Parte 5

Raiden

—Vais continuar amuada o resto do dia? – Perguntei sem paciência. A rapariga que seguia ao meu lado apressou o passo. – Isso... Comporta-te como uma criancinha...- Murmurei irritado. Ela fulminou-me com o olhar, extremamente zangada. – Ui! Cuidado... a Val está zangadíssima... — Ela apressou-se ainda mais.

O Porquê de ela estar assim? 1 hora antes:

"-Vamos passar por SaberTooth! A guilda é mesmo aqui perto! – Exclamou Val contente.

—Não... Temos de voltar o mais depressa possível á guilda... Esqueci-me do meu lacrima de comunicação... Temos de chegar lá tipo, agora! Se a minha mãe descobre que estou incontactável... — Estremeci ao imaginar a cena.

—Oh... com medo da mãezinha? – Perguntou ela ironicamente. Depois assumiu uma cara irritada. – Não me interessa se estás incontactável ou não! Eu vou e ponto final... Se tu não vens comigo, então eu vou sozinha...

—Oh, Não, Não... O pai nunca me iria perdoar se eu te deixasse sozinha por aí... Não te lembras do que ele disse?

—O Laxus e as suas pieguices que se lixem! Eu já tenho 17 anos! – Exclamou irritada, tomando o caminho para SaberTooth. Caminhei atrás dela agarrando-a pelo colarinho e arrastando-a pela estrada principal a caminho de Gardénia. — Larga-me irmão estúpido! Vais arrepender-te!"

E agora aqui estava ela amuada como uma criancinha à qual os pais não compraram o brinquedo que queria. Ela continuava a passo rápido, tentando evitar-me.

—Vê-lá... ainda chegas a Gardénia primeiro que eu...- Gozei. Nesse momento ela pareceu acalmar, olhando para trás e sorrindo.

— Aquilo foi incrível! Quando manipulaste o trovão daquela maneira... Onde aprendes-te a fazer aquilo? – Perguntou ela com curiosidade. Olhei-a estranhamente, depois percebi. Era um sinal... Sempre que Val sentia que algo estava errado ela mudava de humor.

— Oh...pensas que foste a única a treinar nestas últimas semanas? – Respondi eu.

Olhei disfarçadamente toda a paisagem a redor, procurando alguma pista do que se passava. Consegui reparar num brilho mínimo vindo de uns arbustos localizados acima da estrada principal. Talvez fosse a mira de uma arma... mas não tinha a certeza. Continuávamos a caminhar, como se nada fosse, caminhávamos para uma armadilha. Observei Val, estava calma como sempre . Esperei algum sinal vindo da parte dela. Cada segundo que passava parecia uma eternidade, e uma eternidade passou até Val dar um sinal. Escondeu uma mão atrás das costas. Tinha três dedos levantados, passado 1 segundo baixou um deles. Estava a fazer uma contagem. Baixou outro dedo. Concentrei todo o meu poder mágico, pronto a libertá-lo para a minha Take Over. Ela baixou o último dedo. Depois tudo aconteceu depressa demais.

—Agora Ray! – Exclamou ela desviando-se de uma bala acabada de disparar. Libertei o meu poder mágico.

—Take Over: Dragon Soul! Lightning Dragon! – Exclamei sentindo a eletricidade apoderar-se do meu corpo, pronto a atacar. Eu e Val olhamo-nos, ela sorriu.

— Unison Raid : Rairyū no hōkō! – Exclamamos atacando os arbustos com lightning power

Olhámos para cima... de onde a bala tinha vindo. Estávamos á espera de alguma reação. Consegui perceber que Val mexi-a as orelhas, o que queria dizer que eles ainda estavam bem conscientes, e a falar.

—Prepara-te Ray... — Murmurou ela.

—Prepara-te? Eu nasci preparado! – Exclamei sorrindo.

Podíamos ter estado zangados um com o outro uns minutos antes, mas o meu pai ensinara-nos a distinguir os momentos em que podemos amuar e os momentos em que devemos ficar sérios. E ambos sabíamos que deveríamos deixar o assunto anterior para mais tarde. Tínhamos um inimigo à nossa frente e precisávamos de nos concentrar ao máximo.

Apareceram três vultos onde antes tinham estado aqueles arbustos que tínhamos atacado. Eram duas raparigas e um rapaz, deviam ter a idade de Val. Uma das raparigas tinha cabelo preto e a outra tinha um cabelo acastanhado como o do rapaz ao seu lado.

