Notas iniciais
Primeira vez que escrevo algo que realmente gosto, espero que gostem também. Bjbj.

Acordei desesperada com um som alto, era o telefone de minha avó. Ele toca constantemente durante essa semana, os ataques de lobo aumentam cada vez mais. Dessa vez ocorreu perto de nossa casa, no bosque. Queria entender o que acontecia então juntei meus ouvidos a porta do quarto. Minha vó parecia transtornada, como guarda-caça teria de resolver.

– A temporada do lobo começou faz uma semana, terminará quando a última lua cheia sair. – Ela repetia até desligar.

Corri para vestir minha capa vermelha, ou ela gritaria para que eu a vestisse. Nunca entendi o motivo disso, mas os passos se aproximavam. Querida, venha comer, hora de sair da cama cantarolou em uma voz melosa e doce, eu adorava o cheiro de panquecas de manhã, mas parece que não poderia comer tão cedo. Imediatamente um disparo na campainha fez com que nós duas nos assustássemos. Fiquei no quarto esperanto ela voltar e não atrapalhar seu trabalho. Ouvi meu nome e segui até a entrada, com medo de ter feito algo errado, minha avó soou nervosa e tremula.

Quando cheguei perto do sofá meu mundo caiu, o que Mirajane fazia quase inconsciente e sangrenta em minha casa? Minha amiga jamais viria para esse lado do bosque, ou melhor, não apareceria neste estado em minha casa. Estava me sentindo um lixo, uma chorona sem causa, gritava como uma criança para que minha avó a curasse. Não queria ver Mira assim.

A solução de minha avó foi uma planta chamada Acácia, mas somente a branca, as quais eram raras em nossa região. No estoque não havia sequer uma pétala da linda e milagrosa flor. Adoraria poder matar o lobo, tinha certeza que ele fizera isso, as marcas em Mira não deixavam dúvidas.

Me levantei e respirei fundo, então peguei minha cesta e fui até a porta. Quando minha avó perguntou onde pensava que iria, juntando todas minhas forças, respondi:

– Ajudar alguém que me ajudaria nessas condições. – Bati a porta com força, para não ter coragem de olhar para trás.

O bosque realmente era assustador, onde olhava via sombras e ouvia estranhos barulhos. Tudo que se mexe para mim é um animal que vai me machucar, os barulhos são passos de monstros e as sombras são fantasmas. Encostado em uma copa de árvore pude ver um animal inconsciente e com a respiração retardada. Eu não sou corajosa, mas senti que precisava ajuda-lo. Assim que me aproximei pude perceber que não era um simples animal de floresta, mas sim um homem cansado e estropiado e em sua mão uma bela flor branca, a qual reconheci como Acácia.

Tentei chegar mais perto, porém minha capa prendeu em uma árvore, tive de tira-la. Foi como se eu dormisse, acabei acordando no chão do bosque com algo em cima de mim, logo vi que era minha capa, sem entender levantei com cuidado. Lá estava minha avó aos prantos e ao seu lado o homem, que antes estava apenas cansado e um pouco estropiado, com as pernas aparentemente quebradas e completamente ensanguentado. Eu não entendi de primeira, mas quando passei meus dedos nos lábios senti algo viscoso e, ao olhar, vermelho. Sou eu. Sou e-eu era tudo o que podia ser pronunciado por mim. Fui amparada pela minha avó que explicou sobre a proteção que a capa me dava, ou seja, não me deixava transformar, contou-me também que ela era uma loba e que minha mãe e avô repetiam essa tradição. Eu desabei, não podia ter feito tudo que esse lobo fez. Eu me senti incapaz de qualquer coisa sem ser chorar, mas ao perceber que teria de recomeçar, e para isso podia começar cuidando de duas pessoas que machuquei. Carreguei o homem até a casa e minha avó levou a flor. Depois de tudo que fiz era o mínimo.

Fim.

Notas finais
Obrigada por ler, por favor deixe o que achou, mesmo que seja ruim.