Fairy Tales- Contos de Fada
2 Aquela canção
Notas iniciais
E no meio da noite Lucy precisou levantar da cama, esqueceu de ir no banheiro quando foi se deitar.
Correu em passinhos de formiga para não acordar ninguém e então encontrou a porta que queria.
E depois de usar o banheiro e lavar com dificuldade suas mãozinhas, abriu a porta e sentiu o corredor mais escuro que o normal... Apesar da Lua estar baixa e com cara de estar dormindo em seu jardim...
– Virgo, você está aí?... -sussurrou bem baixinho a menina, sentiu um toque nos ombros e ficou assustada, não gritou, virou-se devagar e notou ser sua amiga Virgo... — Ainda bem... -sorriu-
Então aquela canção novamente ecoando por sua cabeça, estava tão alta que o corredor cantava junto;
Hoje a noite quando levantar, você terá uma surpresa
Caixa de madeira, veludo em céu, apontará uma estrela...
E andando com Virgo ela vi uma das luzes acesas no final do corredor (o início dele na verdade), pensou que poderia ser seu pai trabalhando então foi até ele...
*
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Chave com chave que abre uma porta, por doze você encontrará
Alma que vaga no mundo dos sonhos um dia ela acordará...
Quando chegaram no cômodo não havia ninguém... Nada além de uma caixa azul em veludo com uma fechadura muito delicada. Era dourada com um formato de um número, possivelmente o três;
– Será que podemos abrir, Virgo?... -perguntou a loirinha com muita curiosidade-
– Por que não experimenta, Hime-Sama?... -respondeu a amiga-
Mas... Como assim ela respondeu? Ninguém além de Lucy conseguia vê-la, mas a pequena nunca ouviu uma palavra sair da boca da maior. -Não se assuste, Hime-Sama, estou aqui para proteger você.
E lá foi a doce menininha abrir a caixa, bem, na verdade pensou no óbvio: Tem uma fechadura, então tem uma chave...
– Caixa de madeira, veludo em céu... apontará uma estrela... -ecoou a frase em sua cabeça-
Lucy observou atentamente a janela do salão e viu que o céu estava muito estrelado, mas naquele céu tão lindo havia uma estrela tão única e tão solitária... Apontou o indicador nela e a mesma brilhou com intensidade e iluminou fortemente o outro lado do corredor, onde ficava a entrada do salão.
A pequena correu até lá e encontrou um buraco no rodapé... Parecido com aquelas tocas de rato que os cartunistas faziam. Lucy colocou a mão ali e conseguiu uma chave dourada bem esquista, havia um símbolo nela, doze estrelas que formavam o desenho de uma fada... Voltou até o salão e naquele enorme tapete vermelho estava a caixa lhe esperando, ao lado da mesma a grande mesa de madeira escura... a chave fora introduzida e foi girada três vezes para a esquerda, abrindo o objeto:
– O que há de grandioso neste baú, Hime?... -a mulher de cabelos rosados com vestido preto indagou a mais nova-
E a baixinha Heartfilhia fora sugada pela caixa...
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Hoje a noite quando levantar, você terá uma surpresa
Caixa de Madeira, veludo em céu, apontará uma estrela...
Chave com chave que abre uma porta, por doze você encontrará
Alma que vaga no mundo dos sonhos um dia ela acordará...
A pequena Lucy não sabia onde estava, não sentia medo, não sentia vontade de chorar, sentia tudo confuso;
– Mamãe! Papai!... Virgo! -chamou calma- Onde estão vocês?!
Aquele lugar era tão grande, uma floresta tão enorme e tão... Estranha! Viu uma gata branca com um relógio na "mão" e um vestido preto e branco, no rabo um lacinho vermelho...
– Ande! Está atrasada para o chá! -exclamou a gata-
– Quem é você?! -fora a vez de Lucy exclamar-
– Oh não! Ela está vindo! Venha!
E assim começou-se uma corrida inexplicável, para Lucy tudo isso era apenas uma coisa de outro mundo!
Mas continuou correndo de mãos dadas com a bichana. Correram muito até que a loirinha percebeu... Barulhos e uivos altos:
– Procurem em todos os cantos! Procurem já! -a voz grave de um homem era ouvida a quilômetros.