—Logo vi que irias dar problemas... — Murmurou a rapariga de cabelo preto olhando Val.

—Este não é o vosso...-O som de um comboio a passar por perto interrompeu o rapaz. Ele pareceu extremamente ofendido. – Mas de cada vez que eu digo algo inteligente tenho de ser interrompido? – Perguntou ele ao ar. Depois aclarou a voz. – Onde é que eu ía... Ah,sim... Estava prestes a ditar o vosso fim...

—Primeiro, tu nunca dizes nada inteligente e segundo, nós vamos raptá-la, por isso não é o fim deles mas no máximo o fim dele! – Exclamou a rapariga de cabelos castanhos. A outra olhou-os. Eu olhei Val, ela parecia tão confusa como eu.

—Podiam concentrar-se... temos uma missão para concluir, que já agora o inimigo sabe... e não por minha culpa... — Murmurou a outra zangada com os outros.

—Raptar-me? O que querem vocês de mim? – Ouvi Valkíria perguntar. Algo nela pareceu-me diferente. A miúda de cabelos pretos olhou-a.

—Isso também eu queria saber... — Murmurou.

—Ok...- Disse eu ainda a tentar perceber o que se passava. – Eu não estou com paciência para aturar três malucos... — Disse atacando-os inesperadamente. – Lightning Make : Cannon! – Gritei , formando um canhão que disparou uma bola elétrica.

Eles desviaram-se do meu ataque e desceram até á estrada onde eu e Val estávamos. Valkíria parecia cada vez mais estranha. Parecia estar confusa e com medo.

—Val... Concentra-te! Não te vais deixar assustar por três palhaços de circo... — Ela pareceu acordar. De repente os seus olhos pareceram mais atentos.

—Desculpa... Distraí-me... — Murmurou ela, correndo de seguida em direção ao rapaz. – Lightning Dragon Claw! – Gritou atacando-o com uma mão cheia de eletricidade. O catraio não se mexeu do sítio onde estava, olhando a minha irmã pelo canto do olho, esperando o seu ataque.

—Earth Make: Wall! – Disse colocando uma mão no chão e criando uma parede de terra entre ele e Val. A ofensiva dela falhou, sendo a eletricidade absorvida pela terra. Valkíria usou a parede recém formada para saltar para o lugar onde tinha estado antes do ataque tentando evitar algum truque do adversário.

—Ray? – Questionou ela. Estava a pedir-me autorização para usar a sua Demon Curse. Era uma das regras que o meu pai lhe impusera. Como apenas poderia usar esse poder por um determinado tempo ela teria do aproveitar, assim tinha que esperar que a sua equipa estivesse pronta a atacar.

—Ele pode não ser o único com Earth Element magic... — Murmurei olhando-os, atento a qualquer movimento da parte deles. A rapariga de cabelos pretos sorriu.

—Parece que eles querem experimentar a nossa magia... — Murmurou para a sua equipa, de seguida atacou inesperadamente. – Ice Make: Lance ! – Lanças de gelo formaram-se á sua volta e voaram em direção a nós. Consegui desviar-me, fazendo um mortal para trás . Val saltou para o lado desviando-se também do ataque. – Shadow Make: Shuriken! – Gritou ela atacando uma segunda vez. Mal me consegui desviar dos shurikens que voaram na minha direção. Depois foi a vez da rapariga de cabelos castanhos fazer o seu ataque. Correu na minha direção e levantou a mão como se de uma lamina se tratasse.

—Wind Devil hand sword! – Consegui esquivar-me ao ataque dela baixando-me. Levantei um pé pontapeei-a para longe de mim. Vi a rapariga dar um mortal no ar e a cair de cócoras no chão. De seguida não houve nada... apenas o som do vento a passar pelas folhas das árvores interrompeu o silêncio mortal que estava no ar.

—Val... Agora! Temos de tratar deles depressa! – Exclamei gritando para a minha irmã. Ela reagiu imediatamente.

—Demon Curse: Activate! – Exclamou ela. Vi a rapariga a transformar-se, ganhando uma cauda comprida, umas asas e uns cornos perto das orelhas. As unhas ficaram mais compridas e pelos cinzentos apareceram na zona das mãos. Tinhamos 7 minutos para derrota-los... ou pelo menos tirar o rapaz com Earth magic do caminho.

