Fall For Anything

1 You've gotta stand for something


Notas iniciais
Oi pessoas! Pensei nessa história com muito carinho e tentei retratar tudo neste capítulo de forma verossímil e envolvente. Espero que quem leia goste. Beijos!

POV Guilherme

Enquanto eu estudava sobre Direito Penal em minha escrivaninha, ouvi meu celular tocar.

Chequei a tela apenas para saber se eu ignoraria a ligação ou se a atenderia. Ao ver o nome “Júlia linda” piscando, percebi que era uma chamada que eu com certeza iria atender. Todos os dias, se eu não ligasse para minha irmã, ela ligava para mim antes de dormir.

Estou no penúltimo período de Direito na UFF (Universidade Federal Fluminense) e, apesar de morar na mesma cidade que meus pais e minha irmã, minha república fica a cerca de 40 minutos de onde eles vivem, por isso não conseguimos nos ver sempre. Então, Júlia e eu criamos esse incrível sistema de ligações para que nunca nos sentíssemos tão distantes um do outro. Afinal, Niterói é enorme.

Júlia tem 17 anos, logo, é seis anos mais nova que eu. Quando éramos mais novos, brigávamos sempre, mas era coisa de criança, pois em um minuto já estávamos nos abraçando. Júlia é minha confidente e eu sou o dela. Compartilhamos tudo – ou quase tudo – sobre nossas vidas e somos realmente muito próximos. Ela ficou extremamente triste quando tive que me mudar para mais perto da faculdade, mas superou bem. O grande problema é que eu sou um irmão mais velho bem chato no quesito “ciúmes”. Sim, acredito que minha irmã tem que se divertir, beijar muitos caras e curtir a vida, mas Júlia sempre passa dos limites e faz absurdos com os quais eu definitivamente não concordo. Nossas brigas são quase sempre por causa dos homens que ela arruma. Era até melhor quando ela namorava o Sergio, porque assim eu sabia que ela só estava andando com um e estava sempre relativamente segura.

Apesar de não concordar plenamente com o namoro deles, eu diria que Sergio era um cara bem bacana, se não fosse pela palhaçada que ele fez. O cara traiu minha irmã com uma menina ainda mais nova da escola deles e fez a Júlia ficar completamente humilhada e extremamente arrasada. Desde então, minha irmã sai com o maior número de caras possível e fica, às vezes, com rapazes de quem nem sabe o nome. O que dói em mim é que, sendo homem, sei o olhar que temos para garotas de uma noite sóe não suporto a ideia de que inúmeros marmanjos enxergam minha irmã dessa forma, já que, em minha opinião, ela deveria ser tratada apenas como uma princesa. Ok, sei que eu não devo exigir que todos os homens do mundo queiram tratá-la dessa forma, pois eu também não sou assim com metade das garotas que saem comigo, mas eu gostaria apenas que minha irmã se cuidasse mais.

— Fala, Jú. — Atendi o celular,feliz por estar falando com ela mais uma vez.

— Gui! Por favor, me diz que você não está estudando Direito Ambiental. — O sonho dela era fazer Direito também, mas ela abominava a parte ambiental.

— Adivinha, espertinha, estou estudando Penal. — Soltei um pequeno sorriso no canto do rosto.

— Eu estava tentando estudar Biologia, mas desisti dessas plantas. Não vejo motivo para ficar me matando para saber como que a seiva bruta consegue subir pelos troncos de árvores. — Sua voz parecia frustrada.

— Calma, estressadinha, tá terminando. Nem me lembre dessa época terrível que é o terceiro ano. Como foi seu dia? Planos para amanhã?

— Meu dia foi ótimo, apesar da maldita Biologia. Fui à casa da Mari e estudamos História até o irmão dela chegar do serviço. Amanhã, nós três vamos sair com o namorado dela. — Mari era nossa vizinha, amiga de infância de Júlia. Apesar de o irmão dela ser três anos mais novo que eu, costumava jogar vídeo game com ele quando eu era adolescente.

— Júlia, sério? O Rodrigo? Você vai ter um encontrinho duplo com a Mari e o irmão escroto dela?

— Poxa, Guilherme, ele é um amor. E um gato também, admita! Se você já pegou a Mari, que é minha amiga, eu também posso pegar um amigo seu. — Júlia insistia em me lembrar sobre a mancada de ter beijado Mari,quatro anos atrás.

