Fale agora ou cale-se para sempre!
3 Capítulo 3
Notas iniciais
“Esperando um sim ou um nunca mais.”
Unhas? Eu já não tinha mais, nem os meus cotocos eu deixava em paz. Hoje era o grande dia, algo curioso é a impressa mexicana não comentou nada, absolutamente nada sobre o casamento de Poncho, parecia que estavam fazendo tudo as escondidas e queriam privacidade. Queria saber como conseguiram esse feito que não deixa de ser extraordinário.
Talvez o escândalo que ocorreu envolvendo a traição de Jeniffer Lopez sobre Willian Levy. Fez com que espantasse qualquer repórter, não sei bem sobre o caso, não me importa.
O nervosismo me dominava. A decisão que eu tomei afetava muita gente, meus fãs, as traumadas e indiretamente Pedro e Luisillo com relação a minha carreira, mas principalmente o meu futuro, de Poncho e até mesmo Perla. Era muita coisa em jogo. As chances de perda eram grandes e de vitória nem tanto, Talvez se voltasse para casa e deixasse Poncho ser feliz com aquela que ele escolheu e... Chega! Chega! Dulce! Essa não é você. Lute por ele, agora, deixe de ser covarde uma vez na vida.
Só percebi que estava falando sozinha, quando escutei uma batida na porta, era Christian, esqueci de comentar liguei para ele desesperada pedindo ajuda para entrar na igreja, tentei ligar para Maite, mas ela somente me disse que deixaria eu fazer o certo, que nos veríamos no casamento. Abri a porta do passageiro para ele entrar no carro.
:- Ex-Ruiva, tem certeza que isso é um casamento?
:- Claro que tenho! Por que diz isso?
:- Bom, o lado do noivo não tem muitas pessoas, somente Oscar e Don Alfonso. E no lado da noiva outras poucas pessoas também, sabia que Poncho é discreto, mas isso é o cúmulo, não?
:- Estranho, estamos no lugar certo Chris? – Perguntei olhando a placa da rua, eu já tinha decorado o local de tanto olhar para o convite.
:- Estamos sim! A família da noiva tem a boca, hummm, como diria, grande. – ele imitou um sapo. — Eu ri e também dei um tapa no cabelo agora curto e loiro novamente dele – Fora que Maite estava apreensiva no altar.
:- Maite é madrinha? Bitch!
:- Não xingue ela, esse não é o momento Dulce, bom ela não me viu e eu aproveitei para pegar emprestado isso aqui, Espero que ele me perdoe. – Falou olhando para cima, como se falasse com Deus.
:- JOSÉ CHRISTIAN CHAVEZ GARZA, VOCÊ ROUBOU A ROUPA DO COROINHA? – Perguntei completamente assustada e nervosa com a situação.
:- Xiuuuuu, Dulce, fale baixo não seja escandalosa, não roubei eu peguei emprestado, aliás eu aluguei, falando nisso como é cara roupa de coroinha. Ele tapou minha boca com a mão, e seguiu falando. Escute o seguinte, tenho um plano.
:- Ok. – Respirei fundo – Me conte.
:- Eu vou vestir a roupa e entrar na igreja, você vai pelos fundos e entre no confessionário e fique lá esperando, vou dar um jeito de levar Poncho até lá para vocês dois conversarem. Depois você e ele fogem correndo, antes que a família sapo perceba que sequestraram o noivo ardilla, um fato é que roedores são mais rápidos que saltadores não? — Ele contou.
:- Christian, para de gracinhas, é sério. Poxa é do meu homem que estamos falando e do meu futuro.
:- Eu só quero descontrair um pouco, Dulcita. Agora é sério, vamos sair desse carro e cumprir com o seu destino. – ele disse saindo do carro.
:- Christian, espera, não sei se estou preparada. – Disse a ele também saindo e dando a volta no carro falando nervosa, agora ele já tinha colocado a bata de coroinha.
:- Não temos mais tempo, para se preparar Dulce, agora é tarde. Quer um conselho se você quer mesmo ele, entre na igreja e impeça o casamento, você é impulsiva vai conseguir. E me abraçou.
Seria engraçado se não fosse trágico, eu abraçando Christian vestido de coroinha, numa calçada preste a interromper o casamento de Poncho. Christian me sussurrou um “boa sorte” e eu agradeci dando a mão a ele para atravessarmos a rua, e chegar a escadaria da Igreja.
Então nos separamos, ele entrou pela frente e eu fui para os fundos. Consegui entrar sem problemas e rapidamente entrei no confessionário, não queria que ninguém me visse e menos ainda que me reconhecessem e atrapalhasse meus planos.
Do confessionário tinha uma visão perfeita do altar e do restante da igreja, que realmente estava vazia. Somente reconheci Oscar e Don Alfonso que pareciam entediados, Maite estava nervosa, Mane estava ao seu lado quase dormindo. No lado da noiva tinha algumas pessoas a igreja não estava em completo silêncio por causa do burburinho deles. Mas, quem eu realmente queria ver não achava. Onde Poncho estava? E a noiva, nem tinha sinal dela.