—Ok... Vamos a isto! – Iniciei o meu ataque. – Lightning Wave! – Exclamei lançando uma onda de trovões para o inimigo. Vi o rapaz a tentar usar a sua magia para criar uma nova parede porém Val impediu-o. Era um dos poderes da sua Demon Curse, ela conseguia controlar um elemento, impedindo assim os magos com molding magic de a usar.

—Yuuki! Porra...- Murmurou a rapariga de cabelos pretos, atirando-se para cima dos outros. O ataque passou por cima deles ao caírem no chão. Não podia perder tempo. Corri até eles tentando atacar de novo. – Ice Dragon Roar! – Exclamou ela acertando-me em cheio.

—Raiden... — Ouvi Val chamar-me. Reparei que ela tinha destivado a Demon Curse e estava agora normal.

—Estou bem... — Murmurei levantando-me. Os nossos atacantes estavam já de pé. Consegui ver Val a correr para o meio deles. Ela ia fazer um ataque físico. Os dois inimigos de cabelo castanho sorriram.

—Pensas que consegues ir contra três? – Perguntou o rapaz. Penso que logo de seguida se arrependeu.

Um dos pontos mais fortes de Val era os ataques físicos, não só porque treinava quase todos os dias mas também porque tinha uma força sobre-humana. Como o inimigo não sabia isto não se desviou e Val atacou-os. Ao rapaz atirou-o ao ar, e á rapariga deu-lhe um murro no estômago, atirando-a contra uma árvore. Apenas faltava uma, Val lançou o punho na direção dela, vi a outra a lançar também o seu punho na direção da minha irmã. Aquando o impacto senti uma extrema onda de choque e as raparigas voaram em direções opostas. Val atingiu o chão, deslizando ainda um metro e meio a outra foi de encontro a uma pedra . A rapariga de cabelos cinzentos (Valkíria) levantou-se com dificuldade, vi sangue a escorrer-lhe do braço com que atacou. Olhei a outra rapariga, estava também a levantar-se. As roupas delas estavam todas esfarrapadas.

Era incrível... apenas eu, os meus pais e Skumbriya tinhamos força suficiente para parar os ataques físicos de Val, e aquela rapariga tinha conseguido fazer-lhe frente. Os outros dois inimigos levantaram-se.

—Sakki... Talvez fosse melhor separá-los...- Murmurou o rapaz com dificuldade. Depois olhou-me. – Eu e a Misa ficamos com este... Tu tratas de raptar a Lubana.

—Muito Bem... Não falhem... — Disse a outra fugindo para a floresta. Val seguiu-a.

—Val! Espera... — Não consegui impedi-la. – É mais teimosa que uma mula, porra...

—Muito bem, rapaz dos raios... Vamos ver quanto tempo duras...- Disse o outro com um sorriso. – Vamos lá ver como o filho do mestre de Éclair Fata se desenrasca contra os Twin Devil Slayers .

—Oh... não, não, não... Vais arrepender-te do que acabas-te de dizer! – Exclamei atacando imediatamente. Como sabia que a minha magia não ia funcionar usei ataques físicos. Eles conseguiram desviar-se, atacando logo a seguir. A rapariga tentou esmurrar-me mas desviei-me e ela acabou por acertar no rapaz.

—Ah... a minha bela cara... porque fizeste isso? – Murmurou o rapaz entre lágrimas.

—Pareceu-te que fiz de prepósito? O gajo é que se desviou! Não tenho a culpa de seres mais lento que uma lesma! – Exclamou a rapariga a defender-se.

—Desculpa!? Não me culpes pela tua falta de pontaria! – Vociferou indignado.

—Vaca... — murmurou ela irritada.

—Vaca é a tua mãe! – Gritou o outro.

—A minha mãe é a tua ó génio!

—Cala-te sua cabra! – Exclamou ele atirando-se para cima dela. Os dois começaram á porrada.

—Ahhh... — Tentei dizer algo, porém a situação era-me demasiado estranha. – Começo a estar preocupado com o que estas pessoas querem da Val ... — Murmurei. Eles continuavam pacificamente á porrada. De repente a rapariga levantou-se compondo as suas roupas amarrotadas.

—Ok, ok... depois resolvemos isto... se a Sakumi sabe que nos desconcentramos durante a missão ela mata-nos... — Disse ela.

