Falcão
7 CAPÍTULO O7: Conversas & Beleza
Notas iniciais
FALCÃO
Escrita por Coffee
CAPÍTULO O7: Conversas & Beleza
Sakura se mexia incomoda na cadeira. Ele, Naruto e Shikamaru a observavam em pé. Tsunade e Kakashi estavam atrás da mesa.
Passava página por página, incerta, observava às fotos, os nomes, as descrições. Ela ficou assim, apenas folheando em silêncio pelo que pareceram vinte minutos.
— E então?
Tsunade perguntou.
Ela colocou as páginas que folheava sobre a mesa, abrindo a pasta tipo fichário e tirando cinco folhas delas.
— Esses cinco.
Foi o que ela disse.
Ele sentiu seu olhar se arregalar instantaneamente, ele ainda não havia conversado com Sakura sobre aquilo. Cinco contra um?
— Tem certeza?
A Hokage perguntou.
— Absoluta.
— Mande uma mensagem para Gaara, Kakashi. Está confirmado, foram os Yoikis que atacaram Sakura. Comunique ele e os líderes das duas outras vilas que fizeram contato imediatamente, vamos apenas esperar as respostas deles para partirmos para a ação.
— Sim Hokage-sama.
— Shishou?
— Sim?
— Posso ir?
A loira olhou para ela preocupada.
— Pode.
Assim que ela se levantou e saiu, ele foi atrás.
Eles andaram em silêncio até o apartamento dela, as ruas estavam vazias, e ninguém pareceu notar a presença dos dois.
Sentaram-se no sofá. Depois de cinco, ou dez minutos, ela finalmente começou.
— Eu estava na estrada B-2, a que usamos para ir para Suna e para as redondezas. Tsunade-sama sempre me manda em missões sozinha, e nunca encontrei problemas nenhum, talvez um mercenário, ou outro, mas nada que não desse pra resolver. Foi o que eu pensei quando senti um chakra. O meu estava oculto, eu só viajo com ele assim, me sinto mais protegida. Ainda sim, ele me encontrou. Foi à primeira coisa que estranhei, porque era como se ele soubesse que eu ia estar ali, naquele mesmo horário, e não uma coincidência, afinal, ele me atacou.
Ele se reencostou no sofá, acenando positivamente com a cabeça como forma de incentivo.
— Ele não usava nenhuma hitaiate e lutava usando taijutsu. Na hora, eu me alegrei, porque sou melhor com taijutsu do que com jutsus, então pensei que a luta já estava praticamente ganha. Nós lutamos durante algum tempo, dez ou vinte minutos, talvez, eu pensava “um só, só preciso acertar um único soco”, então eu finalmente consegui, ele voou, quebrando algumas árvores no caminho, até finalmente cair no chão. Eu sabia que não estava morto, apenas inconsciente, mas eu não tinha intenção de ir até lá matá-lo, sabia que ele ficaria naquele estado por um bom tempo, tempo o suficiente para eu estar bem longe dali.
Ela parou durante alguns minutos, até retomar.
— Foi aí que eu notei outros chakras, era três, eu sabia que podia me virar contra os três, e ainda conseguir um tempo para sair dali. Três apareceram, um deles usava jutsus de água, mas eu até que consegui lidar bem com eles, o outro usava armas, e em algum momento uma delas me acertou, bem perto do coração, eu notei que aquilo seria mais sério que eu pensava então me preparei para ativar o byakugou quando encarei os olhos mais assustadores que já vi em minha vida. Na hora eu notei que o olho deveria ter algum poder, então desviei o olhar, mas alguém me acertou nas costas, ainda sim, eu consegui me levantar, e revidar, ficamos assim, durante um tempo, até que um deles conseguiu puxar meu braço e quebrá-lo, eu baixei a guarda por pura dor durante alguns segundos, mas foi tempo o suficiente para que um deles – o dos olhos assustadores – se postasse em minha frente. Ele puxou meu rosto, enquanto outro puxou meu pé, eu cai no chão de dor, tanto no braço quanto nos dedos dos pés, que eu sabia que estava quebrados.
Viu-a morder o lábio inferior.
— O que os olhos faziam?
— Tiram o chakra. Não tiram do corpo, não sugam, somente tiram do lugar. No momento que eu olhei diretamente nos olhos dele foi que eu vi que não eram olhos de genjutsu, porque ao invés de meus olhos ele olhava diretamente para minha testa, no lugar do byakugou e não importava o quanto eu tentasse concentrar chakra ali. Pelo que percebi, ele só pode tirar de um único lugar por vez, desvia-lo para outra parte do corpo. Porque eu conseguia juntá-lo nos meus punhos normalmente. Eu ainda consegui acertar algumas kunais, duas até envenenadas e socá-los algumas vezes com meu braço que estava são, mas não durou muito eles logo atacaram juntos, outro se juntando a eles, quebraram meus dedos, deslocaram algumas partes do meu corpo, eu tentei curá-los manualmente, como eu fazia antes, mas eu não tinha tempo hábil para fazer isso e eram tantas feridas que eu não sabia nem ao menos por onde começar.
