firme e inflexível. — Acho bom se apressar, ou eu posso resolver começar a te chutar antes do combinado.
Hillary bufou. Mas, eu escutei uma leve risada escapar.
– Ahn, ok. Deixe-me ver... — Respirei fundo. — E-eu... Ahn... N-não fui totalmente sincero com você a respeito de mim, Claire. Eu não menti para você, mas eu omiti uma coisa. E, essa provavelmente vai ser nossa saída daqui, então...
– David, se você não parar de tentar contornar e falar com calma, quem vai chutar você sou eu. — Hillary apressou. — Claire já é crescida, e garanto que ela vai entender perfeitamente.
– Vá direto ao ponto, Matlock. Você não conseguiria me deixar mais irritada do já que eu estou. — Claire nos cortou, cruzando os braços com impaciência.
– Na verdade, não acho que vá ficar irritada. Mas, eu peço mais uma vez para que se mantenha fria e confie em mim. Isso pode ser um pouco assustador.
– Eu sou uma amazona, David. Nada pode me assustar tanto. Agora, pode por favor acabar com isso tudo para sairmos daqui?
Hillary riu baixo.
Um sorriso arrogante se moldou em meu rosto.
Eu fechei os olhos com suavidade. Limpei minha mente e me livrei de tudo que não seria útil a mim. Respirei fundo, me concentrando. Quando finalmente encontrei a íris em um tom de azul forte de Claire, ela franziu as sobrancelhas, curiosa e ao mesmo tempo assustada. Ela passou a base de seu corpo para a perna de trás, se afastando de mim sem ao menos perceber. Isso tudo por apenas ver minha pupila contraída, deixando o tom vermelho sangue de meus olhos bem visível.
– Mas que diabos... — Sussurrou Claire, deixando a frase morrer.
– Confie em mim. — Ela se assustou com meu tom de voz alterado.
Quando percebi, meu coração batia duas vezes mais rápido. O sangue queimava em minhas veias, trazendo a mim a leve dor prazerosa que eu associava ao poder monstruoso do meu corpo. De repente, eu tive uma descrição detalhada do ambiente em que nos encontrávamos, apenas pelos sons e o odores. Claire respirava rápido e como uma bomba, parecia estar prestes a explodir. Hillary ainda se mantinha fria e indecifrável. Os cavalos do estábulo em um instante se agitaram, dando coices fortes das baias, e relinchando alto. Foi quando eu soube que a transformação já havia acabado. E eu finalmente era um lobisomem mais uma vez.
Claire não sabia o que pensar. O olhar fascinado tinha a mim como alvo, mas ao mesmo tempo ela parecia não se sentir segura. Talvez, não estivesse pronta para arriscar a vida confiando em mim. Ela não se mexeu e nem falou nada durante alguns segundos. E, quando finalmente saiu do choque em que se encontrava, ela deu um passo em minha direção, mesmo que com cautela. Quando notei que estava tentando realmente entender, eu me aproximei de seu corpo. De repente, nos encontrávamos separados por alguns poucos centímetros. O bizarro era o fato de que a cabeça dela batia na minha barriga, praticamente.
– Como se tornou isso? — Claire perguntou, fascinada.
– Um ataque perto de casa. — Eu respondi.
Ela riu de um modo meigo e delicioso.
– Você tentou me responder? — De repente ela ficou radiante. — Acabou de chiar e resmungar alguma coisa, mas eu não entendi obviamente. Eu não falo cachorrês.
No mesmo instante, meus olhos procuraram Hillary. Quando ela percebeu meu gesto, eu riu baixo.
– Há algumas semanas, tivemos um problema com aqueles bichos que são meio humanos, meio lagartixas.
– Lacertas? — Claire interrompeu, curiosa. — Faz tempo que não vejo um.
– Queridinha, eu tenho cara de quem sabe o nome daquelas criaturas? — Hillary bufou. — Enfim, nós conseguimos fugir. Na primeira noite do ciclo dos lobisomens. Dave não foi morto por muito pouco. Mas, ele se transformou e depois de muita luta, conseguiu se controlar. Por sorte, ele só me causou um arranhão.
E de repente, toda a calma e curiosidade da amazona histérica se transformaram em ódio, em um olhar especialmente direcionado a Hillary.
– E não me diga. Você virou uma cachorra também, não é?
“Péssima escolha de palavras, Claire” foi o que me veio à mente. Hillary em um instante se deixou levar pelo clima quente e pesado entre as duas.
– Talvez. Mas você fale pelo zoológico inteiro não é? Vaca, cadela, galinha, veada, piranha... Tudo em uma só. Você devia estar num circo.
