Fairy Tail - A nova geração.
7 Be as one - Song Cap.
Notas iniciais
Castiel olhou para a janela. Estava chovendo, e aquilo lhe dava inspiração. Estava sentado em sua cama, com o violão no colo. Seus cabelos negros estavam mal-amarrados, sua camiseta estava amarrotada e Dragon, seu cachorro, estava deitado ao seu lado, choramingando algumas vezes. Provavelmente estava sonhando. Uma lembrança invadiu sua mente...
"Ray: Ne... Tiel, que nome eu devo dar à ele? — a ruiva perguntou. Naquela época, ela tinha acabado de fazer seis anos. Erza e Jellal haviam presenteado-a com um pequeno cachorrinho preto, que espirrava, soltando um pó azul pelo nariz gelado. Segundo Jellal, o cão era um cão mágico, um cão fiel que sempre protegeria seu dono.
Castiel: Hm... Acho que você deveria chamá-lo de Dragon! — ele disse, animado. O cachorro abanou o rabinho, animado. Nyelle olhou para o cão e alguns segundos depois, sorriu.
Ray: Então está decidido! Seu nome será Dragon! — ela acariciou a cabeça do animal.
Um tempo depois, Ray perguntou, curiosa:
Ray: O que está acontecendo com ele? — ela disse, olhando para o cão que dormia e choramingava. Jellal se agachou ao lado da filha e sorriu pra ela, passando as mãos no cabelo da garota.
Jellal: Nada, filha. Ele só está sonhando..."
Castiel grunhiu. Odiava quando essas lembranças invadiam sua mente. Odiava se lembrar dela.
Ele pegou o bloco de notas e olhou para a janela, observando atentamente as gotas de chuva batendo e escorrendo pelo vidro. Mordeu o lábio inferior. Pensar tanto em Ranyelle o havia feito ter uma ideia, embora não gostasse de escrever coisas que o lembrassem da ruiva. Era doloroso demais pensar que ela não estava mais lá. Ver o nome dela escrito em algo doía, ouvir seu nome doía, sentir o cheiro de morangos e rosas (o cheiro da ruiva) doía, tudo que envolvia Ranyelle doía.
Sempre penso em você
Mesmo quando não nos vemos
Eu sinto sua falta
Largou o bloco e o violão, vestiu um casaco de moletom preto com capuz e correu escada à baixo, correndo para fora de casa sem nem ao menos responder sua mãe.
Ele parou, olhando a chuva. As gotas geladas caiam sobre seu rosto, molhando seu cabelo e sua roupas, encharcando-o aos poucos. Mas ele não ligava. Colocou o capuz sobre a cabeça e correu até o cemitério.
A igreja havia feito um túmulo em homenagem a Ranyelle, por mais que Erza e Jellal não quisessem. A igreja deu a eles a liberdade de fazer o que quiserem com o túmulo, e Erza e Jellal decidiram deixar o túmulo lá, para ficar de lembrança quando Ranyelle voltasse, assim como Mira e Elfman fizeram com o túmulo de Lisana.
"Foda-se" — Castiel pensou enquanto adentrava o cemitério. — "Ela não está morta. Ninguém vai querer se lembrar do tempo que ela passou desaparecida" — ele pensou, se aproximando do túmulo. Nele havia escrito: "Ranyelle Fernandes Scarlet. A luz especial que iluminou e guiou as pessoas que hoje choram por sua perda"
Ah, e o calor da sua mão
Me aquece de alma e coração
Nunca sairei do seu lado, ficarei aqui para sempre
Castiel bufou. O que aquelas pessoas sabiam sobre ela? Eram meros idiotas, falsamente sofrendo por uma garota que realmente fizera muitos chorarem por sua perda, mas que não estava morta.
"Vão todos a merda!" — pensou e quebrou o túmulo, partindo-o em mais de mil pedaços. Depois, correu para fora do cemitério, usando toda sua energia para correr para o lugar que sempre existiria, e que sempre faria todos que a conheceram se lembrarem dela...
E o doce sorriso em seu rosto sempre que olho em seus olhos
Me faz querer estar sempre perto de você
Ele parou, respirando profundamente e observando o lugar a sua volta.
As árvores de cerejeira estavam todas molhadas, com um ar meio triste. Graças a chuva, a festa em comemoração ao desabrochar das flores havia sido cancelado, mas muitos ainda comemoravam em suas casas ou em suas guildas. A família Fernandes não fazia parte desses muitos. Era o aniversário de Ranyelle. Fazia anos que Erza, Jellal e Dimitry não comemoravam o dia do desabrochar das flores.
Castiel se deixou cair no chão. A chuva foi parando aos poucos, e logo o dia virou noite.
As flores brilhavam como o arco-íris.
Quero ser tudo pra você, te proteger
Fique ao meu lado, sim, você, minha amada
Todo o meu amor é seu
Duas almas se encontram, uma vez na vida
Castiel se permitiu chorar, se deitando na grama molhada e observando o céu estrelado.
Uma flor que brilhava somente a vermelho flutuo na frente de seus olhos, e ele esticou a mão para pegá-la.
Assim como as estrelas que brilham juntas
E como as gotas de chuva que caem no mar
Vamos ficar juntos, meu amor
Você é tudo para mim.
Quando Castiel se levantou, já estava amanhecendo.
As árvores já não brilhavam mais.
Mas a flor de cerejeira vermelha continuava brilhando na palma de sua mão.
E quando ele a soltou, deixando-a ser levada pelo vento, ela ainda não tinha parado de brilhar.
Ele sorriu. De certa forma, aquilo lhe dava esperanças. Aquilo era como um aviso.
Um aviso de que um dia ela voltaria.
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