Notas iniciais
Pra te lembrar cantada por Caetano Veloso é a citação desse começo de capítulo. Aqui: https://www.youtube.com/watch?v=VpJVl_MiowU

Sai da igreja desnorteada, meu coração sangrava nunca sofri tanto, nem quando terminamos da primeira vez, nem quando pareceu Claudia, Dama, Perla na sua vida, nem quando ele passou a me ignorar. Antes eu ainda podia contar com sua amizade, e agora? Ele se afastaria ainda mais de mim. Desabei a chorar, parecia que tinha acabado de ser atingida por uma bala no meu peito.

Tão perdida que estava que em vez de entrar no meu carro e sumi o mais rápido dali, fui caminhando a pé, mesmo sem saber realmente onde eu estava as pessoas passavam e eu recebia um olhar de pena. Por que você fez isso comigo, Poncho?

:- Sai da frente! Sai da frente! – Alguém gritava atrás de mim. Bem longe.

Não me importei, queria andar só andar e chorar. Sofrendo por ele escolher ela em vez de mim.

:- Dulce, Corre, Corre, Corre! Pernas para que te quero? – Christian passou por mim gritando, segurando a bata de coroinha, era mais fácil de correr assim.

:- Christian.. o que voc – Fui interrompida.

:- Corre, Dulce, corre eles estão chegando. – Agora era Mane passava correndo e arrastando Maite pela mão, ela que gritou comigo.

Limpei meu rosto das lágrimas, mas o que diabos estava acontecendo? Primeiro Christian correndo ainda vestia a bata de coroinha, depois Mane e Maite. Todos assustados e desesperados. O que aconteceu naquela igreja, meu Deus, será que aconteceu algo com Poncho? O medo me dominou novamente.

:- Não fique parada, Ardilla, corre. – Gritaram de trás de mim.

Olhei para trás e a cena era absurda, Poncho corria em minha direção, não pude conter a alegria e o sorriso escapar da minha face. Mas alguma coisa está errada.

:- Vem, Ardilla, corre. – ele me deu a mão e foi me puxando.

:- Poncho o que você...

:- Não, Não temos tempo para explicações, temos que correr. – Ele disse olhando para trás.

:- Hey, seu safado, você vai se arrepender do que fez com minha filha. Canalha.

Arregalei os olhos correndo, quando olhei para trás praticamente, todos os homens familiares de Perla corriam atrás de Poncho, mantinham uma expressão agressiva no rosto.

Poncho tinha um jeito inovador de correr entre as pessoas e pelas ruas, chutava e empurrava todos que não saía da sua frente com seus gritos, às vezes olhava para trás para saber se estamos longe dos familiares de Perla ou me olhava para saber se estava bem e sorria. O que mais eu poderia ganhar nesse dia, meu deus?

De repente paramos Maite e Mane estavam parados e ofegantes, Christian estava completamente suado encostado num poste, sua respiração também era ofegante.

:- Não dá mais para correr, Poncho. – disse Christian.

:- Sim, meus pés não aguentam mais correr – Maite disse com uma cara cansada, tentando tirar a sandália.

A cena era absurda, num momento Poncho da às costas e aparentemente decidi ficar com Perla, em outro momento estamos correndo para fugir dos familiares da noiva.

:- Ok, esperem me deixem pensar. – Poncho disse tentando respirar, sem soltar minha mão com a sua. – Certo, papai e Oscar, saíram com o meu carro. Estão a salvos. Não tem como voltarmos para pegar o de vocês, eles nos pegariam. Ou seja, estamos encurralados.

:- Ali tem um restaurante. – Mane disse apontando.

:- Por Deus, Mane, não é hora de pensarmos em comida.

:- Não Christian, é perfeito, podemos nos esconder lá. Você é um gênio amor. – disse dando um selinho nele, que ficou sem graça.

:- Então vamos logo, antes que eles apareçam aqui. – Poncho me guiou para atravessar a rua.

Entramos no restaurante e absolutamente todos nos olharam, acho que não deve ser normal, Um cara vestido de coroinha, um noivo, uma madrinha e um padrinho entrarem juntos com faces completamente cansadas pela maratona que correram. Não, isso não era comum. Escolhemos uma mesa e sentamos.