—Muito bem... — Retorquiu o rapaz. Depois olhou-me. – Acabou o tempo de descanso... Hora de ir para os anjinhos. Water Devil Warth! – Uma rajada de água saiu da sua boca na minha direção. Consegui desviar-me no último segundo. Aproveitando para atacar.

—Lightning Make: Wave! – A onda de trovões passou de rasteirinha aos meus inimigos. Eles prepararam um contra-ataque.

—Unison Raid: Second Origin-Ice Devil Warth . – Um frio intenso percorreu-me.

—Merda... — Retorqui ao esquivar-me á onda de gelo que me atingia. Corri até eles, tentei pontapear a rapariga, ela baixou-se e recuou . O rapaz avançou na minha direção, estava a tentar esmurrar-me. Agarrei o punho que ele lançou na minha direção e esmurrei-o no estomago. Ele ajoelhou-se agarrando a barriga. Recuei, evitando o ataque da rapariga.

—Yuuki... estás bem? – Perguntou ela colocando-se entre mim e ele.

—Sim... não sou fraco como tu... aquilo nem cocegas fez! – Respondeu com dificuldade. Levantou-se. – Para filho de um mestre de uma guilda não és mau de todo... — Cerrei os dentes. Detestava aquilo...

"—Então quem é este rapazinho? – Perguntava alguém

—Oh... é o filho do mestre... — Respondiam todos.

Filho do mestre, filho do mestre...

—Cuidado! Ele é o filho do mestre de Éclair Fata... se lhe tocas ainda acabas mal...

Filho do mestre...

—Quem és tu? – Perguntou daquela vez uma rapariga pequena e com orelhas de lobo.

—Sou o filho do mestre... — Respondi secamente. Afinal era o que todos diziam..."

Um grito vindo da floresta despertou-me das minhas memórias.

—VAL! – Gritei correndo para o amontoado de árvores. Ouvi os outros correrem atrás de mim.

—Aquilo pareceu um grito da Sakki... isto é mau...- Ouvi o rapaz murmurar.

Encontrei-as num largo, Val encontrava-se em pé, tinha sangue seco no braço e tinha alguns arranhões. Em frente a ela a outra rapariga estava de joelhos, agarrando a cabeça. Tinham as duas as roupas sujas e esfarrapadas.

—Sakumi! – Gritaram os outros correndo até ela. Nesse momento a rapariga de cabelos pretos olhou Val, parecia furiosa, os olhos que antes eram azuis estavam agora vermelhos.

—Zeref ... — Ouvi Val murmurar recuando.

—Oh, não... isto não é nada bom... — Retorquiu a rapariga de cabelos castanhos, parando. A gaja de nome Sakumi levantou-se, esticando a mão.

—As minhas ordens foram levar-te viva até Kurogane... mas não quer dizer que não possas ir... mal tratada... — Murmurou. De repente uma katanna pareceu sair-lhe da palma da mão. Nunca tinha visto algo do género. Sakumi empunhou a arma e tentou atacar Val.

—Val, desvia-te! – Não iria conseguir chegar a tempo de impedir o ataque e Val parecia estranha de novo. Ela estava paralisada. – VALKÍRIA! – Gritei desesperado.

"-Quem és tu? – Perguntou a pequena rapariga com orelhas de lobo.

— Sou o filho do mestre... — Respondi secamente. Ela olhou-me confusa.

—Como te chamas? – Perguntou ela.

—Raiden, Raiden Dreyar. – Respondi eu no mesmo tom. Ela sorriu.

—Então esse é quem és... — Murmurou ela. – Primeiro és Raiden Dreyar, só depois és o filho do mestre... não deixes que as pessoas te confundam! – Exclamou. Esticou a mão. – Prazer em conhecer-te Raiden...

Ela fora uma das primeiras pessoas a tratar-me pelo meu nome. "

Estiquei o braço, tentando alcançar a minha irmã. A arma de Sakumi estava cada vez mais perto de Val e ela continuava paralisada. Não iria conseguir chegar a tempo, Val iria ser gravemente ferida, mais uma vez por minha culpa. Nesse momento vi uma luz do meu lado direito, vinha em direção a nós, em direção à rapariga de cabelos pretos. Era uma bola de fogo...

Notas finais
Espero que tenham gostado desta parte também. Não sou assim muito boa a escrever as partes com ação mas espero que vos tenha agradado! ^^