Fairy Tale

2 Conto de Fadas


A classe estava cheia como sempre. O barulho insuportável de tão alto. Mas todos já estavam acostumados. Havia apenas uma coisa estranha, algo que não estava lá no dia anterior. Havia uma lâmpada queimada, e provavelmente ninguém perceberia, mas pode-se dizer que sou observador. Essa lâmpada estava logo acima da carteira de uma menina. Ela era baixa pra idade, provavelmente batia em meus ombros. Seus cabelos loiros claros e lisos iam até alguns centímetros abaixo dos ombros. Ela era pequena, tanto de altura quanto de corpo, quase frágil. E tinha um rosto delicado e redondo, com grandes olhos azuis como o céu de um dia de verão; e sua franja era cortada acima dos olhos, e caía mais para a sua direita que para a esquerda. Ela usava uma camiseta de uma meia manga que cobria apenas até o final dos ombros, de cor rosa forte, com várias camadas de babados até a cintura. Usava também uma saia lilás lisa quase até os joelhos, com uma sandália rosa clara.

Enquanto todos falavam alto ou corriam pela sala, ela estava lá sentada, seus pés balançando acima do chão. Ela abraçava sua mochila cor de rosa, e seus olhos miravam a tábua de madeira de sua carteira. Ela parecia calma, como se um mundo totalmente diferente do nosso, seus olhos não se afastando da madeira. Até que uma bola de papel acertou sua testa.

Ela pareceu acordar de um sonho de repente, pois confusão passou por seu rosto até ela finalmente compreender o que havia acontecido e olhar em volta. Também olhei, e vi claramente quem havia a acertado com aquela bolinha: Alexandra. Ela usava uma calça e um colete de pano amarelos, com sapatos brancos e uma camiseta listrada de branco e preto. Seu cabelo loiro ondulado estava em um rabo de cavalo, e uma tiara prateada se posicionava logo acima de sua franja caída para a direita. Seus amigos riam atrás dela, e ela trocou um high-five com sua melhor amiga ruiva, Sam.

-Olha só, parece que nossa princesinha estava sonhando com seu mundo encantado novamente! –dizia Alexandra- Com que sonhava hoje? Seu príncipe encantado? – ela ria – Quantos anos ele tinha? Porque do jeito que você é pequena! Devia para de usar roupas tão rosas e delicadas, assim você parece uma criança!

E de repente os gritos da sala se transformaram em risadas, e todos encaravam a garota abaixo da lâmpada queimada.

-Alexandra! –eu gritei. E estava quase brigando com ela, com ela, quando a professora entrou.

-Rápido, todos em seus lugares! A aula vai começar em instantes!

Contrariado, fui ao meu lugar atrás de Alexandra, enquanto ela me encarava sorrindo durante meu caminho. Como eu queria ter gritado com ela! Afinal, mais que todos, eu tinha esse direito. Nós já havíamos sido amigos um dia. Quando eu era pequeno, não conhecia muita gente por estudar em casa, e quando eu entrei pela primeira vez na escola, ela era minha única amiga. Mas com o passar do tempo, comecei a notar o que ela fazia com as pessoas. E comecei a odiá-la. Mas ela não me deixava em paz. Ela vivia me puxando pelo braço, me obrigando a sair com ela. Por mais que eu não gostasse disso, não brigava com ela. Aliás, eu odiava gente grossa.

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Chovia lá fora, e o barulho ecoava pelo refeitório, mesmo com toda a gritaria. Eu já havia pegado minha bandeja, que continha um hambúrguer e um refrigerante, e estava caminhando pelo centro do refeitório, entre as duas fileiras de mesas. Mal havia dado dois passos para longe da cantina quando Alexandra meio que se jogou em mim, agarrando meu braço esquerdo. Eu quase derrubei a bandeja em cima do garoto que passava ao meu lado.

-Nossa Neithinho, como você está lindo hoje! Novo penteado?

-Na verdade, eu nem penteei meu cabelo hoje.

-Nossa, que emocionante! –ela observava as próprias unhas perfeitamente pintadas – Eu amei esse novo penteado, ele fica bem em você. –ela ao menos havia ouvido o que eu tinha dito?- Venha, vamos nos sentar!

Ela me puxou pela braço em direção há uma mesa a nossa esquerda, onde seu grupinho já estava sentado, conversando. Ela basicamente me jogou no meu lugar, derrubando meu refrigerante pela bandeja inteira. Por pouco, não acertou meu hambúrguer. Sua amiga ruiva veio em seu ouvido e lhe disse algo que eu não consegui ouvir, mas fez Alexandra sorrir; um sorriso que me deu medo. Ela se aproximou da minha bandeja e pegou meu hambúrguer sem me perguntar nada, e o arremessou.

Eu só tive tempo de abrir a boca, quando o hambúrguer acertou alguém bem na cabeça. Olhei atordoado. Era uma menina, os cabelos loiros quase curtos sujos de ketchup e mostarda. Ela se virou, assustada, e vi que lágrimas de formavam em seus olhos azuis. Seu rosto e suas roupas também estavam sujas. Alexandra e suas amigas riam enquanto a garota corria para fora do refeitório, chorando.

Me levantei e corri atrás da garota, enquanto Alexandra gritava meu nome.