:- Certo, agora vocês podem me explicar o que está acontecendo? – os questionei confusa.

:- Bom, resumidamente? – Christian falou.

:- Eu fui decidido ao altar, romper com Perla. Ela não encarou bem, quando eu disse que finalmente o amor da minha vida havia dando conta que tínhamos que estar juntos. – Poncho contava me encarando sorridente, minhas bochechas ficaram vermelhas – Onw, mi ardillita. – ele apertou minhas bochechas fazendo ardilla.

:- Parem com isso e continua contando a história Poncho. – Poncho soltou minhas bochechas e me abraçou.

:- Então, ela me deu um tapa dizendo que eu não poderia fazer isso com ela. Que era injusto, por tudo que vivemos, eu jogaria tudo fora por culpa de uma mulherzinha qualquer. Meu sangue ferveu.

:- E você sabe como é Poncho nervoso, né Dul? – Maite disse, comendo uma batata, foi o único prato que pudemos comprar com as moedas de Christian o único que tinha dinheiro ali. – Foi nesse momento que chegamos, eu ia tirar satisfações com ele. Por ter feito aquilo com você. Mas, desisti ao ver a confusão.

:- Sim, eu que não estava entendendo nada. Comecei a entender agora. – Disse Mane confuso.

:- Enfim, eu avancei para cima de Perla e lhe disse tudo que ela vez para me separar de você.

:- Ela nos separou? – perguntei a Poncho confusa.

:- Sim, ela me convencia a te ignorar como se fosse a melhor saída, apagava todas as mensagens suas do meu celular, fora outras coisas. Desnecessárias dizer.

:- Bitch. – Dissemos Maite e eu ao mesmo tempo. E depois rimos.

:- Bom, a confusão só aumentava era acusações de ambas as partes, o padre tentava amenizar, mas não adiantou de nada. Pedi a Christian para que te buscasse para saímos dali. Mandei Oscar levar meu pai daquela confusão, que foi a contra gosto.

:- Eu tentei avisar Poncho que você tinha ido, mas ele não conseguiu me ouvir. Então começamos a puxar ele para sair. O pai sapo se irritou ainda mais e começou a gritar com todo mundo, dizendo que Poncho pagaria pelo que fez a filha dele. – Christian comentou.

:- Enfim, além de bitch a mulher tem uma família barraqueira e violenta. Queriam bater em todos nós. – Maite contava horrorizada. – Começou nossa maratona de fuga e aqui estamos. – Mane completou. Mas e você Christian como chegou nessa história?

:- Ah Mane, como sempre caiu de paraquedas, não perco a oportunidade ser cúmplice desses dois. Ainda mais quando alguém me liga desesperada ou me chantageando. – ele falou risonho e piscando para mim.

Ficamos todos em silêncio cada um refletindo. Até que eu comecei a rir, aquilo era tão absurdo. Todos foram contagiados por que começaram a gargalhar junto comigo. As pessoas do restaurante se antes tinham dúvidas, passaram a ter certeza. Éramos loucos.

:- Agora eu e Christian podemos dividir o posto de cupido desse casal. Não é Christian? – Maite sorrindo.

:- Verdade. Morena, arrazou para juntar esses dois, agora você tomou o lugar de Ani. Ela como já se aposentou como cúpida deles, disse que ganharia cabelos brancos se continuassem nessa profissão e ainda não veria os dois juntos como agora. – Christian falou imitando Ani, fazendo todos rirem. Olhando para nós dois. Eu estava totalmente apoiada no peito de Poncho e ele me envolvendo com seus braços.

:- Maite me ajudou a fazer esse plano. Dul. – Poncho revelou.

:- Plano?

:- Também quero saber, que plano é esse que eu não sabia. – Mane perguntou olhando para ela.

:- Bom, eu era a confidente de Poncho, e assim que soube que ele queria dar uma lição nela, por causa do que ela fez para separar de vocês. Eu e ele planejamos uma forma de fazerem vocês voltarem, então o convite, a nossa conversa, as mensagens secretas e até mesmo o casamento foram “planejados”.

Surpresa, me lembrei de quando na época da banda, perguntavam como nós integrantes éramos na escola, Poncho e Mai sempre eram os mais inteligentes, e agora com isso de plano para juntarmos, eu perguntei.

