Falcão

9 CAPÍTULO O9: Caminho & Sentimentos


Notas iniciais
Vou ser sincera. Peço desculpas pela minha demora absurda, por tê-los feito esperar tanto tempo. Eu fui estúpida o bastante para pensar que eu poderia viver no mundo real, ledo engano. Levei uma porrada tão rápida que eu fiquei dias para digerir a dor. Ainda estou voltando aos poucos, e ontem, depois de assistir The Last (que apesar de não ter nem um pouco de SasuSaku é um filme lindo que eu só me arrependi de não tê-lo assistido antes) consegui adentrar ao mundo de Naruto novamente, e consequentemente, das minhas histórias (o único lugar em que consigo me encaixar). Capítulo dedicado as maravilhosas MayaCereja e Michellinha611 que me deixaram lindas recomendações em momentos difíceis e que foram muito importantes para a continuação da história, também agradeço todo o carinho de vocês nos comentários. Boa Leitura!

FALCÃO

Escrita por Coffee

CAPÍTULO O9: Caminho & Sentimentos

Eles andaram durante muito tempo. No caminho não foram interceptados por ninguém e ele estava tão cansado que quase agradeceu por isso.

No meio do dia, chegou a hora dos dois times se separarem. Todos permanecem parados, apenas Naruto, com toda a ladainha que o acompanha, que foi até Sakura, a beijou na testa e depois veio até ele, sussurrando baixinho que era para ele cuidar dela.

Depois, Shikamaru se despediu com um preguiçoso acenar de mãos, os outros com um acenar de cabeças, e logo eles estavam novamente correndo sobre as árvores.

A viagem seguiu tranquila. Eles pararam vez ou outra para comer alguma coisa e depois voltaram a correr pelos galhos das árvores. Todos andaram estranhamente silenciosos, e não é algo ao qual ele podia reclamar, ele sempre preferiu o silêncio, afinal.

Pararam quando já era noite e somente a luz da lua acompanhava seus passos. Ali, com as roupas negras iguais, e as máscaras, eles eram verdadeiros ninjas, soturnos, rápidos e silenciosos. No meio da floresta eles eram sombras.

Sakura juntou galhos para fazerem uma fogueira, ele a acendeu, e os dois irmãos buscaram água e peixes para assarem. Não falaram nada mais além do necessário.

Yachi esquentou a comida junto a Sakura, e eles comeram rapidamente, apagando a fogueira o mais rápido possível. A médica ainda conversou com os dois irmãos, sobre assuntos banais, sobre o caminho que estavam seguindo, mas ele permaneceu recluso.

Quando chegou a hora de dormir ele preferiu ficar de guarda. Embora estivesse exausto ele ainda não confiava nos outros dois o suficiente. Sakura abriu a boca, agora sem a máscara, mas ainda com os cabelos castanhos, para reclamar, mas nenhuma palavra saiu dela.

Ali, não eram Sasuke e Sakura.

Eram dois ANBUS, ninjas capacitados e elitizados. Ele era o capitão e ela obedeceu a sua ordem ainda que não quisesse fazê-lo. Ela o respeitava.

Yomo e Yachi se recolheram em seus sacos de dormir, deram um baixo ‘boa noite’ a ele e Sakura que somente ela respondeu. Subiu em uma árvore algum tempo depois, encostou-se a um tronco e esticou as pernas. Abaixo ele observou Sakura se encolher em seu saco de dormir.

E ela dormiu. Tão rápido fazendo jus ao seu cansaço. Sua expressão era serena como se nada ali pudesse a atingir. Ele sabe por que ela se entregou ao sono daquele jeito.

Confiança.

♦ ♦ ♦

— Hokage-sama?

Ergueu os olhos. Shizune que chegara a pouco de uma viagem que estava com Tsunade. Ela o ajudava como secretária. Assim que o seu olhar se encontrou com o dela a morena ficou terrivelmente vermelha, e ele ficou sem entender o motivo.

— Shizune?

Ele chamou, porque ela parecia estar em transe.

— Oh! É-eu-eu-bem-queria-então...

Ela gaguejou algumas palavras incertas e uma palavra veio em sua cabeça instantaneamente: adorável.

