Notas iniciais
Como sempre, Trilha Sonora para ajudar na leitura:
[1]OST 1 - 01 Nigiyaka na Machi
[2]OST 1 - 22 Yuki
[3]OST 1 - 10 Seirei Mahou
[4]OST 2 - 03 Jaaku o Tsuchioto
[5]OST 1 - 15 Shinobiyoru Kage
[6]OST 2 - 31 Masuishou

Fiore. Um fim de tarde qualquer. A hora perfeita para um banho reconfortante na banheira, com muitos sais e perfumes. Mas mal sabia eu que em poucos minutos tudo aquilo ia mudar.

[1]

-Ai, ai, que bom voltar pra casa... — disse Lucy respirando aliviada.

-Aye! — confirmou Happy, como sempre fazia.

-E o melhor é que só destruímos a metade do lugar dessa vez. — disse Erza com um sorriso. -O mestre irá ficar contente.

-Er... bem... — completou Lucy ainda desconcertada. -Tomara que não tenhamos problemas no pagamento... o aluguel desse mês vence amanhã.

-Não se preocupe Lucy! — disse Natsu. -Se não quiserem pagar, a gente pega um trabalho rank S pra fazer!

-Ei, ei! Não vá fazendo escolhas pela gente, olhos puxados! — disse Gray de cara fechada.

-Quem pediu sua opnião, olhos caídos?

-E quem pediu a sua antes, cabeça de fósforo?

-Vá vestir algumas roupas, cubo de gelo!

-Esquentadinho!

-Picolé de calça!

-Se um dia eles pararem de brigar, pode ter certeza que não serão mais eles mesmos. — disse Happy.

-Não vejo a hora de chegar em casa, e tomar um banho...

-Vamos tomar banho de banheira?! — disse Natsu animado.

-NÃO! NEM PENSE NISSO! — interveio Lucy rapidamente.

-Vai ver ela quer usar aquelas calcinhas sensuais! — disse Happy imaginando a cena.

-Não imagine essas coisas comigo, seu pervertido! — respondeu Lucy dando um tapa em Happy. -Eu só quero descansar sozinha. E também preciso fazer o contrato com o meu espírito novo.

-O que é dessa vez? Você já tem um bode, uma vaca, um carneiro... Lucy, você podia ser fazendeira! — disse Happy.

-Não, é um espírito do zodíaco, muito poderoso. — contrapôs Lucy.

-OH! — esclamaram Natsu e Gray ao mesmo tempo. -Podemos ver?

-Só amanhã!

-Não se preocupe, Lucy. — disse Erza. -Vamos te deixar em paz. Andem!

-Aye! Erza-san!!

[2]

No cômodo fracamente iluminado por tochas presas à parede, a silhueta dançante de um homem em uma espécie de trono serpenteava por todos os lados, de acordo com o movimento dos ventos. O homem sentado não fazia nada, permanecia imóvel. Então, uma outra sombra se esgueirou pela sala, aproximando-se do homem.

-Nós a encontramos, mestre. — disse o recém chegado.

-Onde? — perguntou o homem sentado, com uma voz grave.

-Fairy Tail.

-Entendo. Nossa parte também está quase pronta.

-Mestre, eu me ofereço para essa missão.

-Sim. Você é o mais rápido, Venor. Mas leve os outros, eu prevejo que não será fácil.

-Com todo o respeito, mestre. Eu não quero que seja fácil.

O homem do trono riu.

-Eu gosto do seu entusiasmo. Não me decepcione!

-Como desejar, mestre!

E saindo, desapareceu pelo corredor. O lugar estava tão frio que parecia gelar a alma.

[3]

-Estou conectada ao caminho que leva ao mundo dos Espíritos Celestiais! Agora! Ó Espírito, responda ao meu chamado e atravesse o Portão! Portão da Congruência, abra! Libra!

Do meio do círculo mágico, saiu uma fumaça dourada, densa, que aos poucos foi se materializando. Logo, via-se a estátua de uma mulher com os olhos vendados e segurando uma balança.

-A justiça é cega. — disse a estátua.

-Olá, eu sou a Lucy. Podemos fazer o contrato agora?

A estátua não respondeu. Mas antes que Lucy pudesse repetir a pergunta, um dos pratos da balança desceu.

-Você está dois quilos acima do peso, Lucy-sama.

-QUÊ???

-Devo corrigir sua gordura agora para que o equilíbrio volte?

-Hã? Corrigir? Mas...

Antes que ela pudesse terminar, um brilho dourado circulou seu corpo, e ela sentiu algo saindo. Por fim, o prato mais baixo da balança, voltou à posição nivelada.

“Um espírito emagrecedor... hum... isso pode me ser muito útil...”

-Conversar consigo mesma sem compartilhar com os outros não parece algo muito justo, Lucy-sama.

-Ahhhhhh! Você também pode ler mentes?!

-Vejo que arrumou mais uma irmã, Lucy. — disse uma voz masculina conhecida.

-Loki? O que faz aqui?

Loki, o espírito de Leo, o Leão.

-Faz tempo que não nos falamos. — disse ele. -E também, fiquei com ciúmes por ter usado Caprico na sua última missão e não a mim.

-Inimigo, Lucy-sama? O equilíbrio foi comprometido. — disse o espírito de Libra.

[4]

-Libra? Não lembra de mim?

-Não sei se você é você, Leo. Eu sou cega. Por isso tenho que equilibrar você também.

-Calma Libra! Nós estamos do mesmo lado!

-O Raio da Justiça cairá sobre você! Seigi no mahō: Bunsan hikari! Magia da justiça: Luz do equilíbrio!

