Fairy Tale
3 Seu príncipe veio para salva-la
Eu corri pelo corredor da escola, as lágrimas embaçando minha visão. Até que eu encontrei uma porta dupla no final do corredor e passei por ela sem pensar duas vezes. Lá fora estava chovendo, e grandes gotas de água atingiram meu rosto, derramando ketchup nos meus olhos. Os limpei enquanto corria. Eu estava atrás da escola, cercada por uma cerca de arame cinza, e vários containers de lixo me cercavam; alguns contendo lixo, alguns contendo materiais de limpeza ou objetos para aulas de educação física. Corri até atrás de um desses containers e me sentei no chão sujo e molhado, minhas costas apoiadas no container. Dobrei e abracei meus joelhos, ainda chorando.
Eu odiava Alexandra, ela sempre me irritava e zoava de mim. Por isso eu não gostava de vir à escola. Preferia passar minhas horas na floresta ao lado de casa, onde podia entrar mais facilmente no meu mundo. E era um mundo maravilhoso. De fadas, castelos, seres mágicos, príncipes e princesas. Eu mesma era uma lá. E tudo era tão maravilhoso. Mas mesmo na escola eu conseguia vê-los. E lá era tudo tão melhor! Mas Alexandra tinha sempre que me atrapalhar, e ainda me fazer pagar mico!
Eu senti uma mão encostar em meu ombro e me levantei a cabeça. Ajoelhado ao meu lado estava um menino. Eu já havia o visto várias vezes, e sempre ao lado de Alexandra. Agora seus cabelos pretos espetados estavam lisos e jogado na cara por causa da água da chuva, seus olhos castanhos escuros me encaravam, e eles estavam muito grandes. Água escorria elo seu rosto claro. Ele usava uma calça jeans azul escura, um all star preto e um moletom preto com um desenho de linhas brancas e cinzas. Mas nada me impedia de imagina-lo como um príncipe. Na minha visão, ele usava um terno antigo preto, e eu quase conseguia imaginar o cenário mágico atrás de nós, com fadas voando e árvores coloridas.
-Você está bem? –ele perguntou.
Discordei com a cabeça, a apoiando novamente entre meus joelhos.
-Alexandra sempre faz isso comigo. Ela me odeia. –eu conseguia sentir as lágrimas descendo pelas minhas bochechas.
-Ei, não liga pra ela. Ela só quer impressionar os amigos. Ela não merece que você fique triste. Venha, me dê sua mão.
Eu levantei a cabeça, e ele estava em pé à minha frente, com uma mão estendida. Ele olhava nos meus olhos, e pude perceber quanto era raro fazerem isso comigo. Segurei sua mão, e com facilidade ele me ajudou a levantar. De pé, ele era muito maior que eu. Minha cabeça chegava aos seus ombros, de modo que eu tinha que olhar para cima para encara-lo. Ele era magro, mas mesmo assim tinha duas vezes meu tamanho. Ele soltou minha mão e sorriu, segurando meus ombros. Depois suas mãos foram para o meu rosto, e ele limpou o ketchup e a mostarda, limpando as mãos em seu moletom. Ele voltou às mãos aos meus ombros.
-Pronto, agora está bem melhor. Vá lá e mostre à Alexandra que você não é tão fraca quanto ela imagina.
-Esse é problema. –Afastei suas mãos de meus ombros – Meu príncipe, eu sou tão fraca quanto ela imagina. Talvez até mais.
E então eu corri. Corri por um caminho que me levava de volta ao início da escola, e então corri para a saída.
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