Ela olhou-o com o que parecia ser vergonha.
— Eu consegui ativar o byakugou por alguns instantes, acho que foi isso que me manteve viva, mas logo ele percebeu e retirou novamente o chakra dali. Em pouco tempo eu fui me rendendo aos ossos quebrados, a dor e tudo escureceu. Eu acho que pensaram que eu estava morta, ou não contassem que alguém passaria ali tão rápido ou eu somente tive sorte.
Sorte foi a última coisa que você teve. Ele quis falar, mas se manteve em silêncio.
— Antes de desmaiar, no entanto eu percebi que tudo que eles fizeram era como se soubessem exatamente o modo como eu lutava, o modo como eu me defendia, como se estivessem estudado cuidadosamente cada ponto. Lá, jogada no chão, eu soube que tinha sido o conselho que mandara aquilo.
— E ainda sim está perto de mim.
— Eu quase morri Sasuke. Acha mesmo que eu vou fazer o que eles querem? Vão me matar de qualquer jeito!
Ele engoliu em seco. Não era muito confortável ouvi-la falar da própria morte como se fosse algo rotineiro.
— Foi vergonhoso.
Ela disse por fim, claramente chateada.
Estava daquele jeito porque estava triste por ter perdido?
— Sakura, como você disse eles tinham estudado seu modo de luta.
— Sou discípula da Godaime, Sasuke, trabalhei durante anos, esquiva, força, chakra, armas, venenos, curas... Arduamente.
— Eram cinco Sakura.
Ela balançou a cabeça negativamente.
— Eu devia ter ganhado.
Disse por fim, e ele sabia que não importava o que ele falasse, não mudaria, ela estava magoada consigo mesmo.
♦ ♦ ♦
Era a posse de Kakashi e o dia da chegada dos ninjas das demais vilas que os ajudariam a eliminar os Yoikis. Ele sabia que poderiam fazer isso sozinhos, mas depois da guerra as vilas ou faziam tudo sozinhas, ou com a ajuda uma das outras, tentando mostra uma falsa aliança.
Uma falsa paz. Afinal jamais existiria paz no mundo ninja.
A cerimônia de posse foi reclusa, alguns chefes de estado, alguns senhores feudais importantes, e alguns ninjas de Konoha, entre eles, o time sete. Foi algo rápido, e ele sabia que provavelmente fora um pedido tanto de Tsunade quanto de Kakashi, afinal nenhum dos dois tinham paciência para aquilo tudo.
Nenhum conselheiro apareceu na posse. E ele não sabia se deviam se sentir gratos ou desconfiados.
Após a posse teria uma pequena comemoração em um pub de Konoha. Música alta, gente bêbada e flertes. Não havia nenhum ponto positivo naquilo tudo, e ele sabia que aquilo era somente uma desculpa da ex-Hokage e do novo Hogake para se embebedarem.
Também era uma forma de dar boas vindas aos ninjas enviados para ajudá-los, e dois chefes de estado – o do trovão e do arroz – que haviam vindo negociar novas alianças.
Uma babaquice total. E ele havia aceitado ir por Kakashi e também por Sakura, que havia repetido vezes seguidas que o Hatake se sentiria infeliz caso ele não estivesse ali, mas ele sabia que era uma desculpa, afinal após três ou quatro copos de sakê o mascarado não lembraria nem do próprio nome, muito menos sentiria sua falta.
De todo modo lá estava ele. No lugar pouco iluminado, com uma enorme pista de dança, um bar que ocupava toda uma parede, e mesas localizadas em um canto mais reservado.
Quando ele chegou Sakura ainda não estava lá. Após a cerimônia ele foi para casa, e ela iria passar no hospital.
Havia muitas mesas ocupadas, e em uma delas ele encontrou Naruto e Hinata sentados lado a lado. Ele apenas puxou uma cadeira e sentou-se em frente a eles sem nem ao menos pedir.
— ‘To gostando de ver! Sakura-chan te colocou na linha! Tá até vindo em comemorações!
O loiro disse, e ele agradeceu aos céus por ele pelo menos ter tido a decência de dizer aquilo baixo. Sabia também que Naruto só dissera aquilo para irritá-lo, então ele apenas ignorou.
Os ninjas das outras vilas estavam duas mesas atrás da deles. Ele não havia ido com a cara de nenhum dos três homens e nem das duas mulheres, mas não é como se ele fosse com a cara de alguém, de qualquer forma.
Eles estavam sentados com três ninjas da ANBU de Konoha, dois inclusive com os quais já trabalhara junto. Na mesa também havia Yahiko e outro ninja que ele não conhecia.
Ele podia ouvir as conversas sem nem ao menos se esforçar. Eles tentavam falar baixo, mas devido a musica alta não estavam tendo muito sucesso. Ele sabia que Naruto e Hinata também poderiam ouvir, mas parecia que nenhum dos dois estava atento a isso.
— Aquele é Uzumaki Naruto. Mas vocês já devem saber disso. Todo mundo já ouviu falar dele. É um cabeça-oca, desmiolado e—
— Eiii! Ele é um ótimo ninja! — O outro defendeu.
— Sim, mas não deixa de ser um desmiolado que paga uma de herói.
— Ele é uma gracinha — A voz feminina respondeu.
Sakura chegou, ela cumprimentou Naruto e Hinata e o lançou um sorriso discreto.
— Huuum... Vou buscar algo para bebermos, sakê talvez?
Ela o perguntou.
Ele se limitou em acenar positivamente.
— Vou com você, Sakura-chan. Quer algo Naruto-kun?
Naruto pediu uma porção de camarões e sakê.
A morena se levantou, e as duas cruzaram a pista de dança e o salão, até chegarem ao bar. Quando voltou a ouvir a conversa alheia, eles acabavam de discutir se Naruto era estúpido, bonito, herói ou um farsante.
— Ele está com a morena lá do bar. Consegue ver?
Os outros responderam afirmativo.
— Hyuuga Hinata, uma gracinha ela.
— Uma gostosa ela – O outro corrigiu.
— Fala sério, ela nem é tão bonita assim — A voz feminina se intrometeu.
— A do lado é Haruno Sakura, ela que foi atacada.
— São duas anãs.
— São duas gostosas — O outro corrigiu novamente.
— Aquelas pernas e aqueles peitos...
Sério que estavam falando aquilo ali?
— Não fale assim da namorada do futuro Hokage nem de Yahiko.
— Eu... É... Eu não sabia e-
— Ops, é ex-namorada. Não é Yahiko?
O outro balbuciou palavras sem realmente dizer nada.
— Yahiko terminou com ela porque supostamente não era boa de cama o suficiente. Mas parece que agora ela tem um caso quente com Uchiha Sasuke, o ex-nukenin estúpido e maníaco por vingança. Aquele daquela mesa ali viu?
— Uou! Com um cara desses ninguém precisa ser boa de cama. Ele tem cara de quem faz todo o trabalho sozinho e-
— Não é bem o que parece, já que ele deu um gelo em Yahiko em um bar meses atrás dizendo que-
Ele desligou-se das vozes, não queria manter-se ainda mais nervoso do que já ficara. Naruto falava com ele, mas ele não sabia sobre o que, então apenas acenou com a cabeça como se concordasse.
Ele nunca havia parado para reparar em Sakura, para reparar o que nela que o atraia. Era inquestionável que eles tinham uma atração sexual muito – muito – forte. Mas ele nunca havia parado para reparar nisso.
Olhou-a, ela estava ao lado de Hinata. Usava uma calça jeans escura e apertada que acentuava o contorno do seu corpo, e mostrava com clareza as pernas compridas que embora não fosse grossa como as de algumas mulheres, eram bonitas e extremamente proporcionais ao seu corpo.
A blusa dela deixava as costas à mostra. Embora pela distância e pelo ambiente escuro fosse muito difícil de notar ele sabia exatamente onde havia cicatrizes nas costas pálidas. Sabia que havia muitas marcas menores, resultado da vida de um shinobi, e outras duas maiores, uma na clavícula, grande, branca e antiga, e uma mais abaixo, no abdômen, na qual ele sabia da presença de outra igual na frente, deixando claro que aquilo havia sido uma arma transpassada, embora ele nunca houvesse perguntado o que tinha causado aquilo. Essa cicatriz era a maior, a mais enrugada e mal cicatrizada, mas que não apagava de modo algum a beleza das costas nuas.
O cabelo cor-de-rosa estava preso em um rabo de cavalo, deixando o pescoço nu e aquilo parecia ser um convite silencioso. Ao menos para ele.
Fisicamente ele gostava do modo com suas mãos e seu corpo pareciam se encaixar com precisão ao dela. Das pernas, do pescoço elegante em conjunto com o colo nu e dos olhos dela que pareciam entender sua alma.
Ele também gostava de outras partes, mas acabou parando sua divagação ali, quando ela chegou sorrindo para ele e sentando-se ao seu lado.
Havia aquela sensação de alivio em vê-la andando e sorrindo, bem diferente do desespero que passara semanas atrás.
— Está tudo bem Sasuke-kun?
Ela perguntou. Ele sentiu vontade de beijá-la, ali mesmo, não sabia se era uma atração, se era para mostrar aqueles idiotas que ela estava com ele, ou se era apenas uma vontade.
Mas ele não o fez. Apenas acenou positivamente com a cabeça, pegando o copo de sakê que ela lhe oferecia.
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