Peguei meu suco e saí dali.Não conseguia mais olhar para Sophie.Ela me fazia mal.E eu sabia porque.Ela gosta de humilhar as pessoas,ela quer ver todos no chão enquanto ela está no topo.E eu espero,francamente,que um dia alguém a empurre do pedestal e que ela quebre o pescoço.Essa filha da puta ainda vai ter o que merece.Mas eu não posso me revoltar contra ela.Não agora.Tenho que me controlar.Fui tomar outro banho e me troquei.Eu olhava para aquela lâmina em cima da pia e,parecia me atrair,não sexualmente dizendo,claro que não,mas parecia me chamar,não sei explicar e,a sensação,foi engraçada.O mesmo ritual de ontem,fazendo com que aquela lâmina fizesse um caminho de sangue no meu pulso e não era Sophie Campbell nenhuma que tiraria aquela sensação maravilhosa de mim.Eu me sentia livre,eu me sentia bem,isso era bom.

Na segunda de manhã,eu fui pra escola a pé,já que minha mãe não deixou eu ficar com o carro e,jamais,em nenhuma circunstância,eu poderia pegar uma carona com Sophie.Cheguei na escola atrasada,de novo.Carter estava na porta e sorriu quando me viu.Meu Deus,ele se lembra de mim e eu também me lembro dele,quer dizer,um pouco,só de algumas coisas.

— Está matando aula Carter?

— Não. – ele riu – Quer dizer...Sim.Estava te esperando.

— Você não precisava me esperar. – e o sorriso no rosto dele se desfez – Quero dizer,matar aula para me esperar. – ele sorriu de novo e eu também sorri em resposta.

— Eu não sou o tipo de cara que vai precisar de notas boas.

— E porque não?

— Um dia você descobre. – ele me abraçou colocando a mão no meu ombro – Vamos?

— Vamos. – rimos.

Quando chegamos na sala,ainda abraçados,todos ficaram nos encarando com olhares indignados,assustados,mas nos sentamos em nossos devidos lugares fingindo que aquilo não estava acontecendo.Na hora do intervalo,sentamos juntos no refeitório,Carter sempre se sentava em uma mesa vazia,então me chamou para almoçar com ele.

— Todo mundo está nos olhando. – ele disse

— E rindo – completei.

— Você não se incomoda?

— Sim,mas não posso fazer nada contra isso.

— Pode sim.

— Não – sorri fraco – Eu não posso mesmo,minha mãe está muito feliz com o marido dela e não quero atrapalhar isso,e é o que vai acontecer se eu contar os últimos fatos.

— Entendi.

A semana passou do mesmo jeito,xingamentos,críticas,olhares assustadores,cortes,almoços com Carter e algumas lágrimas também.Na sexta-feira,depois da aula,fui até a casa de Carter.Ele ia esperar alguns amigos para irmos para um bar em algum lugar que ainda não sabia qual.Quando chegamos lá,Carter foi até seu quarto pegar alguma coisa e eu fiquei esperando na sala.Carter morava sozinho,sua casa era pequena,mas bem sofisticada.Esse era o problema daquela escola,todos de lá eram ricos,milionários,bilionários,e isso me irritava muito,tudo lá era desnecessário.Ele voltou com três garrafas de vodka e uma de martini.

— Vai querer? – ele disse.

— Claro. – sorri.

— Vou fazer um dry martini pra você.

— Ok.

Enquanto ele preparava o drink,seus amigos tocaram a campainha e eu atendi.Eles pareciam gangsters,não sei explicar,mas...há algum tempo atrás,eu até poderia ter medo deles,mas agora não.Mesmo com aquele jeito estranho eles pareciam ser bem legais.Carter fez mais drinks para todos e,depois do nosso “esquenta”,fomos para o bar.Era bem grande,tudo aqui era assim,eu sempre me surpreendia nessa cidade.E era mais uma noite como a de sábado,eu estava bebendo,eu estava bêbada,dancei a noite inteira com Carter,os amigos dele e algumas meninas que conhecemos lá.Enquanto eu dançava,comecei a me sentir mal.Estava tudo escuro,eu não conseguia parar em pé,as meninas me viram naquele estado e me levaram para o banheiro.Phoebe,Lana e Samantha,as garotas que estavam comigo,me ajudaram a chegar até o banheiro,praticamente me carregaram até lá,eu estava caindo,meu estômago estava completamente embrulhado,meus sentidos estavam misturados.Cheguei em frente a um dos vasos sanitários e Lana segurou meu cabelo,Phoebe e Samantha estavam ao meu lado.Acho que nunca vomitei tanto,eu não sentia mais nada,eu estava completamente bêbada,vomitando sem parar,eu queria chorar,mas isso seria drama demais.Quando finalmente voltei ao normal,me sentei no chão do banheiro e as meninas começaram a rir,eu ri também.Aquela situação era engraçada,fazia duas horas que eu as conheci,elas já estavam acostumadas a beber e eu estava pagando mico,claro.

— Você está melhor? – Sam perguntou.

— Acho que sim. – respondi ainda rindo.

— Você é louca,estava quase entrando em coma alcoólico há dois minutos atrás e agora está rindo. – Lana riu.

— É que isso nunca me aconteceu antes e,de certa forma,é engraçado.

— Puta merda,Faith.Engraçado?Eu não acho que um porre seja engraçado. – Phoebe disse rindo também.

— Foda-se.Vamos voltar para o bar? – disse.

— O que?Já?Meu Deus,Faith.Você é animadinha,hein?

— Eu só tenho o fim de semana pra me divertir,Phoebe.Tenho que fazer alguma coisa.

— Eu sei um jeito que podemos nos divertir muito mais. – Sam sorriu maliciosamente para as outras garotas.

— Será que ela agüenta essa? – Lana perguntou rindo.

— Estão falando de mim?Eu agüento o que?

— Uma diversão maior,uma sensação maravilhosa.Tá afim de se sentir livre? – Lana falou.

— Claro. – respondi.

Lavei meu rosto e retoquei minha maquiagem,comi uma bala de hortelã para tirar o hálito azedo da minha boca.Saímos de lá e fomos para a entrada do bar,os meninos estavam lá,inclusive Carter.

— Onde vocês estavam? – ele perguntou.

— Coisas de garotas – o beijei – O que vocês estavam fazendo?

— Coisas de garotos – Hugh,um dos amigos de Carter,disse rindo.

— Muito engraçado,baby. – Lana disse – Precisamos mostrar para Faith como se divertir. – ela riu.

— Eu não acho uma boa idéia. – Carter disse.

— Qual é,Carter?Ela precisa se divertir – Sam disse.Carter me olhou como se esperasse uma resposta e eu fiz sinal de sim com a cabeça.

— Então,vamos nos divertir,Faith.Vem com a gente. – Phoebe disse puxando meu braço.

Fomos para o fundo do bar,quer dizer,era lá fora,mas era o fundo do bar.Lana tirou da bolsa algum pó e papel.Aí eu entendi que aquilo se tratava de maconha,eu já estava toda fodida,então não fazia diferença.Ela preparou aqueles cigarros e me entregou um deles.

— Bem vinda a diversão,novata. – ela riu.

Notas finais
comentem (: