Faith's In Trouble
14 Bitch's back
Um sorriso.Porra.Eu estava grávida.Nada podia piorar na minha vida.Eu dormi com,talvez,quatorze homens nas últimas semanas,quem era o pai do meu filho?O que eu fiz com a minha vida?Está tudo acabado.Tudo.Eu não tenho mais chances,eu tive,e eu as desperdicei.Eu tinha alguém dentro de mim.Eu,que fui irresponsável e não soube cuidar de mim mesma,eu teria que cuidar de alguém e...como?Como eu fui deixar isso acontecer?Eu nunca transei sem camisinha,não que eu me lembre.Ok,eu nunca transei sóbria,então não posso afirmar nada,mas não devia ser assim.
Eu podia ouvir as batidas que a minha mãe dava na porta.Com que cara eu ia falar pra ela que estou grávida?Ela me chamava e eu tremia.Minhas lágrimas escorriam enquanto eu apoiava minhas mãos na pia e me olhava no espelho.O que eu fiz comigo?Porque eu me tornei isso?Ou melhor,como?Eu teria que encarar aquilo.Enxuguei minhas lágrimas com as costas das mãos,mesmo que eu soubesse que elas voltariam a cair.Destranquei a porta e encontrei o olhar curioso da minha mãe.
– Mãe... – tentei segurar meu choro – Eu...
– Você está grávida. – ela disse olhando para o teste em minhas mãos.
– Mãe... – minha voz estava falha e eu comecei a chorar – O que eu vou fazer?O que vai ser de mim?
– Você... – ela levou uma das mãos à cintura,enquanto a outra cobria sua boca – Você fez isso,Faith.Agora tem que encarar as consequências de seus atos. Quem é o pai?
Merda.Essa realmente não era uma pergunta que eu queria responder.O que eu diria?Quem sabe,eu pudesse dizer: “Bom,mãe...Eu não sei.Sabe como é,não?Sou puta e não tenho nem idéia de quem seja ele.”Ela me mataria.
– Não.Eu não vou falar com ele. – seus olhos se arregalaram.
– Como é?Você acha mesmo que vai cuidar disso sozinha?
– Vou. – tentei arrumar uma desculpa – Se eu vou mesmo ter um filho,eu não quero que ele conviva com o pai.
– Do que você está falando,Faith? – ela gritava – Você tem que dividir suas responsabilidades.Não foi só você que fez isso.
– Não foi,é claro que não. – tentei manter a calma – Mas meu filho nunca vai encontrar o pai.
– Faith... – minha mãe tentava voltar a seu estado normal – Por mais babaca que esse garoto seja,você não vai assumir esse filho sozinha.
– Mãe,se você não concordar com a minha decisão,teremos sérios problemas. – tentei fazer com que minha voz ficasse mais firme – Eu já disse,esse cara não vai nem sonhar que é pai,eu juro.
– Desculpa,mas eu não concordo.Não vamos cuidar desse bebê sozinhos.
– Então,eu vou. – gritei – Se você não estiver de acordo,eu fujo.E não pense que não o farei,pra quem já fez uma vez,não é difícil fazer outra. – de repente,minha mãe estava chorando,e eu me senti culpada.
– Tudo bem. – disse se acalmando – Só não me deixe te perder. – ela me abraçou.
– Você não vai.Nunca. – deixei minhas lágrimas caírem por seu ombro.
É claro que eu não queria que meu filho crescesse sem pai.Mas na atual situação,essa é a melhor saída.Eu sei como é ruim sentir-se odiada pelo próprio pai,mesmo que as pessoas falem o contrário.Meu pai realmente me abandonou.Ele deixou isso bem claro.Consigo me lembrar de suas palavras duras me torturando. “O papai vai embora,Faith.Não é culpa da sua mãe,é sua.Não consigo mais viver com você.Ninguém conseguirá.”Eu tinha só nove anos,mas eu vivi uma boa parte da minha vida com esse fantasma.E agora,lá estava eu,fazendo meu filho sofrer tanto quanto eu,ou talvez pior.Meu filho nunca saberia se seu pai gostava ou não dele,nem eu,porque nem ao menos sabia quem era ele.
Eu sei que eu tinha que assumir minhas responsabilidades.Mas eu queria deixá-lo viver com alguém que pudesse o amar mais que eu.Alguém melhor que eu.Eu não seria uma boa mãe.Eu não queria ser uma mãe.Eu tentei acabar com a minha própria vida,era óbvio que eu não conseguiria cuidar de outra pessoa.Eu tinha que arranjar outra saída.As coisas não podiam ficar assim.
– Posso entrar? – a voz de Carter ocupou o silêncio do meu quarto.
– Sim. – respondi me levantando e deixando meus sonhos para depois.
– Você estava dormindo?
– Sim. – sorri.
– Parece que até hoje você não tem uma boa relação com as palavras.
– Pois é. – ri.
– Então... – seu sorriso se transformou em um olhar de arrependimento,talvez – Você está grávida?
– Minha mãe te falou isso? – o encarei surpresa.
– Eu a vi falando com seu padrasto.É verdade?
– Infelizmente.
– Quem é o pai?
– Porque isso é tão importante pra vocês?
– Pra sua mãe eu não sei,mas eu transei com você,sem camisinha.
– Nós não usamos camisinha?
– Não.
– Eu...acho que não é você.
– Acha? – intrigou.
– De qualquer forma,eu não vou ficar com esse bebê,então não faz diferença.
– Não vai? – ele se assustou.
– Não.
– Mas sua mãe disse que...
– Eu ainda não falei com ela. – o interrompi.
– O que você fez durante esse tempo?
– Tudo que eu podia fazer de errado.
– Pode ser mais específica?
– Bebi,me droguei,transei com vários caras que nem imagino quem sejam,vendi drogas,parei de estudar,enfim,eu fodi minha vida.
– Eu sou o culpado.Eu te mostrei o caminho para isso.
– Não. – exclamei – Se eu não quisesse,não teria feito nada do que fiz.
– Você não se arrepende?
– Claro que sim.
– E agora?
– Não tenho idéia. – tentei forçar um sorriso,mas não adiantou muito.
– Faith,sobre nós...
– Não tem nós. – o interrompi de novo – Você está com a Sophie,eu estou grávida,tudo mudou Carter.
– Você sabe que eu estou com ele pra te proteger,certo?
– Porque você diz isso?Eu realmente não sei se posso acreditar,você nunca deixa as coisas claras pra mim.
– Sophie tem fixação por mim,eu não sei do que ela seria capaz.
– Sophie é apaixonada,não é louca.
– Como você pode ter tanta certeza?
– E como você afirmar isso?
– Eu não sei o que ele afirmou,mas você não vai saber a resposta. – Sophie invadiu meu quarto.
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