Shizune tossiu, duas vezes, respirou fundo, e voltou ao normal.

— Já decidiu o que vai fazer com o conselho?

— Não. Primeiramente tratei de tirar Naruto, Sasuke e Sakura daqui. Também reforcei a aliança com algumas vilas para eles darem apoio a mim caso o conselho vá procurá-los, e agora devo pensar melhor no que fazer.

— ‘Se você me permite...

Acenou positivamente.

— Achei muito estranho eles se importarem tanto assim com Sakura... Tudo bem, ela é um empecilho para que Sasuke tenha herdeiros, mas achei a ação deles, de mandarem matá-la tremendamente suspeita.

— Também já pensei nisso. A minha pergunta é por quê? O que Umiko tem contra ela?

— Alguma vez no hospital talvez? Alguma discussão? Algum tratamento?

— Provavelmente não. Sakura sempre atende muito bem seus pacientes, dúvido muito que ela tenha o tratado mal. Droga... Eles acabarão essa missão logo, precisamos descobrir o que o conselho está planejando, e de quebra, limpar a barra de Naruto.

A morena acenou positivamente, corando um pouco mais uma vez.

Voltou o olhar para os papéis.

Precisava conversar com Tsunade e descobrir o que Umiko tinha contra Sakura. Também tinha que analisar os planos do conselho, e dar um jeito de Naruto se firmar como próximo Hokage.

Por que diabos ele havia aceitado aquilo mesmo?

♦ ♦ ♦

Estava tão cansado que seu corpo reclamava por cada passo. Dormira apenas algumas horas quando Sakura acordou dizendo que já estava descansada o suficiente e que ele podia descansar um pouco.

De todo modo nem ela nem ele descansaram o suficiente. Ela corria ao seu lado, com a máscara branca no rosto, os cabelos agora castanhos presos em um coque firme e sério, mas ele podia notar o modo como ela respirava cansada.

Porém ela parecia incrivelmente calma com a viagem, e isso o assustava.

A inexpressividade dela o assustava.

Ele podia lidar com a Sakura escandalosa, chorosa ou gritando.

Mas com uma Sakura silenciosa, não.

As palavras de Kakashi e até mesmo de Naruto repercutiam em sua mente. Como ela reagiria? Cara a cara com ninjas que a deixaram naquele estado? Que machucaram não só seu corpo como seu ego e seu orgulho?

Kakashi cometera um terrível erro achando que ele podia lidar com as emoções dela. Era sempre ela quem lidava com as emoções dele, e ele, não sabia se conseguiria retribuir.

Já estavam andando a mais um dia e meio parando apenas para fazer uma refeição e suas necessidades vez ou outra. Quando a corrida já virava uma caminhada avistaram uma pequena vila iluminada. Antes que pudesse dar alguma ordem Yomo o interrompeu.

— Poderíamos passar a noite em uma pousada?

O ninja parecia exausto, como todos ali. Acenou positivamente sabendo que aquilo seria o mais inteligente a ser feito.

Desaceleraram até descerem nas árvores e caminharem para dentro da vila. Era pequena e simplória, com algumas ruas estreitas iluminadas por postes. Não demoraram muito para acharem a pousada que era a maior construção dali.

Eles pararam um pouco antes da construção antiga para tirarem suas máscaras. Em uma vila de civis eles estavam seguros com suas identidades. Ainda sim Sakura manteve os cabelos no castanho escuro, embora os olhos ainda fossem os verdes vibrantes e enormes.

Assim que Yachi abriu a porta um pequeno sino soou. A senhora de idade avançada largou as agulhas de tricô de lado e pôs-se a atendê-los.

— Boa noite! Sejam bem vindos!

Sakura foi a única que respondeu, mas a senhora pareceu não se importar.

— Vocês parecem tão exaustos! Vão dormir aqui essa noite?

— Sim, só uma noite. — Yachi que respondeu, esticando os braços finos observando tudo ao seu redor com os olhos incrivelmente azuis.

— Nosso jantar já foi servido, mas posso pedir para que minha neta os sirva uma refeição antes de repousarem, tudo bem?

— Seria ótimo. — A ninja de Kiri respondeu sem muita convicção.