:- Como nossa conversa? – olhei para ela- e como o casamento? – olhei para Poncho. Como vocês planejaram?

:- Bom, eu sabia que você não se conteria e falaria com alguém, eu só não pensava que seria comigo. – Maite disse. Então me olhei para cima, esperando Poncho falar, eu estava em seus braços. – O casamento não aconteceria, se você não aparecesse eu romperia da mesma forma com Perla, as mensagens eu que as mandei do celular do meu pai. Me disse sorrindo.

:- Obrigada Mai e você também Mane, se não fosse por vocês talvez não estaríamos juntos aqui agora. Agradeci os dois, e quando fui agradecer Christian ele não estava na mesa, somente à bata de coroinha. Ele estava do outro lado do restaurante, conversando com um cara que vendo daqui era um gato. Poncho que não leia meus pensamentos e minha narração.

:- Parece que ele já encontrou alguém. – Mane falou sorrindo e Poncho riu também.

Eu e Maite nos olhamos pela coincidência, ambos tinham uma falha nos dentes, uma falha que os deixavam mais charmosos ainda. Começamos a rir deixando os dois confusos. Depois finalmente saímos do restaurante. Voltamos apreensivos para pegar nossos carros próximos a igreja, no fim tudo deu certo.

Poncho ria da minha afobação para chegar logo no meu apartamento, eu queria matar a saudades dele, que não era pouca, gostaria de frisar. Mas o trânsito aquela hora não facilitava. Seu Juan, se assustou ao ver Poncho saindo do carro, na verdade com ele vestido de noivo e sendo arrastado por mim. Poncho apenas lhe deu um aceno risonho.

Chegamos no meu apartamento, aos beijos. Poncho ficava lindo de terno, mas naquele momento era sem que eu o desejava. Eu abria o botão de sua camisa, quando ele interrompeu nosso beijo. Não entendi a recusa.

:- Espera um pouco.

:- Esperar o que? Já perdemos muito tempo Poncho, falei voltando a beijar seu rosto.

:- Só mais um pouco, eu também te quero. – ele retribuiu o beijo – Mas, eu preciso falar uma coisa.

:- O que? – Me conformei.

:- Eu te amo. – Disse sorrindo. E quando eu retribui, ele prosseguiu – E não sabe o quanto eu quero tentar novamente, não importa o que venha pela frente. Quero poder dizer o quanto eu te amo, sem restrições, sem ligar para nada do que os outros vão falar, eu só quero te amar, Pequena.

:- Eu realmente te mereço? – Lhe perguntei. – Eu também quero, pode te amar e finalmente ganhar minha felicidade, juntos. – Lhe dei um selinho.- Mas, para isso tenho que te dar uma coisa.

:- O que? – ele estranhou quando andei pelo meu quarto, e cheguei com um pequeno baú, tirei de lá o que queria.

Quando voltei estiquei minha mão fingindo lhe dar algo, e quando ele abriu a mão, desviei o caminho da minha e somente o beijei, apaixonadamente e firme. Abracei seu pescoço com meu braço ainda com minha mão fechada. Queria retribuir o beijo roubado que ele me deu em Televisa, quando me separei do beijo e ele não entendeu, olhei seu rosto, a boca vermelha pelo ato anterior, e os olhos de um verde sublime quase amarelado. Sorri sussurrando.

:- Você poderia me dar seu telefone? – repeti a frase do corredor, dele, sussurrando brincalhona.

:- Talvez, mas não é suficiente meu coração? – ele sorriu com certeza teve a mesma lembrança. Sorri lhe dando um selinho.

:- Poncho, quer voltar a ser meu namorado? – Abri minha mão lhe mostrando os anéis que usávamos ainda quando namorávamos e gravamos Rebelde, como Roberta e Miguel.

:- Claro que sim, meu amor. – Ele abriu ainda mais o sorriso que tinha. Depois de colocarmos um no outro os nossos antigos anéis de compromisso. Ele me pegou no colo e me jogou na cama, fiquei totalmente surpresa.

:- Agora, vamos voltar da onde paramos. – Falou grosseiramente me beijando. Mal eu podia esperar.

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