Prevendo o que aconteceria se eu não fizesse alguma coisa, eu puxei Hillary para longe de Claire. Ainda assim, elas não pararam de se encarar. Aquela definitivamente não era a hora para aquele tipo de coisa irrelevante. O que me preocupou foi o fato de que, em nenhuma vez a hostilidade havia sido tão direta. Hillary e Claire não queria saber mais de joguinhos e brigas sobre panos. Estavam se estranhando de verdade.
Eu entrei na frente dos olhos azuis que já estavam beirando a vermelhidão. Foi apenas depois daquilo que Hillary finalmente teve minha íris como foco. Ela não precisava entender o que eu estava dizendo; olhar para mim era o suficiente. Tanto que, primeiramente fez uma careta brava, e depois bufou, como se dissesse “tudo bem David, você venceu”. E depois que ela se acalmou, eu a soltei.
Hillary caminhou a minha volta, até que finalmente pudesse encarar Claire mais uma vez. As duas não fizeram a mínima questão de fingir que não se importavam com a presença da outra.
– Dave quer que a gente saia daqui logo. E de fato, é perigoso. Então, vamos evitar perder tempo e suba logo nas costas dele.
Claire riu alto, de modo completamente irônico.
– Você realmente acha que eu vou subir nas costas de um lobisomem? — Ela riu mais. — Eu vou roubar um cavalo. Encontro vocês dois lá.
Hillary bufou.
– Se você sair sozinha à cavalo, vai chamar atenção. E, se elas te virem, vão te seguir e te matar de vez; não que para mim faça muita diferença. Mas, eu já disse que não há motivo para não confiar no Dave.
– Cadela, por favor. — Claire levantou as sobrancelhas, debochando. — Você não é ninguém para dizer a uma amazona o que fazer.
A temperatura do corpo de Hillary subiu. Ela apertou os dedos na palma da mão, claramente fervendo de raiva.
– Então, eu vou dizer o que eu vou fazer com você, sua vadia loira oxigenada. — O tom se mostrou frio; diabólico. Até eu tremi, mesmo na forma de lobo. — Se elas nos pegarem por sua causa, eu juro por tudo que vou dedicar o resto da minha vida a te caçar e te matar lentamente, para que você sofra. E, se você sair por essa porta montada em um cavalo, é bem provável que isso aconteça. Então, eu vou te dar duas opções: ou você sobe naquele cachorro negro gigante, ou você sobre no cachorro marrom. Só que, acredite em mim, a viagem comigo vai ser duas vezes pior para você.
Quando Hillary parou de falar, um arrepio passou por todo meu corpo. O tom baixo e sombrio que acabara de usar eu nem mesmo sabia que ela era capaz de dominar. Algo realmente macabro e perverso, como se realmente estivesse disposta a cumprir a ameaça que havia feito (e honestamente talvez estivesse). Claire não se viu intimidada, entretanto. Mas, eu me vi obrigado a arrastar Hillary para longe da loira mais uma vez, antes que fosse tarde demais.
– Nossa, ela vai me passar raiva. Que medo. — Claire ironizou em um falsete debochado. — Escute bem, Hillary. Se vou fazer isso, é puramente por Dave e as poucas amazonas que prestam nessa aldeia. Sua ameaça de criança não me causou nem um calafrio, sua mosca morta.
Os lábios de Hillary se arquearam em um sorriso debochado.
Então, ela virou de costas para Claire e deixou seu corpo explodir, dando lugar ao lobo marrom, que já vinha rosnando. Tentando não arriscar a vida de Claire, eu segurei o braço de Hillary e a trouxe para perto de mim. Os olhos continuaram rubros e enraivados enquanto o ódio ainda estava presente nela. Hillary estava tão estressada que poderia ser usada como aquecedor em uma casa.
– Por que temos que continuar com ela? — Hillary perguntou. Felizmente, eu a entendia com perfeição. — É uma vadia!
– Hill, não complique. É só uma garota.
– Eu não entendo o que você vê nela. Honestamente. — Hillary chiou, olhando para a amazona discretamente. — Ela nunca foi agradável, nem engraçada, nem simpática... Não pode estar contra Michelle. Faz o tipinho exato de quem segue essa psicopata.
– Hey, vamos com calma. Não estou defendendo ninguém, mas você também não costuma ser muito agradável na primeira vez. Você me deu foras. Foi fria com Claire. Deu o dedo do meio para Lyra. Não parecem atitudes gentis, ou parecem? — Zombei.
– Ah Dave, isso é diferente. Você era um imbecil e eu não te queria perto de mim. O meu santo não bateu com o de Claire. E Lyra me pegou em um momento não muito favorável. Agora, podemos ir?
– Claro... Se você deixar Claire chegar perto de mim.
