Faith's In Trouble
3 Stay away from her
O despertador me acordou me salvando do pesadelo que eu tive.Levantei correndo e me arrumei.Estava tomando café quando Sophie e Mason se sentaram à mesa,Hoje fui mais rápida que eles,e mais esperta,talvez.Terminei meu café e pedi o carro da minha mãe emprestado.Demorou um tempo para ela acreditar em algum dos milhares de motivos para não querer ir com Sophie,mas que a amava mesmo assim.Eu não sei porque eu estava fazendo o que ela tinha me ordenado.Eu disse que ela não mandaria em mim e,no entanto,aqui estou eu falando para minha mãe que eu e Sophie somos amigas.
Cheguei na escola com a Land Rover da minha mãe.O que não me fez me sentir tão mal quanto ontem.Estacionei o carro ao lado de um Audi e,ao lado do Audi,tinham algumas meninas conversando.Quando eu saí do carro,elas começaram a me encarar,eu não sabia se tinha alguma coisa de errado comigo,então me olhei para certificar-me que estava tudo bem,e estava.Ou eu achava que estava.Aquelas meninas sorriram ironicamente para mim e depois começaram a dar gargalhadas enquanto eu deixava o estacionamento.Quando cheguei no prédio da escola,essa cena se repetiu,com outras pessoas,claro.O que estava acontecendo comigo?Porque todo mundo ria de mim?Qual era o meu problema?Ergui a cabeça e,quando olhei para frente,vi Sophie rindo com suas amigas e olhando para mim.Eu não aguentava mais,eu precisava saber do que estavam rindo,talvez eu estivesse com um complexo de perseguição,mas eu falhei.A única coisa que consegui fazer foi passar por todas aquelas gargalhadas e sorrisos maliciosos apontados para mim e ir para o banheiro.Eu me sentia muito mal,eu nunca quis tanto ir para casa como eu queria agora.Eu nunca me senti tão odiada como eu me sentia agora e,bem,ninguém tinha me falado nada,ninguém me criticou,eu não conseguia entender.Cheguei no banheiro,que estava vazio,apoiei minhas mãos na pia e ergui o olhar.O que havia de errado comigo?Eu estava normal,como todos os dias.O que tinha acontecido?Ouvi a porta se abrir e fui correndo para uma das cabines e me tranquei lá.Eu conseguia ouvir perfeitamente a conversa de duas meninas,que eu não sei o nome. — (...)Mas o que a Sophie falou? — O pai da Sophie se casou com a mãe dela,e elas estão morando juntas.Parece que ela faz algum tratamento porque tem HIV,Sophie disse que ela está sempre conversando com um menino diferente,que ela é muito galinha e a mãe teve que comprar roupas novas pra ela parar de se vestir vulgarmente. — Que horror. – as duas riram. — Pois é,estou com dó da Sophie,ter que dividir sua casa com essa tal de Faith deve ser horrível. Meus olhos se encheram de lágrimas,porque Sophie foi tão cruel?Porque ela falou isso de mim?Isso era mentira,como ela pôde?As duas meninas conversaram por mais alguns minutos e saíram de lá.Depois do sinal para o inicio das aulas bater,eu ainda estava no banheiro.Então,peguei minhas coisas e saí correndo de lá,daquela escola.Fui até o estacionamento,e saí com o carro da minha mãe,eu não conseguia ficar mais lá,parecia que todos me odiavam e,eu precisava de um tempo pra pensar o que eu ia fazer para que acreditassem em mim.Talvez fosse drama,mas eu me sentia mal e não queria mais ficar ali. Tive que procurar algum lugar para ficar,eu não podia ir pra casa,minha mãe não podia saber que eu não estava na escola.Então,fui até um dos parques da cidade e fiquei lá,eu estava chorando e não conseguia entender porque,talvez pelo fato de que as pessoas estavam falando de mim,ou por elas estarem falando mal de mim,ou porque eu achasse que todo mundo me odiava.Continuei no carro e fiquei olhando as pessoas caminhando no parque,não tinha muita coisa pra fazer ali.Ouvi o som de mensagem e fui verificar. * Que bom que foi embora,vadia.Até que enfim você entendeu que ninguém aqui gosta de você,e se alguém gosta,eu consigo mudar isso.Sua vida será um inferno,Wyatt,ninguém te quer aqui,volta pra sua cidadezinha e nos deixe em paz. S.C. S.C.Sophie Campbell,claro.Eu sabia que mais cedo ou mais tarde ela faria alguma coisa contra mim,e ela fez.Colocar pessoas que