Então aparece o Padre, alguns pequenos coroinhas e Poncho.
Nunca o vi tão lindo em toda minha vida, nem em meus sonhos mais bonitos imaginei que ele ficaria tão charmoso e sexy de um terno. Se soubesse tinha arrastado o homem para um altar antes. Estava com uma barba aparada, o cabelo médio com alguns cachos comportados, o terno escuro e totalmente sério. È normal para um casamento? Fui interrompida por uma macha nupcial, que acelerou ainda mais meus batimentos cardíacos, onde está Christian mesmo?
A noiva e o que parecia ser seu pai, apareceram na entrada. O medo começou a percorrer minhas veias e o meu coração saltava no meu peito. Ou eu adquiri claustrofobia ou aquele confessionário estava ficando cada vez mais apertado.
O pai de Perla a entregou a Poncho, não pude ver a reação dele que estava de costa para mim. O sorriso estava plantado no rosto de Perla, virei meus olhos enojada e frustrada com a situação e percebi Maite no altar girando os olhos. Decida-se May, de que lado está?
:- Estamos aqui reunidos para o casamento de Perla Galvez e Alfonso Herrera. Podem se sentar, antes de começar a cerimônia, faremos votos de benção para a união desse casal. – um senhor velhinho que era o Padre falou.
Então na entrada da igreja aparece Christian, vestido de coroinha, com aquele objeto que soltava uma fumaça muito forte, ele veio rezando desde lá.
: — Que noiva, não casares con tremiendo vacilon...Santificares, Esperitis, santis. Aaaaamééém! – Christian, falou com uma voz modificada.
Todos os presentes, o respondiam com um “Amém” e nem prestavam atenção no que ele realmente “rezava”.
:- Que Deus não permitas que aconteceres este casamento, amém – Eu poderia gargalhar se não estivesse com a corda no meu pescoço, e minhas mãos não tremessem feat suassem tanto, Christian vestido de coroinha e jogando aquele vapor nas pessoas, ele “rezava” e buscava uma forma de chamar a atenção de Poncho para que pudesse se encontrar comigo.
Este mantia a cabeça abaixa e não via Christian, Maite o reconhecendo tentou esconder a cara de surpresa e com a mão tampou o formato de “o” em sua boca.
:- Que o noivo olhares para o coroinha e ires a confessionário, Amém. Maite então olhou para o confessionário, não sei se pode me ver mais, ela percebeu o que estava acontecendo e pareceu fingir desmaiar, Mane coitado arregalou os olhos em desespero.
Todos se levantaram surpresos com a queda repentina da madrinha, Poncho preocupado foi ajudar Mane, que depois de alguns sussurros com Maite levantou e disse.
:- Desculpem senhoras e senhores, mas minha mulher não está nada bem, por causa desse vapor todo. Teve uma queda de pressão, Poncho poderia me ajudar a levá-la para uma sala dos fundos.
Perla tentou impedir que Poncho fosse e que ele continuasse ali para casarem logo, mas ele por mais confuso que estava foi em direção à amiga. Christian nessa confusão toda ainda jogava vapor para todos os lados, temeroso que Perla o reconhecesse. Meu coração saltava agora havia chegado o momento falar com Poncho.
Poncho, Maite, Mane e Christian passaram do confessionário e foram até uma sala dos fundos que ficava atrás do altar. Antes de abri a porta e segui-los vi Don Alfonso, entretendo os convidados e Perla sendo consolada por uma senhora que devia ser sua mãe.
:- Mas, o que você está fazendo aqui, Christian? E vestido assim? – Perguntou Poncho confuso.
:- Eu..
:- Ele está me ajudando, Poncho. – Interrompi Christian, entrando na sala.
Poncho me olhou surpreso e de certa forma aliviado, não soube definir seus olhos nesse momento. De lado pude ver um ar de felicidade no olhar de Maite, era como se ela soubesse que eu apareceria alí. Um sorriso torto e convencido apareceu em seus lábios. Tive a certeza que ela fingiu o desmaio, não era como se ela fosse madrinha do casamento e apoiasse a união de Poncho e Perla, era como se ela fosse uma telespectadora vendo o capítulo final da sua novela favorita e os protagonistas eram Poncho e eu.
:- Amor, Christian vem comigo deixem os dois conversarem. – Mane era o mais perdido da história e Christian e May piscaram para mim, antes de saírem da sala.
:- Uau. – Exclamei vendo ele de mais perto, lindo.
:- O que?
:- Você realmente está muito charmoso.
:- Obrigado, mas o que te traz aqui? O que você quer Dulce?
Fiquei sentida como as palavras saíram grosseiras, porém não perderia o foco, não poderia brigar com ele justo agora. Respirei fundo tentando me acalma e processando um improvisado discurso para dele deixar Perla e ir comigo.
