Fairest Of Them All
1 Capítulo 1 - Era Uma Vez.
Notas iniciais
Lábios vermelhos como sangue. Cabelos negros como a noite. E pele branca como a neve. Essa sou eu. E esse era o motivo de eu estar louca para ir para Forks e deixar Phoenix para trás. Eu sentiria saudade de minha mãe amada, instável, e cabeça oca. Mas aquela cidade grande e ensolarada não era para mim. Todos lá eram bronzeados enquanto meu apelido na escola era "senhorita parda". E eu já estava farta dos olhares das pessoas como se eu pertencesse a outra espécie. Foi assim por toda a minha vida. Então, pensei que se eu me ezilasse na cidade mais chuvosa dos Estados Unidos, onde todos são como eu por viverem embaixo de uma constante camada de nuvens cinzas – e onde meu pai mora –, eu seria apenas mais uma adolescente de 17 anos. Além disso, eu adoro o frio.
Minha mãe me lançou aquele olhar de preocupação mais uma vez quando finalmente chegou a hora de embarcar no avião. Era como se ela me observasse caminhar para a morte. Eu entendia, afinal, era a primeira vez que eu ficaria fora de casa por tanto tempo desde que nos mudamos para Phoenix quando eu ainda era um bebê. Mas talvez ela estivesse exagerando. Eu a abracei.
– Eu te amo, mãe – eu disse.
– Eu te amo, Bella.
Senti suas lágrimas caírem por sobre meu ombro esquerdo.
– Está tudo bem, mãe. Eu queroir – tentei animá-la. – E não se preocupe, deixei algumas lasanhas no congelador só para você por no microondas.
– Tudo bem, querida — respondeu ela, largando-me. Afagou meu rosto – Cuide-se. Seja forte como aquela rosa.
Eu sorri para ela, e segui para meu embarque. Olhei para trás enquanto caminhava. Minha mãe estava no celular. Provavelmente ligando para Charlie pela milésima vez. E provavelmente fazendo as mesmas perguntas das ligações anteriores — "Tem certeza de que ela ficará segura ai?" ou "As coisas estão bem diferentes em Forks agora, certo?". Sua preocupação exagerada já estava me irritando.
Aprecei-me para meu vôo. Enquanto a paisagem mudava, lembrei do conto da Rosa Dourada que minha mãe costumava me contar todas as vezes que chegava triste em casa depois de alguma garota fazer piada sobre a minha palidez.
"Em uma terra encantada" dizia ela "Onde se é inverno o tempo todo, uma rosa dourada teve força o bastante para brotar em meio a neve. Enquanto a noite caia, uma mulher grávida que passeava por perto a viu. Ela pensou em pegar a unica rosa que vira em toda sua vida naquele lugar e levá-la para casa. Mas ao tocar, os espinhos da flor cortaram seu dedo, então três gotas de sangue cairam na neve. O contraste do vermelho no branco a fez pensar "Ah, se eu tivesse uma filha tão branca quanto esta neve, de cabelos tão negros quanto esta noite, de lábios tão vermelhos quanto estas gotas de sangue, com olhos dourados como esta rosa, e com a mesma força dela". Não demorou muito tempo e sua filha nasceu. Do jeito que ela pediu, ou até melhor. E as outras garotas faziam piada dela. Mas não porque ela era estranha, mas sim, porque elas tinham inveja dela, pois ela era a mais bela de todas".
Quando eu era criança, costumava me perguntar se minha mãe lêra aquela história em algum livro de contos infantis, ou se aquela história era sobre a minha verdadeira origem. Se era por causa daquela flor que eu era como era. Mas minhas espêranças se dessipavam quando lembrava que meus olhos não eram dourados, e sim, castanhos. Que eu não era forte, e sim, desastrada. Até que parei de acreditar em terras encantadas.
Depois de aterrissar em Seattle, peguei minha única mala – nunca precisei de muita coisa para sobreviver – e sentei em um banco do aeroporto. Charlie já deveria estar ali para me levar para casa, mas estava atrasado. Que estranho. Charlie nunca fora de se atrasar no tempo em que ia passar as férias comigo em Phoenix.
Coloquei os fones de ouvido, enquanto tocava Flightless Bird, America Mouth na minha playlist. Fechei os olhos, e desliguei o mundo em minha volta. Até que algo me fez voltar. Uma senhora chamava minha atenção, cutucando-me com seus dedos longos e engelhados.
Tirei os fones de ouvido. Ela me encarava, com um sorriso gentil que fazia suas rugas pularem.
– Sim? – perguntei.
– Será que você poderia chegar para lá um pouquinho? – disse ela, sua voz rouca parecia fraca.
– Ah... Claro que sim, desculpe – Só então percebi que ocupava todo o banco com a minha mala, então a pus no chão.
A velinha carregava apenas uma cesta de maçãs, que a deixava adorável.
– Está esperando alguém? – Ela tentou puxar assunto.
– Meu pai – respondi – Aquele filho da mãe está demorando – A ultima frase eu disse baixinho para mim mesma, mas ela ouviu.
Ela deu uma risada.
– Meu pai também está sempre atrasado.
– O que? – arregalei os olhos para ela.
– Vendo frutas aqui em Seattle, mas moro em Forks com meu pai. Ele tem que vir me buscar três vezes por semana, mas sempre está atrasado. São quatro horas de viagem.
Decidi não responder. Aquela velinha devia ser louca. Teria mais gente assim em Forks?
Passamos alguns minutos em silêncio. Olhei para ela pelo canto do olho. Ela me encarava. Acho que percebera minha descrença em suas palavras, mas continuamos em silêncio. Até que ela falou algo por fim.
– Você é muito bonita.
– Obrigada – Reprimi um sorriso que descordava dela.
– Espero que nunca vá a Forks – disse ela baixinho.
– Por quê? – vinquei uma ruga em minha testa.
Ela não respondeu. Talvez não tivesse ouvido. Talvez estivesse um tanto surda por causa da velhice. Perguntei de novo, mais alto desta vez. Ela pareceu me ignorar.
De repente, a pergunta certa veio a minha boca.
– Quantos anos você tem?
Ela virou para mim de reflexo. Seus olhos cansados pareciam mais caídos agora. E brilharam, como cheios de lágrimas. Ela parecia devastada com a pergunta. Então, ergueu a cabeça e se recompôs. Deu um sorriso gentil, e respondeu.
– Vinte e dois.
Foi a minha vez de ficar devastada. Como aquela senhora, cheia de rugas, com a voz rouca, e uma pequena corcunda, poderia ter 22 anos? Seria alguma doença? Ou ela era louca mesmo?
A “jovem senhora” percebeu o estado de choque em meus lábios boquiabertos. Seu sorriso aumentou. Ela parecia se divertir com a minha reação. Algo nela me fazia acreditar que ela dizia a verdade. Deixei escapar outra pergunta.
– Como isso é possível? Você... Quer dizer...
Ela deu uma gargalhada.
– É uma longa história. Meu nome é Greeta, á propósito. Vou te contar tudo. Em Forks...
– Bella! Cheguei, meu bebê! – gritou Charlie, interrompendo Greeta.
Por um minuto, fiquei irritada por Charlie interromper Greeta, fosse verdade o que ela dizia ou não. Depois, quis me esconder dentro da mala. Charlie gritara “bebê” para mim em pleno aeroporto. Ele nunca me chamara assim antes.
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