Hillary bufou.
Eu caminhei até Claire com passos lentos e submissos. Ela ainda me encarava, repleta de fascínio e brilho nos olhos, completamente domada por uma curiosidade tão forte que a deixava não muito diferente de uma criança pronta para explorar o mundo. Então, eu me ajoelhei na frente dela, colocando a cabeça bem perto do chão, mas sem perder o contato visual. Claire pegou uma espécie de mochila de couro estufada que estava encostada em um pedaço de uma das baias, e colocou nas costas. Então, com todo o cuidado do mundo, ela montou em mim e procurou estabilidade segurando os pelos de meu pescoço. Seus pés se prenderam em minhas costelas. Quando levantei, ela permaneceu sem ameaçar cair. E, quando vi que era o suficiente para que fôssemos embora, Hillary e eu saímos juntos pela porta do estábulo.

Hillary e eu nos lançamos em caminhadas velozes e discretas pela Aldeia. Procurando chamar o mínimo de atenção possível, apagamos até mesmo as tochas que estavam em nossos caminhos. A temperatura estava realmente muito baixa. Eu podia sentir Claire tremendo de frio em minhas costas. A terra que entrava por meus dedos ia fazendo minhas patas ficaram geladas e doloridas. E, com a amazona nos guiando, fomos andando até o portão principal.
Mas, quando tudo parecia estar dando certo, de repente me vi arruinado. Expectativas fazem com que tiremos os olhos da realidade. A entrada principal da Aldeia estava trancada por um portão de madeira grossa que eu nem mesmo sabia que existia. Desorientados, Hillary e eu nos agitamos. Claire foi obrigada a se segurar firmemente em cima de mim, quase como se estivesse montando um touro de rodeio. Foi quando ouvi um barulho discreto de um galho quebrando atrás de nós. E, quando me virei, me vi surpreendido.
Michelle estava parada em uma pose arrogante, com uma capa envolvendo seu corpo; chicoteando no ar, e segurando um tipo de lança medieval. Atrás dela, mais quatro amazonas segurando tochas, espadas e bestas. Hillary e eu congelamos diante às amazonas. Claire não moveu um músculo. A Líder ainda nos encarava de modo maligno, e sem mostrar um pingo de hesitação diante a dois lobisomens poderosos. O vento gelado daquela noite trazia consigo alguns flocos de neve. O chão já se encontrava consideravelmente deslizante. Era fugir ou morrer.
– Matem. — Ela ordenou, com a voz rouca.
Duas amazonas que estavam atrás dela dispararam contra nós. Por puro reflexo, eu tirei minhas mãos do chão e agarrei as duas flechas que vinham diretamente para o meu peito. O meu movimento rápido no entanto, fez com que Claire perdesse o equilíbrio e quase caísse de minhas costas. Aquilo foi o suficiente para que Michelle visse que a loira estava com nós dois. E sua expressão mudou em um instante, deixando claro que já tinha feito a ligação. O ódio era evidente em seu olhar macabro.
– O que fazemos? — Perguntei a Hillary.
– Matamos.
Então, Hillary esqueceu da suposta discrição que devíamos ter. Ela encravou os dedos na terra e avançou nas amazonas, derrubando as tochas e roubando as armas. Ela corria tão rápido que passava por entre o grupo quase como se fosse uma enorme mancha marrom. Uma a uma, Hillary sumiu com as amazonas. Quando Michelle percebeu, era tarde demais. Estava completamente sozinha diante a dois advogados do diabo, sem proteção alguma.
… Mas isso não a impediu de puxar uma besta oculta pela capa e atirar contra mim. Desprevenido, eu nem mesmo consegui me mexer. Apenas ergui o corpo no intuito de proteger Claire, mesmo que isso significasse me expor. Eu pude ver a flecha rasgando o ar em câmera lenta.

Estava pronto para ser atingido em cheio, e talvez até mesmo cair morto. Mas, por algum motivo isso não aconteceu, e eu não entendi imediatamente porque. Entretanto, eu vi a expressão furiosa de Michelle, olhando para alguma coisa em meu lado direito. Curioso, segui seus olhos...
… E vi Hillary com a fecha quebrada e encravada entre seu ombro e o peito. Ela segurava o cabo em sua forma humana, tentando remover, estirada no chão gelado. Havia sangue por todos os lados. Os dedos dela tremiam, enquanto desesperadamente tentava se livrar do objeto. Em um instante, meus olhos ficaram vermelhos mais uma vez. Alguém estava prestes a morrer.