A senhora levantou com dificuldade, saiu de trás do balcão e seguiu por uma porta.

— Venham! Venham! May querida? Esquente comida e sirva aqui!

Ela gritou para eles e para a provável jovem. Passando pela porta eles encontraram uma sala de refeições, era pequena, mas possuía várias mesas bem acomodadas e uma lareira queimava preguiçosamente.

A senhora apontou para uma mesa com quatro lugares, e pediu para que eles sentassem. É o que eles fizeram. Todos ali estavam tão cansados e tão famintos que ninguém reclamou da senhora gritando com sua neta.

Eles tiraram as mochilas de suas costas, e ele até tirou sua katana, deixando ambas ao seu lado assim como os outros.

Depois de vê-los acomodados a mulher saiu rumo a provável cozinha repetindo vezes seguidas que a refeição sairia em breve.

— Sairemos de madrugada?

Yomo perguntou diretamente para ele. Embora não soubesse o motivo o homem claramente não gostava dele, e ele fez questão de corresponder esse sentimento.

— Já caminhamos bastante. Estamos adiantados. Moyakagure é mais longe que Yuki, e acho que estamos em vantagem em relação ao outro time. Podemos partir mais tarde, cerca de oito horas.

O homem acenou positivamente e passou seu olhar para Sakura.

— São muito fortes?

A rosada olhou para ele incerta, seus ombros se moveram incomodados, e depois de um tempo ela finalmente respondeu.

— Provavelmente. Eles me pegaram em uma emboscada, e bem, eram cinco...

— Como a ninja de elite que eles dizem que você é você deveria ter dado conta.

É Yachi quem a corta. Ácida.

Ele temeu que Sakura levantasse furiosa e quebrasse a mesa, mas ela apenas respirou fundo e voltou seu olhar para o homem.

— Como eu estava dizendo... Eram cinco contra mim. Eu estava indo bem, mas tem um deles que tem um poder de...

Ela contou aos dois sobre os olhos perigosos de um deles assim como ela o contou um dia. Yomo a ouvia atentamente, enquanto Yachi fingia prestar mais atenção em suas unhas.

A senhora voltou algum tempo depois com os pratos. A comida estava quente e o cheiro se espalhou por todo o cômodo. Sua boca (assim como a dos outros) salivava diante a refeição.

Eles agradeceram rapidamente, e logo estavam atacando a refeição. Ele tentou ser polido como sempre, mas seu estômago reclamava por comida e ele teme que acabara comendo mais do que deveria e não de um modo muito educado.

Mas ninguém pareceu reparar, afinal, todos eles se encontravam do mesmo modo.

Quando acabaram Yomo ainda conversa com Sakura algumas palavras e Yachi levantou de súbito, pegando sua mochila.

— Não tenho tempo para essas conversas banais. Boa noite.

Ela disse, lançou um olhar raivoso para o irmão, e seguiu rumo à recepção. O irmão levantou rapidamente, pediu desculpas e depois seguiu a irmã.

— Eles são estranhos...

Sakura sussurrou ao seu lado. Acenou positivamente. Levantaram um tempo depois, na recepção à senhora estendeu duas chaves.

A médica corou instantaneamente remexeu a barra da blusa negra, e olhou para ele incerta. Ele acenou positivamente respondendo sua pergunta silenciosa e Sakura então se voltou para a senhora.

— Então... Não teria um, er, quarto de casal?

— Oh! — A senhora sumiu rapidamente com as chaves e vasculhou uma gaveta — Vocês são um casal! Desculpem-me e—

Ele não ouve muito o discurso da mulher. A palavra casal repetiu-se em sua mente sem permissão.

Era isso que eles eram? Um casal?

Ele olha para Sakura de costas para si. A estatura pequena, o corpo fino e a pela clara. E por um momento, ele pensa o que diabos ela vira em alguém como ele, um homem tão machucado, tão cheio de pecados.

Antes que possa chegar alguma conclusão, ela vira para ele, com a chave na mão e um sorriso gentil. Ela ainda fala algo para a senhora, e em seguida eles sobiram as escadas.

— Espero que ela não esteja pensando coisas erradas de mim.

Sakura comentou, enquanto abria o quarto.