Lucy também não entendeu porque ficou mais alta e mais... volumosa... Seu vestido cresceu, seu cabelo estava um pouco maior.
– Para onde estamos indo?! -perguntou ela-
– Para o Reino Vermelho! Estaremos seguras lá!
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Quando Lucy se deu conta, já estavam entrando do Reino Vermelho.
Era um lugar enorme e cheio de labirintos, assim que cruzaram o portão de entrada pararam de correr, respiraram mais calmas e assim seguiram para dentro do Castelo de Copas.
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– Fique quieta e não faça nenhuma besteira! -ordenou a gata- Espere-me aqui!
– S-sim... -Lucy obedeceu-
Enquanto ela encarava a construção de mármore e cerâmica, esperava pacientemente da volta da peludinha branca.
E ela apareceu:
– Vamos! A Rainha lhe aguarda! -disse a mesma-
– R-rainha?! -Lucy indagou espantada-
Entraram no salão do trono, onde há um harém de criados que erguem-se de encontro até um belo trono feito de ouro e aveludado com espumas vermelhas e nele estava a mais bela ruiva do lugar, Uma mulher alta de exímios fios escarlates, olhos castanhos claros e pela branca... Esbanjava tal beleza num vestido preto com rendas branca e vermelhas, a coroa de ouro com seu rubi de Copas e outras jóias preciosas devia pesar. O salto vermelho lhe subia de andar e assim a mesma levantou do trono, erguendo a espada de titânio e prata.
– Alice?... A Salvadora de Wonderland?... Finalmente regressou às nossas terras! -exclamou por fim a ruiva e a loira apenas deixava-se encantar, quão bonita era essa Rainha, seus cabelos eram tão parecidos com os de Walkírya... Longos e cheios de cachos nas pontas;
– Alice?... Eu sou Lucy! Só tenho seis anos!
– Hahaha, pelo tamanho que tem diria que é uma humana. -riu a majestade-
– Que lugar é esse? -indagou a loira-
– Aqui é o Reino Vermelho, o meu reino... Também já dito como Naipe das Copas! Aqui é o Reino onde todos estão sempre seguros. Eu sou a Rainha Titânia. Você está em Wonderland.
– Mas... -os olhos da garota dobraram de tamanho- Eu não posso ficar aqui e... Espera... você disse que sou humana?
– Sim, não está óbvio para ti? Descendente de Alice? -indagou a ruiva com uma cara tediosa-
– Mas eu não conheço nenhuma Alice! -emburrou a loira-
– Humana tola! -exclamou a gata branca- Não tem que conhecer Alice, mas deve saber que todas as humanas com capacidade para entrar em Wonderland são chamadas de Descendentes de Alice. -a mesma cruzou os braços- E não fale de tom insolente com a Rainha!
– Bem... eu deveria estar em casa, dormindo... -Lucy ficou pensativa enquanto encarava os olhos doces de Titânia-
– Mas não está, preferiu ver o que tinha na caixa não é? -disse a rainha-
– C-como sabe?!
– Como eu disse, você é uma humana muito pequena para entender tais coisas...
– E você também é! -Lucy falou irritada, mas afinal, o que estava acontecendo?!
– Hahahahahahahahahahahahaha!.... -A risada da bela mulher ruiva ecoou- Eu não sou humana, sou uma Fada... Rainha Fada. -a mesma sentou-se novamente no trono enquanto encarava a carinha de espantada da recém-chegada.
– U-uma Fada?... Mas... Fadas são pequenas e tem azas!
– Quem te contou essa história?!... Fadas são criaturas parecidas com humanos, mas temos poderes absurdos, e sempre somos acompanhados dos Magos que vivem dentro de nós.
– Eu... não entendi...
– Charles... — a Rainha vermelha chamou a gatinha branca-
– Ah, ela quis dizer que Fadas e magos dão na mesma coisa! Magos são humanos com poderes e Fadas são seres pacíficos que atuam com a magia de um humano, houve a reprodução de uma Fada com um humano e assim deu-se vida aos Magos.