— Éramos amigos quando eu tinha uns 15 anos, querida, já se passou muito tempo. — Nesse momento, eu já havia largado os livros e estava me preparando para tomar um banho e, em seguida, dormir.

— Então quer dizer que eu ainda posso pegar um amigo seu aí da UFF. Que tal os gatos de Direito?

— Dá moral pra esses caras, não, Jú, só tem eu de gato aqui.

— Você é o mais gato de todos, Guilherme. — Ela soltou uma risada da qual eu estava com saudades.

— Falando nisso,procura aí no Facebook uma tal de Milena Barbosa, minha amiga.

— Ok. Pegou? — Ela perguntou, enquanto, provavelmente,procurava.

— Se o universo conspirar a meu favor e se a vida resolver ser extremamente bondosa comigo, pegarei amanhã. Vou vê-la em uma festa que um grupo de repúblicas aqui está organizando.

—Ah, qual é o nome ridículo da vez? — Questionou,com voz de deboche, apenas me fazendo rir. Realmente, as festas da faculdade que organizamos têm nomes bem fodidos.

—UFFodas. Você tem razão, é ridículo. — Rendi-me às críticas da minha irmã.

— Guilherme, meu filho! Essa é a menina que você está tarando? Sério? — Aparentemente, Júlia havia encontrado o perfil da Milena. — Ok, é bonita, mas não acho que mereça o super bom de cama, gato dos gatos, super tesão e gostoso Guilherme Freitas.

— Ficou louca? — Elevei a voz, surpreso. Eu estava doido pela Milena há algumas semanas, mas a maldita tinha um namorado, com quem acabara de terminar. — Essa Milena é gostosa!

— Tudo bem, tudo bem. Você se enfia onde quiser, mano. — Ela disse enquanto ria. — Agora vou dormir, beijinhos.

— Jú, espera.

— Oi, meu amor. — Ela disse, meiga.

— Cuidado com o Rodrigo amanhã, por favor. Não quero que você se sinta como um objeto novamente, viu? Não deixa ele avançar o sinal contigo, senão você vai se machucar de novo. — Falei calmamente, porém com extrema seriedade.

— Por favor, Guizinho. Sua irmã tem juízo! Não vai rolar nada demais, a gente só vai se pegar a noite toda.

— Júlia Freitas, Júlia Freitas... — Repreendi em tom de advertência.

— Gui, eu juro! Sem sexo, só amassos.

— É pedir demais que você não deixe que ele fique de mão boba contigo?

— Claro! Guilherme do céu, não começa. Não vou virar freira, você tá ligado. Agora me deixe ir dormir porque preciso de muita energia para amanhã à noite, se é que me entende. — Ela soltou uma pequena risadinha, pois sabia que estava provocando minha raiva, meus ciúmes e, acima de tudo, minha preocupação. Na verdade, ela tinha que dormir logo porque odiava ficar com sono durante a aula, mas, como toda irmã mais nova, tem a função de irritar os mais velhos.

— Você é engraçadinha, dona Júlia. Se gastar energia demais nessa noite, eu largo a Milena e corro pra dar uma surra nesse Rodrigo e te deixar de castigo. — Rimos juntos. — Beijos, coisa feia. Amo-te demais!

— Amo-te , Guigui. — Fez um barulho de beijo com a boca e desligou o telefone.

Caminhei lentamente até o banheiro da república e esperei até que meu colega saísse de lá. Com a toalha nos ombros, entrei e, em poucos segundos, eu já sentia a água quente caindo sobre minhas costas de uma maneira relaxante. Pensei em como Julia havia crescido e em como ela estava conhecendo o mundo. Fazer de tudo para que ela continuasse virgem tornara-se uma das maiores missões da minha vida, mas eu sabia que não conseguiria mantê-la relativamente “pura” para sempre. Eu já me preparava para que, em alguns anos — ou meses, talvez — ela me contasse que transou com fulano ou com beltrano. Eu já sabia que seria difícil para mim, porém, era inevitável.

Notas finais
Galera, aceito e agradeço comentários de qualquer pessoa, sejam bons ou ruins. Espero que você tenha gostado até aqui. Ainda quero falar muito sobre esses dois e sobre o que eles vão arrumar nesse "tão esperado dia de amanhã" hahaha.
Beijos e até mais ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.