:- Eu vim te convencer a não se casar. – Disse decidida.
:- Me convencer, justo agora? Que estou preste a casar, a seguir uma vida diferente...?
:- Sim, eu tenho ainda uma chance? Por favor, me escute, me deixe falar e se depois de tudo o que eu dizer você ainda quiser voltar para ela, deixarei você ir.
Ele continuou me olhando sério, cruzou os braços e ficou esperando o que eu tinha para dizer, senti que essa era a última e melhor oportunidade que eu tinha de convencê-lo.
:- Sei que sou complicada e que errei muito nos últimos tempos, eu machuquei você, pensando que daria o troco por todo o sofrimento que você já me causou. Eu pensava que aquilo aliviaria de certa forma o receio que me impedia de voltar para os seus braços toda vez que você me pedia. – Pausei, e engoli saliva para continuar ele somente me escutava. – Só com o tempo me dei conta de que tudo que eu fiz não atingia só você, como me machucava também. Você se afastou de mim e eu fiquei perdida.
:- Era minha forma de me proteger Dulce, toda vez que tentava me aproximar, você me falava que estava muito bem com fulano ou sicrano. Logo, eu que achava que depois da banda finalmente daríamos certo. Fui completamente equivocado.
:- Eu entendo Poncho, mais uma vez o destino nos afastou. – Atravessei a distância que tínhamos, ficamos próximos demais, nos olhávamos de muito perto castanho com esverdeado. – Tenho consciência de que tomei muitas decisões erradas, tentando me proteger, mas você, Poncho você é culpado tão egoísta quanto eu. — disse apontando para ele e mantendo o olhar — Por que toda vez que você saia do meu coração ou eu te expulsava dele, você o trancava, não deixa ninguém mais entrar para que ninguém ocupasse seu lugar.
:- Mas você como dona dele tinha várias chaves extras e deu para outros caras tentarem ter o seu espaço também. – disse enciumado.
:- Eles não conseguiram – rebati – e não fale como se eu fosse a única a tentar uma relação, você teve a Dama e agora Perla, olha só onde estamos, numa igreja, Poncho logo você que dizia que nunca se casaria.
:- Não, não, não me culpe por me arriscar, por tentar ser feliz no amor, Dulce. – ele balançou os braços e os colocou sobre minha cintura. – Você não me deixava aproximar, eu tinha que tentar com outras pessoas, sempre que estive com as outras esperava inutilmente você aparecer e me mostrar que não era com elas a minha felicidade, mas você nunca apareceu.
Coloquei minhas pequenas mãos sobre seu peito, estava tão inquieto como o meu, seu coração pulsava, podia sentir ele subindo e descendo. Nos aproximamos ainda mais nossas respirações ofegantes se trombavam.
:- É por isso que estou aqui hoje, volta para mim. Poncho. Vamos lutar por esse amor juntos, sei que não será fácil, mais se eu tiver você, eu luto até o final. Eu estou disposta a lutar pelo nosso complicado amor... – parei com os meus sussurros e subi minhas mãos até seus ombros largos e apertei – Volta para mim, vem para o meu mundo, a deixe e vem ser feliz comigo, devolve minha verdadeira felicidade e me deixe te fazer feliz? – Supliquei olhando para ele.
:- Já te disse que você ficou tão linda com esse cabelo? – Me ignorou, não deixei de sorrir com o elogio também não consegui respondê-lo, seus lábios tomaram os meus exigindo que eu os correspondesse.
Meu corpo festejou a invasão da sua língua, há muito tempo não ficávamos, eu subi ainda mais minhas mãos para os seus cachos o apertando e ele pareceu gostar por que apertou suas mãos em minha cintura. A esperança apareceu e me banhou com uma felicidade por esta de novo em seus braços.
Porém, a perdi. Ele soltou de meus braços e finalizou o beijo fui do céu ao inferno. Nos separou, eu não conseguia identificar o se passava no seu olhar.
:- Farei o certo a se fazer. – Seu olhar me penetrou e ficou gravado no fundo da alma, não esqueceria jamais. Ele me deixou saindo da sala.
Comprovei parada na porta da sala, que ele caminhava com passos fortes e decididos em direção ao altar, então ele havia feito sua decisão, da qual eu não faria parte dela. Eu deixei passar muito tempo, havia o perdido e dessa vez era para sempre. O beijo que eu pensava que seria o nosso recomeço foi um de despedida.
As lágrimas me invadiram e vi que Mane, Christian e Maite me olharam apreensivos e preocupados. Não podia deixar ninguém me ver chorar, estava muito frágil.
:- Ele a escolheu.
Dito isso eu sai caminhando para fora da igreja, apressada, Poncho que me perdoe, mas não seria tão forte para ver ele se casar. Agora teria que encontrar alguma forma de tentar esquecê-lo.
“Agora que faço eu da vida sem você, você não me ensinou a te esquecer, você só me ensinou a te querer, e te querendo vou tentando me encontra”.
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