Lucy arregalou os olhos... Era muita informação junta... Precisava descansar, correu demais, foi parar numa história, conheceu tudo de cabeça para baixo... Sentiu suas pernas ficarem bambas, pôs uma mão da testa e outra apoiou no chão.
Titânia foi até a mesma com uma cara preocupada...
– Você está bem? -indagou a Rainha-
– S-sim...
As portas se abriram, guardas traziam um suspeito e assim a Fada se prontificou a ficar de pé enquanto Charles cuidava da loira...
– Majestade... -curvou-se seu leal amigo e grande cavaleiro negro de Damas, Gazille- Trago-te em conjuras outro assassino enviado pela Rainha Branca.
– Diga-me quem és e te conto quem sou... -disse a prioresa-
– F-fui enviado p-p-para matar vossa Majestade, o Rei de As... -o homem de aparência acabada nos montes verdes de Wonderland dizia- Por favor não me mate!
– Matar o Rei de As?! -a voz autoritária da mulher a frente assustou todos dentro do salão, sua cara se pôs indecifrável- Ousa-me dizer que vinha matar o Rei de As?! Quer morte?... Verás a morte em pessoa! -Lucy não queria olhar, alguém morreria dentro deste salão e ela só tem seis anos... Não, não podia ser... Essa é a tal protetora Rainha de Copas?!
E então...
– Há de se acalmar, Rainha Titânia! -a voz rouca e um tanto chamativa de alguém disse- Lhe suplico clemência e bondade para com tal prisioneiro.
– Rei de Copas... — posicionou-se a mesma-
E então a loira resolveu olhá-lo... Correção, admirá-lo. Um homem alto, não muito mais alto que a rainha, de corpo provavelmente robusto, olhos verdes penetrantes e uma estranha marca no rosto... Cabelos curtos, de tom azulado e um sorriso desconcertante...
– Queria-me dizer por que lhe faria tal bem se acreditasse nas palavras da Rainha branca? -indagou o rei-
– Jurou proteger quem eu amo... A mesma me disse... -falou o prisioneiro-
– E jurou crer nisso? És tolo porque não enxergou tal maldade naquele inadequado conforto de palavras... Mentir é a especialidade dela.
– Majestade...
– Rainha Titânia... peço-lhe que cuide desta alma perdida, irei averiguar os portões.
– Como desejas meu Rei. -"obedeceu" a ruiva tirando de mira a espada no pescoço do coitado- Gajeel, o leve para dentro e lhe sirva roupas limpas e depois pode colocá-lo no calabouço do subsolo.
– Sim senhora. -concordou o cavaleiro-
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Assim Lucy fora escoltada para um dos quartos, fora servida com comida e roupas limpas também... Encarou aquilo tudo, o que estava acontecendo?... Era de sua cabeça?... Se fosse, seus olhos já teriam aberto há tanta tempo;
Charles se prontificou ao sono e assim a garota que já não podia ter mais seis anos de idade, encarou o corredor, foi conhecer o castelo...
Andou pouco porque, logo que deu-se de frente com um vão enorme que guardava um salão cheio de livros, viu a Rainha Fada com uma doce menina em seu colo, de cabelos azulados, presos dos dois lados, estava de vestido branco e vermelho e seus pezinhos eram tão pequenos quanto a palma da mão da maior... Seus olhos eram bem abertos e caramelados em tom escuro...
Aquela criança não deve ter nem mesmo seus dois anos. Lucy parou ali...
– E o que achou dessas flores, Wendy?... -Titânia dizia para a pequenina em seu colo enquanto fazia uma arte com as flores ali. -Gosta tanto assim de flores vermelhas?... Concordo que são bonitas... -sorriu a ruiva para a criança- Hey, descendente de Alice, pode entrar...
A loira se assustou... Mas obedeceu...
– Que menina linda!... -disse a garota se sentando de frente para as duas-
– É minha sobrinha... Por muitas vezes, seu pai, o Rei de Paus não pode cuidar dela, a mãe então... Mas para que fique bem protegida é mandada para o Reino Vermelho quase sempre.
– Na história que me contaram, a Rainha Vermelha não era boazinha.
– Humanos e suas histórias mirabolantes... -a rainha revirou os olhos- Irei te contar a verdadeira história...
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