eu nem conheço contra mim não faria diferença,ou melhor,não teria feito,se isso não fosse Los Angeles e eu não me sentisse tão sozinha.Decidi apagar a mensagem e fiquei ali até a hora que,supostamente,acabaria a aula.Fui para casa e não comi nada.Corri para o meu quarto e fiquei lá até pegar no sono. No outro dia,eu tive que enfrentar a escola,não podia fazer nada.Fui com o carro da minha mãe de novo.Só tinha uma vaga no estacionamento,perto de algumas pessoas que estavam lá.Estacionei e saí da Land Rover para ir para a aula. — Será que você pode estacionar em outro lugar? – a menina ruiva perguntou. — E porque? – perguntei. — Porque eu e meus amigos não queremos que seu carro fique do lado dos nossos.Sabe,é nojento e anti higiênico. – ela e todos os amigos dela riram. — Desculpa,o que você disse? — Que não gostamos de pessoas infectadas e vadias do nosso lado. – seu sorriso desapareceu – Então,é melhor você ir tirando esse negócio daí e sair daqui também. — Olha,eu não sei o que a Sophie disse pra vocês,mas é mentira. — A gente sabe quem está falando a verdade. – a menina loira falou. — Não sabem não,vocês só sabem acreditar naquilo que a mestra de vocês fala.O que vocês são?Os súditos da Sophie? — Eu até poderia bater em você,mas não quero ficar infectada. – disse outra menina. — Porque vocês estão fazendo isso? – perguntei. — Não te interessa.Vai embora aqui por favor? – a ruiva disse. Voltei para o carro e o tirei de lá,eu sei que não devia abaixar a cabeça para aquelas garotas,mas foi mais forte que eu.Elas me xingaram,elas me fizeram me sentir pior do que eu já estava.Eu só queria sair dali,mas não podia.Estacionei meu carro fora da escola e voltei correndo para não chegar atrasada na aula.Quando cheguei na sala,a carteira que supostamente era minha,estava longe das demais.Estava encostada no canto da sala com um espaço gigante das outras,e todos os alunos já estavam lá. — Srta. Wyatt,saia da porta por favor. – o professor atrás de mim disse. — Ah,desculpe. – fui até a minha carteira e me sentei lá. Na hora do intervalo,não havia nenhuma mesa vaga no refeitório e,todos colocaram suas mochilas em cima das cadeiras para que eu não me sentasse ali.Peguei meu lanche e fui comer no banheiro.Sim,era nojento.Mas não havia nenhum lugar que eu pudesse me sentar sem que as pessoas ficassem me encarando com cara de nojo.Eles realmente acreditaram na história de Sophie.
Outros dias chegaram,e essas situações se repetiram.Xingamentos,apelidos,carteira longe de todos,trabalhos individuais,lanches no banheiro,mais trabalhos individuais,mais apelidos,mais xingamentos e eu já não aguentava mais.Sophie queria fazer da minha vida um inferno,e conseguiu.Porque ela fazia aquilo?Bem,eu também não sei,mas todos me odiavam e mantinham distância de mim.Minha mãe não percebia aquilo,e não podia.As amigas de Sophie me ameaçavam,eu tinha que ficar de boca calada para que nada de pior acontecesse comigo e,aos poucos,eu ficava cada vez mais fraca. — Saia de perto de mim. – a menina falou enquanto eu entrava no banheiro. — Eu não estou perto de você. — Perto demais para uma gorda infectada feito você. Meus dias se resumiam a isso:”a gorda infectada sendo verbalmente agredida a todo momento.E seria fisicamente se abrisse a boca.”Era o aviso que me davam todos os dias.Eu só queria paz,só queria um jeito de não sentir mas o que eu sentia.O que eu podia fazer se ninguém acreditava em mim?Se por um motivo tão idiota,o ódio de Sophie,as pessoas me odiavam?Não era minha culpa,ou talvez fosse.Talvez eu fosse mesmo gorda demais para o padrão daquela escola.Talvez eu fosse mesmo uma vadia e quem sabe eu até podia mesmo ser infectada?Eu já não sabia de mais nada naquele momento,eles estavam acabando comigo e,se era tão prazeroso assim,eu também queria acabar comigo.Eu também queria me odiar.Eu também queria me xingar.Eu estava sendo boa demais comigo mesma,eu não podia me fazer de vítima,eu era perfeitamente capaz de entender que o problema era comigo.Eu sofria pouco demais pro que eu merecia.
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