Ninguém jamais pensaria coisas erradas de você.

Ele quis dizer.

Sakura parecia tão pura e tão... Doce o tempo todo que parecia ser impossível alguém pensar mal dela. Gentil, cuidando das pessoas o tempo todo, saindo da cama tarde da noite para salvar vidas no hospital, plantões intermináveis...

Até o modo como ela quebrava as coisas... Parecia ser feito com maestria. Apesar da paisagem estraçalhada havia algo... Talvez no modo como ela sorria que parecia amenizar tudo.

Sakura era contagiante. Seu jeito, seu comportamento parecia contagiar tudo ao seu redor e deixar tudo calmo, puro, límpido.

Ela era como um sol após um dia chuvoso. Clareava o dia por entre as nuvens, secava as folhas das arvores e ainda esquentava.

— Não acho que ela tenha.

É tudo que ele responde, embora agora já estivessem dentro do quarto e ela provavelmente nem esperava mais uma resposta.

O quarto é impessoal. Tem uma cama de casal com lençóis incrivelmente brancos. Uma porta para um banheiro e uma pequena cômoda de madeira. O chão era incrivelmente polido, e um tapete felpudo descansava perto dela.

Havia também uma janela com uma cortina também branca e só.

— Você se importa se eu tomar banho primeiro?

Acena negativamente, sentando na beirada da cama enquanto Sakura desponta para o banheiro com a sua mochila. Ele abre a sua, pegando os arquivos que Kakashi entregara.

Ele lê algumas fichas, observando e gravando alguns detalhes e as fotos dos homens.

Sakura não demora muito, ela abre a porta do banheiro, agora com os cabelos róseos e úmidos roçando nos ombros. Ela sorri, e diz que o banheiro está livre, e logo ele deixa a pasta de lado e entra para o banheiro.

Também não demora muito no banho. Escova os dentes ainda em baixo do chuveiro, coloca apenas uma calça negra e volta para o quarto.

Assim que Sakura o vê ela deixa os papéis que ele lia antes de lado, e sorri.

— Você parece tão cansado. Quer uma massagem?

Ela pergunta. Ele sabe que as massagens com chakra dela sempre o relaxava e aliviava seus músculos da tensão, mas ele pode ver como ela também está exausta e ele prefere deixá-la descansar.

Acena negativamente, deitando na cama. Ela deita ao seu lado.

Eles não precisam dizer um para o outro que estavam cansados demais para fazer qualquer coisa. No começo, ele podia pensar que eles eram apenas uma atração carnal. Mas depois de um tempo não.

Ia muito além. Mesmo que ele tentasse negar.

Agora estavam deitados. Não precisamente colados, nem abraçados. Apenas deitados juntos, de frente um para o outro, seus olhares se encontrando. E mesmo com aquela pequena distância havia mais sentimento do que ele poderia encontrar dormindo colado com qualquer outra mulher, ele sabia.

— Obrigada.

Ela diz de repente, e ele a olha em dúvida.

— Por ter embarcado nisso junto comigo.

Eles quase te mataram.

Ele pensa, é óbvio que ele precisava ajudá-la.

— Obrigada por estar indo contra o conselho por mim.

Ela estende uma mão e toca seu rosto, em uma carícia suave.

— Eu jamais pensaria que você faria algo assim por mim um dia.

Nem eu.

Ele pensa. Ainda tentava digerir aquele sentimento absurdo que estava o fazendo fazer todas aquelas coisas, como bater de frente com o conselho, sair em uma missão atrás de ninjas renegados, dar uma de médico e ajudar a curá-la. Era algo estranho, e quente, não do tipo sexual, e sim uma quentura afável no peito.

— Só queria que soubesse que eu estou feliz.

Ela sorri outra vez. Sua mão abandona seu rosto e ele permanece em silêncio porque nunca soube colocar suas emoções em palavras. Mas, enquanto ele a assiste pegar no sono e cair no mundo da inconsciência, ali, no quarto escuro e silencioso ele pensa:

Eu também.

Notas finais
Eu não sei se alguém ainda lê essa história, mas se você lê, muito obrigada. Leia também: http://fanfiction.com.br/historia/600846/Sentimentos_Ocultos/