Eu avancei sobre o corpo de Michelle com apenas um pulo. A derrubei com extrema facilidade, segurando seu pescoço magro contra o chão, com apenas uma de minhas mãos. Meus dedos se apertavam contra sua pele cada vez mais. Claire começou a bater em minhas costas e berrar em meu ouvido, tentando fazer com que eu parasse. Percebi que estava completamente fora de controle quando senti sua pulsação na artéria. Então, o cheiro do sangue invadiu minha mente mais uma vez. Eu passei a língua pelos dentes devagar, antes de abrir a boca...
– Dave, não!
A voz de Hillary foi a única coisa capaz de me fazer largar Michelle antes que fosse tarde demais. A Líder das amazonas logo começou a tossir, assim que eu tirei a mão de seu pescoço e corri até minha namorada. O ferimento na verdade não era muito profundo, mas isso não me deixou menos preocupado. Logo, envolvi o pequeno e frágil corpo de Hillary em meus braços, certificando-me de que ela estava confortável o suficiente. Mas, não destruí o portão da Aldeia para me lançar na floresta mais uma vez e voltar para casa. Eu apenas escalei um dos quartos e pulei a cerca de cinco metros como se fosse um rodapé. Claire berrou. Alto.
Correr rápido demais se tornou impossível sem um de meus braços e uma amazona aventureira em minhas costas. Definitivamente, montar um lobisomem não devia ser igual a montar um cavalo. Mas, enquanto mais Hillary ficava fraca, mais eu tentava me apressar. Quando percebi, meu peito já estava coberto com o sangue dela, e aquilo só me deixava mais nervoso ainda. Aquela floresta densa e escura era assustadora para qualquer um, ainda mais à noite. Mas, um lobisomem com pressa e preocupado, carregando a namorada machucada nos braços e uma amazona nas costas definitivamente ganharia o prêmio de “Coisas-que-você-não-ia-querer-encontrar”.
Quando finalmente chegamos, ao invés de pular a cerca e subir as escadas, eu me agarrei em uma árvore com as garras enormes e pulei diretamente para a plataforma. Claire saiu de minhas costas e eu segui rapidamente com Hillary para dentro de casa, perdendo aos poucos e forma de lobisomem e deixando o humano ressurgir. Eu passei pela porta com ela deitada em meus braços, ainda um tanto assustada – mas consciente. Então, caminhei com ela até a cama, onde eu finalmente a coloquei. Mesmo assim, não tive descanso. Comecei a procurar incessantemente por algo para colocar na ferida.
– Hey Dave, pare com isso. Foi apenas um arranhão. — disse Hillary, rindo de minha preocupação.
Quando voltei ao quarto, fiz com que ela tirasse a camisa e abaixasse a alça do sutiã preto. Eu limpei a ferida com água e estanquei o sangramento, antes de colocar medicamentos e desenrolar a gaze, fazendo um curativo. Hillary parecia entediada e não se conformava com todo o esforço que eu estava fazendo por ela. Mas, de uma coisa ela estava certa. Aquela flecha a atingiu em cheio, mas o ferimento era completamente superficial. Não ia fazer mal nenhum a ela.
– Como ela pode ter te atingido à queima roupa e você ter saído com um furinho de três centímetros de profundidade e a largura de uma moeda? — Perguntei, inconformado.
– Coincidência ou não, a ponta da flecha era de ferro. — Disse Hillary, puxando a alça do sutiã.
– Está insinuando que, e fosse de prata, teríamos que nos preocupar com isso?
– Bem, se você tiver outra teoria, sou toda ouvidos. — Ela sorriu ironicamente.
– É como se sua pele fosse blindada, ou algo do tipo... E, se não fosse loucura, eu diria que já está começando a cicatrizar.
– Isso não me surpreenderia. Talvez até amanhã já não tenha mais nada.
– Então vá dormir. Eu quero que você fique bem logo. — Eu toquei seus lábios levemente com os meus. — Você não devia ter feito isso. Aquela flecha era para mim.
– Ah, é só uma cicatriz sexy. Não se preocupe. — Ela sorriu.
– Boa noite, Hillary.
Então, eu dei um beijo leve no alto de sua testa, antes de puxar o lençol e cobri-la até a altura de seu pescoço. Eu passei a mão por meus cabelos, puxando-os para trás antes de sair do quarto e me sentar no sofá, tentando deixar minha mente completamente limpa mais uma vez.
– Dave? — A voz de Claire ecoou por minha mente e pela escuridão da casa.
Quando olhei para trás, a loira me encarava em um tom suplicante e ao mesmo tempo desorientado. Parecia perdida; como se de repente o chão em que pisava tivesse sumido. O canto dos lábios estava trêmulo e a voz, ligeiramente embargada. Por que eu tinha a impressão que estava prestes a passar uma das noites mais difíceis da minha vida?