O ambiente inteiro se encheu de uma luz dourada extremamente poderosa. Mas antes mesmo que a magia pudesse ser completada, Loki, o espírito do Leão, voltou para o mundo dos espíritos e Lucy, estarrecida, ainda nem entendia o que estava acontecendo. Até que Libra começou a rir.

-Você devia ter fotografado o rosto dele! Ele morreu de medo! Ahahahahaha!

-Você... você é doida! — disse Lucy zangada.

-Não, eu sou cega.

-Tudo bem, pode voltar agora. — disse Lucy fechando o portão.

-Me chame se precisar.

E com isso desapareceu.

-Banho, banho, ai vou eu!

Os últimos raios de sol teimavam em trespassar as nuvens do céu quase azulado, formando uma paisagem magnífica. A vista da sacada do segundo andar da Fairy Tail era linda ao por-do-sol. Makarov depositou sua caneca em cima da mesinha improvisada, exibindo uma face de preocupação. A mesma face que uma mulher exibia estando ao seu lado, em pé. Os cabelos cor-de-rosa balançavam ligeiramente com o vento.

O último raio de sol se foi, quando outra pessoa se aproximou deles.

-Mestre, o senhor mandou me chamar? — indagou Erza.

-Sim, Erza. Você se lembra da Porlyusica, certo? — disse Makarov.

-Sim, eu me lembro. O que está havendo? — interpôs um tanto intrigada.

-Estou com um mau... pressentimento. — disse Porlyusica.

[5]

-Mau pressentimento... sobre o que?

-Digamos que é sobre “quem” e não sobre “o que”. Aquela menina das chaves, Lucy.

-A nossa Lucy?

-Eu sinto a terra gemer de dor. Algo ruim está pra acontecer e mudar todo o mundo que conhecemos. — continuou ela.

-Mas por que a Lucy? — indagou Erza curiosa.

-ODEIO HUMANOS! NÃO SABEM OUVIR SEM FAZER MIL PERGUNTAS!!!

-Me... me desculpe, Porlyusica-sama.

-Não sei a resposta pra isso, só sinto que ela terá um papel em todos esses acontecimentos. E devemos evitar isso ao máximo.

-Poderia ficar de olho nela, Erza? Mas não fale nada ao Natsu, sabe que ele não consegue se segurar. — disse Makarov.

-Tudo bem, mestre. Tomarei conta dela. — disse Erza acenando com a cabeça. -Mas se é algo tão ruim assim, não seria mais prudente avisar a guilda toda?

-Não precisamos de ninguém paranóico ou desesperado andando por aí. Além disso, proteger a Lucy é apenas uma parte do que precisamos fazer. Quem quer que seja que estiver por trás disso, deve ser parado.

-Sim, o senhor está certo. Irei fazer vigília na casa dela esta noite.

-Ótimo. E Erza... não diga nada ao Natsu. — finalizou o mestre, tomando outro gole da caneca.

E assentindo com a cabeça, Erza saiu ao seu destino.

-Ai, ai, como é gostoso um banho de sais... queria ter ficado mais tempo lá. — disse Lucy vestindo um pijama rosa. -Se bem que minha pele já estava ficando enrugada.

O banheiro ainda estava com cheiro de rosas e algo doce. Era bastante agradável, o que deixou o humor dela ainda melhor.

-Você tem uma casa bem grande, mas seu senso de decoração... caramba, é péssimo! — disse uma voz masculina.

[6]

Lucy se virou. Era um homem jovem, de cabelos compridos e amarrados, com uma franja incrivelmente brega... — Ei eu não disse isso! — uma roupa estilo samurai. E falava com uma voz grave, mas nada sedutora. — Pare com isso, narrador!

-Quem... quem é você? — perguntou ela assustada.

-Meu nome não importa, Lucy-sama. — respondeu o homem. -Eu só queria que você estivesse usando algo mais formal, esse pijaminha ai é muito cafona.

Lucy correu para apanhar suas chaves, mas antes que pudesse chegar a cômoda onde elas estavam, uma espada brilhante surgiu do nada e a impediu de continuar se movendo.

-Eu não faria isso, se fosse você. Essas lâminas reagem ao movimento das pessoas. E eu não quero entregar você com nenhum arranhão.

-Me entregar? Do que você está falando?

-Vamos ao encontro do novo mundo, Lucy-sama.

Lucy continuou sem entender. Quem era aquele homem, e o que era toda aquela conversa sem sentido?

-Eu... não vou a lugar nenhum com você. Saia da minha casa!

-Ah! Isso é um desafio? — disse o homem se animando.

-Eu já disse pra sair da minha c...

Antes que ela pudesse terminar de falar, o homem surgiu em sua frente, rápido como a luz, desferindo um soco certeiro em seu estômago. Lentamente seus olhos foram fechando, e a consciência desaparecendo.

-Captura do alvo concluída. — disse ele. -Mas antes, vou castigar essa casa por aceitar uma decoração tão ridícula.

Do lado de fora, Erza estava se aproximando da casa. Em sua mente, ela passaria a noite em frente a casa, observando cada detalhe. Mas ela nem sabia que estaria perdendo tempo.

[Bum!]

Um barulho forte de explosão rompeu o silêncio da noite e uma nuvem de poeira se formou onde estava a casa. Erza olhou assustada. Segundos depois ela viu um vulto se mover saindo entre a poeira. E quando a visibilidade finalmente se restaurou, apenas destroços restavam de onde antes havia a casa da Lucy.

-Essa não, Lucy! LUCY!!

Não percam o próximo capítulo – Os dois lados da vida

Notas finais
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