Faith's In Trouble
16 My baby girl
Abri meus olhos vagarosamente encarando o relógio que indicava que,mais uma vez,eu estava atrasada.Levantei correndo,peguei um short jeans e uma blusa solta com um tigre estampado no meio da mesma,me vesti e coloquei uma sapatilha nos pés.Fui ao banheiro,escovei meus dentes,me encarei por três segundos no espelho e fiz um coque mal feito,pois estava com pressa.Desci correndo e me deparei com todos tomando café,disse apenas um “oi”,peguei a chave do carro da minha mãe e saí dali o mais rápido que pude,olhei o relógio de novo,eu ainda tinha dez minutos.Pensei na possibilidade de ser multada por excesso de velocidade,mas não me importei,era por uma boa causa.
Cheguei à clínica e me dirigi à recepção,tive que preencher alguns papéis e sentei num sofá na sala de espera.
- Carter? – perguntei para o menino sentado ao meu lado.
- Faith? – ele disse sorrindo – O que está fazendo aqui?
- Ah,você sabe...Eu sou uma pessoa responsável agora. – ri – Apenas alguns exames para ver a saúde do bebê.
- Já sabe o sexo?
- Ainda não,quem sabe eu descubro hoje? – disse.
- Carter Dunn. – uma mulher de branco anunciou.
- Boa sorte. – ele disse e a seguiu.
Eu fiquei imaginando o que Carter fazia lá,mas não tive muito tempo de pensar nisso,já que fui chamada instantes depois.Fiz alguns exames e,depois,um ultrassom.
- Você já está de cinco meses,então? – Dr. Tunner perguntou.
- Sim. – sorri tentando ignorar a sensação gelada daquele gel na minha barriga.
- Acho que já podemos saber se é menino ou menina. – ele disse sorrindo para o televisor.
- Está brincando? – disse com entusiasmo.
- Não estou não.Olhe ali. – ele disse apontando o bebê no televisor enquanto passava aquela máquina pela minha barriga – Esse é o seu bebê,por aqui é que vamos ver o sexo,que é...uma menina.
- Menina?Meu Deus. – exclamei num tom de felicidade extrema.
- Sim,Faith,uma menina.Já pode escolher o nome.
Um nome,eu realmente não tinha tido tempo pra pensar nisso.Na verdade,eu tive,mas não quis.Depois de algumas explicações do Dr. Tunner,pude finalmente voltar pra casa.Chegando lá,contei pra minha mãe as novidades da minha consulta.Já tinham se passado dois meses,mas Sophie ainda não tinha se recuperado daquela festa e evitava os encontros de nossos olhares até hoje.Ela apenas fingia que eu não estava presente no mesmo ambiente que ela,em outras palavras,me ignorava.Depois de ser obrigada a ignorá-la também,fui para o meu quarto e liguei para Carter,tudo bem,ele era o namorado de Sophie,mas isso não significava que eu não podia encontrá-lo sem que ela soubesse.
- Fala garota. – ele disse.
- Achei que você não salvava meu número no seu celular,você sabe,Sophie ficaria uma fera se soubesse disso.
- Ela não vai saber.Pra ela,seu nome é Richard.
- Richard? – ri.
- Pois é,Richard.O que você quer?
- Eu...descobri o sexo do bebê,mas queria te contar pessoalmente.
- Posso levar isso como uma proposta indecente?
- Não! – ri – Não pode,e não faça insinuações desse tipo a meu respeito.
- Eu não posso sair,mas pode vir aqui se quiser.
- Não pode sair?
- Não,te explico melhor aqui.
- Tudo bem,estou indo. – disse desligando o telefone.
Peguei o carro da minha mãe emprestado de novo e segui para a casa de Carter.
- Olha só,a mamãe mais bonita da Califórnia está aqui. – ele disse abrindo a porta.
- Engraçado. – ri e entrei.
- Então,não vai me dizer se vamos ter uma menina ou menino?
- Vamos? – indaguei.
- Você pode negar,Faith.Mas eu sei que esse filho é meu.
- E da onde vem tanta convicção?
- Você só quis esse filho depois que eu disse que podia ser o pai.Uma mãe sempre sabe quem é o pai do seu filho.Juntando esses dois fatores,bem,eu estou no lucro.
- Você fala como se fosse ótimo pra um cara de dezessete anos saber que vai ser pai.
- Para mim seria.
- Sei. – ironizei.
- Seria. – Carter se aproximou de mim e eu me afastei.
- Carter...
- Tudo bem,desculpa.Me fale logo o sexo desse bebê.
- É uma menina.
- Menina? – ele me encarou surpreso – Isso é maravilhoso,Faith.
- Maravilhoso? – ri.
- Sim.Porque?Queria que fosse um menino?
- Não...Não de jeito nenhum,eu adorei saber que era uma menina.
- Sente-se então.Vou fazer um drinque para comemorarmos.
- Eu não posso beber.
- O seu é sem álcool,prometo. – ele sorriu.
Carter seguiu em direção à cozinha e eu me sentei no sofá.Alguns minutos se passaram e eu fiquei um pouco entediada.Olhei para uma mesinha,à frente do sofá,e comecei a mexer nos papéis que estavam lá.Quando estou entediada,sou um pouco intrometido,tenho que confessar.Em meio aos papéis,vi um envelope com o slogan da clínica em que estava hoje.Minha curiosidade não me permitiu ignorá-lo,Carter não ligaria.Abri o envelope e vi um monte de coisas que não entendia.Ao fim da folha,vi alguns tópicos mais compreensíveis;tais como:
Paciente: Carter Dunn
Data de nascimento: 17/01/1996
Anotações: .Quimioterapia três vezes por semana(segunda-feira,quarta-feira,sexta-feira).
.Mudanças no tratamento.
. Câncer pulmonar.
Meus olhos se encheram de lágrimas,de novo.E eu não consegui ler mais nada.Puta merda.Carter estava com câncer.A única coisa que consegui fazer foi sair correndo dali.Carter,o possível pai da minha filha,estava com câncer.Eu não podia nem pensar em não tê-lo aqui,não agora.Será que era tão difícil ter um final feliz pra minha história?
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